q

Página principal de Nossos Colunistas
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 01 de agosto de 2005 d.C.
 
Máquina de escrever
Por Jerônimo Pseudônimo
 

Motivos para não escrever: é algo cansativo, pode ter efeitos adversos (quando se escreve algo que outras pessoas não gostariam de ouvir), não há como “desescrever” algo: desde que foi escrito, a coisa tem vida própria e cada um que lê entende o que bem quiser entender. Motivos para escrever? Nenhum, exceto a possibilidade de que os escritos movam algo ou alguém.

Meu interesse pela guerra no Iraque é tão grande como meu interesse às críticas de CPI, mensalão, Lula. Não me interessam porcaria nenhuma. Ambos, no entanto, estão ligeiramente conectadas à escrita, ou à lingüística. A guerra do Iraque é vista por nós como simples burrice (em busca de money) por parte de George W. Bush, graças ao que lemos por aí. A parada do mensalão, “escândalo” do PT e a imprensa pegando no pé do Lula, brigando pra diminuir a popularidade do Lula.

Vários jornalistas querendo o rabo do presidente. Todos em concordância procurando por detalhes obscuros, apontando sujeiras, rindo de dólares escondidos em cuecas. Políticos corruptos são muito mais educados que jornalistas indiscretos. Jornalistas vivem achando que podem mover as pessoas, só porque escrevem. Jornalistas escrevem como pessoas simples, para que possam ser entendidos rapidamente, superficialmente. Tudo que lemos (e ouvimos) é uma espécie de comando, uma palavra de ordem. Ordens estúpidas, organizações estúpidas: o Estado (que finge controlar essa coisa toda via constituição), o PT, a imprensa, o Delúbio (que não se arrepende de nada). Quanto a George W. Bush, bem que ele poderia montar um esquema de corrupção qualquer - quem sabe o Brasil não poderia prestar consultoria na área? -, em vez de sair fazendo discursos ridículos justificando a invasão do Iraque.

Certa feita, em uma fala para público, o escritor Ignácio de Loyola Brandão disse que escrever para ele era uma forma de ser querido. Usar a escrita como um ridículo apoio - um encosto - para que as pessoas gostassem dele “através” de seus textos.

Usar a escrita como dispositivo de moralização é uma coisa absurdamente comum nos meios de saúde. Os médicos-padres (moralizadores) escrevem que os casos de câncer de boca aumentaram nos últimos anos, assim como também aumentou o uso de piercing na língua. Sua conclusão óbvia, advinda de sua autoridade, é que o piercing deve causar câncer. A partir daí traçam-se hipóteses dos mecanismos de funcionamento. Ora discute-se sobre os materiais que compõem as jóias dos piercings, ora sobre o impacto físico da jóia se esfregando na boca. Nunca li nada a respeito de pesquisas que estudem a possibilidade de que os aparelhos ortodônticos (aqueles trecos nojentos) possam causar câncer, apesar de ambos fatores citados estarem presentes também nesse caso.

Contar histórias de sucesso pessoal vende. Peter Drucker é o um nome que me vem à cabeça agora, ou “Sete Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes”, ou Jack Welch. Escrever para “auto-ajudar” é a desculpa desses caras. Dizem (ou escrevem) como atingiram o sucesso, palavras importantes, formas de agir, guias de comportamento. Estabelecer um modelo que funcionou e vendê-lo a quem puder comprar o livro.

Escrever para mover, causar movimento, indeterminar direção ou objetivo, comprar óculos de indie, ler “A Arte da Guerra Para Quem Mexeu no Queijo do Pai Rico”.

 
Jerônimo Pseudônimo tem um cabelo pra lá de esquisito, é estudante de engenharia, trabalha como quebra-galho/faz-tudo de
cursinho e gosta de escrever sobre trivialidades filosóficas e
psicologismos genéricos. E-mail: jeronimo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Xixi, cocô, mijo e merda
Classe média
Os humildes
Expressões
Closer e Constantine
Confira textos mais antigos...