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Beagá, 10 de maio de 2004 d.C.
 

O sexteto fantástico - Monty Python
Este é (ou deveria ser) o verdadeiro humor britânico

Por Lulu Carabina
 

John Cleese, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle e Terry Gilliam. Estes são os integrantes do Monty Python, grupo humorístico que começou a ser formado na época em que estavam na faculdade. Cleese e Chapman eram colegas na Universidade de Cambridge; o primeiro estudou direito e o segundo, medicina. Já Palin, estudante de História, e Jones encontraram-se em Oxford.

Terry Gilliam foi o único estrangeiro a fazer parte do grupo. Este americano conheceu John Cleese em Nova Iorque, numa turnê humorística do inglês. No início do Monty Python, Cleese soube que Gilliam estava de mudança para a Inglaterra e logo o contratou para criar os desenhos e vinhetas do programa.

Pouco tempo depois de se conhecerem, o grupo começou a produzir textos cômicos, que de tão bons levaram aos primeiros programas de tevê pré-Python, tais como o lendário The Frost Report, entre 1966 e 1967, para o qual escreveram esquetes humorísticas. O comediante Eric Idle, aliás, conheceu alguns de seus futuros companheiros naquela fase.

Após o cancelamento de The Frost Report, ainda produziram alguns programas memoráveis nos anos seguintes: At Last The 1948 Show, Late Night Line-Up, Complete and Utter History of Britain, How to Irritate People, The Magic Christian e outros.

Em 1969, o grupo decidiu por lançar um novo show criado exclusivamente por eles e para o qual os próprios escreveriam ao bel prazer e atuariam nos diversos papéis que surgissem. A idéia agradou ao produtor Barry Took, que os ajudou a concretizar o sonho. Na primavera daquele mesmo ano foi ao ar, pela primeira vez, o programa Baron Von Took´s Flying Circus, título dado em agradecimento ao apoio do produtor, recheado de sketches humorísticas produzidas por eles. Foi um tremendo sucesso e logo ganhou um horário fixo na grade de programação da BBC, tendo o nome alterado para Monty Python´s Flying Circus.

Nonsense, besteirol e muita inteligência

O sexteto inovou o humor, com esquetes ao mesmo tempo textuais e críticas. Ridicularizações às diversas instituições inglesas (e ocidentais) como a Igreja, os executivos engravatados, a polícia, o exército e até mesmo a realeza Britânica andaram lado a lado com o nonsense comandado por puro besteirol.

O primeiro longa-metragem da trupe foi Monty Python's And Now For Something Completely Different. O filme é, na verdade, uma grande refilmagem de alguns esquetes já vistos no seriado. Os quadros do grupo, hoje antológicos, foram muito bem aceitos durante a primeira e a segunda temporadas. Durante a terceira, em 1973, John Cleese, um dos cabeças do grupo, decide-se por abandonar a trupe para partir para trabalhos solos.

O restante decide-se por continuar, e a quarta temporada é produzida, mas a ausência de Cleese é visível. Então, após 45 episódios, um especial e um longa-metragem, o grupo se separou em dezembro de 1974.

Agora nas telonas

Não demorou muito e a turma se reuniu novamente para a realização do segundo longa-metragem, Monty Python and the Holy Grail (Monty Python e o Cálice Sagrado), que foi lançado em 1975. O filme fez sucesso ao zoar com a maior das lendas britânicas, a do Rei Arthur e Os Cavaleiros da Távola Redonda.

Passados alguns anos, em 1979, o grupo se reúne novamente para o lançamento do terceiro filme: Monty Python´s Life of Brian (A Vida de Brian). Uma sátira à história de Jesus Cristo, o longa-metragem está cheio de referências bíblicas, que acontecem de maneira inusitada. A Vida de Brian é um filme genuinamente ateu e recebeu severas críticas na época, especialmente de fanáticos religiosos que não entenderam a brincadeira.

Em 1982, o grupo se reuniu de novo e fez uma apresentação ao vivo no Hollywood Bowl. Nessa apresentação, o Monty Python realizou algumas esquetes ao vivo e apresentou outras previamente gravadas. Monty Python: Live at the Hollywood Bowl foi lançado em vídeo.

No ano seguinte, 1983, o Monty Python reuniu-se mais uma vez para a realização do quarto longa-metragem do grupo. Trata-se de Monty Python's The Meaning of Life (O Sentido da Vida), uma coleção de situações onde o grupo questiona “o motivo de nossa existência na Terra. De onde viemos? Aonde iremos? Qual o motivo da vida?”. As piadas iniciam-se no momento do nascimento, passam pelo ingresso na escola, pela maturidade, pela morte e vão ao post mortem.

Infelizmente, no dia 4 de outubro de 1989 aconteceu a morte prematura de Graham Chapman, aos 48 anos de idade. O comediante faleceu por causa de um câncer que lhe tomou a garganta e parte da coluna. Depois desta perda irreparável, cada um dos integrantes do Monty Python foi para o seu canto, encerrando definitivamente a trajetória de um dos mais importantes grupos humorísticos de todos os tempos. Esses caras influenciaram gerações de comediantes em todo o mundo e seus filmes e programas para a TV são capazes de nos fazer rir até hoje.

O Monty Python, através de seu humor ferino e nonsense, deixou a própria marca na história do cinema e da tevê. O trabalho deles é a maior prova de que se pode fazer humor de alto nível sem que haja a necessidade de se recorrer à baixaria.

Curiosidades curiosas

O nome do grupo surgiu de uma idéia de Eric Idle e de John Cleese. Cleese sugeriu o nome “Python” (espécie de cobra Australiana), talvez pela sonoridade, ao que Idle sugeriu “Monty” (um nome próprio), pois se lembrou de um sujeito gordo e desengonçado que, sempre ao chegar a um determinado pub, perguntava ao barman se “Monty havia estado ali”. Todos gostaram do nome e eis que o programa foi rebatizado.

Houve uma mulher “real” no Monty Python. Trata-se de Carol Cleveland, considerada como o sétimo integrante do grupo, uma inglesa linda e loira que fazia o contraponto nos episódios para a TV.

Monty Python pode ser considerado o maior grupo humorístico da história, nem que seja pelo tamanho de seus integrantes. John Cleese, por exemplo, mede 1 metro e 95 centímetros.

Os filmes do Monty Python foram relançados em cópias novas e restauradas numa caixa de DVDs em comemoração aos 35 anos do grupo. Procure nas melhores locadoras. Sua inteligência agradece.

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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