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Beagá, 05 de janeiro de 2004 d.C.
 

Um ano inesquecível para Ozzy Osbourne

Por Lulu Carabina
 

Definitivamente, 2003 será um ano que ficará marcado na vida de Ozzy Osbourne. Depois de um acidente com um quadriciclo motorizado em sua fazenda na Inglaterra, o velho roqueiro quase morreu e correu sérios riscos de perder a voz. Mas é como dizem: vaso ruim não quebra fácil e ele está se recuperando bem. Além disso, ele chegou pela primeira vez ao topo das paradas britânicas com uma música que interpreta junto com sua filha.

De qualquer maneira, a vida de John Michael Osbourne nunca foi fácil mesmo...

The Osbourne

Ele nasceu em 3 de dezembro de 1948, em Birminghan, Inglaterra. Ozzy teve uma infância difícil, seus pais eram muito pobres. Ele tinha cinco irmãos e começou a trabalhar cedo. Teve vários empregos, em um matadouro, num crematório e inclusive como afinador de buzinas numa montadora de carros. Aos 17 anos começou a furtar, tendo sido pego em flagrante e ficado preso duas vezes, a primeira vez por dois meses e a segunda, três meses. Durante um dos períodos de prisão tatuou seus dedos (com as letras OZZY) e seus joelhos (com carinhas sorridentes) usando uma agulha e pó de grafite. Mais tarde foi preso novamente, dessa vez por agredir um policial.

Sua primeira banda tinha o nome de Approach, mas não durou muito. Depois de passar por outra banda, conheceu Terry "Gezzer" Butler, que o procurou através de um anúncio para formar o Rare Breed. Logo vieram Bill Ward e Tony Iommi, que na época tocavam no Mythology. O nome da banda mudou para Polka Tulk Blues Band e depois para Earth, cujo repertório era baseado em blues. Ao descobrir que o nome Earth já pertencia a uma outra banda, os músicos adotaram o nome Black Sabbath de uma das composições de Ozzy, que nessa época tinha 20 anos.

Ozzy foi líder e fundador do Black Sabbath, referência musical de dez entre dez artistas do gênero, e destacou-se internacionalmente com a banda através de canções imortais do heavy metal como "Changes", "Paranoid" e "War Pigs".

As letras e melodias sombrias de Ozzy e sua performance elétrica marcaram a banda nos seus primeiros oito álbuns, fase mais clássica e que fez com que o Black Sabbath fosse considerado até hoje o maior expoente entre os pioneiros do heavy metal. Em 1979 Ozzy abandonou o Black Sabbath para seguir carreira solo, em virtude de desentendimentos com os outros integrantes - na verdade, Ozzy foi praticamente despedido por Tonny Iommi em virtude dos problemas constantes com drogas e álcool.

Após sua saída, Ozzy Osbourne manteve sua carreira em alta, convocando Randy Rhoads (ex-guitarrista do Quiet Riot) para juntar-se a ele. Logo vieram os álbuns Blizzard of Ozz e Diary of A Madman. Infelizmente, em 1982 Randy Rhoads faleceu em um desastre aéreo deixando uma lacuna difícil de ser preenchida. Speak Of The Devil (ou Talk Of The Devil, como saiu o título no Reino Unido) veio ainda nesse ano e trazia canções ao vivo do Black Sabbath. Mais tarde, Ozzy lançaria Tribute, também ao vivo, dedicado ao falecido guitarrista.

O guitarrista Jake E. Lee juntou-se à banda e Ozzy continuou lançando álbuns como Bark at The Moon, de 1983, e The Ultimate Sin, de 1986. Nessa época, Ozzy já apresentava problemas com bebidas alcoólicas.

Olhe onde você coloca a boca

A carreira do Ozzy é permeada por histórias curiosas e até engraçadas. À imagem satânica reforçada por maquiagem e efeitos de palco se somava à grande repercussão por parte da imprensa sensacionalista da famosa mordida na cabeça de um morcego. O caso realmente ocorreu, em um show ao vivo, mas Ozzy pensava se tratar apenas de um morcego de plástico jogado ao palco por um fã. Só percebeu que se tratava de um animal de verdade tarde demais - o que o levou a ter de tomar injeções anti-rábicas, ter choques anafiláticos e cancelar dezenas de shows por problemas de saúde gerados pela vacina.

Em uma outra oportunidade, arrancou com os dentes as cabeças de duas pombas brancas que executivos da gravadora insistiam que ele soltasse após uma assinatura de contrato. Obviamente, não havia muita intenção em diminuir a repercussão de tais fatos, visto que era marketing eficiente e barato.

Outra famosa é a acusação de incitação ao suicídio com a música "Suicide Solution". Algumas famílias acusavam a música de ter gerado o suicídio de alguns garotos e um certo "Institute for Bio-Acoustics Research", contratado por entidades evangélicas, achou na gravação supostas mensagens subliminares de incitação ao suicídio. Ozzy foi absolvido de todas as acusações. Curiosamente, a música nem mesmo era relacionada a suicídio e o título não se referia ao suicídio como uma solução (fuga). Na realidade tratava-se de uma letra sobre alcoolismo e "solução" significava "mistura". "Mistura Suicida" era uma referência ao álcool.

Rock and roll!!!

No final da década de 80, foi cogitada uma reunião histórica entre Ozzy e Black Sabbath, após um show conjunto em Donington, Inglaterra (apresentação que valeu a saída do vocalista Dio). Problemas entre os empresários de Ozzy e Sabbath, porém, impediram uma reunião definitiva.

Na década de 90, após lançar alguns dos álbuns mais medíocres de sua carreira, Ozzy conseguiu pela primeira vez em décadas abandonar definitivamente o álcool, substituído por regimes alimentares rígidos e exercícios. Anunciou o fim de suas atividades após o lançamento de No More Tears (seguido da turnê No More Tours). Mas ele não conseguiu passar muito mais do que alguns anos longe dos palcos e estúdios, voltando em 1993 com Live & Loud, seguido de Ozzmosis (1995), The Ozzfest (1996) e The Ozzman Cometh (1998).

Nos anos seguintes, Ozzy lançou pelo seu selo Ozz Records álbuns que registram os melhores momentos dos Ozzfests, festival no qual sempre toca com o Sabbath: The Ozzfest, Ozzfest - Second Stage Live e Ozzfest -The Second Millenium. Finalmente, em 2001 o vocalista lança seu primeiro trabalho solo em seis anos: Down to Earth, com Zakk Wylde (guitarra), Robert Trujillo (baixo) e Mike Bordin (bateria), iniciando mais uma turnê.

Logo a seguir, Ozzy entrou na onda dos reality shows e teve sua vida pessoal e de sua família invadidas pela MTV. A produção do seriado The Osbournes rendeu a ele fama em programas de TV, jornais e revistas que sequer falavam de sua carreira ou sua música. A notícia era sempre a excentricidade dele e de sua família. Os fãs se dividiram: enquanto alguns achavam que o programa só servia para mostrar uma imagem ruim do músico, outros gostaram da oportunidade de conhecer a intimidade do ídolo.

No ano seguinte, Live at Budokan chega às lojas, e em 2003 a coletânea dupla The Essential Ozzy Osbourne é lançada. O baixista Robert Trujillo abandona Ozzy para entrar no Metallica e é substituído por Jason Newsted, ex-Metallica, numa (incrível) troca de bandas.

Curiosidades curiosas

Uma vez Ozzy foi tentar roubar uma televisão, mas o aparelho era muito pesado e ao pular a janela a televisão caiu em cima dele, que ficou deitado debaixo do aparelho até que a policia chegou e o prendeu em flagrante.

Ao ser internado pela primeira vez na clínica de desintoxicação Betty Ford Center (sem saber que se tratava de uma clínica de desintoxicação), a primeira pergunta que fez ao chegar ao local foi "onde fica o bar?"

Na clássica foto da capa de Speak Of The Devil a substância na boca de Ozzy é geléia de morango, não sangue.

Durante seu primeiro casamento, Ozzy e sua esposa Thelma revezavam-se em alimentar todas as noites uma criação de galinhas. Certa vez, Ozzy estava bebendo com os amigos e após diversos pedidos insistentes da mulher para que fosse alimentar as galinhas, ele pegou uma espingarda e matou as aves.

Ozzy é supersticioso e nunca veste roupas de cor verde.

O gosto de Ozzy por tatuagens vem de família. Seu avô possuía uma tatuagem com o desenho de uma cobra que ia da nuca ao calcanhar.

Ozzy matou todos os seus 17 gatos com uma faca e uma Shotgun. Sua esposa Sharon foi em casa pensando ser mentira dele e o encontrou com um terno branco, com uma Shotgun e uma faca ensangüentada na mão.

O Lemmy, do Motörhead, ajudou Ozzy a escrever a letra de quatro músicas em "No More Tears".

O pequeno menino na capa de Diary Of A Madman é filho de Ozzy do seu primeiro casamento.

Ozzy já tentou se matar várias vezes. A primeira foi aos 14 anos.

Por tudo isso, gostando ou não do cara e da estranha família dele, não é possível negar a importância de Ozzy na história do rock and roll.

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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