Beagá, Segunda, 13 de maio de 2002 d.C.

E-mail para esta coluna: sukrilius@abacaxiatomico.com.br

Pato Fu, imprevisível como sempre

Sob protesto, estou interrompendo meus textos que falam sobre discos indispensáveis para dar o meu relato sobre a gravação do programa de TV, CD e DVD MTV Ao Vivo Pato Fu.

Sim, sob protesto. Queria continuar falando sobre discos aqui, neste espaço, e fazer meus comentários sobre o show em algum espaço na seção O Som do Abacaxi, que creio ser mais apropriado.

Mas El Jako e seu fiel escudeiro (e webmaster) Cajabis Cannabis acham que o Pato Fu não merece aquele espaço. El Jako teria um infarto se isso ocorresse. Bem, pela vida do El Jako, eu acatei a decisão (afinal, sou um mero subalterno por aqui, eles são meus "chefes" etc e tal...). El Jako acha o Pato Fu uma porcaria. Respeito a opinião, do "mestre", mas discordo totalmente. Mas esse é outro papo.

Bom, vamos logo ao que interessa. O show foi gravado no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, no dia 29 de Abril, em uma noite estrelada e temperatura amena. O anfiteatro é pequeno, mas aconchegante e muito bonito. Eu era um dos 150 fãs de todo o país que tiveram a sorte de presenciar a gravação. Encontrei fãs de Curitiba, São Paulo, interior de São Paulo, Rio, interior de Minas... Mais de 95% dos presentes eram formados por "fãs virtuais" da banda.

Se não me engano, seis ou sete câmeras foram destinadas para a gravação. A banda tocou no chão mesmo, em um chão de vidro. Luzes de várias cores deixaram o palco muito bonito. O baterista Xande, assim como os convidados, ficaram um pouco mais atrás, acima dos demais (Fernanda, John e Ricardo), perto do telão, que projetava ótimas imagens. O público ficou praticamente cercando a banda, como um arco. Eram três,no máximo quatro fileiras de fãs. Atrás, só câmeras.

O calor lá dentro era infernal, o ar condicionado só era ligado nos intervalos, pois ele poderia atrapalhar a gravação. No intervalo de cada música a banda se enxugava, se refrescava. A Penélope Nova, VJ da MTV, estava presente para conferir, como também o Fred, baterista dos Raimundos, que assim que percebeu que estava sendo muito assediado (não por mim!) foi embora. Gente fina esse Fred!

O figurino da banda era primoroso, não entendo bulhufas, absolutamente nada de moda, mas sei que o Ronaldo Fraga é o responsável pelo figurino. A Fernanda Takai usava uma roupa de boneca antiga e um sapato verde, muito legal. Não prestei atenção no figurino dos demais membros da banda.

Cheguei ao local cedo. Olhei para o relógio, que marcava 17:53. O show estava marcado para começar às 19 horas. No dia anterior, quando houve o ensaio, o horário era o mesmo, mas só começou às 20:30. Portanto, eu sabia que ia atrasar.

Bem, entramos no recinto às 20:30. O show começou às 21 horas e terminou às 23 horas em ponto. A banda voltou para "refazer" algumas músicas, tocando de 23:30 até 00:10. Estava exausto, sabia que a banda estava no camarim recepcionando os fãs, mas estava tão cansado que não pensei duas vezes. Fui pra casa. Ah, já ia me esquecendo... As músicas...

Antes, já esclareço que tem gente dizendo que o Pato Fu gravou um "Acústico MTV". Inclusive, saiu no portal Terra um título dizendo que tratava-se de um acústico. Que bola fora!

O Pato Fu é uma das bandas mais criativas do Brasil no seu segmento, sem sombra de dúvida. A banda passeia pelo pop chiclete, baladas, rocks, punk rock, hard rock, trip hop e outros gêneros inventados pelas maluquices do John.

Todos os "MTV Ao Vivo" eram previsíveis, porque pareciam as gravações originais com aplausos no final. As bandas não ousavam, não mudavam arranjos, não improvisavam. Soava datado. O Pato Fu mudou o arranjo de quase todas as músicas, principalmente dos hits, o que é um risco sob o ponto de vista do mercado. E foi isso que me deixou satisfeito. Assisti um show totalmente diferente dos demais. Não posso me esquecer que a banda contava com reforços de peso: Lulu Camargo, tecladista do Karnak, e Hique Gomez & Nico Nicolaiewsky, a dupla "Tangos e Tragédias" (lembram da Esbórnia?).

O show começou com "Tribunal de Causas Realmente Pequenas", do Ruído Rosa. Infelizmente, só a introdução, com cavaquinho, pandeiro, guitarra e vocal. Queria que eles tocassem a parte final, a parte eletrônica da canção, mas não rolou. Já emendaram com "Licitação": pauleira pura, do Televisão de Cachorro. Pensei que o Museu não fosse agüentar, pois todos pulavam. E cantavam, claro, ali todos eram fãs.

A terceira a tocar foi uma canção nova chamada "Por Perto", a qual não me recordo. Aliás, não me recordo de nenhuma canção nova. Puxa, só tocaram uma vez, esse texto está sendo redigido mais de uma semana após o show. Impossível lembrar...

"Um dia, um ladrão", do Televisão de Cachorro, me surpreendeu. Era uma canção que andava fora do setlist da banda. Sempre é bom "resgatar" alguma canção "quase esquecida". "Sobre o Tempo", do aclamado Gol de Quem? foi tocada com um arranjo diferente. Foi a segunda das várias surpresas da noite. A sexta canção foi "Antes Que Seja Tarde", do Televisão de Cachorro. Outra surpresa, mudaram os arranjos.

"Eu", do Ruído Rosa, veio depois... Sim, mudaram o arranjo da canção. "Porque Te Vas", do equivocado Tem, Mas Acabou, veio em seguida. Claro, mudaram os arranjos, não me lembro, mas acho que ficou com uma levada mais black music, mais funk (não o carioca!). "Capetão 66.6 FM", do Tem, Mas Acabou foi tocada com uma empolgação indescritível, pois o público estava ensandecido, louco, talvez pelo calor...

"Não Mais", canção inédita foi a décima do setlist. Claro, não me lembro dos detalhes. "Made in Japan", do melhor disco deles na minha opinião (Isopor), veio em seguida, com um arranjo diferente. Depois, veio "Depois" (essa foi fraca!). Faixa do álbum Isopor. Sim, com arranjo diferente.

"Canção pra Você Viver Mais", do Televisão de Cachorro, também foi apresentada de forma diferente. Fernanda cantava à capela, praticamente. Confesso que fiquei com vontade de rir, tamanho era o silêncio. Parecia um velório: uma voz, todos escutavam e cantavam baixinho...

"Me Explica", outra nova canção. Sem comentários. "Nada pra Mim", outra canção inédita da banda. Acho que uma cantora aí gravou, mas não sei quem é... A 16º foi a maliciosa "Imperfeito", do Isopor. Claro, com novo arranjo.

Em seguida, veio a melhor canção da banda na minha opinião: "Um Ponto Oito", do disco Isopor. "Menti pra Você, Mas Foi Sem Querer", faixa do Ruído Rosa, pode ser a primeira música "de trabalho" do álbum, pois foi um dos poucos hits que não teve seus arranjos alterados. "Perdendo Dentes", faixa do Isopor, foi a canção seguinte. Claro, com novo arranjo.

A vigésima canção foi "Vivo Num Morro", do Televisão de Cachorro. Legal, desenterraram mais uma música que não estava sendo tocada ao vivo. Sim, mudaram os arranjos. A penúltima canção foi "Quase", em uma nova versão, apelidada de "versão de buteco". Faixa do álbum Isopor.

Aí veio a maior surpresa do show. O Pato Fu tocou, na íntegra a "crássica" "Rotomusic de Liquidificapum", faixa-título do primeiro disco da banda, quando eles ainda eram da Cogumelo. Fiquei pasmo: o Xande, na bateria, conseguiu reproduzir de forma fiel, toda a porrada, da versão original, que era um tecnopunk (bateria eletrônica, duas guitarras e baixo). Foi o ápice do show, todos os fãs ficaram surpresos e confesso que foi sensacional voltar a 1993 e relembrar os versos em inglês desta canção que era cultuada no cenário underground de Belo Horizonte. El Jako sabe disso.

Para o CD, serão escolhidas 18 canções. Para o DVD, todas as 22 vão entrar. O show vai passar na TV, o lançamento será em meados de julho. Quem quiser me assistir (?) no show, eu apareço com uma camiseta da banda Blur - ou melhor: com uma camiseta com o desenho dos quatro integrantes dessa banda, capa da coletânea dos caras (altamente recomendada, por sinal).

         

Eu sei que quase ninguém lê esta coluna. Mas se você estiver lendo, escreva pra mim: sukrilius@abacaxiatomico.com.br. Faça sugestões, críticas, ou escreva para falar que o Maluf é honesto, que a seleção vai ganhar a Copa... Aceito qualquer coisa...

         

Prestem atenção no Jornal Nacional, da Globo. Observem como a Globo está fazendo campanha para o José Serra de forma "sutilmente descarada".

Me escrevam, respondendo uma pergunta que me aflige: como definir o "padrão Globo de qualidade", com o advento destes novos programas, que são "ótimos"?

         

Essa Sheryl Crow é engraçada. Sempre lançava discos medianos, razoáveis, mas com singles e videoclipes legais. Agora, lançou um videoclipe e um single ("Soak Up the Sun") meia-boca e um disco... Legal! Quem diria... Vá atrás do ótimo C'mon C'mon, nem que seja para conferir as maravilhosas fotos da não menos maravilhosa Sheryl Crow no encarte. Que encarte!

         

Na próxima coluna, volto a falar sobre os álbuns indispensáveis. Vou falar sobre o Magical Mystery Tour, dos Beatles. Até lá!

Sukrilius é tenista arrependido e escreve neste espaço às segundas-feiras.

 

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