Primeiramente,
já deixo claro que este não é o sucessor do
bom Hail to the Thief. Este é um EP. Que raios é
um EP? Um EP geralmente é um disco com uma duração
menor, algo entre o "disco cheio" e a "demo".
Variam entre 5 e 10 faixas, se eu fizer uma média. É
como um disco paralelo da discografia de uma banda. Muitos artistas
aproveitam o EP pra lançar material ao vivo e remixes. E
as gravadoras faturam, pois é mais um produto na praça
e os lojistas (pelo menos aqui no Brasil) já recebem o produto
com um preço salgado e repassam então pro consumidor.
Quer dizer, o EP sai pelo mesmo preço (no mínimo)
que um disco comum. Às vezes, sai até mais caro.
Este
é o segundo EP do Radiohead. É oportunista e caça-níquel.
O primeiro EP, I Might Be Wrong - Live Recordings (2001),
ainda tinna alguns atrativos, como o registro ao vivo da fase mais
"complicada" da banda (o que não deixa de ser curioso
e inusitado, representando repercussão e vendas) e uma faixa
inédita, a linda "True Love Waits".
Neste
EP, o Com Lag 2+2=5 não há nada inédito.
É uma coletânea de faixas ao vivo, remixes e lados
b. Oscila entre excelentes faixas e outras totalmente descartáveis
como vocês conferirão agora:

"2+2=5 (live)": Uma das melhores faixas
da banda executada ao vivo de uma forma irretocável. Começo
irrepreensível.
"Remyxomatosis":
Remix de "Myxomatosis", do Hail to the Thief.
Fraquinha, bem abaixo da versão original. Eletrônica,
com um teclado (?) sutil e a voz de Thom Yorke solta, perdida.
"I Will": Ótima releitura, melhor
que a versão original, presente no último disco da
banda. Menos arrastada, com um belo arranjo e uma segunda voz arrepiante.
"Paperbag
Writer": Não é cover. Esta é razoável.
Baixo legal, Yorke cantando literalmente "do além",
arranjos inusitados. Mas faltou um tempero, um limãozinho
como os do Kid A (2000).
"I Am a Wicked Child": Bacaninha, com
uma levada convencional. Se você observar a atual fase da
banda, pode até chamar essa canção de "pop".
"I Am a Citizen Insane": Bela canção
eletrônica. Apague as luzes, feche os olhos e viaje. É
a melhor canção instrumental da banda ("Fitter
Happier" não conta!).
"Skattrbrain":
Remix de "Scatterbrain", também do Hail to
the Thief. Razoável e nada mais, ficando muitas léguas
atrás da versão original.
"Gagging Order": Excelente balada. Recomendo
o download.
"Fog (live)": Canção mais
antiga, ao vivo. Muito bonita, mas desnecessária, principalmente
pra quem é fã e já a conhece. Mas não
tira seu brilho. Balada movida a voz e piano.
"Where Bluebirds Fly": Uma chatice. Não
perca seu tempo.
Mesmo
com algumas boas canções, Com Lag 2+2=5 serve
apenas para manter a banda em evidência até o próximo
disco "oficial". Além de enriquecer a gravadora
e os lojistas, porque obviamente os fãs vão correr
atrás. Bem, eu vou tentar encontrá-lo por um preço
razoável no final do ano que vem (se ninguém me presentear
antes, hehe).

Eu
até gostava do Hives. Mas o novo disco deles, Tyrannosaurus
Hives, acabou com a minha paciência. Nem quero falar
sobre ele. Mas alerto: o disco é ruim demais, o pior da banda.
A "faixa de trabalho" "Walk Idiot Walk" é
chata de doer.

Ash
Meltdown
O
Ash é uma banda de rock inglês, mas que se esquiva
do pessoal do britpop (se ainda existe) ou dessa onda calminha do
"new-acoustic" como o (ótimo) Coldplay, o (bom)
Travis e o (chato) Keane. Aqui é rock'n'roll mesmo, com um
pé no punk. Meltdown anima qualquer festa. Coloque-o
e deixe-o à vontade. Destaques: "Meltdown", "Evil
Eye", "Renegade", "Detonator", "Won't
Be Saved" e "Vampire Love". A melhor é a cadenciada
"Star-Crossed". Mas o Ash continuará sendo uma
das bandas que rotulo como "legal, mas...", porque é
legal, mas não me convence totalmente, sempre falta algo
no som.

Jet
Get Born
Jet
é uma típica banda de rock'n'roll. Se você conhece
bem o rock'n'roll, pode colocar o Jet no rol das bandas que fazem
o "rock de arena". Pra causar impacto. Bons riffs, a cozinha
segurando a melodia e o vocal comandando, além de baladas
excepcionais, de muito bom gosto. Não dá pra não
lembrar de AC/DC, além do rock inglês nos anos 70 (Rolling
Stones, The Who e até David Bowie). Procurei algum deslize,
em vão. Talvez seja o disco de rock que mais gostei até
agora. Um dos melhores discos do ano, sem dúvida. Desbanca
fácil o disco do Ash pra comandar qualquer festa.

The
Coral
Nightfreak are the Sons Of Becker
The
Coral lança mais um disco de inéditas, o terceiro
em três anos. Este é mais uma droga que dá barato.
Muita psicodelia, com os moleques insistindo na viagem do pop sessentista.
Não faz tanto efeito quanto as duas substâncias anteriores
(The Coral e Magic and Medicine), mas as doses
de "Precious Eyes", "I Forgot My Name" e "Sorrow
or the Song" farão sua cabeça. A que eu mais
gostei foi "Auntie's Operation".

Charlatans
Up at the Lake
Charlatans
de volta. Uma das bandas mais negligenciadas do rock inglês
acaba de lançar mais um disco. Nem tão dançante
como o Wonderland (2001) ou como o disco solo (I Believe)
do vocalista Tim Burgess. Mais ensolarado, sem lembrar o início
da carreira, mais chuvoso, mais britânico. E sem um pingo
do brilhantismo do favorito "da casa", o Us and Us
Only, pérola de 1999. Este álbum é pura
decepção. As músicas carecem de consistência,
o som ora é óbvio demais, ora é insosso, faltando
objetividade. É um disco onde faltam adjetivos para eu explicar
tamanha insatisfação, mas tenho absoluta certeza de
que não voltarei atrás na minha opinião. Não
há como. As únicas que se salvam são "Cry
Yourself to Sleep" e "Bona Fide Treasure". Não
sei, mas algo me diz que a banda não vai longe. Mais um disco,
no máximo.

John
Frusciante
Will to Death
Já
sabia que o Frusciante era pirado. Mas essa foi demais. Após
o excelente Shadows Collide with People, lançado
no início do ano, ele avisou que lançará seis
(!!!) cds até o final de 2004. Um por mês, de julho
em diante. O "disco de julho" é o Will to Death.
Não tão bom quanto o Shadows..., mas não
perde por muito. O genial guitarrista do Red Hot Chili Peppers continua
criando boas melodias embaladas pela sua magnífica voz. Destaques:
"A Doubt", "An Exercise", "Time Runs Out",
"Wishing", "Far Away" e "The Will to Death".
Difícil escolher a melhor. Talvez seja "The Mirror".
Concorda? Aliás, se alguém souber o nome do "disco
de agosto" do cara, me avisem! Eu agradeço e retribuo
com uma singela resenha.

Top
5
Como
gosto tanto de fazer Top 5, de hoje em diante meus textos sempre
terão um.
Top
5 bandas que acabaram no momento certo (mas que não deveriam
ter acabado, pois eram muito boas):
1. Smashing Pumpkins
2. Pavement
3. Nirvana
4. Rage Against the Machine
5. The Verve
Confesso que arrumei a desculpa de que "Beatles
não conta" só pra encaixar o Verve na lista...

Não sou muito fã de hardcore. Aliás,
não gosto de quase nenhuma banda do gênero. Mas acabei
indo em um show do gênero, com várias bandas. Cada
banda pior que a outra! A única que realmente gostei chama-se
Noção de Nada, banda carioca mais melódica,
com um vocal bem legal, na mesma linha do Dead Fish. Depois, quando
começou o show do aclamado Dance of Days, fui embora. Mais
por cansaço mesmo. O show não estava ruim, achei o
instrumental legal, mas o vocal me decepcionou. O que me surpreendeu
foi a interação da banda com o público que,
ensandecido, gritava as letras como palavras de ordem.

Agora,
escutando com muito mais calma o Room of Fire do Strokes,
concluo que o disco não é ruim. O problema é
um tal de Is This It, o disco anterior que é muito
acima da média. O primeiro disco do Strokes eu ouço
"de cabo a rabo", não pulo uma faixa sequer. Qualquer
disco que a banda lançar vai ser comparado ao primeiro e
será muito difícil superá-lo. Isso é
um problema, mas não deixa de ser algo bom porque muitas
bandas lutam pra conseguir fazer um disco como esse, um "disco
de referência".
Só
esclareço que não acho Room of Fire nenhuma
maravilha. Só não acho ruim, como afirmei na minha
resenha sobre o mesmo. Não tenho vergonha de voltar atrás
nas minhas opiniões. É melhor ter humildade e reconhecer
que foi injusto do que passar anos defendendo alguma mentira e fazendo
pose, se achando o dono da verdade - como muitos críticos
por aí, principalmente estudantes de comunicação,
que escrevem em veículos impressos e, principalmente, páginas
na internet.

No
site do Udora (www.udora.com)
estão disponíveis novas faixas em mp3. Está
realmente muito bom, mas ESQUEÇAM que o Udora um dia foi
o Diesel, uma das bandas mais aclamadas do underground nacional.
Não tem a sujeira do Diesel, o som do Udora é limpinho,
pop mesmo. Rock pra tocar no rádio, mas com muita qualidade.
Talvez vocês se decepcionem ao ouvir o Udora,
sabendo que os mesmos caras faziam um som tão diferente na
época do Diesel, mas ouçam sem fazer comparações.
É a mesma coisa de quem tá falando mal do Velvet Revolver.
Não dá pra comparar com Stone Temple Pilots e Guns
N' Roses: se você esperar algo assim, sempre irá se
decepcionar.

O
Enne, banda que eu produzo, está com o site no ar! Não
está completo, muita coisa ainda será colocada, mas
o "esqueleto" da página já está lá:
www.enne.com.br.

Na
próxima coluna, mais discos. Até!
Links
do Sukrilius:
www.enne.com.br
- banda de rock que eu produzo.
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
sondazkavernas.blogspot.com
- blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante,
único programa da tv aberta para fãs de boa música.
|