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Reconhecido
em Minas Gerais como centro de referência do cinema não-comercial,
o Cine Humberto Mauro é reduto de cinéfilos e estudiosos. É o único
espaço do gênero dedicado à formação de público através de mostras,
festivais e lançamento de filmes, assim como de debates, palestras
e seminários relacionados à produção cinematográfica mundial.

História
Inaugurado
em 1978, o Cine Humberto Mauro é tradicionalmente o cinema de arte
e circuito alternativo de Belo Horizonte, mantendo este perfil nestes
vinte e cinco anos de atividade no Palácio das Artes.
A criação
da Sala Humberto Mauro aconteceu com a intenção de consolidar uma
programação alternativa: filmes em 16 milímetros, filmes em preto-e-branco,
mostras de cinematecas e embaixadas ou filmes importantes que não
teriam espaço para reapresentação no circuito comercial.
As
atividades do Cine Humberto Mauro foram iniciadas, oficialmente,
no dia 15 de outubro de 1978. Entretanto, cinco anos antes, a
Turma do Cinema já fazia algumas exibições de filmes em 16 mm
nas instalações do Palácio das Artes, levando os projetores e sentando-se
no chão, o que já dava indícios de uma movimentação que mostrava
a necessidade de um espaço próprio para cinema naquele local.
Nessa
época, foi criado o Centro de Documentação Artística e Audiovisual,
que pretendia ser um setor de documentação das atividades do Palácio.
A Fundação Clóvis Salgado possuía um projetor de 16 milímetros e
eram feitas sessões fechadas, numa sala pequena, com caráter didático.
A lotação máxima da sala era de 40 pessoas.
Com
a doação de um projetor de 35 milímetros pela Fiat, as sessões foram
ampliadas e o Grande Teatro passou a ser o local de exibição dos
filmes. As fitas eram exibidas aos sábados e domingos, às 16 horas,
antes dos espetáculos principais. Mas como o espaço era grande,
com 1500 lugares, e as sessões não passavam de 200 espectadores,
o teatro oferecia uma sensação de vazio.
A solução
encontrada foi a criação de uma sala própria, num espaço vazio da
Galeria Genesco Murta.
Tudo
começou com o Projeto Humberto Mauro
Dia
15 de outubro de 1978 foi inaugurada a nova sala de projeção de
filmes e produtos audiovisuais do Palácio das Artes, iniciando também
o Projeto Humberto Mauro - em referência ao diretor mineiro pioneiro
da cinematografia brasileira.
O Projeto
Humberto Mauro tinha duração prevista até 15 de dezembro daquele
ano, apresentando filmes, seminários e conferências com a participação
de vários críticos e representantes da Embrafilme.
A
primeira programação da sala, que ficou em cartaz de 15 de outubro
a 5 de novembro de 1978, apresentou uma retrospectiva de Humberto
Mauro, com a apresentação de todos os seus longas-metragens e uma
seleção de curtas, um festival de filmes da Cinédia e uma mostra
de curtas brasileiros e mineiros daquele período.
Dez
anos depois
Após
dez anos de existência, a sala batizada com o nome do patrono do
cinema no Brasil contava com uma série de elementos que faziam dela
um espaço diferente: em primeiro lugar, o objetivo de consolidar
uma programação alternativa, com filmes não exibidos em circuito
comercial ou filmes relevantes que não teriam novamente espaço nas
casas de exibição mais importantes.
Em
segundo lugar, estava um engajamento direto com a produção cinematográfica
de Minas: ali aconteceriam estréias de curtas e longas, debates
sobre as questões relacionadas à produção de cinema, reabertura
do Centro de Estudos Cinematográficos - CEC, comemorações e homenagens.
Em terceiro lugar, ali estava uma das saídas para a pasmaceira cinematográfica
em que se encontrava o nosso estado.
A Sala
enfrentou diversas adversidades antes de se consolidar. Por um lado,
anos de preconceito e discriminação por parte dos distribuidores;
por outro, a própria dificuldade de administrar uma sala integrante
do circuito alternativo: filmes que não chegavam a tempo para a
exibição, latas que se extraviavam.
Debutando
Aos
quinze anos, era inegável o vínculo entre a Sala Humberto Mauro
e a produção de cinema em Minas. O curta-metragem mineiro viveu
uma fase de outro no início dos anos 80. A Sala Humberto Mauro era
o espaço natural para a apresentação de obras como Um sorriso,
por favor, de Jose Sette de Barros, e João Rosa, de Helvécio
Ratton.
De
dezembro de 96 a junho de 97, a Sala Humberto Mauro esteve fechada
para reformas. O espaço ganhou novos carpetes, nova iluminação,
um moderno sistema de ar condicionado, melhorias na inclinação e
recebeu novas poltronas. Inclusive, para maior conforto do público,
teve sua capacidade diminuída de 164 para 158 lugares.
Curiosidades
Um
caso engraçado aconteceu durante a projeção da fita polonesa Iluminação,
de Krizyzstof Zanussi. Como o projecionista era novo e ainda não
tinha noções de cinema, ele fez uma confusão com os rolos, exibindo
novamente cenas que já tinham passado. Mas como o filme tratava
de questões da memória, os espectadores nem perceberam e pensaram
que as cenas repetidas representavam a volta da memória.
A
censura
O Cine
Humberto Mauro foi um foco de resistência contra a ditadura militar.
Vários filmes proibidos pela censura eram exibidos clandestinamente
no Palácio das Artes. Por exemplo, o censurado curta-metragem Leucemia,
de Noilton de Almeida, foi cartaz de uma das mostras de inauguração
da sala.

Teve
uma censora que, durante uma retrospectiva do diretor alemão Fritz
Lang, exigiu o certificado da censura do filme Metrópolis,
dum tal de Dr. Mabuse. Para quem conhece a filmografia de Lang,
sabe que a censora trocou alhos por bugalhos, misturando duas fitas
distintas do cineasta - Metrópolis e O Testamento de Dr.
Mabuse.

Uma
mostra de filmes portugueses que tratavam da Revolução dos Cravos
iria ser apresentada no Humberto Mauro. A mostra já tinha certificado
de liberação da censura no Rio e em São Paulo. Mas quando chegou
a BH, os censores mineiros vetaram todos os filmes.
Em
outra oportunidade, uma viúva de general levantou-se no meio da
sessão de Os Tecelões, filme da época pré-nazista, e disse
para todo mundo ouvir que se tratava de uma fita comunista. A platéia
reagiu chamando a mulher de louca, mas depois deste episódio as
mostras da Sala Humberto Mauro passaram a contar com espiões da
censura.
Outro
caso engraçado aconteceu durante as sessões traduzidas de filmes
alemães. O tradutor, que era de direita, via a mensagem subliminar
das fitas e dava sua opinião para os espectadores.
É isso
aí!
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