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| Beagá,
Segunda, 15 de julho de 2002 d.C. |
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E-mail para esta coluna: sukrilius@abacaxiatomico.com.br Discos fundamentais - Parte 15 e meio O MINISTÉRIO DA SAÚDE
ADVERTE: Nesta coluna, termino de comentar o ótimo Their Satanic Majesties Request, gravado pelos Rolling Stones em 1967. Antes de mais nada,
a escalação "clássica" da banda: Continuando o texto da coluna anterior, o disco foi finalmente lançado no dia 8 de Dezembro de 1967. A capa possui uma foto em três dimensões e a capa interna oferece um labirinto criado por Brian, imaginando que seria algo divertido para os fãs. Ele achava que as pessoas iriam escutar o disco "chapadas", enquanto tentavam encontrar a saída. O compacto escolhido para promover o disco (algo como o single hoje) foi "In Another Land", de Bill Wyman, por ser a única canção de amor de todo o disco. Na época, a crítica ficou impressionada e classificou o álbum como "pretensioso, indulgente e catastrófico". A maioria apontava para uma tentativa infeliz de copiar o Sgt. Pepper's, dos Beatles. Ao ler as críticas, Brian disse: "Graças a Deus! Agora quem sabe, podemos voltar a tocar música!". Mas publicamente, Brian defendia o álbum de todas as críticas. Para quem não leu a coluna anterior, Brian Jones não gostou do estilo das músicas deste disco, queria algo mais rock'n'roll, mais Rolling Stones. Mesmo severamente criticado, o álbum obtém boa recepção junto ao público "flower power", arrebatando seu "disco de ouro" nos Estados Unidos, vendendo mais do que o Magical Mystery Tour dos Beatles nas primeiras semanas. No princípio de 1968, cada integrante viajou, para descansar. Mick Jagger e Marianne Faithful desembarcaram no Rio de Janeiro no dia 6 de Janeiro do mesmo ano. Dizem até que ele apareceu aqui em Belo Horizonte, tendo dado uma passadinha no Mercado Central. Mas essa já é outra história... Vamos ao disco, vou tentar explicá-lo: The Rolling Stones
"Why don't we sing
this song all together O ritmo é louco. Um piano, um baixo, gritos. Jagger canta com outras vozes, guitarra, percussão e um xilofone, que acompanha cada sílaba cantada. É uma canção festiva. Os arranjos de metais e os solos curtos de guitarra não são nada convencionais. "Citadel": começa com um riff muito cool de guitarra. Bateria forte, vocal agressivo. Misturam-se com baixo, teclado e uns barulhinhos estranhos, que não sei identificar (não sou músico). É rock'n'roll, mas mergulhado em um ácido. "In Another Land": um dos destaques. Em um dia que Jagger, Keith e Brian não foram gravar, Charlie e Bill resolveram gravar as bases de uma das canções de Bill, chamada "Acid in the Grass", depois rebatizada de "In Another Land". Steve Marriot, da (boa) banda The Small Faces, que estava em um estúdio vizinho, deu uma mãozinha nos vocais, mas sua participação não consta nos créditos. Há uma voz espacial, oriunda do além. De repente, entra Jagger gritando: "Then I awoke!". A canção ganha ritmo, força com a bateria, guitarra, baixo e o violão. Daí, retorna para a parte psicodélica. No final, ouve-se um barulho de alguém roncando, uma guitarra e outros sons ao fundo, bem baixinhos... "2,000 Man": o início da "trip": "Well, my name is a number". Parte do refrão: "Oh Mummy, proud of
your son Jagger canta de uma forma doce, angelical. O violão é sensacional, sempre ao lado do vocal. Charlie cadencia a canção com sua bateria simples e precisa. No refrão, teclados deixam a música ainda mais bela. Ah, o Kiss fez uma cover legalzinha, mas bem abaixo da original. "Sing this Song All Together (See What Happens)": é a desconstrução da primeira faixa, algo como um "making off" bizarro. É a mesma canção, mas bem mais insana. Ouvem-se teclado, vozes, até a guitarra irresistível comandar um ritual. De repente, um xilofone, trombone e percussão. São oito minutos e meio de muita loucura. Flauta, gritos, os metais tocam o refrão... Há algumas paradas, com solos de guitarra, piano... Há um pandeiro também! Mais vozes surgem. Que canção complexa! O bumbo da bateria acompanha mais gritos. Do nada, a música ressurge pelas batidas do pandeiro e do piano. Impossível imaginar como a banda gravou esta canção. No finalzinho, Jagger canta o refrão, junto com a guitarra, bateria e piano. Os últimos 40 segundos são absolutamente inexplicáveis. Me desculpem... "She's a Rainbow": outra ótima música. Há uma introdução meio confusa. Após o apito, um piano muito bem tocado te contagia, assim como o violino. A canção "engrena" com o vocal e o violão. No refrão, preste atenção nos backing vocals ("La la la la la") totalmente "lesados", alienados. Não posso esquecer de falar da excepcional bateria de Charlie, sempre certeira. "The Lantern": balada magnífica. Piano, bateria, baixo, violão, riffs mágicos de guitarra e um vocal solto, quase sóbrio de Jagger. "Gomper": teclados, baixo, elementos indianos. Vocais lisérgicos e alguns instrumentos que não sei o nome, mas sei que são influência de George Harrison, dos Beatles. Bem psicodélica, quase progressiva. O final da música é bem louco, insano. A banda resolveu explorar este tipo de som sem ser refém de suas ideologias. Durante as gravações, Jagger e Marianne Faithful são convidados, junto com os Beatles, para assistirem a uma palestra do guru Maharishi Yoga, que se realizou no País de Gales. Após a palestra, Jagger comentou com Keith: "Posso entender o George cair nessa conversa de paz, amor e pague a conta, mas não o John (Lennon). Sempre achei que ele fosse tão inteligente..." A propósito: não é à-toa que, pouco depois, Lennon rompe com o Maharishi e detona o cara na sensacional faixa "Sexy Sadie", do Álbum Branco (já comentado aqui nesta coluna). "2,000 Years from Home": o título já diz onde estava a cabeça dos Stones naquele momento. A música apresenta um teclado muito louco, Jagger está totalmente drogado (sua voz está calma, relaxada), a bateria e a guitarra completam o clima. Ruídos muito estranhos preenchem o cenário. Trilha para uma viagem onde você realmente viaja... "On With the Show": mais loucuras. A voz de Jagger está irreconhecível. Não sei se é algum efeito do vocal, mas parece que ele canta apertando seu próprio nariz (sério!). No final, a voz está "normal", mas nota-se que ele (Jagger) não está. Vozes abrem e fecham a música. O baixo, o piano, a guitarra e principalmente o teclado injetam mais e mais doses de psicodelismo. Pára! Pare a viagem, quero descer...
Abacaxinauta Leonardo Reis Braga, consegui a resposta. E graças a meu amigo Pablo, que participa do mailing list britrockgroup: a versão original de "Killing Me Softly" é da Roberta Flack. Ah, britrockgroup é uma lista de discussão, do yahoogrupos, sobre rock britânico e eu sou um dos moderadores desta lista. Quer participar? Escreva para britrockgroup-subscribe@yahoogrupos.com.br ou acesse www.britrockgroup.hpg.ig.com.br e obtenha mais informações.
Ciro Gomes caiu na cilada da Globo, na entrevista para a revista Época na edição do dia 8 de Julho. A capa é uma ilusão. Ciro ficou desconfortável diante de tantas perguntas, acusações e começou a falar sobre o que todo mundo já sabe: há um complô de boa parte da mídia em favor do José Serra. E ele citou as Organizações Globo. Claro, foi como uma defesa, porque os repórteres não paravam de atacá-lo e ele não soube se defender. Os jornalistas perguntaram de uma forma bastante ofensiva sobre o fato de Ciro ter feito parte da Arena e do PDS. Ciro negou e confirmou, respectivamente. Mas não importa. Ora, ora, ora, os herdeiros da ditadura e do antigo PDS governam nosso país até hoje... E estão firmes, pois só em São Paulo, Maluf está disparado na primeira posição para o governo. E Romeu Tuma está em uma posição semelhante para se reeleger senador. Ciro possivelmente pode perder votos, pois foi destemperado nas respostas e até infantil. Mas colocou à tona o que só não vê quem não quer: a Globo quer colocar o Serra no poder. E sobre o candidato do governo, nada foi dito. Campanha limpa, ninguém se recorda de absolutamente nada... Inclusive, na edição anterior de Época, Serra foi entrevistado. Não houve uma acusação sequer. Foi "outra" entrevista. O engraçado é que, na revista, logo após a entrevista, há uma reportagem falando mal do Anthony Garotinho e uma outra reportagem, essa falando sobre o episódio de Santo André (contra o PT). E na página seguinte, uma reportagem sobre o novo apartamento que nosso querido FHC vai comprar.
FHC, que de forma irresponsável vetou uma intervenção federal no Espírito Santo - intervenção essa pedida por várias entidades públicas, inclusive a OAB. O engraçado é que a própria população capixaba lamentou o veto, pois queria uma apuração dos fatos, já que o governador capixaba José Ignácio (eleito pelo PSDB), responde a cinco processos e por pouco escapou do impeachment. Escapou, porque o crime organizado se infiltrou nas instituições públicas: criminosos estão trabalhando no governo - as raposas estão vigiando o galinheiro. Agora, FHC fala em força-tarefa, ou a tal "missão especial". Quem estará nessa missão? Provavelmente, os mafiosos que estão se proliferando pelos poderes públicos do Espírito Santo (lá, por enquanto). Se os criminosos se infiltraram nos poderes Legislativo e Executivo capixaba, perguntar não ofende: - Rita Camata, vice de José Serra, é deputada federal pelo PMDB do Espírito Santo. Por que ela anda tão calada? Poderia aproveitar o episódio e colocar a "boca no trombone" para obter um resultado político favorável, demonstrar de qual lado está. Seu silêncio me intriga.
Na próxima coluna, continuam os Rolling Stones. Falarei sobre belíssimo Beggar's Banquet (1968). E também vou falar rapidamente sobre alguns novos discos (muito bons) que estão surgindo nas prateleiras e que devem ficar por lá, em virtude do altíssimo preço... E sou a favor da numeração de cds e discos e não vou voltar atrás (pois não tenho "rabo preso" com ninguém). Até a próxima coluna! Me desculpem se falei demais...
Links do Sukrilius: www.uol.com.br/folha/pensata - coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão, só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola" e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas que poucos conhecem são recomendadas por ele. www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá. www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net). www.soundmagazine.com.br - outro site muito legal, que fala principalmente sobre música. |
Sukrilius é tenista arrependido e escreve neste espaço às segundas-feiras. |
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