| As tentativas de se misturar heavy
metal com outros estilos quase nunca dão certo. Ainda mais
se esses estilos forem funk e rap, mais o uso constante de um teclado.
O que poderia ter sido a fórmula do fracasso para qualquer
banda acabou sendo motivo de consagração. Isso porque
estamos falando do Faith No More.
Os
californianos Mike “Puffy” Bordin, Billy Gould, Mike
Morris e Wade Worthington montaram o Faith No Man, em 1981. Após
algumas mudanças de formação e do nome para
Faith No More, lançaram o álbum de estréia
We Care a Lot em 1985 e, com ele, o primeiro grande hit,
a faixa-título. Naquela época, a banda tinha a seguinte
formação: Chuck Mosely (vocal), Jim Martin (guitarra),
Billy Gould (baixo), Mike Bordin (bateria) e Roddy Bottum (teclados).
Dois
anos depois, o segundo trabalho Introduce Yourself serviu
apenas para uma maior divulgação do nome da banda,
já que as turnês ainda eram modestas e eles pouco conhecidos.
Apesar do curto período na estrada, puderam perceber que
o vocalista Mosely bebia demais e causava muita confusão
por onde quer que o grupo passasse. Mike Patton, vocalista do Mr.
Bungle, foi chamado para substituí-lo, e enfim as coisas
começariam a mudar. Com uma nova voz na banda, gravam em
1989 o que seria um dos álbuns mais revolucionários
do rock: The Real Thing.
A
coisa real
O
que o Faith No More conseguiu fazer nesse trabalho é realmente
surpreendente: quase todas as faixas viraram hits, como “Epic”,
“Falling to Pieces”, “From Out of Nowhere”,
entre outras. Passaram a abrir os shows do Metallica, tocando para
públicos enormes; produziram vídeo clipes que eram
exibidos em todas as MTV's do mundo; faturaram um Grammy e um disco
de platina.
Aproveitando
toda essa excelente fase, lançaram em 1991 o ao vivo Live
at Brixton Academy, gravado na Inglaterra e tão bem
sucedido quanto o registro em estúdio. No ano seguinte, chegava
às lojas o inédito Angel Dust, que gerou
algumas polêmicas: as composições mantinham
o mesmo nível de The Real Thing, mas soava menos
pesado e muito produzido.
Os
sucessos “Midlife Crisis” e “A Small Victory”,
além de uma versão para o clássico do Commodors
“I'm Easy”, deram a tônica do disco. Saíram
em uma enorme excursão, abrindo para o Metallica e o Guns
N'Roses, que rodou Estados Unidos e Europa. Só que o guitarrista
Jim Martin não estava muito satisfeito com o rumo que o Faith
No More havia tomado e foi substituído por Trey Spruance,
que gravou com a banda King for a Day, Fool for a Lifetime,
lançado em 1995.
Saída
triunfal
O
álbum fez sucesso apenas em alguns países como a Austrália,
sendo praticamente ignorado pelo público em geral. No início
dessa turnê, Dean Menta foi apresentado como o novo guitarrista,
mas a banda foi obrigada a cancelar vários shows devido às
baixas vendas de ingressos.
Os boatos sobre o fim do Faith No More aumentaram
quando os seus integrantes começaram a tocar com outras pessoas
fora do grupo. O baterista Mike Bordin se juntou a Ozzy Osbourne,
Mike Patton levou adiante seu projeto Mr. Bungle e Roddy Bottum
formou o Imperial Teen.
Em
1997, já com Jon Hudson nas seis cordas, lançaram
o que foi o último trabalho do Faith No More, intitulado
de Album of the Year. Os destaques foram os singles “Ashes
to Ashes” e “Last Cup of Sorrow”.
Apesar
da boa aceitação tanto do disco quanto da tour, o
baixista Billy Gould anunciou, em abril de 1998, o encerramento
das atividades dessa banda, que introduziu o rock de uma forma totalmente
renovada na década de 90, conquistando milhões de
fãs de diversos estilos e gostos.

O Faith No More foi essencial na transição
do funk metal para o atual nu-metal de bandas como Korn, Limp Bizkit
e Deftones. O quinteto californiano foi uma das mais criativas e
significativas bandas nos últimos 20 anos. Duvida? Basta
dar uma olhada no atual cenário musical para se identificar
muitos elementos antes utilizados pelo conjunto, que também
ajudou a quebrar as barreiras de imposição de rótulos
tão utilizados pela mídia.
É isso aí!
Site Oficial do Faith No More: www.fnm.com.
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