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Beagá, 06 de junho de 2005 d.C.
 
White Stripes em Manaus
Por Sukrilius
 

Meu amigo Richard Luis, que mora em Manaus, foi ao show do White Stripes e entrou em contato, oferecendo-me a matéria. Não vou revelar os valores "exorbitantes" de tal negociação, mas no final das contas cheguei à conclusão que era um pedido inegável, ainda mais vindo de um cara que tem uma banda chamada Evol e um cachorro chamado Moby. O relato segue abaixo:

"A história toda já começava do lado de fora do teatro. Centenas de pessoas se acomodavam da maneira que dava nas mesas dos bares ao redor do Teatro e nas cadeiras colocadas na Praça São Sebastião, destinadas geralmente ao público que vai assistir, do lado de fora, aos espetáculos de ópera que ocorrem na área interna do teatro. Mas na noite deste 01 de junho, o público era outro. O tradicional Bar do Armando já estava lotado desde cedo, onde as pessoas enfrentavam o calor e se preparavam para o show com cerveja gelada. A pergunta mais freqüente era: será que isso é verdade mesmo? A última banda internacional a pisar em palcos amazonenses havia sido o Faith no More em 1991 (e eu estava lá), o que tornava o show do White Stripes um verdadeiro acontecimento histórico. Gente de todas as bandas importantes de Manaus (sim, temos bandas de rock em Manaus, com cds ótimos, mas isso é outra história) bem como todo mundo que se diz roqueiro na cidade estava lá, dentro ou fora do Teatro.

Depois do social com a moçada, entrei faltando dez minutos pro show, que começou pontualmente às nove da noite. Como as cortinas estavam abertas, a primeira coisa que se via era o enorme pano de fundo da turnê nova, o desenho da maçã, que também estava no bumbo da bateria de Meg. Alguém da organização foi ao microfone pra contar que Jack White se casou no meio do encontro das águas, ponto turístico onde o Rio Negro se encontra com o Rio Solimões, mas ninguém entendeu se foi com a Meg ou se foi com outra mulher. Bem de pertinho do palco onde eu tava, já se via toda a parafernália que eles usariam: pianos, teclados antigos, dois enormes tambores usados por Meg numa música de cerca de 30 segundos, cantada por ela e que foi repetida 3 vezes na noite, guitarras, violões e uma porra duma marimba (!!!).

Meg entrou primeiro no palco, sem frescura nenhuma, sem anúncio nem nada do tipo, Jack entra logo em seguida, coloca a guitarra e eles mandam de cara "Blue Orchid", o novo single. Jack uiva em falsete, Meg desce a lenha nos pratos impiedosamente. O teatro treme. Grande parte das pessoas ali (dondocas sacolejando as jóias ou playboys que nunca tinham ouvido falar da banda antes do show) sequer conheciam a música, mas se uniram aos fãs da banda, com as mãos pra cima urrando tão alto quanto a guitarra de Jack.

Seguiu-se uma seqüência de hits como "Dead Leaves and the Dirty Ground", "Fell in Love Whith a Girl", onde Jack comandou um corinho de "aaaa aaa aaaaa" e que teve um trecho lento no meio, ao estilo da cover de Joss Stone. "Hotel Yorba", fez todo mundo se levantar das cadeiras a seu comando (pois até então todo mundo estava comportadinho e devidamente sentado). A banda apresentou músicas novas como "My Doorbell", levada ao piano e com seu vocal nervoso, "Little Ghost", que não tem guitarras estridentes mas sim um banjo, numa espécie de country à la White Stripes, e as estranhas marimbas de "The Nurse".

Quando começou a tocar "I Just Don´t Know What to Do With Myself", após uma estrofe, cantadas em uníssono por todos, Jack deve ter tomado um belo susto, pois parou a música por ali mesmo, e disse que ia dar um tempo dela, passando imediatamente para o piano e tocando mais uma música nova. Mas logo depois, retomou o hit do início, fazendo todo mundo cantar e dançar.

Pontos altos do show: o tombaço que Jack levou, tropeçando em uma caixa de retorno no palco, no meio de um solo de guitarra e a hora, já perto do fim do show, quando ele simplesmente pediu licença a todos, pegou um violão, puxou Meg pelo braço, que na outra mão levava um bongô, passou pelo meio do corredor entre as fileiras de poltronas da platéia e foi (tentar) tocar na sacada do teatro, para as pessoas que assistiam o show no telão da Praça. Quando voltou, foi para tocar uma música do segundo disco, que não lembro o nome agora (acho que á a segunda do disco, lembra aí Sukrilius), terminar o show e deixar o palco. Mas o público ainda queria "Seven Nation Army", que foi acompanhada pelo público presente (mais os sortudos que entraram no meio da confusão causada por Jack quando foi tocar no pátio do teatro), com todo mundo pulando e gritando a música, no ritmo do estrobo preparado especialmente para o hit.

Daí todo mundo sacou que era o fim mesmo. Faltou "The Hardest Bottom to Bottom". Faltou também "Pretty Good Looking", mas o público, que nessa década ainda não tinha visto um show internacional na porta de casa, lavou a alma e saiu dali com a certeza de ter participado de um momento histórico pro Amazonas e mesmo pro Brasil.

Richard Luis, costumava ser Editor de TV, mas desistiu de tudo e montou uma banda com sua irmã depois do show do White Stripes."

Richard, se a música é realmente do segundo disco De Stijl, se for a faixa 2, é a "Hello Operator", mas não é uma canção que eles costumam tocar, enfim...

Na última semana, rolou no canal pago TNT um especial de 2 horas com o "melhor" do Rock in Rio Lisboa, com uma ou duas músicas de cada artista participante. É bizarro e engraçado, é um balaio de gatos de todos os estilos, foi muito divertido. Queria escrever no Drops de Abacaxi, mas ficou grande. Seguem abaixo minhas breves observações sobre o que assisti, o que pode ser (ou não) reflexo de toda a apresentação. Paul McCartney, Metallica e Ivete Sangalo (sério!) animaram o público, cada um de sua forma. Gilberto Gil também se destacou. Bizarro, não?

Do Jet, mostraram a bacaninha "Are You Gonna Be My Girl", mas ninguém animou, passaran quase que despercebidos. A Britney cantou (?) uma canção que infelizmente (!!!) não sei qual é. Deu pra ver que era playback e que a barriguinha dela tá provocante. Queria ver mais e ouvir menos. Mas dessa vez não teve palavrão, lamentavelmente.

A cada dia que conheço mais o Black Eyed Peas eu vou achando pior. A primeira música foi uma das piores coisas que já ouvi na vida. Eles acharam pouco e mandaram outra, a bobinha "Shut Up", mas qualquer coisa era melhor do que a música anterior. Foi um alívio, confesso. E aquela vocalista é maravilhosa, hein?

Alicia Keys me decepcionou, primeiro porque ela ganhou alguns quilos, que pena. E a música dela foi uma famosinha aí, um soul mezzo bocejante mezzo gritado. Norte-americano adora isso mesmo.

Paul McCartney emocionou, é até pleonasmo dizer isso. A "galera grisalha" cantava e se derretia, é até covardia com as outras bandas, rolou "Get Back" e "Live and Let Die" com aqueles tradicionais fogos.

Evanescence comprovou que a única coisa que realmente presta é a (bela) vocalista Amy Lee. A banda é uma tremenda porcaria, new metal de shopping center. Tocaram aquela baladinha que é a canção menos ruim deles, até porque boa parte dela é Amy Lee e piano, o que não compromete. Agora, a postura da moça no palco e seu figurino lembram em demasia a Pitty. Plágio! Ou não seria a Pitty que lembra a Amy pra caramba?

Gilberto Gil fez uma apresentação lamentavelmente inesquecível. Impossível eu relatar com palavras todo o meu sofrimento (e do público), torcendo para que a música (que eu infelizmente não sei o nome, eu ia rogar uma praga) acabasse logo. Tem um dos refrões mais tenebrosos da face da Terra. A letra é em português, mas o refrão é em inglês (ou melhor, o inglês "peculiar" do ministro). A música tem uma bateria eletrônica, com dois percussionistas complementando (precisa disso? Alguém pode me explicar?), teclados horrendos e Gil e seu violão. Histórico.

A Ivete Sangalo provou que o "suingue" brasileiro rompeu fronteiras. Além do mais belo par de coxas que já vi, não tenho o que acrescentar. Só digo que o palco, durante a apresentação dela parecia uma feira, tinha umas 200 pessoas. E me deu uma baita saudade da Ivete quando começou a passar o Alejandro Sanz, uma espécie de Leonardo cantando em espanhol. Mesma coisa: uma enorme banda por trás, o rapaz com pinta de galã, cheio de carisma, mas com uma barriguinha um pouco maior pro padrão pop star.

Ben Harper cantou e encantou com "Diamonds on the Inside", um refresco depois de tanta coisa ruim. Peter Gabriel entrou no palco igualzinho o Darth Vader, praticamente só faltou o capacete (nossa! Já repararam como ele se parece com o ator que interpreta o Darth Vader no Star Wars Episódio VI?). Felizmente, a canção era bacana, não era tão "cult", tão cabeça. Me impressionou a parafernália que ele levou pro palco, mas ironicamente a música lembrou um pouco o estilo do Genesis pós-Peter Gabriel.

Sting, o amigo do Medina, tocou aquela música terrivelmente entediante do seu mais recente disco, que teve a participação de um cantor árabe ("Desert Rose" algo assim, sei lá). World music lazarenta, com gritos aqui, percussão acolá, bailarinas dançando, "aqueles" teclados... Só faltou o Chico César e o Manu Chao. Tanta música bacana do Police e resolvem passar logo esta "pérola"...

Foo Fighters visivelmente cansados, ou melhor, extenuados, cometem apenas uma versão razoável para a eterna e maravilhosa "Everlong", o que não é pouca coisa. "Megalomaniac" com o Incubus foi bacana, mas tambem esperava mais, ficou muito correta, careta. No final, o Metallica levou ao delírio a multidão de camisas pretas com "Seek and Destroy" e terminou a transmissão de uma forma bacana.

Se alguém souber de algum outro "resumão" de algum festival me avise, pois assistir e comentar é
extremamente divertido. Melhor que isso, só participando in loco do evento, mas eu ainda chego lá...

Estou praticamente "atualizado" com todos os lançamentos de cds, estou escutando cada um vagarosamente, mas confesso que são muitos. Eu listei alguns na minha coluna anterior. Desses mais recentes, tem cinco discos que estou gostando bastante e que facilmente entrarão no meu ranking dos melhores do ano: Weezer com Make Believe, System of a Down com Mesmerize, Foo Fighters com In Your Honour, Oasis com Don't Believe the Truth e Queens of the Stone Age com Lullabies to Paralyze.

Audioslave, Coldplay, Doves, Ryan Adams e White Stripes ainda não me convenceram. Aguardem minhas resenhas, até eu estou ansioso.

Enne toca dia 16/06 no bar A Obra, em Belo Horizonte. A banda Astronautas (PE) toca na mesma noite, ingressos a 6 reais. Info: www.aobra.com.br.

O Enne toca dia 18/06 em São Gonçalo-RJ (show de graça) e dia 19/06 no bar Convés, em Niterói-RJ. Para mais informações, entrem em contato comigo. Estou tentando mais duas datas, uma em Juiz de Fora-MG e outra no Rio de Janeiro-RJ, ou ambas no Rio. Quem souber de alguma coisa, me avise por favor.

E, na semana seguinte, provavelmente show em Ouro Preto-MG. Aguardem mais detalhes.

Site bacana onde encontro muitas mp3 e mpegs: http://indiebr.blogspot.com.

Na próxima coluna, "voltamos com a programação normal". Até!

Links do Sukrilius:

Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique aqui.

www.enne.com.br - banda de rock que eu produzo.

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

sondazkavernas.blogspot.com - blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante, único programa da tv aberta para fãs de boa música.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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