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Beagá, 15 de março de 2004 d.C.
 

Não se fazem mais filmes como antigamente...
Há cinco anos, o cinema perdia Stanley Kubrick

Por Lulu Carabina
 

Talvez você tenha a impressão de que ultimamente o cinema está meio sem graça... Que são pouquíssimos os filmes verdadeiramente bem feitos e as histórias realmente boas... Não, você não está enganado. Há cinco anos a sétima arte perdeu um de seus maiores prodígios: o genial Stanley Kubrick, falecido no dia 6 de março de 1999 aos 70 anos.

Para relembrar este que foi um dos maiores diretores da história do cinema mundial e é disparado meu diretor favorito, resolvi fazer aqui uma mini biografia de Stanley Kubrick. Quando terminei, percebi que tal projeto não seria possível e, antes que o editor do nosso querido site tivesse um enfarte ou decidisse me matar, optei por dividir este texto em duas partes.

Nesta semana, vamos conhecer o início da carreira de Kubrick, até sua mudança para a Inglaterra. Preparem suas pipocas e se ajeitem na poltrona, porque nossa história já vai começar...

Muita gente acha que Stanley Kubrick era inglês, por duas razões: algumas de suas obras mais famosas foram produzidas na Inglaterra e toda a sua filmografia foge (às vezes se choca) com a estética Hollywoodiana.

Mas este perfeccionista obsessivo nasceu em 26 de julho de 1928, no Bronx, em Nova York. Primogênito de um casal de judeus, aos 13 anos ganhou uma máquina fotográfica do pai médico.

Nessa época, tinha interesses pouco comuns para a maioria dos garotos de sua idade: jogava xadrez, inclusive participando de campeonatos; tocava bateria numa banda de jazz e trabalhava no Taft Review, o jornal de sua escola, a William Taft High School. Formou-se em 1946, com nota 67, média considerada insuficiente para o ingresso na universidade.

Como já havia vendido algumas fotos para a revista Look enquanto estudava, aos 17 anos ele foi contratado pela publicação como fotógrafo profissional. O emprego permitiu que Kubrick viajasse pelos quatro cantos dos Estados Unidos, registrando paisagens e pessoas. As viagens lhe possibilitaram um grande conhecimento geográfico e cultural, o que certamente influenciou suas obras cinematográficas.

Mesmo com toda essa movimentação, Kubrick não deixava de lado duas de suas paixões: jogar xadrez em clubes, agora por dinheiro para ajudar no orçamento, e ver filmes no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Ele também começou com curtas!

Aos 23 anos, em 1951, Stanley Kubrick fez, com seus próprios recursos, seu primeiro filme: Day of the Fight, um documentário em curta-metragem, rodado em 16mm, sobre o boxeador peso-médio Walter Cartier, que havia sido objeto de um ensaio fotográfico de Kubrick.

Mostrado aos chefões da produtora RKO, o filme foi comprado e exibido no Cinema Paramount, em Nova York. Logo depois, o jovem fotógrafo pediu demissão da revista e resolveu dedicar-se ao cinema por tempo integral.

Com o dinheiro que ganhou da RKO, Kubrick rodou seu segundo documentário, Flying Padre, sobre o Reverendo Fred Stadtmüeller, que voou 400 milhas em um balão.

Em 1952, realizou seu último curta: The Seafarers (Os Marinheiros), um documentário institucional feito sob encomenda da Atlantic And Gulf Coast District of the Seafarers International Union. Este foi o primeiro trabalho de Kubrick a cores, técnica que só retomaria quase oito anos depois.

A fase americana

Após fazer um pequeno estágio na TV, acabou optando mesmo por trabalhar independentemente. Assim, em 1953 ele produziu seu primeiro longa-metragem, Fear and Desire, onde atuou também como fotógrafo e montador. O filme apresenta soldados perdidos em uma guerra sem nome. A modesta produção custou 13 mil dólares, que Kubrick conseguiu emprestado com seus parentes e amigos.

Em 1955 Kubrick fez A Morte Passou por Perto (Killer’s Kiss). Novamente, os 40 mil dólares do orçamento foram emprestados por amigos e parentes.

No ano seguinte, em parceria com o produtor James B. Harris, Kubrick realizou O Grande Golpe (The Killing), um filme noir sobre um grupo de trambiqueiros que decide dar um golpe num hipódromo.

Com um orçamento bem maior e um elenco profissional, Kubrick revolucionou o cinema norte-americano com uma narrativa entrecortada, depois utilizada por diretores como Robert Altman e Quentin Tarentino. O filme foi um sucesso e, com apenas 28 anos, o diretor já se tornava famoso.

Stanley Kubrick realizou em 1957 sua primeira parceria com Kirk Douglas. Glória Feita de Sangue (Paths of Glory) é um drama de guerra que ainda hoje permanece como um dos maiores filmes antimilitaristas da história do cinema. A história é extremamente violenta, apesar de não mostrar nenhuma gota de sangue.

Dois anos depois, o ator contrata Kubrick para dirigir sua produção, o épico Spartacus, lançado em 1960. Dalton Trumbo, o principal roteirista, partiu do livro de Howard Fast para contar a história da rebelião de escravos liderada por Espártaco, que durou pouco menos de dois anos (73-71 a.C.) mas sacudiu Roma mais do que qualquer outra em toda história de escravidão romana.

Para que pudesse realizar seu novo filme (Lolita), Kubrick precisou se mudar para a Inglaterra. Mas isso já é assunto para a coluna da semana que vem, quando falarei também de outras obras-primas do diretor: Dr. Fantástico, 2001 - uma Odisséia no Espaço e o polêmico Laranja Mecânica.

É isso aí! Até lá!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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