Enfim, mais uma lista dos melhores
do ano. É a
terceira lista que faço e tenho certeza que será polêmica
como as demais. Pois todos se importam mais com o ranking do que
com a presença do disco na lista. Mas esse é o gostinho
de fazer uma lista, é esta a graça da brincadeira:
provocar discussões, favoráveis e contrárias.
Até hoje tem gente que não acredita que o Metallica
ficou em primeiro em 2003 e ainda duvidam que o Audioslave beliscou
o quarto lugar em 2002. Acima de tudo, a lista é um retrato.
Talvez não colocaria o St. Anger ou o disco
do Audioslave nas mesmas posições hoje (provavelmente
não), mas este é o sentido de se fazer um ranking.
Um ranking também
serve como um espelho do "crítico", pois adoro
analisar rankings alheios, através dele consigo até imaginar
como a pessoa é e principalmente os hábitos dela.
Loucura? Pode ser, mas esta é a graça de se fazer
um ranking. Sem ser provocativo, sem provocar estardalhaço,
colocando o que você acha legal (mesmo que niguém
tenha colocado em nenhuma lista, como Alanis Morissette e Maroon
5). E deixando de lado
"unanimidades" da crítica, como Smile do
Brian Wilson, ou o superestimado disco de estréia do Franz
Ferdinand. E o legal é que muitos ficarão me perguntando
o porquê de um disco da Norah Jones ficar na frente do Sonic Youth,
como se fosse possível compará-los. Só aqui
mesmo. Os critérios são absolutamente subjetivos,
fiz um ranking baseado no meu gosto, que é variado e imprevisível.
Não ouço e faço média com jornalistas
que ditam "a verdade absoluta" e arrastam seguidores.
O tão "maravilhoso", "fabuloso" e "fenomenal" disco
do Secret Machines só beliscou a 26ª posição.
E um disco que ficou ignorado e que os (poucos) fãs deixaram
de lado, levou a 2ª posição.
Bem, deixa de conversa. Escutei algo em torno de
60 discos no ano que passou. Podia ter feito um Top 50 como nos
anos anteriores,
mas resolvi arregaçar as mangas. Escutei novamente disco
por disco, faixa por faixa. Dei nota pra cada faixa e tirei a média.
Portanto, vamos aos melhores de 2004 na minha opinião. Já aviso
que mais do que um ranking, é uma recomendação
de 30 discos que eu gostei de escutar. Aliás, 34 discos.
Depois explico.
30º
Eric Clapton
Me & Mr. Johnson
Fica tudo mais fácil quando você resolve fazer o
que sabe. Aquele "arroz com feijão" que você sempre
soube fazer desce muito melhor do que um prato sofisticado e sem
gosto, como um "Pilgrim". Ouça "They're Red
Hot" e confira este justo e bom tributo a Robert Johnson.
Ganhou por um décimo do Nightfreak and the Sons of
Becker, da banda The Coral, que ficou de fora do ranking.
29º
Sonic Youth
Sonic Nurse
O Sonic Youth não é uma "banda de introdução".
Não é uma banda que você deixa rolar os primeiros
30 segundos da música pra ter uma idéia se a música é boa
ou não. É banda pra viajar, pra você colocar
o cd e esquecer de sua existência. Apenas curtir. O grande
defeito da banda é que falta um camisa 9, um finalizador.
Mesmo sem repetir as atuações de Murray Street (2002),
o time está entrosado e não joga frio. Os melhores
momentos são "Pattern Recognition" e "Kim
Gordon and the
Arthur Doyle Hand Cream".
28º
Gomez
Split the Difference
Gomez é uma banda inglesa muito bacana que
poucos conhecem. Split the Difference não é seu melhor disco, mas
o que dizer de canções como "Do One"? É um
disco mais calmo, mais "difícil", sendo menos
pop. Coeso, possui canções mais ou menos do mesmo
nível. Daqui uns meses, cairá bastante no meu conceito
ou subirá de forma considerável.
27º
Papa Roach
Getting Away With Murder
Já estão rindo, né... O Papa Roach quando
consegue fugir da mesmice do new-metal, consegue fazer coisas bem
interessantes. O problema é o preconceito que toda banda
de new-metal carrega que, mesmo quando muda o som, continua fazendo
new-metal, desagradando tantos. Não eu. Duvidou? Escute "Blood" e
comprove.
26º
Secret Machines
Now Here Is Nowhere
Muita idolatria por isso? Puxa, realmente é muito bom,
mas não vai mudar a órbita do planeta. Banda pra "escutar
sentado". É um "sub-Flaming Lips", pois é tão
bacana tanto, mas às vezes cansa. O
destaque vai pra faixa-título.
25º
Ash
Meltdown
Rock'n'roll com pegada punk. Disco coeso, ou você gosta
ou odeia por completo. Algumas vezes, ouço ecos de Weezer,
quando não querem quebrar tudo, querem te fazer dançar.
O Ash tá quase subindo pra primeira divisão do rock
inglês, faltam outros discos como este e um produtor esperto
($). Destaco a faixa "On a Wave".
24º
Kasabian
Kasabian
Já que falamos em segunda divisão, está aí uma
banda que também está pra conseguir um lugar ao sol
(quando ele aparece) do cenário inglês. Primeiro disco
bacana, com nítidas influências de Stone Roses (e
principalmente de Ian Brown em carreira solo), Gorillaz e, especialmente
(e mais descaradamente), Primal Scream. Pra alcançar
o Primal ainda vai demorar, mas as faixas "Club Foot" e "I.D." são ótimas
apresentações.
23º
Maroon 5
Songs About Jane
Rindo novamente? Vamos por partes: "This Love" é muito
bonita. Vocês vão demorar alguns anos pra admitir
isso, porque a música encheu nossa paciência de tanto
tocar no rádio. Em 2006, quando escutarem-na, vão
reclamar e vão se lembrar do "massacre sonoro".
Mas quando ela der aquela sumida do dial e você quiser escutar
pra matar a saudade (usando a curiosidade como pretexto), você pode
não confessar, mas vai curtir a canção. É algo
como "Anna Júlia", do Los Hermanos. Mas enfim,
Maroon 5 é pop sim, e bom. O "Dinho Ouro Preto gringo" (segundo
excelente definição do pessoal do site Pilula Pop)
canta se espelhando totalmente em Jay Kay (Jamiroquai) e o som
não ofende. Ouça escondido ou escute descaradamente "Tangled", "Sunday
Morning", "Harder to Breathe" além
da já citada. Confesso que fiz o possível pra não
gostar.
22º
The Thrills
Let's Bottle Bohemia
Segundo disco sempre complica. Comparar com o anterior é inevitável.
E quando o disco de estréia é muito bom, só piora
as coisas. Thrills não superou o primeiro álbum,
mas ainda vale muito a pena. Ok, faltou ousadia, faltou gás,
tá mais bobinho e mais pop. Talvez o Elton John elogie.
Mas você pode concordar com ele neste ponto. A melhor é a
primeirona, "Tell Me Something I Don't Know".
21º
Morrissey
You Are The Quarry
Nunca fui muito fã dos Smiths. Sempre achei a babação
de ovo exagerada. Possuem algumas músicas lindas, mas sempre
pulo algumas faixas, no total nunca me convence, apesar do resultado
final ser sempre positivo. Moz não foge da regra. Muito
bom álbum, mas não escuto inteiro. Até acho
menos chato que Smiths por não apresentar tanto aquela sonoridade
dos anos 80 que às vezes me entedia. "America Is Not
the World", "Irish Blood English Heart" e "You
Know I Couldn't Last" são as mais bacanas.
20º
Norah Jones
Feels Like Home
Se ela se sente em casa estando mais distante do
jazz, maravilha. Este disco é folk e ela até arrisca um country. A
sua voz continua esfriando a espinha de tão bela e a banda é sensacional.
O "Lado A" do disco é primoroso,
depois as coisas esfriam um pouco. Ouça "Sunrise", "What
Am I to You", "In the Morning" e "Be Here to
Love Me" e apaixone-se.
19º
Polyphonic Spree
Together We're Heavy
Esta super banda com não sei lá quantos
integrantes faz um som ideal pra escutar em um dia ensolarado,
preferencialmente
em um campo, como aquele de flores do filme Big Fish ou
tentando esquecer a ressaca da noite anterior com algo leve, alegre
e belo. Recomendo doses diárias de "Section 13 (Diamonds/Mild
Devotion to Majesty)", "Section 14 (Two Thousand Places)", "Section
16 (One Man Show)" e "Section 17 (Suitcase Calling)".
Overdose permitida.
18º
Badly Drawn Boy
One Plus One Is One
Não
curto muito o estilo de Damon Gough (a.k.a. Badly Drawn Boy),
mas não nego seu bom gosto, letras e melodias
caprichadas. One Plus One Is One mantém um bom
nível dos três discos anteriores, mas seu único
pecado é o exagero nas sofisticações, nas
elaborações dos arranjos. Pode cansar os mais desavisados!
Não me refiro à masturbação musical
de Dream Theater e cia., até porque a praia aqui é totalmente
diferente. Se não existisse uma flauta totalmente desnecessária
em algumas faixas, o disco ficaria numa posição ainda
melhor. Não é trauma de Jethro Tull não, apenas
foi o único deslize deste belo álbum. Ouça "One
Plus One Is One", "This is That New Song", "Logic
of a Friend" e "Holy Grail".
17º
U2
How To Dismantle An Atomic Bomb
Puxa,
o que falar do U2? Bem, vamos aos fatos: em mais uma promessa
de "volta às raízes roqueiras", o que
mais me surpreende neste novo disco é o fato de que as
melhores faixas (quase todas) são as baladas. Além
disso, deve-se registrar que a banda "corrigiu seu rumo" musical,
depois do irregular All That You Can't Leave Behind,
que eu
tolero, mas muita gente não gostou. U2 fez um disco que
pode não ser o melhor (nem é mesmo), mas que não
envergonha sua discografia, coisa que muita gente já considerava
em queda livre. Tem um ou outro tropeço, mas as faixas que
são boas, são realmente MUITO boas e justificam a presença
desta banda neste ranking são: "Miracle Drug", "Sometimes
You
Can't Make It on Your Own" (maravilhosa, vai tocar bastante
no rádio aí ninguém vai gostar mais), "All
Because of You", "One Step Closer" e "Original
of the Species".
16º
Jet
Get Born
Lançado por aqui ano passado, este disco figurava com facilidade
no meu Top 10 até meados de Novembro. Não que o disco
tenha "piorado", mas ele foi obviamente ultrapassado
por discos que eu ainda não tinha escutado e comecei a não
achar "tudo tão perfeito" como outrora. Isso pode
acontecer até com o primeiro lugar da lista. O Jet faz um
rock que
adoro escutar, com riffs que lembram AC/DC, rock de arena mesmo.
E baladas maravilhosas que remetem aos Rolling Stones da década
de 70 e um elementar tempero beatle. Rock pra bater palmas e tocar
air guitar. Divirta-se. Destaco "Last Chance", "Are
You Gonna Be My Girl", "Look What You've Done", "Get
Me Outta Here" e "Cold Hard Bitch".
15º
Biffy Clyro
Infinity Land
Biffy Clyro é banda que estou mais curtindo no momento.
Meu "irmão adotivo" Cacau (baterista da minha
banda, o Enne) me falou que lembra o Enne, principalmente a bateria.
E lembra mesmo, estou achando sensacional. Muitas variações
de andamento, as músicas são surpreendentes. Ás
vezes soam como Incubus, aí tocam algo totalmente diferente,
mais pesado. O melhor disco deles, Vertigo of Bliss (2003),
entraria fácil no meu Top 10 do ano passado, mas conheci
o disco muito tarde. Infinity Land é muito bom
também, se você quer ouvir o que melhor justifique
o termo "rock alternativo" escute as faixas "Glitter
and Trauma", "Some Kind of Wizard Styles", "Wave
Upon
Wave Upon Wave", "Only One World Comes to Mind" e "The
Kids from Kibble and the Fist".
14º
Alanis Morissette
So-Called Chaos
Quem diria, Alanis Morre Sete no meu ranking...
Achei que ela jamais voltaria a fazer um disco tão bom
quanto o Jagged
Little Pill (1996). Realmente, ela não fez e dificilmente
fará, mas So-Called Chaos aponta como o segundo
melhor momento da canadense. Desde a fase mais zen (mais chata
mesmo), só agora ela conseguiu equilibrar o zen e o rock,
fazendo algo que realmente valha a pena. É um disco que
não te prende muito, mas é só dar uma outra
chance, ele cresce igual bolo no forno. Faixas como "Eight
Easy Steps", "Excuses", "Doth I Protest Too
Much" e "Everything" mostram que Avril Lavigne ainda
precisa aprender muito.
13º
John Frusciante
Will To Death
O gênio John Frusciante lançou seis
discos em 2004. Will to Death, de julho, exibe o lado
mais calmo, reflexivo e belo de Frusciante. "A Doubt", "The Mirror", "Far
Away", "The Days Have Turned" e "The Will to
Death" são bons exemplos do que este "ser" pode
fazer.
12º
John Frusciante
Shadow Collide With People
Quando Frusciante resolve fazer música e não viajar
nos efeitos dos pedais da guitarra, faz canções de
excelente calibre. Mas pedir pra ele ser "menos louco" é como
pedir pros Rolling Stones acabarem. Este disco, lançado
no Brasil no início do ano passado, possui algumas pérolas
que merecem ser apreciadas com paciência e calma, descendo
devagar e sentindo o aroma, como um bom vinho. Destaco "Carvel", "Second
Walk", "This Cold", "Song to Sing When I'm
Lonely" (imperdível), "Time Goes Back", "In
Relief" e "Water".
11º
Green Day
American Idiot
Green
Day é uma banda que fez parte da minha pré-adolescência
e que escuto (e me orgulho) até hoje. Foi quem me apresentou
o mundo do punk rock e do hardcore (mesmo que o hardcore eu só fosse
conhecer melhor
mais tarde). American Idiot é, sem dúvida
nenhuma, o melhor disco deles desde o "clássico" Dookie,
de 1994. Os caras resolveram fazer um disco "conceitual",
quase uma "ópera punk", e ficou muito legal. É um
disco de punk rock sem ser necessariamente um disco com sonoridade
punk rock, algo que o Clash fazia tão bem. Recomendado pra
fãs antigos e novos. Divirtam-se no volume máximo
com "American Idiot", "Jesus of Suburbia" (já virou
um clássico, com seus nove minutos), "Holiday", "Boulevard
of Broken Dreams", "St. Jimmy", "Give Me Novocain", "Wake
Me Up When September Ends" e "Homecoming". Não é como
o disco Warning, que é maduro e ruim. É adolescente
e punk, como Dookie. Discão.
10º
Manic Street Preachers
Life Blood
Baixei este disco e achei meia-boca. Escutei novamente
e comecei a gostar. Agora, considero-o indispensável.
Relutei em dar uma nova chance aos Manics, mas eles me surpreenderam.
Muito mais
leve, muito mais pop que o Know Your Enemy (2001),
tem uma sonoridade mais oitentista, com guitarras mais calmas,
pouca distorção. É um disco que rotulo como "difícil",
aprecie-o com atenção, logo notará suas riquezas.
E quando menos esperar, dificilmente deixará de ouvir "1985", "The
Life of Richard Nixon", "Empty Souls" (linda), "I
Live to Fall Asleep" e "Glasnost". Renovaram-se,
mas permanecem bons.
9º
Engine Down
Engine Down
O Engine Down já me impressionou com Demure (2002).
Agora, com este self-titled, os caras despejam doses de rock alternativo
e indie rock da melhor qualidade. Banda praticamente desconhecida
por aqui, é uma
excepcional indicação pra quem curte rock desses
estilos citados. Deste disco, recomendo com convicção "Rogue", "And
Done", "Cover", "In Turn", "101" e "Etcetera".
8º
Incubus
A Crow Left To Murder
Ah, vai causar polêmica. Muita gente não gosta de
Incubus. Muita gente nunca gostou, outros gostavam da fase mais
louca da banda, do início mesmo, recomendam o S.C.I.E.N.C.E. (1997),
que é menos convencional, mas também é muito
bom. Eu (assim como outros) prefiro a fase mais "clean",
mais pop, como do Morning View (2001), que sempre recomendo.
A Crow Left to Murder é logo de se estranhar mas, se
você for chato e insistir, verá que ele não
deve nada aos anteriores. Pelo contrário, "Megalomaniac", "A
Crow Left to Murder", "Agoraphobia", "Talk
Show on Mute", "Pistola", "Made for TV Movie", "Smile
Lines" e "Here in My Room" entram no rol das grandes
canções da banda. Amadurecer geralmente resulta em
chatice. Eis uma nobre exceção.
7º
Patti Smith
Trampin'
Talvez a grande surpresa do ano (se bem que não, vocês
logo verão abaixo), mas confesso que já não
esperava absolutamenta nada desta veteraníssima cantora
e compositora. Posso até arriscar e falar que é seu
melhor momento desde Horses (1975), mas seria muita
pretensão pra quem não acompanha de perto sua carreira. Trampin' é político
sem cair na mesmice, funcionando na voz cansada e emocionada de
Smith, nas baladas e nos rocks. Confira "Trespasses" e
comprove. Também recomendo "Jubilee", "Cartwheels", "Gandhi", "Peaceable
Kingdom", "Radio Baghdad" e "Trampin'".
E escute sentado ou deitado, você escutará melhor.
6º
John Frusciante
Inside Of Emptiness
Explicar os títulos dos discos do Frusciante é tão
difícil como explicar suas músicas. São puro
feeling, refletindo emoção e sinceridade. Disco de
outubro, Inside of Emptiness revela algumas das melhores
cartadas de Frusciante: "What I Saw", "The World's
Edge", "Inside a Break", "A Firm Kick", "Look
On", "I'm Around" e "Scratches".
5º
The Cure
The Cure
Começo o Top 5 com uma das melhores e mais representativas
bandas da atualidade. Quando muitos já davam a banda como
morta (até o próprio Robert Smith), The Cure pode
ser analisado como um recomeço. E um
recomeço primoroso, ainda mais pra quem gosta das canções
do Cure que possuem mais guitarras. Todo o clima, a sonoridade
dos anos 80, está lá, é só procurar
um pouco. Mas as guitarras estão generosas, enchendo nossos
ouvidos e duelando com a angustiada e prazerosa voz de Smith. Não
sou muito fã da banda, mas faz tempo que não escutava
um disco tão bom dos caras. As melhores faixas são "Lost", "Labyrinth", "Before
Three", "The End of the World", "Us or Them", "(I
Don't Know What's Going) On", "Never" e "The
Promise" (o clímax).
4º
Graham Coxon
Happiness In Magazines
Graham Coxon (ex-guitarrista do Blur) finalmente
lançou
um excepcional trabalho. Os discos anteriores não eram ruins,
mas esbarravam na produção equivocada e em uma necessidade
do artista de demonstrar algo
diferente do que fazia no Blur. Agora, com seu segundo disco estando
fora do Blur, ele fez um disco totalmente Blur, que lembra a melhor
fase de sua ex-banda. Ele fez o disco que o Blur deveria ter feito.
Britpop de altíssima qualidade, rocks e canções
suaves que derrubam qualquer aposta do novo rock inglês (como
porcarias hypadas de Keane e Franz Ferdinand). Disco absolutamente
necessário, fundamental pra quem gosta de rock inglês
dos anos 90. Este disco é infinitamente superior ao Democrazy (2003),
disco de Damon Albarn (vocalista do Blur, aliás qualquer
disco do Coxon é melhor do que este). Blur ainda é legal,
mas o melhor cara da banda infelizmente saiu. De qualquer maneira,
rolam boatos de que ele pode voltar (a Menina Enciclopédia
deve saber disso melhor do que eu). Pegue as faixas "Spectacular", "No
Good Time", "Girl Done Gone", "Bittersweet
Bundle of Misery" (maravilhosa), "All Over Me", "Freakin'
Out", "Bottom Bank", "Don't Be a Stranger" (deliciosa)
e "Ribbons & Leaves" e comprove. Ficou de fora do
pódio por um mínimo detalhe.
3º
Wilco
A Ghost Is Born

Concordo totalmente com Marcelo Costa, do Scream & Yell.
O Wilco está se tornando uma perigosa unanimidade, estão
exagerando nos elogios, tudo o que Jeff Tweedy e cia. tocam está virando
ouro. Isso é perigoso,
veja o que é o Radiohead hoje. É uma babação
de ovo que me irrita (e eu só fã pra caramba da banda).
Mesmo sem Jay Bennett, o Wilco conseguiu fazer outro ótimo álbum.
Claro, com Bennett as coisas ficariam bem melhores, talvez voltaríamos
a ouvir algo menos alternativo, tendência abertamente perceptível
no indispensável Yankee Hotel Foxtrot, de 2001/2002.
Ou não. Talvez com Bennett o clima pesaria e o disco não
seria bom, como prever os caminhos tortuosos da música pop? A Ghost Is Born é mais elétrico e caótico
que os anteriores, mas a essência do Wilco em produzir belas
canções está lá. "At Least That's
What You Said" talvez seja a melhor música do ano. "Hell
is Chrome", a longa "Spiders (Kidsmoke)", "Muzzle
of Bees", "Hummingbird", "Handshake Drugs", "Company
on My Back" e a deliciosa "The Late Greats" são
provas de que Jeff Tweedy ainda compõe muito bem, mas é bom
ele abrir os olhos. A crítica está a seus pés,
isso é perigoso, ainda mais pra um sujeito tão instável
como ele.
2º
Ben Kweller
On My Way

Esse moleque vai longe. Depois de um EP (Freaks Out, It's
Ben Kweller) bacana, que foi rascunho de um disco excelente
(Sha Sha, de 2002), onde faz indie rock da estirpe
de Pavement e Weezer (e humilha sua principal referência,
os Lemonheads), e outro EP legalzinho (The Bens, com
Ben Folds e Ben Lee), agora Kweller deixa de ser indie e resolve
ser Neil Young. Em dois anos, musicalmente falando, parece que
Kweller envelheceu 30. Rock que lembra a melhor fase do canadense,
o que aponta um futuro promissor. As baladas permanecem com um
tempero inglês (Beatles), agora a surpresa é nítida
e agradável. O disco com certeza entrará no rol dos
mais injustiçados de 2004. Pouco falado, pouco escutado,
pouca repercussão. Pode ser muita pretensão tentar
ser Neil Young. Ele não é o único, porém
demonstra saber o caminho das pedras. Falta amadurecimento, mas
isso vem com o tempo. Podem se deliciar com "Living Life",
uma das baladas mais bonitas que já escutei. Se o disco
tivesse duas faixas a menos, seria o disco do ano. Faltou um pouco
de sal nessas duas faixas, que mesmo assim descem com tranqüilidade.
Os outros destaques são "I Need You Back", "Hospital
Bed", "My Apartment", "On My Way", "The
Rules", "Down", "Ann Disaster" e "Believer".
1º
Snow Patrol
Final Straw
 Simplesmente
esqueça seus dois discos anteriores (Songs
for Polar Bears, de 1998, e When It's All Over We Still
Have to Clear Up, de 2001). São bons discos, mas assim
que você escutar este, pode perder o interesse. O frontman
Gary Lightbody tem uma das vozes mais encantadoras do pop. Neste álbum,
tudo que ele canta parece transbordar. Sentimento à flor
da pele, pura emoção. As melodias, as letras agridem
seu coração, é inegável. O Snow Patrol
faz um rock suave, climático, que faz bandas boas como Grandaddy
soarem chatas e Travis como arrastadas. Tem barulho também,
mas o disco é dirigido por canções calmas
que te encantam pela beleza, pelos pequenos detalhes de uma nota
no piano, que faz uma diferença colossal. Parece uma coletânea,
com uma ou outra leve distração, Final
Straw é um
disco para escutar sempre. Pra quem gosta de coisa calma, esqueça
essa porcaria de Keane, não espere pelo próximo do
Coldplay e nem vasculhe na Inglaterra bandas bacanas como Starsailor
e Doves. Final Straw é climático,
não enjoa e as melodias são pop
sem serem óbvias. Não há cartilha, simplesmente
aconteceu, "How to Be Dead", "Wow", "Gleaming
Auction", "Whatever's Left", "Spitting Games", "Run", "Ways & Means", "Tiny
Little Fractures", "Somewhere a Clock Is Ticking" e "Same" são
obrigatórias. Você pode até não gostar,
mas em algum momento da sua vida uma destas canções
vai te confortar em um momento difícil ou te derrubar ladeira
abaixo. O disco não possui nenhuma "característica
especial", algo que o diferencie dos demais, inclusive não
o vi em nenhum Top 10 de 2004. Ele possui sentimento, algo tão
banalizado hoje na música pop. E isso, pra mim, ainda é absolutamente
necessário.

Entre as bandas nacionais, alguns registros. No mainstream, Zero
e Um injeta ânimo pro Dead Fish expandir seu "hardcore
de terceiro mundo" pra novos horizontes. Excelente disco,
muito bem produzido.
Com Sense of Movement, o Valv se consolida
na cena independente nacional, faltava apenas este registro pra
esta tão
elogiada banda deixar a sua marca. Se você gosta de rock
inglês, britpop e rock alternativo, está perdendo
seu tempo. Aliás, tem também um DVD na praça.
Mestro, quarto disco do Hurtmold, é mais um
exemplo de como a boa música consegue se expandir sem se
prender em rotúlos. Não faço a menor idéia
do estilo do Hurtmold, só sei que é muito bom.
Entre as bandas que estão começando,
o EP Soundtrack
for a Walk, do Moldest, aponta para um futuro promissor pra
esta banda daqui de BH. Caprichando na produção no
próximo trabalho, a banda com certeza verá expandir
seus horizontes.

Por uma questão ética, não coloquei na relação Momentum,
da minha banda (Enne). Isto eu deixo pra outras pessoas, se elas
acharem conveniente.

O site entrou de férias recentemente, mas minhas férias
(não tenho culpa) são agora em janeiro. Vou viajar,
estou indo pra Vila Velha/ES buscar motivação e inspiração
pra escrever, que já não tenho como outrora. Não
vou marcar uma data, mas acho que volto. Até!
Links
do Sukrilius:
Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique
aqui.
www.enne.com.br
- banda de rock que eu produzo.
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
sondazkavernas.blogspot.com
- blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante,
único programa da tv aberta para fãs de boa música.
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