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Beagá, 14 de abril de 2003 d.C.
 
Um talk-show de peso!
Por Lulu Carabina
 

No palco, uma mesa modernosa e sofás estilosos. Parece que a falta de conforto dos entrevistados faz parte do roteiro. Uma platéia atenta acompanha e interage com o entrevistador, com risadas e comentários. No fundo do palco, um telão mostra, quando solicitado, cenas que podem ou não ter a ver com o tema ou com os convidados.

Para acompanhar, de fundo, um DJ traz as novidades da música eletrônica. Mas o programa também tem espaço para apresentações musicais, num palquinho. E o apresentador? Esse é de peso. É um peso pesado na televisão brasileira.

O Jô Soares que se prepare, pois o Gordo a Go-go está de volta. Agora com mais glamour, mais luxo. O público fica enjaulado, em uma espécie de arquibancada-andaime. Até o cenário está incrementado, nada de manequins toscos usando trajes sadomasoquistas. Mas sempre com o ar fashion que não pode faltar nos programas da MTV.

Curioso, um dos poucos programas que prestam da emissora que se diz "Music Television" é um programa de entrevistas, e que raramente traz alguma música.

O crédito todo deve ser dado ao João Gordo. Ele é um cara tosco e a conversa acaba virando uma zoação total. Pura diversão, sem informação. Entretanto, todos os talk-shows são assim, não? Outra coisa interessante é que todos os entrevistados permanecem no palco depois das entrevistas, acompanhando e até participando da conversa dos outros.

Tem um problema: quando a entrevista tem caráter publicitário, como por exemplo o lançamento do disco novo da Marina Lima - mais um unplugged, será que já não é suficiente toda a porcaria que povoa a mídia? Nada contra a Marina em si, só que o negócio de desplugado já encheu! Voltando à entrevista, ficou muito duro, falso mesmo. Deram um roteiro para o João Gordo seguir, algo muito burocrático para o vocalista de uma banda punk. No final, ele se perde e a coisa toda fica muito lenta. Mas no geral, as entrevistas são muito divertidas, devido ao nonsense, inclusive por parte dos entrevistados, que parece que encarnam o personagem e liberam seu lado tosco.

Outra coisa que não gosto no programa é um quadro chamado "Consciência", que mostram curiosidades relacionadas ao assunto da entrevista. A cabeça do gordo fica rodando e dando opiniões (dele ou da emissora), que ficam meio soltas no programa. Mas o quadro ficou fraquinho e não faz muito sentido parar a entrevista por causa dele.

Anyway, a MTV ainda tem coisas, ou pessoas, que prestam. Pena que quase não toque música mais...

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (e adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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