Beagá, Segunda, 30 de julho de 2001 d.C.

E-mail para esta coluna: sukrilius@abacaxiatomico.com.br

Diesel, a salvação do rock nacional

Diesel: guardem este nome. Se você procura rock honesto, nervoso, feito com competência, a banda é esta. O som deles é um rock pesado, lembra um pouco o grunge, é difícil rotulá-los. Quem assistiu ao show que eles fizeram no último dia do Rock in Rio, como eu, teve só um aperitivo. Aliás, para eles chegarem lá eliminaram três mil bandas. Quer dizer, derrubaram muito jabá que deve ter rolado na Escalada do Rock. A banda é formada pelo Jean Dolabella (bateria), Léo Marques (guitarra), TC (baixo) e Gustavo Drummond (vocal e guitarra).

Os músicos são muito bons; não é aquela banda que possui um músico como destaque, porque todos tocam muito bem seus instrumentos. Gustavo canta mais que qualquer vocalista do mainstream do rock nacional: canta com raiva, força, com prazer. A banda toca com vontade, com paixão, o som possui uma energia semelhante que só senti quando ouvi pela primeira vez Rage Against the Machine e Nirvana. Não comparo com essas duas grandes bandas, que aliás, são influências do Diesel, mas a energia que o som deles passa para quem ouve é parecida. Essa energia justifica o nome da banda.

Lançaram um CD independente, que já deve estar beirando cinco mil cópias vendidas. Receberam propostas de inúmeras gravadoras, mas disseram não, porque eles teriam que mudar alguma coisa no som e cantar em português. Está aí um exemplo a ser seguido por bandas de rock nacional: acreditem no seu trabalho e não deixem que terceiros influenciem na sua música.

O Diesel, sabendo que não possui mais espaço para crescer no cenário independente brasileiro, está de malas prontas para os EUA. Vão se mudar para Los Angeles, vão percorrer uma trilha semelhante à do Sepultura, algo que eu já tinha dito para eles e que eles já estavam carecas de saber.

Voltando ao som da banda: é difícil classificá-lo. Passeia pelo hard rock, pelo metal e pelo grunge. É rock de alta qualidade, difícil falar algo que foge disso, pois vou soar de forma repetitiva, rock que o público americano está carente. Todo o público do movimento grunge teve que começar a ouvir new-metal e sons do gênero. O Diesel preenche a lacuna do grunge e do new-metal. Não, a banda não possui um vocal de rap, mas possui um som que agrada aos fãs de Soundgarden, Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains, como também aos fãs de Faith No More e Rage Against the Machine, que criaram Korn, Deftones, Limp Bizkit...

Na minha opinião, o Diesel é a melhor banda de rock do Brasil que surgiu nos últimos três anos. Não aumento o número para quatro ou cinco anos porque minha memória pode me trair. Quem ainda não escutou, não perca tempo. Recomendadíssimos.

Quem quiser saber mais sobre esta banda, acesse o site (que está sendo reformado) www.diesel.art.br ou procure no www.mp3.com. Existem algumas páginas de fãs, que são muito legais também. Quem quiser, tome nota: www.nowherians.hpg.com.br, www.faclubediesel.hpg.com.br, www.4diesel.hpg.com.br e www.nonsensical.hpg.com.br. A banda vai colocar, em agosto, seu CD independente, junto com uma revista-pôster, para ser vendido em bancas de jornais por R$ 9,90. Comprem, ouçam e guardem. Não sou profeta, mas esta banda, se não for vítima das injustiças que permeiam o universo musical (termo vago, porém válido), conseguirá êxito, para orgulho do rock brasileiro, que anda precisando de novos frutos - e não de novas pragas como Surto, Tihuana, Charlie Brown Jr., Mary's Band, Sideral (sai fora, barbie!), Anna Júllia (ops, Los Hermanos) e outros seres daninhos que estão no nosso cenário desde meados dos anos 80 (tantos)... É mais fácil dizer quem se salva, como o Diesel. Dos anos 80 e 90... Falo em uma próxima ocasião.

Sukrilius é tenista arrependido e escreve neste espaço às segundas-feiras.

 

© Todos os direitos reservados
Melhor visualizado em 800x600
Recomendamos Internet Explorer 4.0 ou superior