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Beagá, 27 de setembro de 2004 d.C.
 
R.E.M. e Red Hot contemplam fãs
Por Sukrilius
 

O R.E.M. lançou recentemente Perfect Square, show realizado em Wiesbaden (Alemanha), em julho do ano passado. Como bem disse o Terence Machado (do bacana Alto Falante), o dvd é "quase perfeito".

Um grande show é uma combinação de vários fatores. Boas canções, uma ótima performance da banda, interação com o público são alguns dos ingredientes para um show se tornar inesquecível. Sem me esquivar do tempero, quando o público se identifica de forma plena e quase que "carrega a banda nas costas".

É exatamente o que falta neste show. A apresentação é boa, o setlist é muito bom, apesar da ausência de muitas canções (pois é sempre difícil escolher 23 canções, com tantos discos lançados). Hits como "What's the Frequency, Kenneth?", "The Great Beyond", "The One I Love", "Orange Crush", "Losing My Religion", "Imitation of Life", "Everybody Hurts" e "It's the End of the World As We Know It" estão presentes. Também aparecem canções raras, muitas escolhidas pelos fãs no site da banda (www.remhq.com) como as boas "Begin the Begin", "Maps and Legends" e a excepcional "Permanent Vacation". A banda desenterra outras belíssimas músicas, que não tocavam ultimamente, como "Drive", "Electrolite" e "So Fast, So Numb". E ainda tem um complemento saboroso: "Animal", "Daysleeper", "Bad Day", "All the Way to Reno", "At My Most Beautiful", "She Just Wants to Be", "Walk Unafraid" e "Country Feedback".

Mas falta a resposta do público alemão que é frio, apático. Além de alguns pequenos (mínimos) problemas de áudio, como a guitarra marcante e indispensável em "Drive", que está com seu volume lá embaixo. Quem mixou o dvd dormiu no ponto.

O público apenas demonstra alguma animação em "Man on the Moon", "Everybody Hurts", "Imitation of Life" e na "It's the End of..." (porque "Losing My Religion" não vale). De resto, é a banda executando um ótimo show e o público limitando-se a aplaudir nos intervalos. Só faltou aparecer um jogador de golfe, perdido no meio do público.

Se o dvd vale a pena? Com certeza. O último registro ao vivo, o excelente Road Movie, da turnê do álbum Monster, é de quase dez anos atrás. Dali em diante, os fãs aguardavam um dvd com as novas e boas músicas e ele está aí. Quer um aperitivo, assista apenas a fabulosa "Walk Unafraid" e a eterna "Man on the Moon". Já bastam.

A cereja do bolo é o documentário A Stirling Performance. Nele, são mostrados em todos os detalhes possíveis um show da banda em uma pequena e pacata cidade escocesa, na turnê do disco Up, em 1999. Documentário sociologicamente relevante, musicalmente perfeito.

Enfim, Perfect Square é um bom retrato de uma ótima banda, onde Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e cia. provam que a vitalidade é fruto do carisma e competência em fazer bons shows.

Ah, pra completar. No momento, estou escutando Around the Sun, novo álbum de estúdio da banda. Escutei pouco, mas confesso minha decepção. Mais detalhes, em breve.

Red Hot Chili Peppers faz a festa dos fãs e da gravadora. Depois de uma oportuna (em todos os sentidos) coletânea (com dvd bônus de videoclipes), um magnífico dvd ao vivo (Live at Slane Castle, já resenhado por aqui), agora é lançado um disco duplo ao vivo, de Londres.

Live at Hyde Park só não deixará boquiaberto quem assistiu o mais recente dvd ao vivo da banda. A apresentação é espetacular. A introdução do show, colado com o hit "Can't Stop" é sensacional, John Frusciante já mostra seu feeling e talento. Daí em diante, sucessões de hits, basicamente dos discos Blood Sugar Sex Magik, Californication e By the Way. O disco é recheado com boas covers, além de novas canções ("Leverage of Space" e "Rolling Sly Stone").

Atualmente, seria trabalhoso achar uma banda que supere o Red Hot ao vivo, quando eles estão sóbrios. Assim como é difícil apontar os destaques do disco. Mas vamos lá. Além da "Intro" e de "Can't Stop", recomendo "Around the World", "By the Way", "Fortune Faded", "Easily", "Universally Speaking", a maravilhosa "Brandy" (cover de Elliot Lurie), "Throw Away your Television" (pelo final apoteótico), "Parallel Universe", o punk rasgado e sujo de "Black Cross" e "Give It Away" e sua posterior jam session, contabilizando mais de 13 minutos.

Fatalmente, está aqui o melhor disco ao vivo do ano.

John Frusciante
Ataxia

Já que falei do Red Hot, vou falar do seu guitarrista, John Frusciante. Depois de lançar o ótimo Shadows Collide with People no início do ano, ele prometeu lançar um disco por mês, de julho em diante.

Em julho, saiu o bacana Will to Death. Em setembro, eu ainda nada encontrei. Pra outubro, ele já prometeu o Inside Loneliness. Em agosto, ele apareceu com o Ataxia.

Ataxia é uma parceria de Frusciante com Joe Lally, baixista do Fugazi e mais um baterista, de nome complicado e sem relevância neste espaço. São apenas cinco faixas. Cinco músicas absolutamente viajantes, para escutar deitado. A mais curta possui 6 minutos. A mais longa, o dobro. Ouça Frusciante cantando e fique à deriva da melodia, agradabilíssima. Destaco as faixas ímpares: "Dust", "The Sides" e a alucinógena "Montreal".

Papa Roach
Getting Away With Murder

Podem rir, eu gosto de Papa Roach. Entre essas bandinhas de new metal, é uma das poucas que fogem da mesmice, mesmo não fazendo estritamente new metal.

Depois do previsível e divertido Infest, veio o ótimo Love Hate Tragedy, mais variado. Getting Away with Murder reza na mesma cartilha, sem soar repetitivo, apresentando uma sonoridade mais rica. Prova disso é a excepcional "Blood", que abre o disco. Se não gostou, nem ouça o resto. Caso contrário, confira também "Not Listening", "Take Me" (deve virar hit), "Done With You", "Scars" (outro hit certeiro) e "Sometimes".

Confesso que Papa Roach não enche meus olhos (ou melhor, ouvidos), mas é melhor que bandas razoavelmente similares como Korn, Staind, Puddle of Mudd e Seether. Não vou falar do Evanescence, pois falar que eles são ruins é óbvio demais.

Tim Festival vem com PJ Harvey. Grande coisa.

Tim Festival vem com Brian Wilson. Mero consolo pra fã tiozão dos Beach Boys. Bocejante.

Tim Festival vem com Libertines. Se basear sua apresentação no último disco, vai fracassar.

Tim Festival vem com Primal Scream. A única atração internacional que realmente vale a pena. Mas não espalhem: os shows não costumam empolgar.

É verdade, eu não vou. Mas poderia estar lamentando por coisas muito melhores, isso sim...

Top 5

Músicas que eu gostaria de esquecer que um dia eu escutei (parte 1):

1. "Hey Jude", Kiko Zambianchi
2. "W/Brasil", Jorge Benjor
3. "Blue Jeans", Angélica
4. "ABC, toda criança tem que ler e escrever", Pelé
5. "Step by Step", clássico indiscutível do New Kids on the Block.

Tênis. Na final do US Open, Federer (nº1) humilhou Hewitt (nº4) com 6/0, 7/6 e 6/0. E o Hewitt vinha com 16 vitórias consecutivas. Foi o 3º Grand Slam do ano de Federer, seu 9º título do ano. Ele só não ganhou Roland Garros, sendo massacrado pelo Guga.

Falando no brazuca, achei correta sua decisão de operar novamente, porque eu estava cansado de vê-lo perder pra jogadores bem inferiores. A contusão foi pra mente, vamos ver se ele se recupera agora.

E o Ricardo Mello foi muito bem. Boa campanha no US Open e ganhou seu primeiro ATP Tour. Nas últimas 22 partidas que disputou, venceu 19. Bola pra frente, rapaz!

Recuso-me a falar da Copa Davis.

E recuso-me mais ainda falar do América-MG. Nem quero tocar no assunto.

Próxima coluna: novos discos do R.E.M., Green Day, The Thrills e Joss Stone.

Links do Sukrilius:

Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique aqui.

www.enne.com.br - banda de rock que eu produzo.

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

sondazkavernas.blogspot.com - blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante, único programa da tv aberta para fãs de boa música.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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