| Apesar
da vasta programação, assisti a apenas um espetáculo
do V Festival Internacional de Teatro de Bonecos. Foi Histórias
da Selva, uma adaptação de Gustavo Noronha do
texto Mogli - o Menino Lobo, de Rudyard Kipling. A peça
é voltada para o público infantil, mas felizmente
não teve como inspiração o desenho da Disney.
Histórias
da Selva conta a história de um bebê adotado pelos
animais da floresta, que aprende com eles as leis e os costumes
necessários para sua sobrevivência. Quando cresce,
Mogli tem dúvidas e decisões típicas de quem
descobre que seu destino só pode ser decidido por ele mesmo.
O espetáculo busca fidelidade à fábula original,
além de possibilitar a integração entre público,
arte e natureza.

Nessa
montagem do Grupo GPTo de Teatro de Bonecos a técnica de
manipulação utilizada é a de fios, mas há
também alguns bonecos de varas e de luvas. Histórias
da Selva tem um interessante trabalho de cenografia e de iluminação.
A trilha sonora também foi muito bem escolhida e os bonecos
são belíssimos. Entretanto, achei o ritmo bastante
lento e as crianças acabam ficando um pouco entediadas. Na
minha opinião, a peça não é indicada
para menores de 4 anos e maiores de 12. Mas como Histórias
da Selva marca a estréia do GPTo nos palcos de todo
país, acredito que com o tempo os bonequeiros de Cataguases
irão apresentar trabalhos mais maduros e consistentes.
O
nascimento do GPTo
No
segundo semestre de 1999 é criado em Cataguases o Instituto
Francisca de Souza Peixoto (ISFP), patrocinado pela Companhia Industrial
Cataguases (CIC), com o objetivo de apoiar, divulgar, pesquisar
e promover atividades de apoio à comunidade, através
de projetos nas áreas de educação, arte e cultura,
esporte, saúde e cidadania.
Neste mesmo período, a UFMG rompe seu convênio
com o Giramundo Teatro de Bonecos, deixando o grupo de Álvaro
Apolcalypse, a partir de então, sem local para guardar adequadamente
seu precioso acervo.
Daí
Marcelo Inácio Peixoto, presidente do então recém
criado IFSP e da Tratos Culturais, faz o convite para a criação
do Museu Giramundo em Cataguases, onde o Instituto disponibilizaria
um de seus enormes galpões para a construção
de um local onde todas as peças pudessem ficar expostas de
modo adequado e em condições de serem apresentadas
quando necessário.

Os arquitetos Gustavo Noronha (também integrante
do Giramundo) e Alceu Brito Corrêa projetaram as instalações
com a preocupação de preservar as características
da antiga fábrica de tecidos e explorando ao máximo
o uso de panos, cordas e madeiras tanto nas estruturas como nos
cenários.
Em
2000, entretanto, as linhas do destino do IFSP e do Giramundo foram
cortadas abruptamente. Com isso, o projeto do Museu Giramundo em
Cataguases foi para a gaveta. Porém, as diversas apresentações
do Giramundo na cidade despertaram a atenção e o interesse
da comunidade para a magia e beleza do teatro de bonecos, bem como
ajudaram a formar a opinião pública sobre esta nobre
arte. Assim, na seqüência da partida do Giramundo, surge
um grupo de teatro de bonecos amador apoiado pelo IFSP.

No segundo semestre de 2002, Marcelo Inácio
Peixoto decide profissionalizar o grupo. Para isso, cria a Fábrica
de Bonecos Álvaro Apocalypse com espaço amplo para
ensaios e dinâmicas, equipamentos e maquinários profissionais.
Gustavo Noronha e Paulinho Polika são convidados para coordenarem
o projeto e dirigirem um novo elenco de jovens que estivessem dispostos
a se tornarem bonequeiros profissionais e que compartilhassem os
ideais do IFSP. Dessa maneira, surge em 03 de novembro de 2002 o
GPTo Teatro de Bonecos.
Mantido pelo Instituto Francisca de Souza Peixoto,
o grupo desenvolve atividades permanentes como workshops e cursos
de manipulação, expressão corporal, técnicas
circenses, interpretação, dinâmica de grupo,
concentração e construção de bonecos.
É
isso aí!
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