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Beagá, 09 de agosto de 2004 d.C.
 
Radiohead lança EP irregular
Por Sukrilius
 

Primeiramente, já deixo claro que este não é o sucessor do bom Hail to the Thief. Este é um EP. Que raios é um EP? Um EP geralmente é um disco com uma duração menor, algo entre o "disco cheio" e a "demo". Variam entre 5 e 10 faixas, se eu fizer uma média. É como um disco paralelo da discografia de uma banda. Muitos artistas aproveitam o EP pra lançar material ao vivo e remixes. E as gravadoras faturam, pois é mais um produto na praça e os lojistas (pelo menos aqui no Brasil) já recebem o produto com um preço salgado e repassam então pro consumidor. Quer dizer, o EP sai pelo mesmo preço (no mínimo) que um disco comum. Às vezes, sai até mais caro.

Este é o segundo EP do Radiohead. É oportunista e caça-níquel. O primeiro EP, I Might Be Wrong - Live Recordings (2001), ainda tinna alguns atrativos, como o registro ao vivo da fase mais "complicada" da banda (o que não deixa de ser curioso e inusitado, representando repercussão e vendas) e uma faixa inédita, a linda "True Love Waits".

Neste EP, o Com Lag 2+2=5 não há nada inédito. É uma coletânea de faixas ao vivo, remixes e lados b. Oscila entre excelentes faixas e outras totalmente descartáveis como vocês conferirão agora:

"2+2=5 (live)": Uma das melhores faixas da banda executada ao vivo de uma forma irretocável. Começo irrepreensível.

"Remyxomatosis": Remix de "Myxomatosis", do Hail to the Thief. Fraquinha, bem abaixo da versão original. Eletrônica, com um teclado (?) sutil e a voz de Thom Yorke solta, perdida.

"I Will": Ótima releitura, melhor que a versão original, presente no último disco da banda. Menos arrastada, com um belo arranjo e uma segunda voz arrepiante.

"Paperbag Writer": Não é cover. Esta é razoável. Baixo legal, Yorke cantando literalmente "do além", arranjos inusitados. Mas faltou um tempero, um limãozinho como os do Kid A (2000).

"I Am a Wicked Child": Bacaninha, com uma levada convencional. Se você observar a atual fase da banda, pode até chamar essa canção de "pop".

"I Am a Citizen Insane": Bela canção eletrônica. Apague as luzes, feche os olhos e viaje. É a melhor canção instrumental da banda ("Fitter Happier" não conta!).

"Skattrbrain": Remix de "Scatterbrain", também do Hail to the Thief. Razoável e nada mais, ficando muitas léguas atrás da versão original.

"Gagging Order": Excelente balada. Recomendo o download.

"Fog (live)": Canção mais antiga, ao vivo. Muito bonita, mas desnecessária, principalmente pra quem é fã e já a conhece. Mas não tira seu brilho. Balada movida a voz e piano.

"Where Bluebirds Fly": Uma chatice. Não perca seu tempo.

Mesmo com algumas boas canções, Com Lag 2+2=5 serve apenas para manter a banda em evidência até o próximo disco "oficial". Além de enriquecer a gravadora e os lojistas, porque obviamente os fãs vão correr atrás. Bem, eu vou tentar encontrá-lo por um preço razoável no final do ano que vem (se ninguém me presentear antes, hehe).

Eu até gostava do Hives. Mas o novo disco deles, Tyrannosaurus Hives, acabou com a minha paciência. Nem quero falar sobre ele. Mas alerto: o disco é ruim demais, o pior da banda. A "faixa de trabalho" "Walk Idiot Walk" é chata de doer.

Ash
Meltdown

O Ash é uma banda de rock inglês, mas que se esquiva do pessoal do britpop (se ainda existe) ou dessa onda calminha do "new-acoustic" como o (ótimo) Coldplay, o (bom) Travis e o (chato) Keane. Aqui é rock'n'roll mesmo, com um pé no punk. Meltdown anima qualquer festa. Coloque-o e deixe-o à vontade. Destaques: "Meltdown", "Evil Eye", "Renegade", "Detonator", "Won't Be Saved" e "Vampire Love". A melhor é a cadenciada "Star-Crossed". Mas o Ash continuará sendo uma das bandas que rotulo como "legal, mas...", porque é legal, mas não me convence totalmente, sempre falta algo no som.

Jet
Get Born

Jet é uma típica banda de rock'n'roll. Se você conhece bem o rock'n'roll, pode colocar o Jet no rol das bandas que fazem o "rock de arena". Pra causar impacto. Bons riffs, a cozinha segurando a melodia e o vocal comandando, além de baladas excepcionais, de muito bom gosto. Não dá pra não lembrar de AC/DC, além do rock inglês nos anos 70 (Rolling Stones, The Who e até David Bowie). Procurei algum deslize, em vão. Talvez seja o disco de rock que mais gostei até agora. Um dos melhores discos do ano, sem dúvida. Desbanca fácil o disco do Ash pra comandar qualquer festa.

The Coral
Nightfreak are the Sons Of Becker

The Coral lança mais um disco de inéditas, o terceiro em três anos. Este é mais uma droga que dá barato. Muita psicodelia, com os moleques insistindo na viagem do pop sessentista. Não faz tanto efeito quanto as duas substâncias anteriores (The Coral e Magic and Medicine), mas as doses de "Precious Eyes", "I Forgot My Name" e "Sorrow or the Song" farão sua cabeça. A que eu mais gostei foi "Auntie's Operation".

Charlatans
Up at the Lake

Charlatans de volta. Uma das bandas mais negligenciadas do rock inglês acaba de lançar mais um disco. Nem tão dançante como o Wonderland (2001) ou como o disco solo (I Believe) do vocalista Tim Burgess. Mais ensolarado, sem lembrar o início da carreira, mais chuvoso, mais britânico. E sem um pingo do brilhantismo do favorito "da casa", o Us and Us Only, pérola de 1999. Este álbum é pura decepção. As músicas carecem de consistência, o som ora é óbvio demais, ora é insosso, faltando objetividade. É um disco onde faltam adjetivos para eu explicar tamanha insatisfação, mas tenho absoluta certeza de que não voltarei atrás na minha opinião. Não há como. As únicas que se salvam são "Cry Yourself to Sleep" e "Bona Fide Treasure". Não sei, mas algo me diz que a banda não vai longe. Mais um disco, no máximo.

John Frusciante
Will to Death

Já sabia que o Frusciante era pirado. Mas essa foi demais. Após o excelente Shadows Collide with People, lançado no início do ano, ele avisou que lançará seis (!!!) cds até o final de 2004. Um por mês, de julho em diante. O "disco de julho" é o Will to Death. Não tão bom quanto o Shadows..., mas não perde por muito. O genial guitarrista do Red Hot Chili Peppers continua criando boas melodias embaladas pela sua magnífica voz. Destaques: "A Doubt", "An Exercise", "Time Runs Out", "Wishing", "Far Away" e "The Will to Death". Difícil escolher a melhor. Talvez seja "The Mirror". Concorda? Aliás, se alguém souber o nome do "disco de agosto" do cara, me avisem! Eu agradeço e retribuo com uma singela resenha.

Top 5

Como gosto tanto de fazer Top 5, de hoje em diante meus textos sempre terão um.

Top 5 bandas que acabaram no momento certo (mas que não deveriam ter acabado, pois eram muito boas):

1. Smashing Pumpkins
2. Pavement
3. Nirvana
4. Rage Against the Machine
5. The Verve

Confesso que arrumei a desculpa de que "Beatles não conta" só pra encaixar o Verve na lista...

Não sou muito fã de hardcore. Aliás, não gosto de quase nenhuma banda do gênero. Mas acabei indo em um show do gênero, com várias bandas. Cada banda pior que a outra! A única que realmente gostei chama-se Noção de Nada, banda carioca mais melódica, com um vocal bem legal, na mesma linha do Dead Fish. Depois, quando começou o show do aclamado Dance of Days, fui embora. Mais por cansaço mesmo. O show não estava ruim, achei o instrumental legal, mas o vocal me decepcionou. O que me surpreendeu foi a interação da banda com o público que, ensandecido, gritava as letras como palavras de ordem.

Agora, escutando com muito mais calma o Room of Fire do Strokes, concluo que o disco não é ruim. O problema é um tal de Is This It, o disco anterior que é muito acima da média. O primeiro disco do Strokes eu ouço "de cabo a rabo", não pulo uma faixa sequer. Qualquer disco que a banda lançar vai ser comparado ao primeiro e será muito difícil superá-lo. Isso é um problema, mas não deixa de ser algo bom porque muitas bandas lutam pra conseguir fazer um disco como esse, um "disco de referência".

Só esclareço que não acho Room of Fire nenhuma maravilha. Só não acho ruim, como afirmei na minha resenha sobre o mesmo. Não tenho vergonha de voltar atrás nas minhas opiniões. É melhor ter humildade e reconhecer que foi injusto do que passar anos defendendo alguma mentira e fazendo pose, se achando o dono da verdade - como muitos críticos por aí, principalmente estudantes de comunicação, que escrevem em veículos impressos e, principalmente, páginas na internet.

No site do Udora (www.udora.com) estão disponíveis novas faixas em mp3. Está realmente muito bom, mas ESQUEÇAM que o Udora um dia foi o Diesel, uma das bandas mais aclamadas do underground nacional. Não tem a sujeira do Diesel, o som do Udora é limpinho, pop mesmo. Rock pra tocar no rádio, mas com muita qualidade.

Talvez vocês se decepcionem ao ouvir o Udora, sabendo que os mesmos caras faziam um som tão diferente na época do Diesel, mas ouçam sem fazer comparações. É a mesma coisa de quem tá falando mal do Velvet Revolver. Não dá pra comparar com Stone Temple Pilots e Guns N' Roses: se você esperar algo assim, sempre irá se decepcionar.

O Enne, banda que eu produzo, está com o site no ar! Não está completo, muita coisa ainda será colocada, mas o "esqueleto" da página já está lá: www.enne.com.br.

Na próxima coluna, mais discos. Até!

Links do Sukrilius:

www.enne.com.br - banda de rock que eu produzo.

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

sondazkavernas.blogspot.com - blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante, único programa da tv aberta para fãs de boa música.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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