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Beagá, 20 de fevereiro de 2006 d.C.
 
Malditos Pregadores
Por Jerônimo Pseudônimo
 

Procuro não me apressar na hora de criticar, até porque criticar não pode se resumir simplesmente a falar mal, pegar no pé ou coisa que o valha. A proposta desse artigo é, pois, fazer uma crítica que escape às categorizações típicas. Uma primeira constatação é a mudança no modo de funcionamento nas igrejas evangélicas, com relação à igreja romana católica apostólica ortodoxa. Uma segunda constatação diz respeito a toda uma leva de bandas recentes ou novas, cujo discurso guarda muitas similaridades com o discurso dessas igrejas evangélicas. Por fim, o modo como os fãs e os fiéis se comportam parece guardar uma relação semelhante.

No catecismo, aprende-se que Deus não interfere no mundo a não ser por milagres, e que Deus não é o mundo sensível. Entretanto, a promessa das igrejas evangélicas atuais não concerne mais a um Deus que age fora do mundo atual, nem muito menos a uma recompensa post mortem no reino dos céus. O discurso que atualmente arrebanha multidões para cultos diz respeito ao agora, e - mais especificamente - a ganhar dinheiro agora: livrar-se de uma dívida causada por uma força maligna que impede a salvação divina de encher as contas bancárias dos fiéis.

Charlie Brown Jr. (CBJr) em si não apresenta nada de novo, nem nada de mais, trata-se, pois, de um tipo de música equiparável aos novos grupos sertanejos. Convém a distinção que faço entre novos sertanejos e velhos sertanejos: Wanessa Camargo e Sandy & Júnior são esses inconsistentes novos sertanejos; enquanto que Chitãozinho e Xororó fazem parte de uma leva mais antiga, e menos pasteurizada da música sertaneja, dentre os quais também estão Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho. Nessa linha, o CBJr é menos que um subproduto de rock (ver Cazuza): enquanto a Sandy canta ao público-alvo dos pré-adolescentes de interior, CBJr é o mesmo, mas com os skatistas como público-alvo. Cito duas ocasiões: num primeiro momento, um show em Divinópolis na Festa da Cerveja, num segundo momento, domingo à noite assistindo o Faustão (irc!). No meio do show, o Chorão se virou para o público dizendo: "tô falando de Deus... perdi meu pai... se você tem pai... se você tá perdido... tem que acreditar..." No Domingão do Faustão, Chorão disse mais do mesmo: "acho que a mensagem que eu mais tenho que passar é que você pode vencer se uma cara que tava ali com você venceu..."

A semelhança dos discursos acima se resume em um apelo pobre: tenha fé na sua vitória! Quanto aos fãs de CBJr e aos fiéis de igrejas, as semelhanças principais é que ambos têm discursos completamente desconexos e absurdamente chatos. Como se pagar o dízimo ou andar de skate pudessem por si só servir pra algo...

 
Jerônimo Pseudônimo tem um cabelo pra lá de esquisito, é estudante de engenharia, trabalha como quebra-galho/faz-tudo de
cursinho e gosta de escrever sobre trivialidades filosóficas e
psicologismos genéricos. E-mail: jeronimo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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