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Beagá, 16 de janeiro de 2006 d.C.
 
Violências
Por Jerônimo Pseudônimo
 

“Queremos paz!” ou “O que eu mais quero é a paz mundial.” São frases dessas que se encontram em qualquer lugar. A primeira é como típica de qualquer “classe média”; a segunda parece inspirada em um discurso de miss. Me lembro de uma cena de um filme, Um Dia de Fúria (Falling Down), em que um negro faz uma manifestação de um homem só: carrega uma placa que diz “not economically viable” (economicamente inviável). Como o título indica, Um Dia de Fúria não fala de paz.

Recentemente ocorreram dois episódios violentos que merecem atenção: os carros queimados na França e os ônibus queimados no Recife. Não pretendo comparar estes episódios à Revolução Francesa, mas - cá entre nós - é ridículo, absurdo e até patético tentar culpar alguns indivíduos por esses episódios de violência. No entanto, foi este o argumento usado pelos estudantes que organizaram a manifestação em Recife: arruaceiros teriam se misturado aos estudantes.

Só pra deixar claro: também tenho medo de me machucar, mas... Enfim, já linkei um dos blogs mais “práticos” que conheço, e gostaria realmente de fazer algo como ele, Ari Almeida. E se amanhã acontece alguma manifestação violenta ali ao lado? Seria muito útil saber manufaturar coquetéis molotov, dinamite/TNT, napalm, saber usar armas de fogo, saber se virar numa briga. Por um lado, me lembro do “Pacato Cidadão” do Skank, por outro, penso em Tyler Durden do Clube da Luta.

Quanto ao Tyler, preciso registrar meu descontentamento com algo que reparei lá pela vigésima vez em que assisti seu filme: parece que o Edward Norton sofre uma regressão a partir do meio da história, como se quisesse voltar atrás. Será que os manifestantes de Recife ou da França gostariam de voltar atrás?

Existe ainda uma outra violência, vinculada necessariamente à criminalidade. As favelas são consideradas como ruins principalmente por estarem associadas a este tipo de violência. Não creio que alguém duvide da viabilidade econômica do crime atualmente. No entanto, ambora não seja óbvio à primeira vista, aquela outra violência - a das manifestações - também é “economicamente viável”.

A violência, nesse dois casos, é uma guerrilha: uma guerra sem batalha. O mais importante é que essas manifestações violentas são acontecimentos de que se infere a viabilidade “econômica” pois eles simplesmente surgem: nenhum planejamento, nenhuma centralização... mais ainda, eles se alastram! Definitivamente preciso me ler mais sobre a Revolução Francesa, a Liberação (1968), os Zapatistas, o MST...

 
Jerônimo Pseudônimo tem um cabelo pra lá de esquisito, é estudante de engenharia, trabalha como quebra-galho/faz-tudo de
cursinho e gosta de escrever sobre trivialidades filosóficas e
psicologismos genéricos. E-mail: jeronimo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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