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Beagá, 10 de janeiro de 2005 d.C.
 
Melhores de 2004 - podem discordar. Ou não
Por Sukrilius
 

Enfim, mais uma lista dos melhores do ano. É a terceira lista que faço e tenho certeza que será polêmica como as demais. Pois todos se importam mais com o ranking do que com a presença do disco na lista. Mas esse é o gostinho de fazer uma lista, é esta a graça da brincadeira: provocar discussões, favoráveis e contrárias.

Até hoje tem gente que não acredita que o Metallica ficou em primeiro em 2003 e ainda duvidam que o Audioslave beliscou o quarto lugar em 2002. Acima de tudo, a lista é um retrato. Talvez não colocaria o St. Anger ou o disco do Audioslave nas mesmas posições hoje (provavelmente não), mas este é o sentido de se fazer um ranking. Um ranking também serve como um espelho do "crítico", pois adoro analisar rankings alheios, através dele consigo até imaginar como a pessoa é e principalmente os hábitos dela. Loucura? Pode ser, mas esta é a graça de se fazer um ranking. Sem ser provocativo, sem provocar estardalhaço, colocando o que você acha legal (mesmo que niguém tenha colocado em nenhuma lista, como Alanis Morissette e Maroon 5). E deixando de lado
"unanimidades" da crítica, como Smile do Brian Wilson, ou o superestimado disco de estréia do Franz Ferdinand. E o legal é que muitos ficarão me perguntando o porquê de um disco da Norah Jones ficar na frente do Sonic Youth, como se fosse possível compará-los. Só aqui mesmo. Os critérios são absolutamente subjetivos, fiz um ranking baseado no meu gosto, que é variado e imprevisível. Não ouço e faço média com jornalistas que ditam "a verdade absoluta" e arrastam seguidores. O tão "maravilhoso", "fabuloso" e "fenomenal" disco do Secret Machines só beliscou a 26ª posição. E um disco que ficou ignorado e que os (poucos) fãs deixaram de lado, levou a 2ª posição.

Bem, deixa de conversa. Escutei algo em torno de 60 discos no ano que passou. Podia ter feito um Top 50 como nos anos anteriores, mas resolvi arregaçar as mangas. Escutei novamente disco por disco, faixa por faixa. Dei nota pra cada faixa e tirei a média. Portanto, vamos aos melhores de 2004 na minha opinião. Já aviso que mais do que um ranking, é uma recomendação de 30 discos que eu gostei de escutar. Aliás, 34 discos. Depois explico.

30º
Eric Clapton
Me & Mr. Johnson

Fica tudo mais fácil quando você resolve fazer o que sabe. Aquele "arroz com feijão" que você sempre soube fazer desce muito melhor do que um prato sofisticado e sem gosto, como um "Pilgrim". Ouça "They're Red Hot" e confira este justo e bom tributo a Robert Johnson. Ganhou por um décimo do Nightfreak and the Sons of Becker, da banda The Coral, que ficou de fora do ranking.

29º
Sonic Youth
Sonic Nurse

O Sonic Youth não é uma "banda de introdução". Não é uma banda que você deixa rolar os primeiros 30 segundos da música pra ter uma idéia se a música é boa ou não. É banda pra viajar, pra você colocar o cd e esquecer de sua existência. Apenas curtir. O grande defeito da banda é que falta um camisa 9, um finalizador. Mesmo sem repetir as atuações de Murray Street (2002), o time está entrosado e não joga frio. Os melhores momentos são "Pattern Recognition" e "Kim Gordon and the Arthur Doyle Hand Cream".

28º
Gomez
Split the Difference

Gomez é uma banda inglesa muito bacana que poucos conhecem. Split the Difference não é seu melhor disco, mas o que dizer de canções como "Do One"? É um disco mais calmo, mais "difícil", sendo menos pop. Coeso, possui canções mais ou menos do mesmo nível. Daqui uns meses, cairá bastante no meu conceito ou subirá de forma considerável.

27º
Papa Roach
Getting Away With Murder

Já estão rindo, né... O Papa Roach quando consegue fugir da mesmice do new-metal, consegue fazer coisas bem interessantes. O problema é o preconceito que toda banda de new-metal carrega que, mesmo quando muda o som, continua fazendo new-metal, desagradando tantos. Não eu. Duvidou? Escute "Blood" e comprove.

26º
Secret Machines
Now Here Is Nowhere

Muita idolatria por isso? Puxa, realmente é muito bom, mas não vai mudar a órbita do planeta. Banda pra "escutar sentado". É um "sub-Flaming Lips", pois é tão bacana tanto, mas às vezes cansa. O destaque vai pra faixa-título.

25º
Ash
Meltdown

Rock'n'roll com pegada punk. Disco coeso, ou você gosta ou odeia por completo. Algumas vezes, ouço ecos de Weezer, quando não querem quebrar tudo, querem te fazer dançar. O Ash tá quase subindo pra primeira divisão do rock inglês, faltam outros discos como este e um produtor esperto ($). Destaco a faixa "On a Wave".

24º
Kasabian
Kasabian

Já que falamos em segunda divisão, está aí uma banda que também está pra conseguir um lugar ao sol (quando ele aparece) do cenário inglês. Primeiro disco bacana, com nítidas influências de Stone Roses (e principalmente de Ian Brown em carreira solo), Gorillaz e, especialmente (e mais descaradamente), Primal Scream. Pra alcançar o Primal ainda vai demorar, mas as faixas "Club Foot" e "I.D." são ótimas apresentações.

23º
Maroon 5
Songs About Jane

Rindo novamente? Vamos por partes: "This Love" é muito bonita. Vocês vão demorar alguns anos pra admitir isso, porque a música encheu nossa paciência de tanto tocar no rádio. Em 2006, quando escutarem-na, vão reclamar e vão se lembrar do "massacre sonoro". Mas quando ela der aquela sumida do dial e você quiser escutar pra matar a saudade (usando a curiosidade como pretexto), você pode não confessar, mas vai curtir a canção. É algo como "Anna Júlia", do Los Hermanos. Mas enfim, Maroon 5 é pop sim, e bom. O "Dinho Ouro Preto gringo" (segundo excelente definição do pessoal do site Pilula Pop) canta se espelhando totalmente em Jay Kay (Jamiroquai) e o som não ofende. Ouça escondido ou escute descaradamente "Tangled", "Sunday Morning", "Harder to Breathe" além da já citada. Confesso que fiz o possível pra não gostar.

22º
The Thrills
Let's Bottle Bohemia

Segundo disco sempre complica. Comparar com o anterior é inevitável. E quando o disco de estréia é muito bom, só piora as coisas. Thrills não superou o primeiro álbum, mas ainda vale muito a pena. Ok, faltou ousadia, faltou gás, tá mais bobinho e mais pop. Talvez o Elton John elogie. Mas você pode concordar com ele neste ponto. A melhor é a primeirona, "Tell Me Something I Don't Know".

21º
Morrissey
You Are The Quarry

Nunca fui muito fã dos Smiths. Sempre achei a babação de ovo exagerada. Possuem algumas músicas lindas, mas sempre pulo algumas faixas, no total nunca me convence, apesar do resultado final ser sempre positivo. Moz não foge da regra. Muito bom álbum, mas não escuto inteiro. Até acho menos chato que Smiths por não apresentar tanto aquela sonoridade dos anos 80 que às vezes me entedia. "America Is Not the World", "Irish Blood English Heart" e "You Know I Couldn't Last" são as mais bacanas.

20º
Norah Jones
Feels Like Home

Se ela se sente em casa estando mais distante do jazz, maravilha. Este disco é folk e ela até arrisca um country. A sua voz continua esfriando a espinha de tão bela e a banda é sensacional. O "Lado A" do disco é primoroso, depois as coisas esfriam um pouco. Ouça "Sunrise", "What Am I to You", "In the Morning" e "Be Here to Love Me" e apaixone-se.

19º
Polyphonic Spree
Together We're Heavy

Esta super banda com não sei lá quantos integrantes faz um som ideal pra escutar em um dia ensolarado, preferencialmente em um campo, como aquele de flores do filme Big Fish ou tentando esquecer a ressaca da noite anterior com algo leve, alegre e belo. Recomendo doses diárias de "Section 13 (Diamonds/Mild Devotion to Majesty)", "Section 14 (Two Thousand Places)", "Section 16 (One Man Show)" e "Section 17 (Suitcase Calling)". Overdose permitida.

18º
Badly Drawn Boy
One Plus One Is One

Não curto muito o estilo de Damon Gough (a.k.a. Badly Drawn Boy), mas não nego seu bom gosto, letras e melodias caprichadas. One Plus One Is One mantém um bom nível dos três discos anteriores, mas seu único pecado é o exagero nas sofisticações, nas elaborações dos arranjos. Pode cansar os mais desavisados! Não me refiro à masturbação musical de Dream Theater e cia., até porque a praia aqui é totalmente diferente. Se não existisse uma flauta totalmente desnecessária em algumas faixas, o disco ficaria numa posição ainda melhor. Não é trauma de Jethro Tull não, apenas foi o único deslize deste belo álbum. Ouça "One Plus One Is One", "This is That New Song", "Logic of a Friend" e "Holy Grail".

17º
U2
How To Dismantle An Atomic Bomb

Puxa, o que falar do U2? Bem, vamos aos fatos: em mais uma promessa de "volta às raízes roqueiras", o que mais me surpreende neste novo disco é o fato de que as melhores faixas (quase todas) são as baladas. Além disso, deve-se registrar que a banda "corrigiu seu rumo" musical, depois do irregular All That You Can't Leave Behind, que eu tolero, mas muita gente não gostou. U2 fez um disco que pode não ser o melhor (nem é mesmo), mas que não envergonha sua discografia, coisa que muita gente já considerava em queda livre. Tem um ou outro tropeço, mas as faixas que são boas, são realmente MUITO boas e justificam a presença desta banda neste ranking são: "Miracle Drug", "Sometimes You Can't Make It on Your Own" (maravilhosa, vai tocar bastante no rádio aí ninguém vai gostar mais), "All Because of You", "One Step Closer" e "Original of the Species".

16º
Jet
Get Born

Lançado por aqui ano passado, este disco figurava com facilidade no meu Top 10 até meados de Novembro. Não que o disco tenha "piorado", mas ele foi obviamente ultrapassado por discos que eu ainda não tinha escutado e comecei a não achar "tudo tão perfeito" como outrora. Isso pode acontecer até com o primeiro lugar da lista. O Jet faz um rock que adoro escutar, com riffs que lembram AC/DC, rock de arena mesmo. E baladas maravilhosas que remetem aos Rolling Stones da década de 70 e um elementar tempero beatle. Rock pra bater palmas e tocar air guitar. Divirta-se. Destaco "Last Chance", "Are You Gonna Be My Girl", "Look What You've Done", "Get Me Outta Here" e "Cold Hard Bitch".

15º
Biffy Clyro
Infinity Land

Biffy Clyro é banda que estou mais curtindo no momento. Meu "irmão adotivo" Cacau (baterista da minha banda, o Enne) me falou que lembra o Enne, principalmente a bateria. E lembra mesmo, estou achando sensacional. Muitas variações de andamento, as músicas são surpreendentes. Ás vezes soam como Incubus, aí tocam algo totalmente diferente, mais pesado. O melhor disco deles, Vertigo of Bliss (2003), entraria fácil no meu Top 10 do ano passado, mas conheci o disco muito tarde. Infinity Land é muito bom também, se você quer ouvir o que melhor justifique o termo "rock alternativo" escute as faixas "Glitter and Trauma", "Some Kind of Wizard Styles", "Wave Upon Wave Upon Wave", "Only One World Comes to Mind" e "The Kids from Kibble and the Fist".

14º
Alanis Morissette
So-Called Chaos

Quem diria, Alanis Morre Sete no meu ranking... Achei que ela jamais voltaria a fazer um disco tão bom quanto o Jagged Little Pill (1996). Realmente, ela não fez e dificilmente fará, mas So-Called Chaos aponta como o segundo melhor momento da canadense. Desde a fase mais zen (mais chata mesmo), só agora ela conseguiu equilibrar o zen e o rock, fazendo algo que realmente valha a pena. É um disco que não te prende muito, mas é só dar uma outra chance, ele cresce igual bolo no forno. Faixas como "Eight Easy Steps", "Excuses", "Doth I Protest Too Much" e "Everything" mostram que Avril Lavigne ainda precisa aprender muito.

13º
John Frusciante
Will To Death

O gênio John Frusciante lançou seis discos em 2004. Will to Death, de julho, exibe o lado mais calmo, reflexivo e belo de Frusciante. "A Doubt", "The Mirror", "Far Away", "The Days Have Turned" e "The Will to Death" são bons exemplos do que este "ser" pode fazer.

12º
John Frusciante
Shadow Collide With People

Quando Frusciante resolve fazer música e não viajar nos efeitos dos pedais da guitarra, faz canções de excelente calibre. Mas pedir pra ele ser "menos louco" é como pedir pros Rolling Stones acabarem. Este disco, lançado no Brasil no início do ano passado, possui algumas pérolas que merecem ser apreciadas com paciência e calma, descendo devagar e sentindo o aroma, como um bom vinho. Destaco "Carvel", "Second Walk", "This Cold", "Song to Sing When I'm Lonely" (imperdível), "Time Goes Back", "In Relief" e "Water".

11º
Green Day
American Idiot

Green Day é uma banda que fez parte da minha pré-adolescência e que escuto (e me orgulho) até hoje. Foi quem me apresentou o mundo do punk rock e do hardcore (mesmo que o hardcore eu só fosse conhecer melhor mais tarde). American Idiot é, sem dúvida nenhuma, o melhor disco deles desde o "clássico" Dookie, de 1994. Os caras resolveram fazer um disco "conceitual", quase uma "ópera punk", e ficou muito legal. É um disco de punk rock sem ser necessariamente um disco com sonoridade punk rock, algo que o Clash fazia tão bem. Recomendado pra fãs antigos e novos. Divirtam-se no volume máximo com "American Idiot", "Jesus of Suburbia" (já virou um clássico, com seus nove minutos), "Holiday", "Boulevard of Broken Dreams", "St. Jimmy", "Give Me Novocain", "Wake Me Up When September Ends" e "Homecoming". Não é como o disco Warning, que é maduro e ruim. É adolescente e punk, como Dookie. Discão.

10º
Manic Street Preachers
Life Blood

Baixei este disco e achei meia-boca. Escutei novamente e comecei a gostar. Agora, considero-o indispensável. Relutei em dar uma nova chance aos Manics, mas eles me surpreenderam. Muito mais leve, muito mais pop que o Know Your Enemy (2001), tem uma sonoridade mais oitentista, com guitarras mais calmas, pouca distorção. É um disco que rotulo como "difícil", aprecie-o com atenção, logo notará suas riquezas. E quando menos esperar, dificilmente deixará de ouvir "1985", "The Life of Richard Nixon", "Empty Souls" (linda), "I Live to Fall Asleep" e "Glasnost". Renovaram-se, mas permanecem bons.


Engine Down
Engine Down

O Engine Down já me impressionou com Demure (2002). Agora, com este self-titled, os caras despejam doses de rock alternativo e indie rock da melhor qualidade. Banda praticamente desconhecida por aqui, é uma excepcional indicação pra quem curte rock desses estilos citados. Deste disco, recomendo com convicção "Rogue", "And Done", "Cover", "In Turn", "101" e "Etcetera".


Incubus
A Crow Left To Murder

Ah, vai causar polêmica. Muita gente não gosta de Incubus. Muita gente nunca gostou, outros gostavam da fase mais louca da banda, do início mesmo, recomendam o S.C.I.E.N.C.E. (1997), que é menos convencional, mas também é muito bom. Eu (assim como outros) prefiro a fase mais "clean", mais pop, como do Morning View (2001), que sempre recomendo. A Crow Left to Murder é logo de se estranhar mas, se você for chato e insistir, verá que ele não deve nada aos anteriores. Pelo contrário, "Megalomaniac", "A Crow Left to Murder", "Agoraphobia", "Talk Show on Mute", "Pistola", "Made for TV Movie", "Smile Lines" e "Here in My Room" entram no rol das grandes canções da banda. Amadurecer geralmente resulta em chatice. Eis uma nobre exceção.


Patti Smith
Trampin'

Talvez a grande surpresa do ano (se bem que não, vocês logo verão abaixo), mas confesso que já não esperava absolutamenta nada desta veteraníssima cantora e compositora. Posso até arriscar e falar que é seu melhor momento desde Horses (1975), mas seria muita pretensão pra quem não acompanha de perto sua carreira. Trampin' é político sem cair na mesmice, funcionando na voz cansada e emocionada de Smith, nas baladas e nos rocks. Confira "Trespasses" e comprove. Também recomendo "Jubilee", "Cartwheels", "Gandhi", "Peaceable Kingdom", "Radio Baghdad" e "Trampin'". E escute sentado ou deitado, você escutará melhor.


John Frusciante
Inside Of Emptiness

Explicar os títulos dos discos do Frusciante é tão difícil como explicar suas músicas. São puro feeling, refletindo emoção e sinceridade. Disco de outubro, Inside of Emptiness revela algumas das melhores cartadas de Frusciante: "What I Saw", "The World's Edge", "Inside a Break", "A Firm Kick", "Look On", "I'm Around" e "Scratches".


The Cure
The Cure

Começo o Top 5 com uma das melhores e mais representativas bandas da atualidade. Quando muitos já davam a banda como morta (até o próprio Robert Smith), The Cure pode ser analisado como um recomeço. E um recomeço primoroso, ainda mais pra quem gosta das canções do Cure que possuem mais guitarras. Todo o clima, a sonoridade dos anos 80, está lá, é só procurar um pouco. Mas as guitarras estão generosas, enchendo nossos ouvidos e duelando com a angustiada e prazerosa voz de Smith. Não sou muito fã da banda, mas faz tempo que não escutava um disco tão bom dos caras. As melhores faixas são "Lost", "Labyrinth", "Before Three", "The End of the World", "Us or Them", "(I Don't Know What's Going) On", "Never" e "The Promise" (o clímax).


Graham Coxon
Happiness In Magazines

Graham Coxon (ex-guitarrista do Blur) finalmente lançou um excepcional trabalho. Os discos anteriores não eram ruins, mas esbarravam na produção equivocada e em uma necessidade do artista de demonstrar algo diferente do que fazia no Blur. Agora, com seu segundo disco estando fora do Blur, ele fez um disco totalmente Blur, que lembra a melhor fase de sua ex-banda. Ele fez o disco que o Blur deveria ter feito. Britpop de altíssima qualidade, rocks e canções suaves que derrubam qualquer aposta do novo rock inglês (como porcarias hypadas de Keane e Franz Ferdinand). Disco absolutamente necessário, fundamental pra quem gosta de rock inglês dos anos 90. Este disco é infinitamente superior ao Democrazy (2003), disco de Damon Albarn (vocalista do Blur, aliás qualquer disco do Coxon é melhor do que este). Blur ainda é legal, mas o melhor cara da banda infelizmente saiu. De qualquer maneira, rolam boatos de que ele pode voltar (a Menina Enciclopédia deve saber disso melhor do que eu). Pegue as faixas "Spectacular", "No Good Time", "Girl Done Gone", "Bittersweet Bundle of Misery" (maravilhosa), "All Over Me", "Freakin' Out", "Bottom Bank", "Don't Be a Stranger" (deliciosa) e "Ribbons & Leaves" e comprove. Ficou de fora do pódio por um mínimo detalhe.


Wilco
A Ghost Is Born

Concordo totalmente com Marcelo Costa, do Scream & Yell. O Wilco está se tornando uma perigosa unanimidade, estão exagerando nos elogios, tudo o que Jeff Tweedy e cia. tocam está virando ouro. Isso é perigoso, veja o que é o Radiohead hoje. É uma babação de ovo que me irrita (e eu só fã pra caramba da banda). Mesmo sem Jay Bennett, o Wilco conseguiu fazer outro ótimo álbum. Claro, com Bennett as coisas ficariam bem melhores, talvez voltaríamos a ouvir algo menos alternativo, tendência abertamente perceptível no indispensável Yankee Hotel Foxtrot, de 2001/2002. Ou não. Talvez com Bennett o clima pesaria e o disco não seria bom, como prever os caminhos tortuosos da música pop? A Ghost Is Born é mais elétrico e caótico que os anteriores, mas a essência do Wilco em produzir belas canções está lá. "At Least That's What You Said" talvez seja a melhor música do ano. "Hell is Chrome", a longa "Spiders (Kidsmoke)", "Muzzle of Bees", "Hummingbird", "Handshake Drugs", "Company on My Back" e a deliciosa "The Late Greats" são provas de que Jeff Tweedy ainda compõe muito bem, mas é bom ele abrir os olhos. A crítica está a seus pés, isso é perigoso, ainda mais pra um sujeito tão instável como ele.


Ben Kweller
On My Way

Esse moleque vai longe. Depois de um EP (Freaks Out, It's Ben Kweller) bacana, que foi rascunho de um disco excelente (Sha Sha, de 2002), onde faz indie rock da estirpe de Pavement e Weezer (e humilha sua principal referência, os Lemonheads), e outro EP legalzinho (The Bens, com Ben Folds e Ben Lee), agora Kweller deixa de ser indie e resolve ser Neil Young. Em dois anos, musicalmente falando, parece que Kweller envelheceu 30. Rock que lembra a melhor fase do canadense, o que aponta um futuro promissor. As baladas permanecem com um tempero inglês (Beatles), agora a surpresa é nítida e agradável. O disco com certeza entrará no rol dos mais injustiçados de 2004. Pouco falado, pouco escutado, pouca repercussão. Pode ser muita pretensão tentar ser Neil Young. Ele não é o único, porém demonstra saber o caminho das pedras. Falta amadurecimento, mas isso vem com o tempo. Podem se deliciar com "Living Life", uma das baladas mais bonitas que já escutei. Se o disco tivesse duas faixas a menos, seria o disco do ano. Faltou um pouco de sal nessas duas faixas, que mesmo assim descem com tranqüilidade. Os outros destaques são "I Need You Back", "Hospital Bed", "My Apartment", "On My Way", "The Rules", "Down", "Ann Disaster" e "Believer".


Snow Patrol
Final Straw

Simplesmente esqueça seus dois discos anteriores (Songs for Polar Bears, de 1998, e When It's All Over We Still Have to Clear Up, de 2001). São bons discos, mas assim que você escutar este, pode perder o interesse. O frontman Gary Lightbody tem uma das vozes mais encantadoras do pop. Neste álbum, tudo que ele canta parece transbordar. Sentimento à flor da pele, pura emoção. As melodias, as letras agridem seu coração, é inegável. O Snow Patrol faz um rock suave, climático, que faz bandas boas como Grandaddy soarem chatas e Travis como arrastadas. Tem barulho também, mas o disco é dirigido por canções calmas que te encantam pela beleza, pelos pequenos detalhes de uma nota no piano, que faz uma diferença colossal. Parece uma coletânea, com uma ou outra leve distração, Final Straw é um disco para escutar sempre. Pra quem gosta de coisa calma, esqueça essa porcaria de Keane, não espere pelo próximo do Coldplay e nem vasculhe na Inglaterra bandas bacanas como Starsailor e Doves. Final Straw é climático, não enjoa e as melodias são pop sem serem óbvias. Não há cartilha, simplesmente aconteceu, "How to Be Dead", "Wow", "Gleaming Auction", "Whatever's Left", "Spitting Games", "Run", "Ways & Means", "Tiny Little Fractures", "Somewhere a Clock Is Ticking" e "Same" são obrigatórias. Você pode até não gostar, mas em algum momento da sua vida uma destas canções vai te confortar em um momento difícil ou te derrubar ladeira abaixo. O disco não possui nenhuma "característica especial", algo que o diferencie dos demais, inclusive não o vi em nenhum Top 10 de 2004. Ele possui sentimento, algo tão banalizado hoje na música pop. E isso, pra mim, ainda é absolutamente necessário.

Entre as bandas nacionais, alguns registros. No mainstream, Zero e Um injeta ânimo pro Dead Fish expandir seu "hardcore de terceiro mundo" pra novos horizontes. Excelente disco, muito bem produzido.

Com Sense of Movement, o Valv se consolida na cena independente nacional, faltava apenas este registro pra esta tão elogiada banda deixar a sua marca. Se você gosta de rock inglês, britpop e rock alternativo, está perdendo seu tempo. Aliás, tem também um DVD na praça.

Mestro, quarto disco do Hurtmold, é mais um exemplo de como a boa música consegue se expandir sem se prender em rotúlos. Não faço a menor idéia do estilo do Hurtmold, só sei que é muito bom.

Entre as bandas que estão começando, o EP Soundtrack for a Walk, do Moldest, aponta para um futuro promissor pra esta banda daqui de BH. Caprichando na produção no próximo trabalho, a banda com certeza verá expandir seus horizontes.

Por uma questão ética, não coloquei na relação Momentum, da minha banda (Enne). Isto eu deixo pra outras pessoas, se elas acharem conveniente.

O site entrou de férias recentemente, mas minhas férias (não tenho culpa) são agora em janeiro. Vou viajar, estou indo pra Vila Velha/ES buscar motivação e inspiração pra escrever, que já não tenho como outrora. Não vou marcar uma data, mas acho que volto. Até!

Links do Sukrilius:

Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique aqui.

www.enne.com.br - banda de rock que eu produzo.

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

sondazkavernas.blogspot.com - blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante, único programa da tv aberta para fãs de boa música.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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