Não posso perder o hábito.
Sempre que ocorre o festival Pop Rock Brasil, eu me sinto na obrigação
de escrever alertando o público para o que eles verão
e, pior, escutarão. Infelizmente, este texto será
publicado após o término do festival, pois estou escrevendo
o mesmo momentos antes do início do evento. Portanto, pra
quem vai, boa sorte e muita saúde pra agüentar certos
shows. E passe aqui depois pra dizer se minhas previsões
se confirmaram.
Ah,
eu não vou. Não
consegui (nem me esforcei) para conseguir uma credencial de imprensa,
algo que gentilmente me ofereceram no ano passado. Não me
esforcei pelas razões abaixo:
•
Está ocorrendo em Belo Horizonte um festival de cinema independente
(o Indie 2004, com a cobertura do Cajabis Cannabis). E Wilco
- I Am Trying to Break Your Heart é um documentário
simplesmente imperdível, inédito por aqui, com única
exibição na mostra. É o making of da gravação
de um dos melhores discos de 2002, o Yankee Hotel Foxtroit.
Deve ser exibido ao mesmo tempo em que o Cidade Negra entedia o
público no Pop Rock.
•
Depois
disso, ainda tem show do Valv, com o lançamento do cd Sense
of Movement, no bar A Obra. O Valv é melhor do que mais
da metade das bandas que tocam neste Pop Rock.
E olhem que esta edição nem é
das piores. Confiram a programação, começando
pelo sábado:
Marcelo
D2: Vai agradar em cheio os playboys. Hip hop pra rico
ouvir. Tem algumas boas canções, mas tomara que ele
não chame aquele moleque pro palco.
O
Rappa: Bons discos, shows ruins. Não adianta. Mas
a Déborah Secco estará presente. Por isso, vale a
pena. Ah, não fiquem muito próximos do palco!
Los
Hermanos: Sem dúvida a melhor banda do festival,
mas que não garante se fará o melhor show. Eles estão
visivelmente cansados desta turnê, com seu enésimo
show em BH. Mas o público conhecerá belas músicas.
CPM
22: Eu não gostava de CPM 22, mas admito que já
é uma banda que "tolero". Vai empolgar com seus
hits do rádio, mas não prestem muita atenção
nas desafinadas do Badauí.
Tianastácia:
Tocando no quintal de casa. Santo de casa não faz milagre,
mas não faz feio. O público vai gostar, independentemente
do que tocarão.
Cidade
Negra: Cá pra nós, esta banda é chata
demais! Aproveite este momento e faça algo mais útil,
como pegar um pedaço do sanduíche daquele seu amigo
bonzinho, tirar uma soneca ou dar uma paquerada.
No palco ao lado, nos intervalos, algumas bandas
menores farão shows curtos. Algumas são independentes
e outras não, mas ainda buscam seu espaço. Os shows
serão das bandas Terral, Mandrak, Johnnie B. e Código
B. Não falo mal de bandas independentes, desculpem. Mas posso
afirmar que o vocalista do Código B, o Bauxita, é
gente boa pra caramba.
Ah, tem DJs também! Mas deixa pra lá,
pois a grande maioria do público não sabe e nem faz
questão de saber (infelizmente) quem são eles e o
que tocam. Estarão presentes os famosos DJs Marky e Robinho,
além dos DJs Filipe Forattini e Joseph.
O domingo é trágico. Eu admiro quem
vai neste dia, que sobreviverá à tanta porcaria:
Charlie
Brown Jr.: Peso-pesados do discurso vazio, Chorão
e cia. prometem abalar as estruturas do festival. Literalmente.
Capital
Inicial: Única atração que vale a
pena, apesar do exibicionismo exagerado do Dinho Ouro Preto.
Jota
Quest: Sem comentários. Triste realidade do pop
nacional.
Pitty:
Alguém ainda agüenta isso? Letras que supostamente dizem
algo mas que, na realidade, não dizem absolutamente nada,
sucessivos clichês. Será a Pitty a versão atual
e feminina do Humberto Gessinger?
Detonautas
Roque Clube: Talvez a pior banda de rock nacional dos últimos
anos. Tico Santa Cruz prova que fazer pose de descolado, ter pôster
do Metallica (viram na propaganda da Coca-Cola?) e tentar soar (em
vão) como a porcaria do Linkin Park agrada o público.
Lamentável. E as covers? Ah, esquece...
Nenhum
de Nós: Quem?
No palco menor: Uberro, Carne Nua, Tchai e o "fabuloso"
Sideral, coroando o dia.
Na tenda eletrônica, os melhores momentos
do domingo, com os DJs Anderson Noise, Daniel Maia, Robinho e Waldir.

The
Cure
The Cure
Nunca
fui muito fã, mas reconheço a relevância. É
uma banda que fez história, com uma discografia irregular,
mas com clássicos inquestionáveis. Mesmo sem conhecer
toda a discografia, arrisco em dizer que The Cure é
um dos melhores trabalhos do Cure. Poucos discos começam
e terminam com duas faixas tão boas. Mas não são
só elas. Disco pesado, carregado, sensacional. Ouça
a primeira "Lost". Ousada, carregada, sofrida e barulhenta,
um primor. Depois, vá até a última faixa, a
maravilhosa "The Promise". No miolo, alegre-se com "Before
Three", "The End of the World" e "Us or Them".
Excelente.

Patti
Smith
Trampin'
Se
o Marcelo Costa, do site Scream
& Yell, recomendou, saiba: pode não ser excelente,
mas certamente não é ruim. Patti Smith possui uma
carreira acidentada, porém digna. Continua com ótima
voz e algumas canções brilhantes. Achei o disco irregular,
mas existem quatro faixas que valem muito o seu download: "Radio
Baghdad", "Jubilee", "Trespasses" e "Peaceable
Kingdom".

Velvet
Revolver
Contraband
A
comparação com Guns n' Roses e Stone Temple Pilots
é inevitável e cruel. Muita expectativa dá
nisso, todo mundo falou mal. Esperei a poeira baixar, escutei com
atenção e afirmo: é ruim mesmo. Das 13 faixas,
apenas 4 se salvam, exatamente por se aproximarem do que faziam
tão bem o Guns e, principalmente, o Stone Temple Pilots:
"Sucker Train Blues", "Headspace", "You
Got No Right" e "Slither". Só essas quatro.
O resto é dispensável. Faltou honestidade. Soa como
algo totalmente forçado. Decepcionou.

Top
5
Top 5 "bandas intocáveis da crítica".
São boas bandas, possuem valor e importância, mas que
são superestimadas pelos críticos. São inegavelmente
boas, mas menos do que dizem por aí:
1. Sonic Youth
2. Jesus & Mary Chain
3. Fugazi
4. Pixies
5. Kyuss
Até ia colocar o Radiohead, mas considero
todo o "oba-oba" pro Radiohead justo.

O site
da minha banda (o Enne) está praticamente pronto. Colocaremos
as músicas quando o cd "MomentUM" sair, no mês
que vem. Acessem: www.enne.com.br.

Dia
16 de setembro (quinta-feira), o Moldest toca no bar A Obra. Belasco,
banda de Fortaleza, tocará na mesma noite. Mais informações:
www.aobra.com.br
e (31) 3281-7704. Ingressos a 6 reais.
Três
dias depois, o Moldest toca no Matriz, aqui em Belo Horizonte. As
bandas Belina, Verona, Prozac Nation e Yö tocam no mesmo evento.
Os ingressos custam 6 reais. Mais informações no www.matrizbh.com.br
ou (31) 3212-6122.

Um
dos melhores filmes que vi recentemente foi Brilho Eterno de
Uma Mente Sem Lembranças. Sensacional, um dos poucos
filmes do Jim Carrey que valem a pena. Talvez por não ser
um filme de comédia...

No dia 31 de agosto e nos dias 1 e 2 de setembro,
assisti na CNN a convenção do Partido Republicano,
que "confirmou" (como se ninguém soubesse) a candidatura
do nefasto Bush à reeleição nos EUA. Fiquei
incomodado com o bando de lunáticos que discursavam no palanque.
Ainda bem que meu inglês não é tão bom,
porque tudo o que eu entendi já me deixou perplexo.

Mais música e bobagens na próxima
coluna. Até lá!
Links
do Sukrilius:
Quer me achar nessa praga chamada Orkut? Clique
aqui.
www.enne.com.br
- banda de rock que eu produzo.
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro de minhas bandas nacionais prediletas.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
sondazkavernas.blogspot.com
- blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante,
único programa da tv aberta para fãs de boa música.
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