“Queremos paz!” ou “O
que eu mais quero é a paz mundial.” São frases
dessas que se encontram em qualquer lugar. A primeira é como
típica de qualquer “classe média”; a segunda
parece inspirada em um discurso de miss. Me lembro de uma cena de
um filme, Um Dia de Fúria (Falling Down),
em que um negro faz uma manifestação de um homem só:
carrega uma placa que diz “not economically viable”
(economicamente inviável). Como o título indica, Um
Dia de Fúria não fala de paz.
Recentemente ocorreram dois episódios violentos que merecem
atenção: os carros queimados na França e os
ônibus queimados no Recife. Não pretendo comparar estes
episódios à Revolução Francesa, mas
- cá entre nós - é ridículo, absurdo
e até patético tentar culpar alguns indivíduos
por esses episódios de violência. No entanto, foi este
o argumento usado pelos estudantes que organizaram a manifestação
em Recife: arruaceiros teriam se misturado aos estudantes.
Só pra deixar claro: também tenho medo de me machucar,
mas... Enfim, já linkei um
dos blogs mais “práticos” que conheço,
e gostaria realmente de fazer algo como ele, Ari Almeida. E se amanhã
acontece alguma manifestação violenta ali ao lado?
Seria muito útil saber manufaturar coquetéis molotov,
dinamite/TNT, napalm, saber usar armas de fogo, saber se virar numa
briga. Por um lado, me lembro do “Pacato Cidadão”
do Skank, por outro, penso em Tyler Durden do Clube
da Luta.
Quanto ao Tyler, preciso registrar meu descontentamento com algo
que reparei lá pela vigésima vez em que assisti seu
filme: parece que o Edward Norton sofre uma regressão a partir
do meio da história, como se quisesse voltar atrás.
Será que os manifestantes de Recife ou da França gostariam
de voltar atrás?
Existe ainda uma outra violência, vinculada necessariamente
à criminalidade. As favelas são consideradas como
ruins principalmente por estarem associadas a este tipo de violência.
Não creio que alguém duvide da viabilidade econômica
do crime atualmente. No entanto, ambora não seja óbvio
à primeira vista, aquela outra violência - a das manifestações
- também é “economicamente viável”.
A violência, nesse dois casos, é uma guerrilha: uma
guerra sem batalha. O mais importante é que essas manifestações
violentas são acontecimentos de que se infere a viabilidade
“econômica” pois eles simplesmente surgem: nenhum
planejamento, nenhuma centralização... mais ainda,
eles se alastram! Definitivamente preciso me ler mais sobre
a Revolução Francesa, a Liberação (1968),
os Zapatistas, o MST...
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