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“Uma estrela cadente cruza
os céus do Oriente Médio, dirigindo três reis
magos no rumo de seu esperado Messias, ao som de um coro de inspiração
religiosa. Sempre guiados pela estrada, eles chegam a um casebre
onde acaba de nascer um menino, que eles presenteiam como se fosse
o Senhor”. Isso parece familiar para você? Alguém
já te contou esta história antes? Entretanto, uma
turma de ingleses pode tornar tudo bem mais divertido... Pois, na
história que eles contam, esse recém-nascido chama-se
Brian e sua mãe é interpretada por ninguém
menos que Terry Jones, o diretor do filme. Jesus é apenas
seu vizinho.
Este
prólogo, que dura menos de cinco minutos do filme, condensa
exemplarmente o humor do grupo britânico Monty Python: paródia
(no caso, dos filmes bíblicos), iconoclastia e, sobretudo,
nonsense.
O
segundo filme do grupo mostra uma sátira anárquica
sobre a visão de Hollywood em relação aos temas
bíblicos e à religião. A Vida de Brian
conta a história de um sujeito da Judéia que vive
uma vida paralela a de Jesus Cristo.
Aos
33 anos, vivendo em Jerusalém, Brian Cohen acaba, acidentalmente,
participando de inúmeras confusões. Militando na “Frente
do Povo Judeu” (um dos inúmeros grupelhos que combatem
o imperialismo romano) ou tentando convencer multidões crédulas
de que não é o Messias que elas esperam, ele está
sempre no lugar errado na hora errada.
As pessoas começam a pensar que ele é
o salvador da humanidade e o seguem como um grande sábio.
Só que ele não passa de um grande idiota que só
quer se ver livre de toda aquela gente. Em suas peripécias,
Brian acaba vivendo cenas bíblicas e tendo que enfrentar
desafios semelhantes aos do Messias.
Tudo começa quando ele finge ser um pregador
para fugir da guarda romana, mas suas pregações são
levadas a sério e ele ganha uma horda de seguidores. Brian
se mete em um monte de confusões ao ter suas tolas palavras
entendidas como profecias e ser caçado pelos soldados romanos.
No decorrer da narrativa, ele se depara com diversas figuras históricas
e bíblicas satirizadas pelo filme.
A
trajetória de Brian (ela mesma uma referência burlesca
à volta de Cristo) é um prato cheio para o Monty Python
destilar sua sátira não apenas à religião
(judaica e cristã), mas também ao imperialismo, ao
machismo e ao feminismo, sempre recorrendo às soluções
mais inesperadas e até absurdas. O grupo (John Cleese, Eric
Idle, Terry Gilliam, Terry Jones, Michael Palin e Graham Chapman)
brilha em múltiplos papéis à medida que eles
imitam a todos e a tudo: ex-leprosos, Pôncio Pilatos, profetas
malucos, centuriões romanos e crucificados.
Politicamente
incorreto ao extremo e um dos filmes mais divertidos do grupo, A
Vida de Brian chegou a ser considerado uma blasfêmia,
mas o bom senso e o bom humor foram mais fortes e o filme emplacou.
Agora,
todos nós, pobres mortais, temos a oportunidade de alcançar
a salvação, digo, assistir a esta obra prima do humor
inglês, pois o filme foi relançado em cópia
restaurada em DVD.
Por
trás das câmeras
Anos
antes de A Vida de Brian ser produzido, alguém perguntou
a Eric Idle qual seria o próximo filme do Monty Python. Ele
respondeu brincando: “Jesus Christ: Lust for Glory (ou “Jesus
Cristo: Luxúria por glória”). Os comediantes
do grupo começaram a gostar da idéia de uma comédia
situada nesta época da história e uma cena imaginada
envolvia Jesus, um exímio carpinteiro, frustrado ao tentar
ser crucificado em uma cruz mal feita.
O título do filme acabou sofrendo diversas
alterações antes do lançamento. Uma das opções
consideradas foi exatamente Jesus Christ: Lust for Glory, mas os
produtores acabaram votando contra este nome.
O filme foi financiado pela EMI originalmente, mas
o estúdio decidiu se retirar do projeto por considerá-lo
blasfemo. O Monty Python processou a EMI e resolveu o conflito fora
do tribunal. Para sua realização, o filme foi então
bancado através da Handmade Films, produtora que George Harrison
criou especialmente para este fim.
Aliás,
George Harrison decidiu se envolver com o projeto, pois acreditava
que esta seria sua última chance de ver um filme do Monty
Python. O músico faz inclusive uma ponta como Sr. Papadopolous,
proprietário do “O Monte”, que aperta a mão
de Brian e diz “Olá” com um sotaque bem característico
de Liverpool.
Curiosidades
Curiosas
•
Em
comemoração aos 25 anos de A Vida de Brian (Monty
Python's Life of Brian - 1979), a distribuidora Rainbow relançou
o filme nos Estados Unidos. O plano foi contrapor a gozação
do Monty Python à histeria que cerca o filme A Paixão
de Cristo, do australiano Mel Gibson.
•
Seis
membros do elenco (John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry
Jones, Michael Palin e Graham Chapman) interpretaram cerca de 40
personagens.
•
A
Vida de Brian foi lançado na Itália somente no
início dos anos 90, sem ser mencionado que o filme foi feito
em 1979. O sucesso de público foi tamanho que E Agora,
Para Algo Completamente Diferente, que o Monty Python filmou
em 1971, foi relançado nos cinemas.
•
A
cena em que a “Frente Popular dos Judeus” vai atrás
do grupo suicida contém mais imagens que não foram
incluídas no filme. Outra cena parcialmente cortada é
aquela em que a esposa de Pôncio Pilatos é seqüestrada
e dá uma pancada na cabeça de Brian.
•
A
Vida de Brian foi banido na Noruega porque autoridades o consideraram
herege. Como conseqüência, o marketing do filme na Suécia
passou a adotar a frase: “O filme que é tão
engraçado que foi banido na Noruega!”.
•
Na
Irlanda, A Vida de Brian ficou banido durante oito anos, também
por acusação de blasfêmia.
•
O
roteiro foi escrito no Caribe, onde os integrantes do Monty Python
tinham amizade com vários artistas, entre eles Keith Moon,
baterista da banda The Who. Mais tarde, quando foi lançado
o livro baseado no filme, o roteiro completo foi incluído
e dedicado a Moon, que morreu nesse meio tempo.

•
A
cena em que Brian e os outros estão em suas cruzes foi filmada
no início da manhã, quando estava muito frio. É
por isso que podemos ver John Cleese vestindo roupas e os outros
não.
•
John
Cleese queria interpretar Brian, ansioso para fazer sua carreira
crescer interpretando seu primeiro papel principal em um filme.
O restante do Monty Python preferiu Graham Chapman para viver o
personagem. Cleese logo concordou que Chapman era uma opção
melhor e deixou o colega com o papel.
•
No
final dos créditos, logo depois da marca de copyright, há
uma recomendação: “Se você gostou deste
filme, por que não vai assistir a A Noite?”
- este longa, de 1961, foi dirigido pelo italiano Michelangelo Antonioni.

•
A
Vida de Brian tinha originalmente mais de duas horas de duração,
mas foi editado para reduzir o tempo depois de testes de projeção
realizados com o público. Entre as cenas que foram cortadas
estão uma seqüência de abertura em que três
pastores vão ao nascimento de Brian e mais cenas com Rei
Otto (algumas foram restauradas e incluídas no lançamento
do filme em DVD).
Na próxima semana, vocês vão
conhecer um pouco mais sobre o Monty Python, grupo inglês
que revolucionou o humor no cinema e na televisão mundial.
Isto sim deveria ser o típico humor inglês!
É
isso aí!
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