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Beagá, 01 de março de 2004 d.C.
 

Tolkienmania - Segunda Parte: conhecendo a Terra Média e seus habitantes

Por Lulu Carabina
 

Agora que já conhecemos um pouco sobre J.R.R. Tolkien, o verdadeiro Senhor dos Anéis, podemos iniciar nossa viagem fantástica pelo mundo criado por ele: a Terra Média.

Tudo começou com o costume de Tolkien de contar histórias, que ele mesmo criava, para seus filhos. Certo dia, quando corrigia provas da faculdade, ele achou uma folha em branco e, movido por um impulso inexplicável, escreveu nela: "Numa toca no chão vivia um hobbit". Tolkien decidiu então "descobrir" o que era o tal hobbit, e a partir disso criou mais uma história para seus filhos, com as aventuras do hobbit Bilbo Baggins.

Uma versão datilografada da história chegou às mãos de Stanley Unwin, da editora George Allen and Unwin. O Editor pediu a seu filho de 10 anos, Rayner, para resenhá-la. O garoto adorou o livro e Unwin decidiu publicá-lo em 1937, com o título O Hobbit. O sucesso foi imediato e Stanley pediu a Tolkien uma continuação das aventuras de Bilbo.

Tolkien aceitou escrever a continuação, mas a história, que passou a caminhar na direção das velhas lendas élficas, demorou mais de 16 anos para ser escrita. O livro inteiro tinha mais de mil páginas!

Nessa época, o pequeno Rayner já havia crescido e ocupava o cargo do pai na editora. Decidido a arriscar, Rayner publicou O Senhor dos Anéis em três volumes, lançados de 1954 a 1955. E novamente um grande sucesso, que surpreendeu a todos, inclusive a Tolkien.

Não se sabe exatamente como, mas uma edição “pirata” do livro foi lançada nos Estados Unidos em 1965. O Senhor dos Anéis tornou-se leitura obrigatória entre os adeptos da contracultura e do movimento hippie, que se identificaram profundamente com a história.

E foi assim que tudo começou... Continuando nosso tour, conheçam agora nossos heróis!

O Hobbit

O hobbit Bilbo Baggins é um dos mais respeitáveis e pacatos habitantes da Vila dos Hobbits. Entretanto, Bilbo tem sua vidinha tranqüila virada do avesso quando, certa manhã, o grande mago Gandalf aparece na sua porta. Junto com treze anões (Thorin Escudo de Carvalho e seus doze companheiros) Gandalf convoca um relutante Bilbo para uma perigosa aventura: viajar até Erebor, a Montanha Solitária no distante Leste, destruir o terrível dragão Smaug e recuperar o tesouro do Reino sob a Montanha, roubado por Smaug e que pertencera aos antepassados de Thorin.

O Hobbit é também prelúdio para O Senhor dos Anéis, tanto através dos vislumbres das antigas lendas da Terra Média, quanto através do aparecimento do Um Anel, o elo entre a aventura de Bilbo e os grandes eventos do final da Terceira Era.

O Senhor dos Anéis

O Senhor dos Anéis começou como uma seqüência de O Hobbit. Só que a história acabou tomando rumos próprios e passou a relatar os acontecimentos grandiosos do final da Terceira Era da Terra Média.

O livro relata a luta dos povos da Terra Média para livrar-se da ameaça de Sauron, o Senhor do Escuro. Em eras passadas, Sauron, um ser muito poderoso (uma espécie de anjo caído) forjou o Um Anel, artefato mágico onde colocou grande parte de seu poder. Com o Um Anel, o Senhor do Escuro era capaz de subverter praticamente qualquer vontade à sua. Entretanto, numa batalha, o Um-Anel foi retirado dele, e durante milênios seu terrível poder permaneceu adormecido.

Porém, no final da Terceira Era da Terra Média, Sauron voltou a se fortalecer e a procurar seu antigo anel. O que ele não sabe é que o artefato foi parar nas mãos do hobbit Bilbo Baggins, que por sua vez a entregou a seu herdeiro, Frodo.

Com a ajuda do mago Gandalf, o Cinzento e de outros companheiros pertencentes aos povos livres da Terra Média, Frodo parte para a mais perigosa das jornadas: chegar à terra de Mordor, onde Sauron governa supremo, e destruir o Um Anel, jogando-o dentro do vulcão da Montanha da Perdição, onde foi forjado. Só assim o poder de Sauron será destruído para sempre e a Terra Média poderá viver em paz.

O Silmarillion

Lançado em 1977, quatro anos após a morte de Tolkien, O Silmarillion é o resultado do trabalho de uma vida inteira. O autor começou a escrever as primeiras versões do livro em 1917, e nunca deixou de refinar, ampliar e revisar a narrativa ao longo de sua vida. Ao morrer, Tolkien deixou instruções para que seu filho Christopher pudesse organizar o material mais próximo da versão definitiva e o publicasse.

O Silmarillion é a história da Primeira Era, os Dias Antigos do universo criado pelo escritor. A narrativa revela a origem de elfos e homens, a grande jornada dos Eldar para o Reino Abençoado de Valinor, e o retorno dos Noldor à Terra Média, liderados por Fëanor. Este príncipe dos Eldar, o mais genial artífice dos elfos, havia criado as Silmarils, jóias perfeitas nas quais estava contida parte da luz das Árvores de Valinor. Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, roubou as Silmarils e se refugiou em sua fortaleza de Angband, no norte da Terra Média. Fëanor e seu povo saíram ao encalço de Morgoth e iniciaram uma guerra desesperada contra o Grande Inimigo.

O Silmarillion inclui também quatro outros histórias menores. A primeira é “A Canção dos Ainur”, o mito da criação de Arda, a Terra. A seguir, temos o “Relato dos Valar”, que explica a natureza e as atribuições dos Valar, os Poderes que regem o mundo, bem como a relação deles com Morgoth, o Inimigo, e seu servo Sauron. “A Queda de Númenor” relata a origem do reino insular dos Dúnedain, seu esplendor e sua queda, causada pelo orgulho de seus habitantes e pelas mentiras de Sauron. E, finalmente, “Dos Anéis do Poder e da Terceira Era” conta como Sauron criou os Anéis num plano para estender seu domínio pela Terra Média e como os Povos Livres, ajudados pelos Istari, puderam resistir ao poder do Senhor do Escuro e destruí-lo.

Contos Inacabados de Númenor e da Terra Média

Contos Inacabados de Númenor e da Terra Média (que eu mesma ainda não tive a oportunidade de ler) foi publicado pela primeira vez em 1980, sete anos após a morte de Tolkien. Como diz o título, o livro traz diversas narrativas que não estão concluídas, seja por realmente chegarem a um final abrupto, com indicações vagas de como a história continuaria a partir dali, seja por possuírem diversas versões conflitantes, sem que Tolkien tivesse optado definitivamente por nenhuma delas.

O livro está dividido em seções correspondentes às Três Eras da Terra Média, com narrativas ligadas a essas respectivas épocas, além de uma última seção com temas diversos. Na Primeira Era, encontramos as histórias de Tuor e de sua chegada a Gondolin, bem como a de Túrin Turambar.

Na seção dedicada à Segunda Era, temos a narrativa sobre Númenor em seu apogeu que conseguiu sobreviver à Queda, além da “História de Galadriel e Celeborn”, texto que fala da rainha de Lórien, além de informações sobre Amroth e Nimrodel.

Na Terceira Era: a história da morte de Isildur, o início da amizade entre Gondor e Rohan, o relato de Gandalf explicando como ele convenceu Thorin a aceitar Bilbo para a jornada até Erebor. Finalmente, a seção final conta com ensaios sobre os Drúedain, os homens selvagens que ajudaram Théoden em sua jornada para Gondor, sobre os Istari e os poderes e funcionamento dos Palantíri.

Roverandom

Durante as férias de 1925, enquanto Tolkien e sua família estavam em Filey, uma cidade costeira da Inglaterra, o pequeno Michael Tolkien, então com 5 anos, perdeu na praia seu brinquedo predileto: um cachorrinho malhado de chumbo, pintado em branco e preto. Para consolar o garoto, Tolkien inventou uma história que explicava o desaparecimento do brinquedo.

Nascia assim Roverandom, um conto infantil que narra as aventuras (e desventuras) do cachorrinho encrenqueiro Rover, que teve a ousadia de morder um mago! Transformado por ele em um brinquedo de chumbo, Rover percorre um longo caminho, que o leva à lua e ao fundo do mar, para poder voltar a seu tamanho normal e ser novamente de carne e osso.

Se você não entendeu quase nada do que eu contei, está na hora de deixar de preguiça e embarcar na viagem maravilhosa que os livros de Tolkien oferecem. É preciso bastante paciência e perseverança, mas acredite, vale a pena! Porque histórias tão ricas e bem escritas já não são encontradas facilmente por aí!

Na semana que vem, eu mostrarei para vocês todas as tranqueiras que inventaram baseadas na obra de Tolkien.

É isso aí! Até Lá!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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