| Michael
Moore nasceu em 23 de abril de 1954, numa família de classe
média na cidade de Flint, no Estado de Michigan, Estados
Unidos. A cidade vivia em função de fábricas
da General Motors (onde seu pai trabalhava), que fecharam as portas
na década de 80 para cortar gastos. Abandonada e com cerca
de 30 mil trabalhadores demitidos, a cidade virou sinônimo
de decadência e chegou a ser citada na lista dos piores locais
para se viver no país.
Adolescente rebelde na época em que Flint
virou uma cidade-fantasma, Michael Moore virou porta-voz dos trabalhadores
quando criou o jornal independente Flint Voice, que mais
tarde se transformaria no Michigan Voice.
Pouco
depois, com uma câmera na mão e muito atrevimento,
o cineasta passou três anos tentando entrevistar Roger Smith,
o presidente da GM e responsável pela saída da companhia
da cidade. Ele perseguiu o executivo em Detroit, em festas e reuniões,
para tentar tirar satisfações, mas nunca conseguiu
arrancar dele uma palavra. O resultado de sua busca foi o documentário
Roger e Eu, de 1989, que teve orçamento de US$ 250
mil. O dinheiro veio de bingos organizados na casa do cineasta.
O filme se tornou o documentário mais lucrativo até
então.
A próxima investida de Moore foi o programa
TV Nation, no qual fez críticas sociais em forma
de entretenimento durante dois anos. O show chegou a contratar um
ex-agente da KGB para se certificar que Nixon realmente estava morto,
além de outras façanhas.
Em
95 Moore produz seu primeiro filme de ficção, que
inicialmente seria distribuído por um grande estúdio.
Operação Canadá (Canadian Bacon,
1995) foi lançado mesmo depois que o estúdio desistiu
do projeto. O filme conta a história de um presidente dos
Estados Unidos que precisa de popularidade após a Guerra
Fria. Os assessores acabam inventando que o Canadá pretende
invadir o país, mas a mentira foge do controle e um xerife
americano, interpretado por John Candy, comanda um destacamento
que tenta ocupar o país vizinho. O ator morreu durante as
filmagens e, por este motivo, o longa sofreu alterações.
O
primeiro livro do cineasta foi Downsize This! (Enxugue
Isso, 1996), que buscava razões para entender porque
grandes corporações americanas faziam um movimento
de migração nos anos 90. As empresas estavam se mudando
para países de terceiro mundo e, segundo Moore, transformando
os Estados Unidos numa nação de desempregados. E,
mais uma vez com seu ar arrogante, ele saiu em defesa dos trabalhadores
e confrontou as grandes corporações.
O livro inspirou o segundo documentário,
The Big One (1997). Ao contrário de Roger e
Eu, desta vez ele conseguiu uma entrevista com o CEO na Nike.
O longa rendeu também mais uma série de tevê,
chamada The Awful Truth - título que pode ser traduzido
como "A Terrível Verdade", de 1999.
Exército de um homem só
Michael
Moore deu seu passo decisivo contra o governo dos Estados Unidos
com Tiros em Columbine, o primeiro documentário
a concorrer à Palma de Ouro em Cannes depois de 46 anos.
O longa foi vencedor de diversos prêmios internacionais,
como o César (França) de melhor filme estrangeiro.
Novamente com a câmera na mão e sem pedir licença,
o polêmico cineasta investiga a fascinação dos
americanos por armas de fogo e mostra a facilidade em se adquirir
rifles, pistolas e revólveres. Sobreviventes do massacre
de Columbine - quando dois estudantes armados invadiram uma escola
e atiraram indiscriminadamente - também participam do longa.
Neste filme, Moore utilizou sua carteirinha de membro da National
Rifle Association (Associação Nacional de Rifles)
para conseguir uma entrevista com o ator Charlton Reston, que já
foi presidente da entidade.
Na cerimônia de entrega do Oscar 2003, o gorducho,
desconhecido para a maioria dos brasileiros, sobe ao palco para
receber o prêmio de melhor documentário e pisa no calo
de Bush. No inflamado discurso ao vivo, o vencedor afirmou que o
presidente estava levando o país a uma guerra contra o Iraque
por motivos fictícios.
Michael Moore: o escritor
Sem
abandonar o tom de sátira em suas críticas e constantemente
acusado de tentar se auto-promover, em 2001 o cineasta continuou
desafiando George W. Bush no livro Stupid White Man - Uma Nação
de Idiotas (Stupid White Men... and Other Sorry Excuses
for the State of the Nation). Nele, Moore relata a corrupção
no governo americano, além de se aprofundar na análise
da eleição de 2000, na qual Bush foi eleito - segundo
uma versão defendida por muitos - devido a uma fraude na
contagem dos votos na Flórida, estado governado por seu irmão,
Jeb. O título vendeu mais de três milhões de
cópias em todo o mundo e foi traduzido para 24 idiomas.
Em 2004 Moore aumenta sua lista de desafetos ao
lançar outro best-seller: Cara, Cadê Meu País
(Dude, Where is My Country?), no qual aborda questões
que novamente colocam em dúvida a honestidade da administração
do presidente republicano. Ele também acusa o clã
Bush de ter relações com a família real saudita
e ainda acusa a imprensa americana de omissão.
Com
o objetivo de impedir a reeleição de Bush e furar
a conspiração da qual a grande imprensa americana
faz parte contra as perguntas embaraçosas, Moore faz também
sete inquietantes questões ao presidente norte-americano.
Ele acredita que encontrar as respostas é a única
solução para peneirar as mentiras sobre os ataques
de 11 de setembro e a guerra no Iraque.
O
cineasta afirma que, para acabar com o terrorismo, é preciso
antes que as nações hegemônicas deixem de bombardear
os outros povos, propõe uma campanha a favor do pensamento
e comportamento progressistas na América e, entre outras
coisas, diz que Tom Hanks ou Oprah Winfrey seriam boas opções
contra Bush para a presidência dos EUA.
A edição brasileira do livro, lançado
no Brasil pela W11 Editores, tem um prólogo exclusivo escrito
pelo autor. Na mensagem especial aos brasileiros, ele diz: “A
coisa mais assustadora a nosso respeito é que não
sabemos nada a respeito de vocês”.
Fahrenheit 9/11
Para
os integrantes da Casa Branca, bem que Michael Moore pode ser visto
como um elemento perigoso. Porque ele é o homem que está
tentando derrubar o presidente. Começando pela Flórida
e dando várias voltas até o Iraque, o novo filme de
Moore, Fahrenheit 9/11, humilha, condena e brutalmente
desfaz do Presidente e de seus assessores diretos. No filme, Moore
se posiciona veementemente contra a atual política do governo
norte-americano, comandando por George W. Bush.
O
longa é uma crítica mordaz à forma como o governo
norte-americano conduziu a investigação sobre os atentados
de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e manipulou a opinião
pública do país para gerar uma onda de medo com o
objetivo de ter apoio para seus planos de guerra contra o Iraque.
Principal
opositor da era Bush, Moore enfrentou dificuldades para lançar
o filme nos EUA. O grupo Disney, que comanda o estúdio Miramax,
negou-se a distribuí-lo. Um estúdio independente do
Canadá, o Lions Gate Films, acabou assumindo a distribuição
do longa-metragem nos Estados Unidos e saiu no lucro: o documentário
arrecadou 23,9 milhões de dólares apenas no final
de semana de estréia.
Você quer ter Fahrenheit 9/11
no seu computador?
O diretor
norte-americano Michael Moore liberou o download de Fahrenheit
9/11 via programas para trocar arquivos pela internet, como
o Kazaa, Morpheus e eDonkey. As distribuidoras de Fahrenheit
9/11 - o primeiro documentário a liderar a bilheteria
nos Estados Unidos - parecem aceitar o ponto de vista de Moore:
até o momento, elas não tomaram providências
para impedir os downloads.

O sucesso de Fahrenheit 9/11 tem facilitado
a vida do cineasta Michael Moore para a realização
do seu próximo filme. Com o título se tornando o primeiro
documentário a ultrapassar a marca dos US$ 100 milhões
de faturamento, Moore espera abrir caminho para arrecadar dinheiro
para Sicko, sua crítica às organizações
de saúde privadas dos EUA. Ele não quer dar detalhes,
mas fala que o financiamento para a próxima película
virá graças a Fahrenheit 9/11, que custou
“somente” US$ 6 milhões.
Sites do cara:
http://www.michaelmoore.com
http://www.michaelmoore.com.br
É isso aí!
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