q

Página principal de Nossos Colunistas
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 28 de junho de 2004 d.C.
 

O Mogli de Cataguases
Montagem do grupo GPTo impressiona mas não empolga

Por Lulu Carabina
 

Apesar da vasta programação, assisti a apenas um espetáculo do V Festival Internacional de Teatro de Bonecos. Foi Histórias da Selva, uma adaptação de Gustavo Noronha do texto Mogli - o Menino Lobo, de Rudyard Kipling. A peça é voltada para o público infantil, mas felizmente não teve como inspiração o desenho da Disney.

Histórias da Selva conta a história de um bebê adotado pelos animais da floresta, que aprende com eles as leis e os costumes necessários para sua sobrevivência. Quando cresce, Mogli tem dúvidas e decisões típicas de quem descobre que seu destino só pode ser decidido por ele mesmo. O espetáculo busca fidelidade à fábula original, além de possibilitar a integração entre público, arte e natureza.

Nessa montagem do Grupo GPTo de Teatro de Bonecos a técnica de manipulação utilizada é a de fios, mas há também alguns bonecos de varas e de luvas. Histórias da Selva tem um interessante trabalho de cenografia e de iluminação. A trilha sonora também foi muito bem escolhida e os bonecos são belíssimos. Entretanto, achei o ritmo bastante lento e as crianças acabam ficando um pouco entediadas. Na minha opinião, a peça não é indicada para menores de 4 anos e maiores de 12. Mas como Histórias da Selva marca a estréia do GPTo nos palcos de todo país, acredito que com o tempo os bonequeiros de Cataguases irão apresentar trabalhos mais maduros e consistentes.

O nascimento do GPTo

No segundo semestre de 1999 é criado em Cataguases o Instituto Francisca de Souza Peixoto (ISFP), patrocinado pela Companhia Industrial Cataguases (CIC), com o objetivo de apoiar, divulgar, pesquisar e promover atividades de apoio à comunidade, através de projetos nas áreas de educação, arte e cultura, esporte, saúde e cidadania.

Neste mesmo período, a UFMG rompe seu convênio com o Giramundo Teatro de Bonecos, deixando o grupo de Álvaro Apolcalypse, a partir de então, sem local para guardar adequadamente seu precioso acervo.

Daí Marcelo Inácio Peixoto, presidente do então recém criado IFSP e da Tratos Culturais, faz o convite para a criação do Museu Giramundo em Cataguases, onde o Instituto disponibilizaria um de seus enormes galpões para a construção de um local onde todas as peças pudessem ficar expostas de modo adequado e em condições de serem apresentadas quando necessário.

Os arquitetos Gustavo Noronha (também integrante do Giramundo) e Alceu Brito Corrêa projetaram as instalações com a preocupação de preservar as características da antiga fábrica de tecidos e explorando ao máximo o uso de panos, cordas e madeiras tanto nas estruturas como nos cenários.

Em 2000, entretanto, as linhas do destino do IFSP e do Giramundo foram cortadas abruptamente. Com isso, o projeto do Museu Giramundo em Cataguases foi para a gaveta. Porém, as diversas apresentações do Giramundo na cidade despertaram a atenção e o interesse da comunidade para a magia e beleza do teatro de bonecos, bem como ajudaram a formar a opinião pública sobre esta nobre arte. Assim, na seqüência da partida do Giramundo, surge um grupo de teatro de bonecos amador apoiado pelo IFSP.

No segundo semestre de 2002, Marcelo Inácio Peixoto decide profissionalizar o grupo. Para isso, cria a Fábrica de Bonecos Álvaro Apocalypse com espaço amplo para ensaios e dinâmicas, equipamentos e maquinários profissionais. Gustavo Noronha e Paulinho Polika são convidados para coordenarem o projeto e dirigirem um novo elenco de jovens que estivessem dispostos a se tornarem bonequeiros profissionais e que compartilhassem os ideais do IFSP. Dessa maneira, surge em 03 de novembro de 2002 o GPTo Teatro de Bonecos.

Mantido pelo Instituto Francisca de Souza Peixoto, o grupo desenvolve atividades permanentes como workshops e cursos de manipulação, expressão corporal, técnicas circenses, interpretação, dinâmica de grupo, concentração e construção de bonecos.

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Papo de boteco
Quando bonecos são coisa de gente grande
O pai da Mônica
Uma Breve História da Guitarra
O sexteto fantástico - Monty Python
Confira textos mais antigos...