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A Turma
da Mônica é conhecida por crianças de todo
o Brasil. A invocada dentucinha e seus amigos vendem cerca de dois
milhões de revistinhas por mês. Eles andam aprontando
por aí há tanto tempo que até quem é
adulto se lembra de ter lido suas histórias quando era criança.
Mônica
e seus amigos foram criados há mais de 40 anos. Os primeiros
personagens que Maurício fez como desenhista profissional
foram o cãozinho Bidu e seu amigo cientista, o Franjinha.
Já no ano de 1959, a dupla aparecia nas tiras do jornal Folha
de S. Paulo.
Depois de Bidu e Franjinha, Maurício criou
Cebolinha. O menino que troca o “r” pelo “l”
foi inspirado em uma pessoa real, um garotinho que vivia em Mogi
das Cruzes, cidade onde Maurício de Sousa cresceu. Depois
apareceu o Cascão, que ficou guardado na gaveta por um bom
tempo, pois Maurício tinha medo de que as pessoas não
gostassem do garoto pelo fato dele ser sujo. Mas Cascão estreou,
foi um sucesso e conquistou o público - apesar de seu cheirinho.
Mônica, personagem mais conhecido de Maurício,
surgiu apenas em 1963, como coadjuvante das histórias do
Cebolinha. Cheia de personalidade, a menina gordinha, baixinha,
dentuça e esquentada criou força (mais do que já
tinha), ganhou sua própria revista em 1970 e acabou dando
nome à turma. Assim como boa parte dos outros personagens,
Mônica também foi inspirada em uma pessoa real: a filha
de Maurício de Sousa deu nome à personagem. Outra
filha do autor serviu de inspiração para o surgimento
da gulosa Magali.
O
Maurício de Sousa também tem sua história
Maurício
Araújo de Sousa nasceu numa pequena cidade do estado de São
Paulo, chamada Santa Isabel. Foi em outubro de 1935. Seu pai era
o poeta e barbeiro Antônio Maurício de Sousa. A mãe,
Petronilha Araújo de Sousa, poetisa.
Com poucos meses, Maurício foi levado pela
família para a vizinha cidade de Mogi das Cruzes, onde passou
parte da infância. Outra parte foi vivida em São Paulo,
onde seu pai trabalhou ocasionalmente em estações
de rádio.
Suas
primeiras aulas foram no externato São Franciso, ao lado
da Faculdade, no centro de São Paulo. Depois, continuou estudos
no primário e no ginásio dividindo-se entre as duas
cidades. Enquanto estudava, trabalhou em rádio, no interior,
onde também ensaiou números de canto e dança.
E, para ajudar no orçamento doméstico, desenhava cartazes
e pôsteres.
Entretanto, seu sonho era se dedicar profissionalmente
ao desenho. Chegou a fazer ilustrações para os jornais
de Mogi das Cruzes, mas queria desenvolver técnica e arte.
Para isso, precisava procurar os grandes centros, onde editoras
e jornais pudessem se interessar pelo seu trabalho.
Pegou
amostras do que já tinha feito e publicado e foi para São
Paulo em busca de emprego. Não conseguiu. Mas havia uma vaga
de repórter policial no jornal Folha da Manhã.
Maurício fez um teste para ocupar a vaga e passou.
Ficou cinco anos escrevendo reportagens policiais.
Entretanto, chegou um tempo em que teve que decidir entre a polícia
e a arte. Para a alegria de todos nós, ainda bem que ele
ficou com a velha paixão.
Maurício
criou uma série de tiras em quadrinhos com um cãozinho
e seu dono - Bidu e Franjinha - e ofereceu o material para os redatores
da Folha. As historietas foram aceitas, o jornalismo perdeu
um repórter policial e ganhou um desenhista. Essa passagem
deu-se em 1959.
Nos
anos seguintes, Maurício criou outras tiras de jornal - Cebolinha,
Piteco, Chico Bento, Penadinho - e páginas tipo tablóide
para publicação semanal - Horácio, Raposão,
Astronauta - que invadiram dezenas de publicações
durante dez anos. Para a distribuição desse material,
Maurício criou um serviço de redistribuição
que atingiu mais de 200 jornais em dez anos.
Daí
chegou o tempo das revistas em quadrinhos nas bancas. Foi em 1970,
quando Mônica foi lançada já com tiragem
de 200 mil exemplares. Dois anos depois, saiu a revista Cebolinha
e, nos anos seguintes, as publicações do Chico Bento,
Cascão, Magali, Pelezinho e outras.
Merchandising
Durante
esses anos todos, Maurício desenvolveu um sistema de trabalho
em equipe que possibilitou, também, sua entrada no licenciamento
de produtos. Seus trabalhos começaram a ser conhecidos no
exterior e em diversos países surgiram revistas com a Turma
da Mônica.
Na
década de 80, aconteceu a invasão dos desenhos animados
japoneses. Maurício ainda não tinha desenhos para
televisão e perdeu mercados. Resolveu então enfrentar
o desafio e abriu um estúdio de animação -
a Black & White - com mais de 70 artistas, realizando oito longas-metragens.
Maurício estava se preparando para a volta
aos mercados perdidos, mas não contava com as dificuldades
políticas e econômicas do país. A inflação
impediu projetos a longo prazo, como têm que ser as produções
de filmes de animação; a bilheteria sem controle dos
cinemas fazia evaporar quase 100% da receita; e o pior: a lei de
reserva de mercado da informática impedia o acesso à
tecnologia de ponta necessária para a animação
moderna.
Por causa disso, Maurício parou com o desenho
animado e concentrou-se somente nas histórias em quadrinhos
e seu merchandising até que a situação se normalizasse,
o que vem acontecendo nos últimos anos.
Conseqüentemente,
voltam os planos de animação e outros projetos - dentre
esses, após a criação do primeiro parque temático,
o Parque da Mônica, no Shopping Eldorado (em São Paulo),
seguido do Parque da Mônica do Rio de Janeiro, Maurício
prevê a construção de outros, inclusive no exterior.
As
revistas vendem-se aos milhões, o licenciamento é
o mais poderoso do país e os estúdios se preparam
para trabalhar com a televisão. A Turma da Mônica
e todos os demais personagens criados por Maurício de Sousa
estão aí, mais fortes do que nunca, com um tipo de
mensagem carinhosa, alegre, descontraída, dirigida às
crianças e aos adultos de todo o mundo que tenham alguns
minutos para sorrirem felizes.
Maurício
de Sousa, o pintor
Uma
nova faceta de Maurício de Sousa pode ser conhecida numa
exposição que está em cartaz na Grande Galeria
do Palácio das Artes. Prorrogada até o dia 30 de maio,
História em Quadrões já
foi vista por mais de 78 mil pessoas em Belo Horizonte.
Estão expostos 49 quadros e uma escultura
em que o autor Maurício de Sousa relaciona seus conhecidos
personagens às pinturas clássicas da arte universal.
A Mônica, por exemplo, se transforma na Mônica Lisa,
em homenagem à Mona lisa, de Leonardo da Vinci. Ao lado de
cada quadro, é exibida uma reprodução da obra
original em formato reduzido.
História
em Quadrões é dividida em dois módulos:
o primeiro, com as principais obras da arte universal, onde o público
tem contato com a pintura italiana renascentista de Sandro Botticelli,
Leonardo da Vinci e Michelangelo, também com os principais
pintores espanhóis dos séculos XVII e XVIII; com os
impressionistas e os pós-impressionistas.

No
segundo módulo, serão apresentadas obras de alguns
dos mais importantes artistas modernistas brasileiros, entre eles
Di Cavalcanti e Portinari. Será exposta também uma
paródia de O Pensador, consagrada escultura de Rodin,
com o personagem Cebolinha.
Até
o dia 30, História em Quadrões pode ser visitada
de terça a sábado, das 9 às 20h30 e domingo,
das 16 às 20h30, na Grande Galeria do Palácio das
Artes.
Historinhas
da turminha
•
Maurício
de Sousa criou seu primeiro personagem, Capitão Picolé,
ainda na escola.
•
Criou
o cachorrinho Bidu quando era repórter policial. A primeira
história com o nome Bidu saiu na Folha da Tarde de
São Paulo, em 18 de julho de 1959.
•
Mônica
e Magali foram inspiradas nas filhas de Maurício: “Vi
minha filha Mônica, que tinha pouco mais de 2 anos, era baixinha,
bravinha e dentuça, querendo levantar o coelho para bater
na Magali. E a Magali achando ruim porque não queria parar
de comer a melancia”.
•
Quando
a Mônica foi criada, em 1963, era irmã do personagem
Zé Luís. Estreou na tira de número 18 do Cebolinha.
•
Sansão,
o nome do coelhinho da Mônica, foi escolhido em um concurso
promovido entre milhares de leitores.

•
Cebolinha
foi inspirado num garoto da turma de infância de Maurício.
Ele realmente tinha cabelos espetados e falava “elado”.
•
Horácio
é o personagem favorito de Maurício e o único
que ainda é desenhado por ele próprio.
•
As
tirinhas da Turma da Mônica são publicadas
em quase 80 jornais do mundo todo.
É
isso aí!
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