O
R.E.M. lançou recentemente Perfect Square, show
realizado em Wiesbaden (Alemanha), em julho do ano passado. Como
bem disse o Terence Machado (do bacana Alto Falante), o
dvd é "quase perfeito".
Um
grande show é uma combinação de vários
fatores. Boas canções, uma ótima performance
da banda, interação com o público são
alguns dos ingredientes para um show se tornar inesquecível.
Sem me esquivar do tempero, quando o público se identifica
de forma plena e quase que "carrega a banda nas costas".

É exatamente o que falta neste show. A apresentação
é boa, o setlist é muito bom, apesar da ausência
de muitas canções (pois é sempre difícil
escolher 23 canções, com tantos discos lançados).
Hits como "What's the Frequency, Kenneth?", "The
Great Beyond", "The One I Love", "Orange Crush",
"Losing My Religion", "Imitation of Life", "Everybody
Hurts" e "It's the End of the World As We Know It"
estão presentes. Também aparecem canções
raras, muitas escolhidas pelos fãs no site da banda (www.remhq.com)
como as boas "Begin the Begin", "Maps and Legends"
e a excepcional "Permanent Vacation". A banda desenterra
outras belíssimas músicas, que não tocavam
ultimamente, como "Drive", "Electrolite" e "So
Fast, So Numb". E ainda tem um complemento saboroso: "Animal",
"Daysleeper", "Bad Day", "All the Way to
Reno", "At My Most Beautiful", "She Just Wants
to Be", "Walk Unafraid" e "Country Feedback".
Mas falta a resposta do público alemão
que é frio, apático. Além de alguns pequenos
(mínimos) problemas de áudio, como a guitarra marcante
e indispensável em "Drive", que está com
seu volume lá embaixo. Quem mixou o dvd dormiu no ponto.
O público apenas demonstra alguma animação
em "Man on the Moon", "Everybody Hurts", "Imitation
of Life" e na "It's the End of..." (porque "Losing
My Religion" não vale). De resto, é a banda executando
um ótimo show e o público limitando-se a aplaudir
nos intervalos. Só faltou aparecer um jogador de golfe, perdido
no meio do público.
Se o dvd vale a pena? Com certeza. O último
registro ao vivo, o excelente Road Movie, da turnê
do álbum Monster, é de quase dez anos atrás.
Dali em diante, os fãs aguardavam um dvd com as novas e boas
músicas e ele está aí. Quer um aperitivo, assista
apenas a fabulosa "Walk Unafraid" e a eterna "Man
on the Moon". Já bastam.
A cereja do bolo é o documentário
A Stirling Performance. Nele, são mostrados em todos
os detalhes possíveis um show da banda em uma pequena e pacata
cidade escocesa, na turnê do disco Up, em 1999. Documentário
sociologicamente relevante, musicalmente perfeito.
Enfim, Perfect Square é um bom retrato
de uma ótima banda, onde Michael Stipe, Mike Mills, Peter
Buck e cia. provam que a vitalidade é fruto do carisma e
competência em fazer bons shows.
Ah, pra completar. No momento, estou escutando Around
the Sun, novo álbum de estúdio da banda. Escutei
pouco, mas confesso minha decepção. Mais detalhes,
em breve.

Red
Hot Chili Peppers faz a festa dos fãs e da gravadora. Depois
de uma oportuna (em todos os sentidos) coletânea (com dvd
bônus de videoclipes), um magnífico dvd ao vivo (Live
at Slane Castle, já resenhado por aqui), agora é
lançado um disco duplo ao vivo, de Londres.

Live at Hyde Park só não
deixará boquiaberto quem assistiu o mais recente dvd ao vivo
da banda. A apresentação é espetacular. A introdução
do show, colado com o hit "Can't Stop" é sensacional,
John Frusciante já mostra seu feeling e talento. Daí
em diante, sucessões de hits, basicamente dos discos Blood
Sugar Sex Magik, Californication e By the Way.
O disco é recheado com boas covers, além de novas
canções ("Leverage of Space" e "Rolling
Sly Stone").
Atualmente, seria trabalhoso achar uma banda que
supere o Red Hot ao vivo, quando eles estão sóbrios.
Assim como é difícil apontar os destaques do disco.
Mas vamos lá. Além da "Intro" e de "Can't
Stop", recomendo "Around the World", "By the
Way", "Fortune Faded", "Easily", "Universally
Speaking", a maravilhosa "Brandy" (cover de Elliot
Lurie), "Throw Away your Television" (pelo final apoteótico),
"Parallel Universe", o punk rasgado e sujo de "Black
Cross" e "Give It Away" e sua posterior jam session,
contabilizando mais de 13 minutos.
Fatalmente, está aqui o melhor disco ao vivo
do ano.

John Frusciante
Ataxia
Já
que falei do Red Hot, vou falar do seu guitarrista, John Frusciante.
Depois de lançar o ótimo Shadows Collide with
People no início do ano, ele prometeu lançar
um disco por mês, de julho em diante.
Em julho, saiu o bacana Will to Death.
Em setembro, eu ainda nada encontrei. Pra outubro, ele já
prometeu o Inside Loneliness. Em agosto, ele apareceu com
o Ataxia.
Ataxia é uma parceria de Frusciante
com Joe Lally, baixista do Fugazi e mais um baterista, de nome complicado
e sem relevância neste espaço. São apenas cinco
faixas. Cinco músicas absolutamente viajantes, para escutar
deitado. A mais curta possui 6 minutos. A mais longa, o dobro. Ouça
Frusciante cantando e fique à deriva da melodia, agradabilíssima.
Destaco as faixas ímpares: "Dust", "The Sides"
e a alucinógena "Montreal".

Papa Roach
Getting Away With Murder
Podem
rir, eu gosto de Papa Roach. Entre essas bandinhas de new metal,
é uma das poucas que fogem da mesmice, mesmo não fazendo
estritamente new metal.
Depois do previsível e divertido Infest,
veio o ótimo Love Hate Tragedy, mais variado. Getting
Away with Murder reza na mesma cartilha, sem soar repetitivo,
apresentando uma sonoridade mais rica. Prova disso é a excepcional
"Blood", que abre o disco. Se não gostou, nem ouça
o resto. Caso contrário, confira também "Not
Listening", "Take Me" (deve virar hit), "Done
With You", "Scars" (outro hit certeiro) e "Sometimes".
Confesso que Papa Roach não enche meus olhos
(ou melhor, ouvidos), mas é melhor que bandas razoavelmente
similares como Korn, Staind, Puddle of Mudd e Seether. Não
vou falar do Evanescence, pois falar que eles são ruins é
óbvio demais.

Tim Festival vem com PJ Harvey. Grande coisa.
Tim Festival vem com Brian Wilson. Mero consolo
pra fã tiozão dos Beach Boys. Bocejante.
Tim Festival vem com Libertines. Se basear sua apresentação
no último disco, vai fracassar.
Tim Festival vem com Primal Scream. A única
atração internacional que realmente vale a pena. Mas
não espalhem: os shows não costumam empolgar.
É verdade, eu não vou. Mas poderia
estar lamentando por coisas muito melhores, isso sim...

Top 5
Músicas que eu gostaria de esquecer que um
dia eu escutei (parte 1):
1. "Hey Jude", Kiko Zambianchi
2. "W/Brasil", Jorge Benjor
3. "Blue Jeans", Angélica
4. "ABC, toda criança tem que ler e escrever",
Pelé
5. "Step by Step", clássico indiscutível
do New Kids on the Block.

Tênis. Na final do US Open, Federer (nº1)
humilhou Hewitt (nº4) com 6/0, 7/6 e 6/0. E o Hewitt vinha
com 16 vitórias consecutivas. Foi o 3º Grand Slam do
ano de Federer, seu 9º título do ano. Ele só
não ganhou Roland Garros, sendo massacrado pelo Guga.
Falando no brazuca, achei correta sua decisão
de operar novamente, porque eu estava cansado de vê-lo perder
pra jogadores bem inferiores. A contusão foi pra mente, vamos
ver se ele se recupera agora.
E o Ricardo Mello foi muito bem. Boa campanha no
US Open e ganhou seu primeiro ATP Tour. Nas últimas 22 partidas
que disputou, venceu 19. Bola pra frente, rapaz!
Recuso-me a falar da Copa Davis.

E recuso-me mais ainda falar do América-MG.
Nem quero tocar no assunto.

Próxima coluna: novos discos do R.E.M., Green
Day, The Thrills e Joss Stone.
Links
do Sukrilius:
Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique
aqui.
www.enne.com.br
- banda de rock que eu produzo.
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
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blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
sondazkavernas.blogspot.com
- blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante,
único programa da tv aberta para fãs de boa música.
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