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O Blur,
uma das melhores bandas da década de 90, mudou. Think Tank,
sétimo disco da banda, até possui alguns elementos que podem ser
encontrados nos seus discos anteriores, mas o conjunto tem um rosto
diferente. Aliás, a banda está diferente. O excelente guitarrista
Graham Coxon (o melhor músico do grupo), autor de riffs que fizeram
parte da minha adolescência, deixou o Blur no início das gravações.
Não
sei se é melhor ou pior que o antigo Blur. É diferente. Talvez este
disco esteja para a discografia da banda o que Kid A significou
para outra grande banda da Inglaterra, o Radiohead. São bons discos,
mas que não estão entre os melhores de suas bandas e estão bem longe
dos piores. E são momentos de ruptura com o som que faziam até então.
Não que OK Computer (Radiohead) ou 13 (Blur) não sejam
esquisitos (pois de alguma forma o são). Mas há uma ruptura mais
forte, em larga escala. O Blur mudou de rumo, há algo de Gorillaz
em algumas faixas e até o Fatboy Slim foi produzir outras, lá no
Marrocos - onde o disco foi concebido.
Um
detalhe muito interessante: há uma faixa escondida. Mas ela não
está depois da última faixa. E sim, antes da primeira! É sério!
Assim que começar a faixa 1, "Ambulance", volte uns 7 minutos. Vou
chamá-la de "faixa zero", na tradicional e manjadíssima análise
que faço agora:

"faixa
zero": Blur eletrônico, dançante. Muito boa, refrão legal. Ótima
para boates e "bares da moda".
"Ambulance":
linda. Clima retrô, batida eletrônica light, ótimo sax e vocal bacana.
Leve, calma e bela.
"Out
of Time": recomendo o download. Uma das melhores músicas da banda
(exagerei?). Cativante, do início ao fim.
"Crazy
Beat": rock empolgante. Fatboy Slim colocou alguns elementos eletrônicos,
mas que não atrapalham em nada. Aliás, ficou legal. A guitarra lembra
Graham Coxon. Finalmente o baixo bacana de Alex James aparece. Deve
virar hit.
"Good
Song": o nome se justifica. Nada demais. Bonitinha, destaco o vocal
do Damon Albarn.
"On
the Way to the Club": outra que não empolga nem decepciona. Balada
com fundo eletrônico, um baixo poderoso. Boa balada, como várias
outras da banda.
"Brothers
and Sisters": ótima canção. Baixo legal, teclado idem. O vocal está
perfeito e a letra é excelente. Outro destaque, vale o download.
"Caravan":
calma, bonita e triste. Perfeita para tocar no final da festa, assim
que o último convidado vai embora.
"We've
Got a File on You": mantendo a tradição de sempre colocar um rock
bem acelerado em todos os discos, o Blur manda bem nesta faixa.
Punk rock barulhento, com alguns elementos marroquinos(!). Inusitado
e muito bom. Vale o download.
"Moroccan
Peoples Revolutionary Bowls Club": o nome já é bacana. A música,
ainda melhor. A parte instrumental é criativa e empolgante. Procure-a
no Kazaa, Soulseek e derivados. Compensa.
"Sweet
Song": balada triste. Ótima letra, ideal para ouvir em dias chuvosos
e/ou noites sombrias, depois de você já ter escutado Portishead,
Massive Attack e algumas do Radiohead, Travis, Coldplay e Doves.
"Jets":
excelente. Uma das faixas mais experimentais que a banda já fez.
O sax é muito bem tocado, mas ao contrário da maioria da crítica,
eu acho que não se "encaixou" no resto da melodia.
"Gene
by Gene": outra com participação de Fatboy Slim na produção. Mas
aqui ele erra feio. Canção "eletrochata". Pule-a.
"Battery
in Your Leg": única faixa com a participação de Graham Coxon. Balada
maravilhosa, mas com sonoridade nada pop. Muito triste, faz lembrar
o clima do injustiçado e excelente 13 (1999). A guitarra
de Coxon já deixa saudade... Mais um destaque, pode pegá-la na internet.
Enfim,
Think Tank é um disco que deve ser deglutido aos poucos.
Se você não gostou, escute-o mais. Pois algumas particularidades
de álbuns gravados com tantos elementos (como este) costumam ser
notadas mais tarde.

Vocês
lembram de uma banda chamada Flame? Esqueçam. Não, não acabou: mudou
de nome. Agora, chama-se Inflamus. Tiago, o guitarrista, queria
colocar "Soulflame", mas segundo ele iam associá-la ao Soulfly e
tal. Então, ele escolheu "Inflamus". Eu acho que lembra Incubus,
mas tudo bem, hahaha...
Pra
falar a verdade, é muito difícil criar um nome para uma banda. Mais
difícil ainda é escapar das comparações. O Gustavo Drummond, líder
do Udora (ex-Diesel), me disse que cansou de ler dicionários de
inglês para achar um nome (Diesel foi "criado" desta forma), mas
nem assim deu certo. Daí o guitarrista Léo Marques teve uma divagação
e soltou este Udora.

Falando
em Udora (uma das melhores bandas nacionais em atividade), o disco
de estréia vai atrasar um pouco. O lançamento ia ser em junho, agora
deve ficar para setembro, acho. Mas aguardem, pois vem aí um disco
que vai destroçar a liderança de porcarias como Creed e Linkin Park
das paradas gringas.

Outra
banda nacional que está fazendo bonito é o Valv. Ainda não aprenderam
a jogar futebol, mas o rock vai muito bem. Fizeram um showzão no
Curitiba Pop Festival, arrancando elogios até de jornalistas que
eles não conhecem (hahaha, eles vão ficar bravos comigo). Mas o
forte da banda continua sendo o consumo de álcool. É invejável.

Já
que o papo é rock nacional, entre as bandas do mainstream aguardo
ansiosamente Ventura, nova cria dos Los Hermanos. A banda
tem uma missão ingrata: superar o magnífico Bloco do Eu Sozinho
(2001), melhor disco nacional dos últimos cinco anos.

Fui
ao show do Silverchair aqui em BH. Na próxima coluna eu falo sobre
o assunto, ok?

Aviso
ao colunista Henry Chinaski: eu pretendia fazer uma resenha sobre
a banda Interpol. Realmente, eles são muito bons. Mas cá entre nós:
a sonoridade é bem parecida, porém Joy Division está bem acima.

Sobre
a saída do El Jako, realmente eu só tenho que lamentar. El Jako
conhece bastante sobre música (já perdi a conta de quantas discussões
ásperas já tivemos), é uma pessoa sensacional, mas infelizmente
não estava dando pra conciliar suas atividades "do underground"
com o ABACAXI ATÔMICO. É aquele ditado: "ou caga ou sai da moita".
Já que ele não podia mais colaborar com a mínima frequência possível,
é melhor ele deixar o site de lado mesmo... Menos uma preocupação
para ele. E mais uma para nós: agora, já estou esperando os seus
indigestos (sem trocadilho com o Indiegesto) e-mails. Virou franco-atirador.

Aliás,
eu e ele fizemos um texto sobre grandes discos de rock entre 1987
e 1992. Está quase pronto. Assim que estiver, eu coloco aqui. Já
aviso: o texto está muito bom.

Deixei
de escrever sobre tênis por causa da má fase do Guga. Quando ele
avança nos torneios, eu tenho algo pra escrever. Mas até agora só
escrevi meia página. Meu texto está pequeno. Portanto, assim que
o mané de Floripa recomeçar a ganhar seus jogos, eu publico minha
retrospectiva.

Não
consegui o link para vocês baixarem o maravilhoso Diamonds on
the Inside, do Ben Harper. O Indiegesto não me passou o link.
Aliás, nem sei se ele leu meu texto, pois ele não falou nada...

Torrei
minhas economias na caixa Anthology, com 5 DVDs dos Beatles.
Em breve, meus comentários.

Falei
demais, não? Até a próxima semana, então.
Links
do Sukrilius:
www.uol.com.br/folha/pensata
- coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão,
só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola"
e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas
que poucos conhecem são recomendadas por ele.
www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.6emeia.cjb.net
- zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos,
livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor
e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).
www.soundmagazine.com.br
- outro site muito legal, que fala principalmente sobre música.
www.britrockgroup.hpg.ig.com.br
- Britrockgroup é uma lista de discussão do Yahoogrupos sobre rock
britânico e eu sou um dos moderadores desta lista.
www.udora.net
e www.valv.dk -
Sites de duas das melhores bandas de rock do país.
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