Todos os críticos musicais possuem
uma teoria de que uma banda, depois de um êxito no seu debut,
tem a sua prova de fogo no segundo álbum. A primeira vez
que li isso foi na antiga Bizz, quando um jornalista (não
me recordo o nome) falou do segundo disco do Supergrass, dizendo
que eles "passaram na prova do segundo disco", aliás
com êxito, diga-se de passagem.
O Strokes, depois do maravilhoso Is This It passou com
ressalvas na prova do segundo disco, com o Room of Fire.
Mas minha mãe já dizia isso, se você tá
na escola e passa raspando, no ano seguinte, não tem jeito,
você não passa.
E o Strokes não passou. First Impressions of Earth
é reprovado. Até que "as primeiras impressões"
(hahah, essa foi péssima) não são ruins, o
disco começa muito bem, mas é cansativo, é
enorme, a banda explora outras sonoridades e se dá mal, ou
por falta de qualidade mesmo ou simplesmente por falta de criatividade,
o que não deixa de ter relação com a primeira
justificativa.
A banda tenta mudar, evita repetir fórmulas, mas acaba perdendo
o gás, só se dá bem quando o faz o que mais
sabe, o rock básico e com energia. É um disco que
"engana comprador de loja", caso alguém ainda não
escute mp3 e se realmente compre discos. Se você for em um
supermercado e começar as escutar as primeiras faixas, vai
achar o disco fabuloso e vai comprar. O problema é o "tal
lado b" do disco, a segunda metade.

"You Only Live Once" é excelente, ótima
canção. "Juicebox" com essa cozinha (baixo
e batera) que lembra surf music, até que entra a "sujeira
habitual", é demais.
"Heart in a Cage" ainda convence, com ressalvas. "Razor
Blade" é linda, boa pra dançar com a namorada,
mesmo não sendo lenta. "The Other Side" é
deliciosamente preguiçosa, pra escutar deitado na cama, é
um "quase-reggae" do Strokes.
Daí pra frente, basicamente, é só tristeza.
"Vision of Division" passa batido, "Ask Me Anything"
só serviria pra comercial de carro, "Electricityescape"
é chata, "Killing Lies" é bocejante... Chega,
nem vou até o fim.
Será que a banda mais hypada do mundo está na descendente?
Ou eles se salvam no próximo disco ou o hype não dará
conta de suportá-los. Aliás, é impressionante
como 90% das bandas hypadas pelos "críticos musicais",
pela NME, tablóides etc, são ruins. É estarrecedor.
Mas este é outro papo.

Green Day
Bullet In a Bible (CD e DVD)
Não
há muito o que dizer sobre Bullet in a Bible registro
ao vivo da turnê do ótimo American Idiot,
último disco de estúdio do Green Day. O DVD é
sensacional, o documentário vale a pena ser conferido e o
show é grandioso, excelente. O repertório, basicamente,
é o do mais recente álbum: "American Idiot",
"Jesus of Suburbia" (com seus maravilhosos 9 minutos e
22 segundos), "Holiday", "Are We the Waiting?",
"St. Jimmy", "Wake Me Up When September Ends"
e "Boulevard of Broken Dreams".
No meio, restou um espaço pras antigas, representadas por
"Longview" (clássica, do "Dookie"), "Hitchin'
a Ride" (do "Nimrod"), "Brain Stew" (do
excelente e injustiçado "Insomniac"), "Basketcase"
(hã? Hhahaha), "King for a Day" (do "Nimrod"),
"Minority" (do "Warning") e fecha
com a versão elétrica de "Good Riddance",
da mesma forma que fecharam o show no Mineirinho, aqui em Belo Horizonte,
em 1998. Mas lá eles não destruíram o palco,
infelizmente.
Mesmo faltando várias canções como "She",
"When I Come Around", "Geek Stinck Breath",
"Walking Contradiction", "Warning" e "Stuck
With Me", o registro vale muito a pena. Aprovado.

Grandaddy
Excerpts From The Diary Of Tedd Zilla
Despedida
mais do que honrosa. Grandaddy anuncia o seu fim, mas antes lança
este EP, o derradeiro. Sem turnê, sem nada. Lançou
e ponto final. É uma pena, mas temos que relevar as bandas
que sabem acabar "por cima". Ok, eles poderiam lançar
mais dois, três ou cinco discos legais, mas é um fato
inquestionável de que eles acabaram muito bem. E o vocalista
Jason Lytle deve seguir com outros projetos, vamos aguardar.
Neste EP, o space pop da banda continua firme e forte, mas com
um flerte mais rock'n'roll. Os destaques são "Pull the
Curtains" que é sensacional, abre o disco de forma soberba.
"At My Post" é grandiosa, viajante, algo que eles
sempre souberam fazer muito bem. "A Valley Song" é
uma singela balada. "Florida" é imperdível,
a menos que você goste da Flórida, hahaha. "Goodbye"
é uma bela despedida. Enfim, Grandaddy termina muito bem.

Richard Ashcrof
Keys To The World
Richard
Ashcroft, pra quem não sabe, liderou a banda The Verve, uma
das influentes do rock inglês da década de 90. A banda
encerrou suas atividades no auge e seu vocalista aventurou-se em
carreira solo, lançando o bom Alone With Everybody
e o ainda melhor "Human Conditions".
Keys to the World é o terceiro álbum e reserva
bons momentos, apesar de não empolgar tanto, quanto os anteriores.
"Why Not Nothing" é a mais rock de toda sua carreira
solo, lembra Oasis, o vocal rasgado até lembra Sex Pistols,
mas o naipe de metais por trás logo deixa claro que a praia
aqui é outra.
"Music is Power" tem belos arranjos de orquestra (algo
comum nos discos dele e do Verve) e um balanço interessante,
é meio brega, mas cativante. Dá pra dançar
com os braços, entende? Haha. "Break the Night With
Colour" é uma balada linda, com quase todos os seus
clichês. "Sweet Brother Malcolm" é piegas,
mas é aprovada pelos belos arranjos. Alguma músicas
são mais enjoadas, arrastadas, diria até, err, românticas.
Mas no meio de muito açúcar, ainda tem salvação,
como a linda "Simple Song" e seus arranjos primorosos,
ou ainda "World Keeps Turning". Não é o
melhor disco dele, mas catando aqui e ali, dá pra fazer uma
magnífica coletânea.

Recado ao John Gracinha: sempre leio seus textos e geralmente não
conheço 20% do que você indica. É bom, porque
enriquece isso aqui, você explora as suas preferências
(ops) e eu as minhas.
E rotular como "estranho" meu top 30 é um baita
elogio, pra quem sempre levou bordoada, desde 2002.

Voltando ao tal hype, minha vez. A banda é daqui de BH,
chama-se Iosf. Hardcore melódico em português. Influências
são Reffer, Dead Fish, Hot Water Music, Lagwagon, NOFX, Comeback
Kid... Banda muito boa, talvez a mais promissora de Minas, lançaram
no ano passado a primeira demo Lembranças Esquecidas,
com 4 faixas excelentes. O mais interessante é que os integrantes
são todos "de menor", já tocam juntos há
3 anos e fazem um som melhor do que muita banda de marmanjo. É
minha aposta, neste ano devem gravar material novo, os moleques
vão longe. Podem anotar.
www.myspace.com/iosf
www.purevolume.com/iosf
www.tramavirtual.com.br/iosf
www.fotolog.com/iosf

Próxima coluna, novos do Placebo, Graham Coxon, Cat Power,
Belle & Sebastian... Até!
Links do Sukrilius:
Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique aqui.
www.enne.com.br
- banda de rock que eu produzo.
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
- blog da Menina Enciclopédia, também comparsa
do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
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