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Beagá, 13 de fevereiro de 2006 d.C.
 
Clube da Luta versus Clube da Luta
Por Jerônimo Pseudônimo
 

First things first: comparando o livro e o filme, além das diferenças que necessariamente surgem entre os dois formatos, ainda existem - sim - variações na história de cada uma das versões. Quero dizer que alguns eventos, algumas das cenas estão deslocadas ou acontecem de forma diferente no filme e no livro. Ainda falando da história, em ambas versões há algo que me desagrada profundamente: o Projeto de Ações Violentas, ou Project Mayhem. O que me desagrada é que a máquina que funcionaria por trás daquilo tudo não me parece completamente desenvolvida, ou talvez ela me desagrade por que não estou envolvido em nada parecido. Já escrevi a respeito do personagem do Edward Norton no filme, e que há uma incongruência, ou mais uma dessas coisas que me incomodam: a partir de um certo ponto do filme, parece que o Ed sofre uma regressão, e passa a se comportar como uma criança chorona... Argh! Isso não se passa no livro, que - aliás - leva muita vantagem em certos aspectos.

O filme desencadeia certas forças que não poderiam ser desencadeadas por um livro, a esse propósito, recomendo a leitura do texto “O Divã do Pobre”, de Félix Guattari. Por um lado, o filme é maravilhoso, cria um Tyler Durden com o rosto do Brad Pitt, tem Edward Norton, mostra o loirinho todo detonado, exibe flashes de Tyler antes que haja um encontro de fato entre os dois. Por outro lado, o livro não tem aquela quebra de ritmo do filme, não precisa se preocupar em caber em duas horas e - por conta disso - se esbanja em vários momentos que ficam inexplorados no filme. Um ponto que poderia ser considerado negativo é a tradução do livro. O autor, Chuck Palahniuk, tem o estilo típico norte-americano de escrever: frases curtas, períodos entrecortados, pobreza narrativa. Esse estilo já foi qualificado como uma falta de estilo (e eu não deixo de concordar com isso), no entanto a narrativa é construída de uma forma que se presta a esse estilo pobre. A vantagem de ser pobre é que dá pra ler-se o livro em uma única sentada.

A comparação entre livro e filme não me parece tão importante frente a outras questões que se desenrolam na narrativa. Por exemplo, o fato de que nosso anti-herói recorre àqueles grupos deprimentes, em que buscam conforto os doentes de câncer, de parasitas sanguíneos, de tuberculose. A esse propósito, no videoclipe “When I´m Gone” do Eminem, a idéia é também a participação de Eminem em um desses grupos que poderiam se intitular de “auto-ajuda”. Em resumo, é como se o tema principal do Clube da Luta fosse o lixo: os doentes são lixo humano, os explosivos são feitos de lixo, a casa em que se desenvolve muito da narrativa é um espaço-lixo. Trata-se de uma potência do lixo, ou melhor: o que se pode fazer do lixo rejeitado constantemente pelo consumismo? Quanto a mim, fico sinceramente tocado por isso: roubar carros, fabricar explosivos, a explosão de violência nos subúrbios franceses, vender sabonetes.

 
Jerônimo Pseudônimo tem um cabelo pra lá de esquisito, é estudante de engenharia, trabalha como quebra-galho/faz-tudo de
cursinho e gosta de escrever sobre trivialidades filosóficas e
psicologismos genéricos. E-mail: jeronimo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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