| Agora que já conhecemos um
pouco sobre J.R.R. Tolkien, o verdadeiro Senhor dos Anéis,
podemos iniciar nossa viagem fantástica pelo mundo criado
por ele: a Terra Média.
Tudo começou com o costume de Tolkien de
contar histórias, que ele mesmo criava, para seus filhos.
Certo dia, quando corrigia provas da faculdade, ele achou uma folha
em branco e, movido por um impulso inexplicável, escreveu
nela: "Numa toca no chão vivia um hobbit". Tolkien
decidiu então "descobrir" o que era o tal hobbit,
e a partir disso criou mais uma história para seus filhos,
com as aventuras do hobbit Bilbo Baggins.
Uma
versão datilografada da história chegou às
mãos de Stanley Unwin, da editora George Allen and Unwin.
O Editor pediu a seu filho de 10 anos, Rayner, para resenhá-la.
O garoto adorou o livro e Unwin decidiu publicá-lo em 1937,
com o título O Hobbit. O sucesso foi imediato e
Stanley pediu a Tolkien uma continuação das aventuras
de Bilbo.
Tolkien
aceitou escrever a continuação, mas a história,
que passou a caminhar na direção das velhas lendas
élficas, demorou mais de 16 anos para ser escrita. O livro
inteiro tinha mais de mil páginas!
Nessa
época, o pequeno Rayner já havia crescido e ocupava
o cargo do pai na editora. Decidido a arriscar, Rayner publicou
O Senhor dos Anéis em três volumes, lançados
de 1954 a 1955. E novamente um grande sucesso, que surpreendeu a
todos, inclusive a Tolkien.
Não
se sabe exatamente como, mas uma edição “pirata”
do livro foi lançada nos Estados Unidos em 1965. O Senhor
dos Anéis tornou-se leitura obrigatória entre
os adeptos da contracultura e do movimento hippie, que se identificaram
profundamente com a história.
E foi assim que tudo começou... Continuando
nosso tour, conheçam agora nossos heróis!
O
Hobbit
O hobbit
Bilbo Baggins é um dos mais respeitáveis e pacatos
habitantes da Vila dos Hobbits. Entretanto, Bilbo tem sua vidinha
tranqüila virada do avesso quando, certa manhã, o grande
mago Gandalf aparece na sua porta. Junto com treze anões
(Thorin Escudo de Carvalho e seus doze companheiros) Gandalf convoca
um relutante Bilbo para uma perigosa aventura: viajar até
Erebor, a Montanha Solitária no distante Leste, destruir
o terrível dragão Smaug e recuperar o tesouro do Reino
sob a Montanha, roubado por Smaug e que pertencera aos antepassados
de Thorin.
O
Hobbit é também prelúdio para O Senhor
dos Anéis, tanto através dos vislumbres das antigas
lendas da Terra Média, quanto através do aparecimento
do Um Anel, o elo entre a aventura de Bilbo e os grandes eventos
do final da Terceira Era.
O
Senhor dos Anéis
O
Senhor dos Anéis começou como uma seqüência
de O Hobbit. Só que a história acabou tomando
rumos próprios e passou a relatar os acontecimentos grandiosos
do final da Terceira Era da Terra Média.
O livro
relata a luta dos povos da Terra Média para livrar-se da
ameaça de Sauron, o Senhor do Escuro. Em eras passadas, Sauron,
um ser muito poderoso (uma espécie de anjo caído)
forjou o Um Anel, artefato mágico onde colocou grande parte
de seu poder. Com o Um Anel, o Senhor do Escuro era capaz de subverter
praticamente qualquer
vontade à sua. Entretanto, numa batalha, o Um-Anel foi retirado
dele, e durante milênios seu terrível poder permaneceu
adormecido.
Porém,
no final da Terceira Era da Terra Média, Sauron voltou a
se fortalecer e a procurar seu antigo anel. O que ele não
sabe é que o artefato foi parar nas mãos do hobbit
Bilbo Baggins, que por sua vez a entregou a seu herdeiro, Frodo.
Com
a ajuda do mago Gandalf, o Cinzento e de outros companheiros pertencentes
aos povos livres da Terra Média, Frodo parte para a mais
perigosa das jornadas: chegar à terra de Mordor, onde Sauron
governa supremo, e destruir o Um Anel, jogando-o dentro do vulcão
da Montanha da Perdição, onde foi forjado. Só
assim o poder de Sauron será destruído para sempre
e a Terra Média poderá viver em paz.
O
Silmarillion
Lançado
em 1977, quatro anos após a morte de Tolkien, O Silmarillion
é o resultado do trabalho de uma vida inteira. O autor começou
a escrever as primeiras versões do livro em 1917, e nunca
deixou de refinar, ampliar e revisar a narrativa ao longo de sua
vida. Ao morrer, Tolkien deixou instruções para que
seu filho Christopher pudesse organizar o material mais próximo
da versão definitiva e o publicasse.
O Silmarillion é a história da Primeira Era,
os Dias Antigos do universo criado pelo escritor. A narrativa revela
a origem de elfos e homens, a grande jornada dos Eldar para o Reino
Abençoado de Valinor, e o retorno dos Noldor à Terra
Média, liderados por Fëanor. Este príncipe dos
Eldar, o mais genial artífice dos elfos, havia criado as
Silmarils, jóias perfeitas nas quais estava contida parte
da luz das Árvores de Valinor. Morgoth, o primeiro Senhor
do Escuro, roubou as Silmarils e se refugiou em sua fortaleza de
Angband, no norte da Terra Média. Fëanor e seu povo
saíram ao encalço de Morgoth e iniciaram uma guerra
desesperada contra o Grande Inimigo.
O Silmarillion inclui também quatro outros histórias
menores. A primeira é “A Canção dos Ainur”,
o mito da criação de Arda, a Terra. A seguir, temos
o “Relato dos Valar”, que explica a natureza e as atribuições
dos Valar, os Poderes que regem o mundo, bem como a relação
deles com Morgoth, o Inimigo, e seu servo Sauron. “A Queda
de Númenor” relata a origem do reino insular dos Dúnedain,
seu esplendor e sua queda, causada pelo orgulho de seus habitantes
e pelas mentiras de Sauron. E, finalmente, “Dos Anéis
do Poder e da Terceira Era” conta como Sauron criou os Anéis
num plano para estender seu domínio pela Terra Média
e como os Povos Livres, ajudados pelos Istari, puderam resistir
ao poder do Senhor do Escuro e destruí-lo.
Contos
Inacabados de Númenor e da Terra Média
Contos
Inacabados de Númenor e da Terra Média (que eu
mesma ainda não tive a oportunidade de ler) foi publicado
pela primeira vez em 1980, sete anos após a morte de Tolkien.
Como diz o título, o livro traz diversas narrativas que não
estão concluídas, seja por realmente chegarem a um
final abrupto, com indicações vagas de como a história
continuaria a partir dali, seja por possuírem diversas versões
conflitantes, sem que Tolkien tivesse optado definitivamente por
nenhuma delas.
O
livro está dividido em seções correspondentes
às Três Eras da Terra Média, com narrativas
ligadas a essas respectivas épocas, além de uma última
seção com temas diversos. Na Primeira Era, encontramos
as histórias de Tuor e de sua chegada a Gondolin, bem como
a de Túrin Turambar.
Na
seção dedicada à Segunda Era, temos a narrativa
sobre Númenor em seu apogeu que conseguiu sobreviver à
Queda, além da “História de Galadriel e Celeborn”,
texto que fala da rainha de Lórien, além de informações
sobre Amroth e Nimrodel.
Na
Terceira Era: a história da morte de Isildur, o início
da amizade entre Gondor e Rohan, o relato de Gandalf explicando
como ele convenceu Thorin a aceitar Bilbo para a jornada até
Erebor. Finalmente, a seção final conta com ensaios
sobre os Drúedain, os homens selvagens que ajudaram Théoden
em sua jornada para Gondor, sobre os Istari e os poderes e funcionamento
dos Palantíri.
Roverandom
Durante
as férias de 1925, enquanto Tolkien e sua família
estavam em Filey, uma cidade costeira da Inglaterra, o pequeno Michael
Tolkien, então com 5 anos, perdeu na praia seu brinquedo
predileto: um cachorrinho malhado de chumbo, pintado em branco e
preto. Para consolar o garoto, Tolkien inventou uma história
que explicava o desaparecimento do brinquedo.
Nascia
assim Roverandom, um conto infantil que narra as aventuras (e desventuras)
do cachorrinho encrenqueiro Rover, que teve a ousadia de morder
um mago! Transformado por ele em um brinquedo de chumbo, Rover percorre
um longo caminho, que o leva à lua e ao fundo do mar, para
poder voltar a seu tamanho normal e ser novamente de carne e osso.
Se você não entendeu quase nada do
que eu contei, está na hora de deixar de preguiça
e embarcar na viagem maravilhosa que os livros de Tolkien oferecem.
É preciso bastante paciência e perseverança,
mas acredite, vale a pena! Porque histórias tão ricas
e bem escritas já não são encontradas facilmente
por aí!
Na semana que vem, eu mostrarei para vocês
todas as tranqueiras que inventaram baseadas na obra de Tolkien.
É
isso aí! Até Lá!
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