| Talvez
você tenha a impressão de que ultimamente o cinema
está meio sem graça... Que são pouquíssimos
os filmes verdadeiramente bem feitos e as histórias realmente
boas... Não, você não está enganado.
Há cinco anos a sétima arte perdeu um de seus maiores
prodígios: o genial Stanley Kubrick, falecido
no dia 6 de março de 1999 aos 70 anos.

Para relembrar este que foi um dos maiores diretores
da história do cinema mundial e é disparado meu diretor
favorito, resolvi fazer aqui uma mini biografia de Stanley Kubrick.
Quando terminei, percebi que tal projeto não seria possível
e, antes que o editor do nosso querido site tivesse um enfarte ou
decidisse me matar, optei por dividir este texto em duas partes.
Nesta semana, vamos conhecer o início da
carreira de Kubrick, até sua mudança para a Inglaterra.
Preparem suas pipocas e se ajeitem na poltrona, porque nossa história
já vai começar...
Muita gente acha que Stanley Kubrick era inglês,
por duas razões: algumas de suas obras mais famosas foram
produzidas na Inglaterra e toda a sua filmografia foge (às
vezes se choca) com a estética Hollywoodiana.
Mas este perfeccionista obsessivo nasceu em 26 de
julho de 1928, no Bronx, em Nova York. Primogênito de um casal
de judeus, aos 13 anos ganhou uma máquina fotográfica
do pai médico.
Nessa
época, tinha interesses pouco comuns para a maioria dos garotos
de sua idade: jogava xadrez, inclusive participando de campeonatos;
tocava bateria numa banda de jazz e trabalhava no Taft Review,
o jornal de sua escola, a William Taft High School. Formou-se em
1946, com nota 67, média considerada insuficiente para o
ingresso na universidade.
Como
já havia vendido algumas fotos para a revista Look enquanto
estudava, aos 17 anos ele foi contratado pela publicação
como fotógrafo profissional. O emprego permitiu que Kubrick
viajasse pelos quatro cantos dos Estados Unidos, registrando paisagens
e pessoas. As viagens lhe possibilitaram um grande conhecimento
geográfico e cultural, o que certamente influenciou suas
obras cinematográficas.
Mesmo com toda essa movimentação,
Kubrick não deixava de lado duas de suas paixões:
jogar xadrez em clubes, agora por dinheiro para ajudar no orçamento,
e ver filmes no Museu de Arte Moderna de Nova York.
Ele
também começou com curtas!
Aos
23 anos, em 1951, Stanley Kubrick fez, com seus próprios
recursos, seu primeiro filme: Day of the Fight, um documentário
em curta-metragem, rodado em 16mm, sobre o boxeador peso-médio
Walter Cartier, que havia sido objeto de um ensaio fotográfico
de Kubrick.
Mostrado aos chefões da produtora RKO, o
filme foi comprado e exibido no Cinema Paramount, em Nova York.
Logo depois, o jovem fotógrafo pediu demissão da revista
e resolveu dedicar-se ao cinema por tempo integral.
Com
o dinheiro que ganhou da RKO, Kubrick rodou seu segundo documentário,
Flying Padre, sobre o Reverendo Fred Stadtmüeller,
que voou 400 milhas em um balão.
Em
1952, realizou seu último curta: The Seafarers (Os
Marinheiros), um documentário institucional feito sob encomenda
da Atlantic And Gulf Coast District of the Seafarers International
Union. Este foi o primeiro trabalho de Kubrick a cores, técnica
que só retomaria quase oito anos depois.
A
fase americana
Após
fazer um pequeno estágio na TV, acabou optando mesmo por
trabalhar independentemente. Assim, em 1953 ele produziu seu primeiro
longa-metragem, Fear and Desire, onde atuou também
como fotógrafo e montador. O filme apresenta soldados perdidos
em uma guerra sem nome. A modesta produção custou
13 mil dólares, que Kubrick conseguiu emprestado com seus
parentes e amigos.
Em
1955 Kubrick fez A Morte Passou por Perto (Killer’s
Kiss). Novamente, os 40 mil dólares do orçamento
foram emprestados por amigos e parentes.
No
ano seguinte, em parceria com o produtor James B. Harris, Kubrick
realizou O Grande Golpe (The Killing), um filme
noir sobre um grupo de trambiqueiros que decide dar um golpe num
hipódromo.
Com
um orçamento bem maior e um elenco profissional, Kubrick
revolucionou o cinema norte-americano com uma narrativa entrecortada,
depois utilizada por diretores como Robert Altman e Quentin Tarentino.
O filme foi um sucesso e, com apenas 28 anos, o diretor já
se tornava famoso.
Stanley
Kubrick realizou em 1957 sua primeira parceria com Kirk Douglas.
Glória Feita de Sangue (Paths of Glory)
é um drama de guerra que ainda hoje permanece como um dos
maiores filmes antimilitaristas da história do cinema. A
história é extremamente violenta, apesar de não
mostrar nenhuma gota de sangue.

Dois
anos depois, o ator contrata Kubrick para dirigir sua produção,
o épico Spartacus, lançado em 1960. Dalton
Trumbo, o principal roteirista, partiu do livro de Howard Fast para
contar a história da rebelião de escravos liderada
por Espártaco, que durou pouco menos de dois anos (73-71
a.C.) mas sacudiu Roma mais do que qualquer outra em toda história
de escravidão romana.
Para
que pudesse realizar seu novo filme (Lolita), Kubrick precisou
se mudar para a Inglaterra. Mas isso já é assunto
para a coluna da semana que vem, quando falarei também de
outras obras-primas do diretor: Dr. Fantástico,
2001 - uma Odisséia no Espaço e o polêmico
Laranja Mecânica.
É isso aí! Até lá!
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