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Beagá, 24 de maio de 2004 d.C.
 

O pai da Mônica
Você já leu alguma revista da Turma da Mônica, é claro. Que tal conhecer um pouco da história da turminha e de seu criador?

Por Lulu Carabina
 

A Turma da Mônica é conhecida por crianças de todo o Brasil. A invocada dentucinha e seus amigos vendem cerca de dois milhões de revistinhas por mês. Eles andam aprontando por aí há tanto tempo que até quem é adulto se lembra de ter lido suas histórias quando era criança.

Mônica e seus amigos foram criados há mais de 40 anos. Os primeiros personagens que Maurício fez como desenhista profissional foram o cãozinho Bidu e seu amigo cientista, o Franjinha. Já no ano de 1959, a dupla aparecia nas tiras do jornal Folha de S. Paulo.

Depois de Bidu e Franjinha, Maurício criou Cebolinha. O menino que troca o “r” pelo “l” foi inspirado em uma pessoa real, um garotinho que vivia em Mogi das Cruzes, cidade onde Maurício de Sousa cresceu. Depois apareceu o Cascão, que ficou guardado na gaveta por um bom tempo, pois Maurício tinha medo de que as pessoas não gostassem do garoto pelo fato dele ser sujo. Mas Cascão estreou, foi um sucesso e conquistou o público - apesar de seu cheirinho.

Mônica, personagem mais conhecido de Maurício, surgiu apenas em 1963, como coadjuvante das histórias do Cebolinha. Cheia de personalidade, a menina gordinha, baixinha, dentuça e esquentada criou força (mais do que já tinha), ganhou sua própria revista em 1970 e acabou dando nome à turma. Assim como boa parte dos outros personagens, Mônica também foi inspirada em uma pessoa real: a filha de Maurício de Sousa deu nome à personagem. Outra filha do autor serviu de inspiração para o surgimento da gulosa Magali.

O Maurício de Sousa também tem sua história

Maurício Araújo de Sousa nasceu numa pequena cidade do estado de São Paulo, chamada Santa Isabel. Foi em outubro de 1935. Seu pai era o poeta e barbeiro Antônio Maurício de Sousa. A mãe, Petronilha Araújo de Sousa, poetisa.

Com poucos meses, Maurício foi levado pela família para a vizinha cidade de Mogi das Cruzes, onde passou parte da infância. Outra parte foi vivida em São Paulo, onde seu pai trabalhou ocasionalmente em estações de rádio.

Suas primeiras aulas foram no externato São Franciso, ao lado da Faculdade, no centro de São Paulo. Depois, continuou estudos no primário e no ginásio dividindo-se entre as duas cidades. Enquanto estudava, trabalhou em rádio, no interior, onde também ensaiou números de canto e dança. E, para ajudar no orçamento doméstico, desenhava cartazes e pôsteres.

Entretanto, seu sonho era se dedicar profissionalmente ao desenho. Chegou a fazer ilustrações para os jornais de Mogi das Cruzes, mas queria desenvolver técnica e arte. Para isso, precisava procurar os grandes centros, onde editoras e jornais pudessem se interessar pelo seu trabalho.

Pegou amostras do que já tinha feito e publicado e foi para São Paulo em busca de emprego. Não conseguiu. Mas havia uma vaga de repórter policial no jornal Folha da Manhã. Maurício fez um teste para ocupar a vaga e passou.

Ficou cinco anos escrevendo reportagens policiais. Entretanto, chegou um tempo em que teve que decidir entre a polícia e a arte. Para a alegria de todos nós, ainda bem que ele ficou com a velha paixão.

Maurício criou uma série de tiras em quadrinhos com um cãozinho e seu dono - Bidu e Franjinha - e ofereceu o material para os redatores da Folha. As historietas foram aceitas, o jornalismo perdeu um repórter policial e ganhou um desenhista. Essa passagem deu-se em 1959.

Nos anos seguintes, Maurício criou outras tiras de jornal - Cebolinha, Piteco, Chico Bento, Penadinho - e páginas tipo tablóide para publicação semanal - Horácio, Raposão, Astronauta - que invadiram dezenas de publicações durante dez anos. Para a distribuição desse material, Maurício criou um serviço de redistribuição que atingiu mais de 200 jornais em dez anos.

Daí chegou o tempo das revistas em quadrinhos nas bancas. Foi em 1970, quando Mônica foi lançada já com tiragem de 200 mil exemplares. Dois anos depois, saiu a revista Cebolinha e, nos anos seguintes, as publicações do Chico Bento, Cascão, Magali, Pelezinho e outras.

Merchandising

Durante esses anos todos, Maurício desenvolveu um sistema de trabalho em equipe que possibilitou, também, sua entrada no licenciamento de produtos. Seus trabalhos começaram a ser conhecidos no exterior e em diversos países surgiram revistas com a Turma da Mônica.

Na década de 80, aconteceu a invasão dos desenhos animados japoneses. Maurício ainda não tinha desenhos para televisão e perdeu mercados. Resolveu então enfrentar o desafio e abriu um estúdio de animação - a Black & White - com mais de 70 artistas, realizando oito longas-metragens.

Maurício estava se preparando para a volta aos mercados perdidos, mas não contava com as dificuldades políticas e econômicas do país. A inflação impediu projetos a longo prazo, como têm que ser as produções de filmes de animação; a bilheteria sem controle dos cinemas fazia evaporar quase 100% da receita; e o pior: a lei de reserva de mercado da informática impedia o acesso à tecnologia de ponta necessária para a animação moderna.

Por causa disso, Maurício parou com o desenho animado e concentrou-se somente nas histórias em quadrinhos e seu merchandising até que a situação se normalizasse, o que vem acontecendo nos últimos anos.

Conseqüentemente, voltam os planos de animação e outros projetos - dentre esses, após a criação do primeiro parque temático, o Parque da Mônica, no Shopping Eldorado (em São Paulo), seguido do Parque da Mônica do Rio de Janeiro, Maurício prevê a construção de outros, inclusive no exterior.

As revistas vendem-se aos milhões, o licenciamento é o mais poderoso do país e os estúdios se preparam para trabalhar com a televisão. A Turma da Mônica e todos os demais personagens criados por Maurício de Sousa estão aí, mais fortes do que nunca, com um tipo de mensagem carinhosa, alegre, descontraída, dirigida às crianças e aos adultos de todo o mundo que tenham alguns minutos para sorrirem felizes.

Maurício de Sousa, o pintor

Uma nova faceta de Maurício de Sousa pode ser conhecida numa exposição que está em cartaz na Grande Galeria do Palácio das Artes. Prorrogada até o dia 30 de maio, História em Quadrões já foi vista por mais de 78 mil pessoas em Belo Horizonte.

Estão expostos 49 quadros e uma escultura em que o autor Maurício de Sousa relaciona seus conhecidos personagens às pinturas clássicas da arte universal. A Mônica, por exemplo, se transforma na Mônica Lisa, em homenagem à Mona lisa, de Leonardo da Vinci. Ao lado de cada quadro, é exibida uma reprodução da obra original em formato reduzido.

História em Quadrões é dividida em dois módulos: o primeiro, com as principais obras da arte universal, onde o público tem contato com a pintura italiana renascentista de Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci e Michelangelo, também com os principais pintores espanhóis dos séculos XVII e XVIII; com os impressionistas e os pós-impressionistas.

No segundo módulo, serão apresentadas obras de alguns dos mais importantes artistas modernistas brasileiros, entre eles Di Cavalcanti e Portinari. Será exposta também uma paródia de O Pensador, consagrada escultura de Rodin, com o personagem Cebolinha.

Até o dia 30, História em Quadrões pode ser visitada de terça a sábado, das 9 às 20h30 e domingo, das 16 às 20h30, na Grande Galeria do Palácio das Artes.

Historinhas da turminha

Maurício de Sousa criou seu primeiro personagem, Capitão Picolé, ainda na escola.

Criou o cachorrinho Bidu quando era repórter policial. A primeira história com o nome Bidu saiu na Folha da Tarde de São Paulo, em 18 de julho de 1959.

Mônica e Magali foram inspiradas nas filhas de Maurício: “Vi minha filha Mônica, que tinha pouco mais de 2 anos, era baixinha, bravinha e dentuça, querendo levantar o coelho para bater na Magali. E a Magali achando ruim porque não queria parar de comer a melancia”.

Quando a Mônica foi criada, em 1963, era irmã do personagem Zé Luís. Estreou na tira de número 18 do Cebolinha.

Sansão, o nome do coelhinho da Mônica, foi escolhido em um concurso promovido entre milhares de leitores.

Cebolinha foi inspirado num garoto da turma de infância de Maurício. Ele realmente tinha cabelos espetados e falava “elado”.

Horácio é o personagem favorito de Maurício e o único que ainda é desenhado por ele próprio.

As tirinhas da Turma da Mônica são publicadas em quase 80 jornais do mundo todo.

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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