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Beagá, 05 de julho de 2004 d.C.
 

Faith No More
As peripécias de uma banda que renovou o rock americano

Por Lulu Carabina
 

As tentativas de se misturar heavy metal com outros estilos quase nunca dão certo. Ainda mais se esses estilos forem funk e rap, mais o uso constante de um teclado. O que poderia ter sido a fórmula do fracasso para qualquer banda acabou sendo motivo de consagração. Isso porque estamos falando do Faith No More.

Os californianos Mike “Puffy” Bordin, Billy Gould, Mike Morris e Wade Worthington montaram o Faith No Man, em 1981. Após algumas mudanças de formação e do nome para Faith No More, lançaram o álbum de estréia We Care a Lot em 1985 e, com ele, o primeiro grande hit, a faixa-título. Naquela época, a banda tinha a seguinte formação: Chuck Mosely (vocal), Jim Martin (guitarra), Billy Gould (baixo), Mike Bordin (bateria) e Roddy Bottum (teclados).

Dois anos depois, o segundo trabalho Introduce Yourself serviu apenas para uma maior divulgação do nome da banda, já que as turnês ainda eram modestas e eles pouco conhecidos. Apesar do curto período na estrada, puderam perceber que o vocalista Mosely bebia demais e causava muita confusão por onde quer que o grupo passasse. Mike Patton, vocalista do Mr. Bungle, foi chamado para substituí-lo, e enfim as coisas começariam a mudar. Com uma nova voz na banda, gravam em 1989 o que seria um dos álbuns mais revolucionários do rock: The Real Thing.

A coisa real

O que o Faith No More conseguiu fazer nesse trabalho é realmente surpreendente: quase todas as faixas viraram hits, como “Epic”, “Falling to Pieces”, “From Out of Nowhere”, entre outras. Passaram a abrir os shows do Metallica, tocando para públicos enormes; produziram vídeo clipes que eram exibidos em todas as MTV's do mundo; faturaram um Grammy e um disco de platina.

Aproveitando toda essa excelente fase, lançaram em 1991 o ao vivo Live at Brixton Academy, gravado na Inglaterra e tão bem sucedido quanto o registro em estúdio. No ano seguinte, chegava às lojas o inédito Angel Dust, que gerou algumas polêmicas: as composições mantinham o mesmo nível de The Real Thing, mas soava menos pesado e muito produzido.

Os sucessos “Midlife Crisis” e “A Small Victory”, além de uma versão para o clássico do Commodors “I'm Easy”, deram a tônica do disco. Saíram em uma enorme excursão, abrindo para o Metallica e o Guns N'Roses, que rodou Estados Unidos e Europa. Só que o guitarrista Jim Martin não estava muito satisfeito com o rumo que o Faith No More havia tomado e foi substituído por Trey Spruance, que gravou com a banda King for a Day, Fool for a Lifetime, lançado em 1995.

Saída triunfal

O álbum fez sucesso apenas em alguns países como a Austrália, sendo praticamente ignorado pelo público em geral. No início dessa turnê, Dean Menta foi apresentado como o novo guitarrista, mas a banda foi obrigada a cancelar vários shows devido às baixas vendas de ingressos.

Os boatos sobre o fim do Faith No More aumentaram quando os seus integrantes começaram a tocar com outras pessoas fora do grupo. O baterista Mike Bordin se juntou a Ozzy Osbourne, Mike Patton levou adiante seu projeto Mr. Bungle e Roddy Bottum formou o Imperial Teen.

Em 1997, já com Jon Hudson nas seis cordas, lançaram o que foi o último trabalho do Faith No More, intitulado de Album of the Year. Os destaques foram os singles “Ashes to Ashes” e “Last Cup of Sorrow”.

Apesar da boa aceitação tanto do disco quanto da tour, o baixista Billy Gould anunciou, em abril de 1998, o encerramento das atividades dessa banda, que introduziu o rock de uma forma totalmente renovada na década de 90, conquistando milhões de fãs de diversos estilos e gostos.

O Faith No More foi essencial na transição do funk metal para o atual nu-metal de bandas como Korn, Limp Bizkit e Deftones. O quinteto californiano foi uma das mais criativas e significativas bandas nos últimos 20 anos. Duvida? Basta dar uma olhada no atual cenário musical para se identificar muitos elementos antes utilizados pelo conjunto, que também ajudou a quebrar as barreiras de imposição de rótulos tão utilizados pela mídia.

É isso aí!

Site Oficial do Faith No More: www.fnm.com.

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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