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Beagá, 24 de março de 2003 d.C.
 
O sabor da vida
Por Lulu Carabina
 

Você já reparou como os temperos são importantes na nossa vida? Por exemplo: quando uma pessoa é considerada sem graça, sem quaisquer atrativos, ela é sem sal. Se você conhece uma pessoa gentil, meiga e delicada, ela é um doce. Já um filme erótico, sensual, é chamado picante.

Outra coisa que já deve ter acontecido com todo mundo: você, sem perceber, coloca açúcar no feijão e sal no café, já que o açúcar refinado e o sal são tão semelhantes fisicamente para os desatentos. Mas o café e o feijão com os temperos trocados ficam intragáveis, não descem pela garganta de jeito nenhum.

E a diferença entre o arroz que a gente come no almoço e o arroz doce? Nem parece que é o mesmo alimento, só com o tempero diferente...

Quer mais? Por que ninguém gosta de comida de hospital? Porque, por razões médicas, essa comida precisa ter pouco sal. Conseqüentemente. Fica sem gosto.

Tortura nunca mais!

Na minha opinião, comida sem tempero ou pouco temperada é como comida de hospital. O ato de comer torna-se sofrido, quase uma tortura.

Mas se você acha que tempero é apenas sal, ou no máximo, alho e cebola, está redondamente enganado! O sal é o principal e mais comum, entretanto nunca deve ser o único tempero da casa.

Num outro dia, comi um nhoque a bolonhesa cujo tempero estava bem fraquinho. Com isso, o prato tornou-se plenamente dispensável. Matou a minha fome e só. Não estimulou meu paladar, não deu água na boca, não tive prazer em comê-lo. Foi comer por comer, só porque foi preciso para não passar mal no meio do expediente...

Não é que a comida estivesse sem sal, ela estava pouco temperada. Eu pude sentir o gosto das batatas, do tomate e da carne, mas não do nhoqui. Não houve uma unidade, um toque que desse homogeneidade ao prato. Parecia somente um amontoado de ingredientes sem sentido.

Temperos diferentes e exóticos, quando bem usados, podem dar a quem degusta o prato um prazer quase sexual. É sério! A gente se sente tão extasiado com o sabor e as várias sensações que o tempero causa à língua, que ficamos praticamente sem ação.

Comidas indianas são um bom exemplo. Um molho indiano é, ao mesmo tempo, doce, picante e ácido, o que chamamos de agridoce.

Como estes sabores são sentidos em diferentes partes da língua, temos a impressão de que a comida passa pela boca umas três vezes. Você sente a comida "por etapas".

Ingredientes variados podem ser usados como tempero, além dos convencionais sal, alho, cebola e pimenta do reino. Desde os mais conhecidos, como o vinagre, azeite, orégano, noz moscada, salsinha cebolinha e pimenta malagueta. Tem também o gengibre, o molho shoio, o molho inglês, a páprica, o coentro, o curry, o louro, o manjericão...

E não precisa imaginar que é impossível achar tais tesouros. No Mercado Central (Avenida Augusto de Lima, 744 - Centro. Funcionamento: de 2ª a sábado. Domingos e feriados, de 7 às 12 horas) tem tudo!

Até elementos inusitados como o açúcar, a manteiga (ou a margarina) e o mel podem fazer uma enorme diferença nos seus pratos.

Por isso, dê mais sabor à sua vida! Use sabiamente os temperos que a natureza nos oferece!

É isso aí!

 
Lulu Carabina é jornalista (e adora provocar o editor), estudante de Relações Públicas, pode ser vista subindo em muros e paredões de rocha e costuma matar orcs feios e sujos nos fins de semana. Se você quer praticar RPG com ela, mande um e-mail para lulucarabina@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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