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Beagá, 16 de janeiro de 2006 d.C.
 
Melhores de 2005
Por Sukrilius
 

Mais uma vez chegou a hora de talvez o meu texto mais aguardado, pelo menos por mim. Vou receber gozações, ofensas e até elogios, mas é esta a graça, a razão de se fazer um ranking: a polêmica.

Escutei mais ou menos 50 discos lançados neste ano, é um número até razoável pra quem teve outras colunas pra escrever (ok, nem tantas), trabalhou igual um cão produzindo o Enne, trabalhou pior que um cão enquanto fez um estágio e tentou em vão terminar a faculdade.

Os critérios do ranking são absolutamente pessoais e subjetivos. Até dei chances pra bandas que achei o primeiro álbum péssimo, como o Franz Ferdinand. Não achei péssimo, achei "apenas" ruim, beliscou a 48ª posição graças à primeira música do disco que é excelente. Mas o resto destoa e não entra no meu Top 30.

Outras bandas que quase entraram no ranking foram o Gorillaz, com o irregular Demon Days, Eric Clapton com o seu ducentésimo disco de inéditas, os hypados do White Stripes, os elaborados da Dave Matthews Band, além de Korn, Paralamas do Sucesso, Sheryl Crow, Jamiroquai, Nação Zumbi (não tenho QI pra entender os caras), Madonna, Kaiser Chiefs (britpop de segunda divisão), Hellacopters, Billy Corgan, o Red Roses do Ryan Adams, os adorados (não por aqui) do Arcade Fire, Nine Inch Nails... E teve mais, mas não estou aqui pra falar das ausências e sim de quem entrou no ranking.

Sem mais delongas, vamos ao meu Top 30 de 2005:

30
Beck
Guero

Álbum de múltiplas faces, discografia de múltiplas faces. Beck Hansen abandona o folk triste e volta para as maluquices que norteiam toda a sua elogiada carreira. Léguas de ser um Odelay (1996), mas sem dúvida um bom disco. Destaque pra "Que Onda Guero". Só não fica mais adiante no ranking pois esbarra em alguns acessos de "cabecices" do compositor.

29
Queens Of The Stone Age
Lullabies to Paralyze

Pior dos quatro discos dos caras, mas mesmo assim ainda aparecem momentos brilhantes como "Medication", "Everybody Knows That You're Insane", "Little Sister" e"I Never Came". Pena que o resto não siga o mesmo nível. Volta Nick Olivieri e deixem o Mark Lanegam cantar!

28
Mars Volta
Frances the Mute

As músicas do Mars Volta variam de momentos absolutamente memoráveis (principalmente pela guitarra e bateria) com partes terrivelmente chatas (graças à mesma guitarra e a voz terrivelmente cansativa). Se eles pudessem "secar" um pouco as canções e tirá-las exatamente o melhor, era top 10 por aqui. A melhor é "The Widow".

27
Supergrass
Road to Rouen

Fiz uma resenha recentemente, mas esse disco cresceu bastante no meu conceito nas últimas audições. Está distante do fabuloso In It For the Money (1997), mas honra a digna discografia dos caras. É um disco pretensioso, muita pompa, luxo e opulência, nem sempre pretensão significa evolução. É grandioso, mas não é a maior obra deles. Recomendo a faixa "Tales of Endurance, Parts 4, 5 & 6".

26
Ryan Adams
Jacksonville City Nights

Esse cara é foda. Lançou três discos neste ano, dois mais ou menos do mesmo nível, outro (Red Roses) um pouco abaixo. Se ele pegasse o melhor dos 3 discos, cravaria no Top 5 sem pestanejar. É puro country rock, flertando com Bob Dylan e com umas passagens deliciosamente bregas. Destaco a "My Heart is Broken".

25
Ryan Adams
29

Aqui, com um pé mais forte no blues e no folk, às vezes lembra um pouco Stones na década de 70, esse é o melhor disco dele no ano, e o mais calmo, recheado de baladas. Ouça deitado. Recomendo a faixa inicial, "29", mas o disco é bem coeso.

24
Stereophonics
Language. Sex. Violence. Other.

Outro disco coeso, que não chama atenção. Sempre deixam os "Phonics" meio que de lado em toda a discussão de rock inglês, mas eles continuam firmes e bons. O estilo mudou, mas a qualidade permanece. "Dakota" é uma das músicas mais bonitas do ano.

23
Hopesfall
A-types

Rock californiano, desta vez com sotaque de Deftones. Produção minuciosa, ótimo vocal e guitarras. É o trabalho mais pop da banda e o que mais me chamou a atenção. "It Happens", "Start and Pause" e "Breathe from Coma" são ótimas.

22
The Coral
The Invisible Invasion

Mais um disco do Coral, e bom. Estão lançando um disco por ano, desde 2002, e continuam frequentando meu ranking. E com o habitual, aquele folk rock pra lá de datado, porém eficiente, bem bacana. Melhores: "In the Morning" e "Something Inside of Me".

21
Neil Young
Prairie Wind

O canadense sabe envelhecer, enveredando pelo melhor do folk. Disco acima da média da discografia de Young, vale muito a pena conferir e se deliciar com "Here For You", "He Was the King" e "When God Made Me", quando Young pensava que estava nas últimas.

20
Rolling Stones
A Bigger Bang

Desde a minha resenha sobre o mesmo, ele também está agradando bem mais. Não possui uma sequência de clássicos, mas está acima das porcarias que os Stones fizeram no finalzinho da década de 70 e em boa parte da década de 80. Os melhores momentos são "Let Me Down Slow", "She Saw Me Coming", "Biggest Mistake", "This Place is Empty" e "Oh No Not You Again".

19
Garbage
Bleed Like Me

O Garbage ainda não fez sua obra-prima, este é o quarto bom disco, todos mais ou menos no mesmo nível. Dentro do disco, tudo o que discorre em toda a sua discografia, ótimas e péssimas faixas. As ótimas estão em maior número e dentre elas, pra quem curte o rock eletrônico deles, eu cito "Run Baby Run", "Why Do You Love Me", "Bleed Like Me" e "Sex is Not the Enemy".

18
Audioslave
Out of Exile

Segundo disco sem surpresas. A voz do Cornell está lá, o instrumental bacana também, as baladas infestam e o rock também aparece. Nada absolutamente fantástico, mas nada decepcionante, esses quatro caras são bons e quando não revolucionam, só fazem o que sabem fazer, já ficam em uma posição de honra. Destaques: "Your Time Has Come", "Out of Exile", "Be Yourself", "Doesn't Remind Me", "Heaven's Dead" e "Dandelion".

17
Coldplay
X & Y

O Coldplay alcançou esta posição porque são muito bons e cravaram algumas canções lindas, como "Square One", "What If", "Fix You", "X & Y", "Swallowed in the Sea" e "'Til the Kingdom Come". Não foram adiante porque resolveram criar a oitava maravilha do mundo e capricharam demais em tudo. E como tudo em exagero faz mal e/ou engorda, X & Y é um balofo simpático que, por causa de sua teimosia (banda? Produtor do disco?), não quis perder peso e não teve fôlego pra chegar mais adiante. As demos desse disco devem ser bem melhores.

16
Wallflowers
Rebel, Sweetheart

A banda renasce, desde o excelente Bringing Down the Horse (1996) que vendeu milhões de cópias em todo o mundo, os caras não faziam um disco tão bom. Jakob Dylan parece que herdou do pai o dom das belas melodias (nas letras não dá pra alcançar), retorno triunfante. Destaques: "Days of Wonder", "The Passenger", "The Beautiful Side of Somewhere" e "We're Already There".

15
Paul McCartney
Chaos and Creation In The Backyard

Paul sabe os atalhos do pop como ninguém. Nenhum ser vivo consegue com poucas notas no piano e outras na voz emocionar tanto. Ele tem um dom, que foi muito bem aproveitado em boa parte deste disco, com ótimos
arranjos. Destaco "Fine Line", "At the Mercy", "English Tea", "Too Much Rain" e "Promise to You Girl".

14
Sigur Rós
Takk

"Takk" significa em islandês "obrigado". É isso que todos devem dizer após ouvir o mais recente álbum deles. Uma das maiores surpresas do ano, ao lado de outra banda, que logo mais eu falo. COm um extremo bom gosto nas melodias, o Sigur Rós faz um som pra se escutar quando se está em viagem astral, pra quem acredita nisso, ou pra quando a gente (?) for pro céu, ou lá pra baixo mesmo. Som pra viajar, se desprender de tudo. Os mais desavisados vão chamar de new age, mas seria um absurdo, pois os arranjos e os vocais estão bem acima disso. É de arrepiar, deite na cama e escute. E boa viagem. Os títulos das músicas são fáceis, as minhas prediletas são "Hoppípolla", "Mea Aleanasir" e "Sélest", mas as demais também apresentam um bom gosto absurdo nos arranjos e melodias.

13
Pato Fu
Toda Cura Para Todo Mal

Pop sofisticado. John nunca esteve tão à vontade pra colocar em prática suas maluquices, às vezes com muito êxito, em outras vezes, um belo escorregão. Produção caprichada, pode não ter a densidade pop de um Isopor nem ser despojado como Televisão de Cachorro, mas depois de um hiato, o Pato Fu retorna fazendo o que mais gosta, e fazendo muito bem. "Agridoce" é talvez a música nacional mais bonita de 2005, mas também destaco "Anormal", "Sorte e Azar", "Amendoim", "No Aeroporto" e "!".

12
Black Rebel Motorcycle Clube
Howl

A maior surpresa do ano. O BRMC sempre se enveredeou pelo rock, algo na praia dos Strokes e de todas aquelas bandas "do momento", bem distante dos instrumentos acústicos. E vem Howl, um disco folk. Isso! E mais,
maravilhoso. Lembra bastante as passagens mais folk de Led Zeppelin, Rolling Stones, além dos clichês Bob Dylan e Bruce Springsteen. "Howl", "Devil's Saitin'", "Ain't No Easy Way", "Promise" e "Weight of the World" são lindas, obrigatórias.

11
Doves
Some Cities

O Doves chega a seu melhor disco, fazendo aquele rock inglês climático, com um pézinho na turma de Coldplay e seus asseclas e em coisas mais rock, com mais pegada. Neste álbum, toda esta fórmula funciona da melhor maneira possível, sem exageros e com muita emoção. Ouça "Some Cities", "Black & White Town", "Almost Forget Myself", "Walk on Fire" e "Sky Starts Falling", depois comprove.

10
Starsailor
On The Outside

Cansou a me convencer, mas como convenceu! Segundo melhor disco de rock inglês de 2005, os caras carregam o britpop no gene mas fazem algo bem superior, com melodias primorosas, mantendo o nível dos dois discos anteriores. As melhores são "In the Crossfire", "Conterfelt Like", "Faith Hope Love", "I Don't Know" e "Keep Us Together".

9
John Frusciante
Curtains

No início do ano passado, o genial guitarrista do Red Hot Chili Peppers lançou o último de seus vários discos em seqüência (um por mês). Em janeiro, chegou em meus ouvidos mais este prato cheio, bem calmo, bem sutil. Pode baixar "The Past Recedes", "A Name", "Your Warning", "Hope" e "Leap Your Bar".

8
Cardigans
Super Extra Gravity

Cardigans definitivamente trocou os dias ensolarados e felizes por dias fechados e introspectivos. E se deu muito bem. A mudança, ensaiada em Gran Turismo (1998), veio com toda a força no maravilhoso Long Gone Before Daylight (2003) e se estabelece agora, com este belo álbum. "Losing a Friend", "Godspell", "I Need Some Fine Wine and You Need to be Nicer" e "Don't Blame Your Daughter" são exemplos de que os suecos estão inspiradíssimos.

7
Udora
Liberty Square

A antiga banda Diesel, de Belo Horizonte, se estabeleceu em Los Angeles, mudou de nome e de proposta. Agora fazem um rock bem pop, frio e de qualidade. As provas são "Light in a Hole", "Liberty Square", "Fade Away", "Breathing Life", "Wake Up Dead Man", "Pieces", "Faith & Reason" e "When It Ends".

6
Weezer
Make Believe

É o mais calmo, pop e (talvez) belo disco do Weezer. Agrada logo na primeira audição, Rivers Cuomo despeja sua filosofia nerd (bem inocente às vezes), as melodias são previsíveis, mas agradam em cheio. Típico disco do Weezer dos primeiros anos, mas bem mais pop e agradável. Talvez só perca pro "Blue Album". Destaco "Perfect Situation", "Hold Me", "Peace", "The Damage in Your Heart", "Pardon Me", "Freak Me Out" e "Haunt You Everyday".

5
Foo Fighters
In Your Honor

Discão. Se pegasse as 5 melhores do disco 1 e as 5 do disco 2, seria o melhor do ano. Se separasse em 2 discos (como o System of a Down fez), o disco 1 (o "rock") beliscaria a terceira posição. Mesmo assim, este álbum reúne canções memoráveis de uma banda espetacular. Destaques: "No Way Back" (talvez a melhor música de 2005), "Best of You", "D.O.A.", "Resolve", "The Deepest Blues Are Back", "End Over End", "What If I Do?", "Miracle", "Another Round", "Virginia Moon" e "Cold Day in the Sun".

4
Oasis
Don't Believe the Truth

Depois de muitos anos, o Oasis fez um disco pra justificar toda a arrogância dos caras. Os Gallagher podem voltar a dizer que são os melhores etc e tal, porque possuem credencial com este disco, que é um primor. "Turn Up the Sun", "Mucky Fingers", "Lyla", "Love's Like a Bomb", "The Importance of Being Idle", "Guess God Thinks I'm Abel",
"Part of the Queue" e "Let There Be Love" são provas que os melhores momentos dos reis do marketing voltaram.

3
And You Will Know Us By Trail Of Dead
Worlds Apart

Lindo, sublime, espetacular. O Trail of Dead cometeu uma sucessão de clássicos, músicas lindas. Corais, arranjos orquestrados, crianças, rock, Pink Floyd, Beatles, barulho, pompa. Tudo misturado e muito bem servido. Os destaques se enfileiram no encarte do disco: "Will You Smile Again?", "Worlds Apart", "The Summer of '91", "Caterwaul", "A Classic Arts Showcase", "Let It Dive" e "All White".

2
System Of a Down
Hypnotize

1
System Of a Down
Mezmerize

Dois atos, uma só conclusão. Em uma sessão de gravação, nasceram 23 músicas, nas quais a grande maioria recebeu a nota máxima. Não sei se é heavy metal, se é uma nova vertente do metal, só sei que o System of a Down lapidou e otimizou suas músicas. Barulho da melhor qualidade, assuste a sua tia, cause má impressão na sua avó e se satisfaça com dois petardos do melhor que apareceu no rock no ano que passou. Discos absolutamente necessários.

Volto quando puder, mas volto. Até lá.

Links do Sukrilius:

Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique aqui.

www.enne.com.br - banda de rock que eu produzo.

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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