Acabou
de sair por aqui o "Multishow ao vivo", do Skank. Este
canal de tv a cabo viu que o filão da MTV estava dando lucro
e resolveu pegar uma carona. E a banda, quis registrar a turnê
do mais recente Cosmotron em dvd. Tudo bem, sem problemas.
Só que o Skank recentemente (não faz muito tempo)
lançou o Ao Vivo da MTV, com a gravação
da turnê, do penúltimo disco de estúdio, o melhor
deles na minha opinião, o Maquinarama (2000). Quer
dizer, as únicas novidades no repertório são
as canções do Cosmotron. É muito pouco,
acho que deviam ter aguardado mais uns dois discos de estúdio,
senão pode-se transformar na eterna lenga-lenga dos Engenheiros
do Hawaii (quando acaba esse suplício??) ou no egocentrismo
de uma Dave Matthews Band, que sempre lançam discos ao vivo.
A banda mudou, se antes era um trio de metais que
participava de todo o show, agora são apenas dois, que só
tocam nos hits antigos. Antes tinha um percussionista, agora foi
brilhantemente substituído por um guitarrista. Isso só
evidencia o que todos já sabem: o Skank mudou mesmo. Mas
a banda pode.
Uma
banda que já vendeu 5 milhões de discos se dá
ao luxo de lançar um disco de estúdio com tiragem
inicial de 50 mil cópias. Sim, os tempos são outros,
mas o Skank não é uma banda nova que toda gravadora
tem medo de apostar. É uma banda que já encheu os
bolsos da gravadora e agora faz o que bem entender, sem ligar para
as cifras.

Enfim,
o time entra em campo sabendo da responsabilidade de vencer, com
seus novos jogadores contratados, que deram à equipe um estilo
de jogo mais inglês, com bolas alçadas na área,
abandonando um estilo de jogo mais solto, mais livre, como o jamaicano.
No
início do jogo, a banda já ataca com a beatle "Supernova",
a que abre o mais recente disco de estúdio. Não é
a melhor forma de começar uma partida, mas o time dá
conta. "Por um Triz" pisa no gramado sob aplausos, pois
joga com mais raça, tem mais ímpeto que a comportada
versão do estúdio. "É Uma Partida de Futebol"
é o tradicional e manjado hino futebolístico da banda.
É como uma partida entre o Atlético-MG e o Flamengo,
atualmente. Possui importância e tradição, mas
já não atrai. É igual aquele jogador famoso
que voltou da
Europa e que quer encerrar a carreira no seu "clube do coração".
Joga com o nome, enquanto pode. Depois, um gol contra: "Esmola",
hit antigo, desnecessário.
O jogo ganha emoção quando o Skank
apresenta "Rebelião", com as duas guitarras fazendo
barulho como no disco, a torcida aplaude. "Zé Trindade"
ganhou um arranjo muito melhor que a versão original. O chute
bateu na trave, percorreu a linha do gol, entrando no canto oposto.
Gol rasteiro no cantinho: "Formato Mínimo",
com boa letra, baixo e teclado, conduzindo muito bem a banda. Em
seguida o atacante recebe na área, mata no peito e faz um
golaço: "As Noites" empolga pela beleza do lance,
de todos os seus arranjos.
O adversário reage e o Skank comete um gol
contra: "Jackie Tequila". Um grande hit, mas que não
acrescenta nada na atual fase do time ops, banda. Seria como se
os Beastie Boys cantassem "Fight for Your Right" até
hoje ou se o Radiohead fizesse hoje um show sem nenhuma canção
mais eletrônica. E Samuel ainda tentou evitar o lance, cantando
"Chega Disso", totalmente em vão.
"Nômade"
ficou infinitamente superior do que a versão original, que
é chata e "cabeça". O final é de
tirar o fôlego, com o atacante se deslocando até a
linha de fundo e chamando o lateral pra dançar. Driblou e
chutou no gol. Chutou fraco, "Balada do Amor Inabalável"
veio correta, sem alterações, o goleiro fez uma defesa
tranquila. Mas vacilou na reposição e o Skank balançou
as redes com "Acima do Sol". A torcida ainda comemorava,
mas a banda ampliou o placar com "Três Lados". O
adversário estava acuado, quando da intermediária,
o Skank arrisca e chute e o goleirão aceita: "Vou Deixar"
marca um gol que explode de alegria o público presente. Virou
goleada.
Entra então a "Garota Nacional"
e o adversário desconta. Não quero defender a banda,
mas esse insuportável e eterno hit pode virar a "Satisfaction"
do Skank. Presença eterna em shows. Bom pra quem gosta dela.
Eu não. Agora, o videoclipe é outro papo.
Estamos
de volta após o anúncio dos nossos patrocinadores,
agora a banda administra o placar esperando o final da partida.
Toca a bola de lado, "só vai na boa". Passam "Amores
Imperfeitos" (com um teclado um pouco alto), "Dois Rios",
"Resposta", "Tão Seu" (bola na trave,
quase um gol em uma jogada ensaiada, já antiga do time),
"Saideira", "Pegadas na Lua" e "Canção
Noturna". O time do Skank toma uma forte pressão do
adversário, que busca mais um gol de qualquer forma.
E
ele acontece, aos 45 minutos do segundo tempo, graças a uma
bobeada incrível da equipe mineira, em retardar ao jogo ao
repetir a música "Vou Deixar". A banda possui tantos
hits, por que repetir a "música de sucesso"? Daqui
a alguns anos, não terá o menor sentido a dupla presença
desta música no dvd.
Tivemos
alguns minutos a mais, quando a banda apresenta uma boa versão
improvisada de "Te Ver", dois videoclipes recentes e um
ótimo documentário sobre o processo de gravação
do Cosmotron.
Enfim, a banda venceu a partida. O resultado foi
justo, mas creio que o melhor dvd ao vivo da banda ainda está
por vir, o centroavante matador ainda não chegou.

Avril
Lavigne
Under My Skin
Ainda
vai chegar a vez da Alanis ops, Avril Lavigne. Ela ainda fará
um bom disco, quando amadurecer e seu público também.
Ela é bonita e talentosa, mas precisa largar a imagem de
punk de boutique (já basta a Kelly Osbourne) e seguir a carreira,
quando muitos vão morder a língua. Seu primeiro disco
deixa a desejar e o segundo também não convence. As
únicas que gostei foram "Take Me Away" e essa praga
que não sai do rádio, chamada "Don't Tell Me".
No mais, punks rasteiros e sua voz soando enjoada, cansativa, até
óbvia. Mas insisto que ela ainda lançará algo
que preste.

Gene
Simmons
Asshole
Só
o título é bom. Se o Kiss andava decepcionando ultimamente,
é porque ninguém escutou esse disco do Simmons, baixista
da banda (ex-banda? Nunca se sabe). Tem cada coisa vergonhosa que
só ouvindo pra acreditar. Já tomei um susto na segunda
faixa, quando ele estraga "Firestarter", do Prodigy. Ainda
insisti e consegui escutar até a 4ºfaixa, com algum
sacrifício. Nas dez seguintes, só ouvi um pouco de
cada canção e garanto que foi mais do que o suficiente.
O que eu escutei vocês não acreditam, ele tenta fazer
umas canções pop "ensolaradas". Não
sei se rotulo como "ridículo" ou "sofrível".

The
Libertines
The Libertines
Falaram
tão bem do primeiro disco, Up the Bracket, que resolvi
conferir o segundo, The Libertines. Não gostei.
Sonoridade às vezes meio anos 80, às vezes fica mais
punk, lembrando as piores coisas do Clash. O vocal é no estilo
do Jarvis Coker (Pulp) e do Morrissey, só que infinitamente
mais chato e metido a cool, engraçadinho. Será que
eles nunca escutaram Blur?? Parecem irreverentes que devem estar
se divertindo com todo o hype. Eu não achei graça
nenhuma.

Belle
& Sebastian
Fans Only
O
grupo de "indie folk extremo" Belle and Sebastian lançou
um dvd simplesmente magnífico. Indispensável para
fãs, mas que também vale uma conferida de quem não
conhece a carreira desta banda extremamente simpática de
nerds de Glasgow. Todos os videoclipes, muitas entrevistas, várias
faixas ao vivo, discografia entre muitas coisas deliciosas, recheiam
este documentário de um pouco mais de duas horas de duração.
Inclusive está registrada a passagam da banda pelo Brasil,
com trechos do show no finado Free Jazz e no Programa do Jô
(!). Vale a pena, principalmente pelos diálogos. E ainda
por cima, você que tem fama de roqueiro, "faz um filme"
com a sua família, porque tenho certeza de que aquela sua
tia que só ouve MPB chata vai gostar.

Prodigy
Always Outnumbered, Never Outgunned
Depois
de muito tempo, o Prodigy voltou quase repetindo a fórmula
do excelente The Fat of the Land, de 1997. Mas se você
(quase) repete fórmula, a chance de dar certo já não
é a mesma, porque até pro próprio fã
não soa como novidade. Sete anos depois, (quase) repetir
a fórmula é um exagero. Ainda mais na música
eletrônica, estilo tão variado para tantas experiências.
Não que o disco seja ruim. O rock está lá (em
menor quantidade), mergulhado nos beats, em alguns funks e até
hip hop. Mas não tem a explosão, a fúria punk
e toda a energia de um dos melhores discos de 1997. Em algumas faixas,
o grupo ainda ensaia uma volta às origens house, fazendo
um som bem mais dançante, sem guitarras. Destaques: "Spitfire",
"Hotride", "Wake Up Call" e "Shoot Down"
(com Liam Gallagher, do Oasis).

Joss
Stone
Soul Sessions
Ela
é linda. Tem apenas 17 anos e canta como uma diva da black
music. E não se parece nem um pouco, pois é uma lourinha
nascida em Dover, Inglaterra. Em um disco de regravações,
canta soul music de uma forma arrepiante. Vocês devem conhecer
a versão que ela fez da canção do White Stripes
("Fell in Love with a Boy"). É uma das piores canções
do disco, mesmo assim é linda. Apaixone-se por ela e/ou por
sua música. Os destaques são: "Super Duper Love",
"Dirty Man", "Some Kind of Wonderful", "I
Had a Dream", "All the Kings Horses" e "For
the Love of You". Deite com sua namorada e divirta-se com ambas!

Dave
Matthews Band
The Gorge
Dave
Matthews Band acaba de lançar seu sexto ou sétimo
disco ao vivo. A banda não é muito antiga, é
do início da década de 90, mas os caras gostam de
tocar ao vivo como ninguém. Você não conhece
a banda? Imagine a versão pop do Dream Theather. Calma, eu
explico: algo misturando folk, country, blues, jazz e rock. É
por aí, mas sem aquela chatice do Dream Theater. Confesso,
tem algumas coisas chatas na Dave Matthews Band (como um cara que
toca um violino irritante) e algumas canções bocejantes,
mas o grupo tem um leque de belíssimas músicas que,
quando tocadas ao vivo, são de deixar qualquer um boquiaberto.
Carter Beauford é um dos dez mais habilidosos bateristas
da atualidade. Ele não é criativo, mas nunca vi alguém
tocar com tanta eficiência uma bateria, é pura técnica.
Comprove escutando a faixa "Two Step". O disco é
triplo (saiu mais um dvd duplo também), não faltam
faixas legais: "Rapunzel", "Drive In Drive Out",
"Kit Kat Jam", "Lie in Our Graves", "Ants
Marching", "Seek Up" e "Tripping Billies".

"Heroína, heroína, heroína...
o Kurt Cobain era um cara
superdepressivo, com medo da fama e tinha ódio mortal de
tudo aquilo. Não queria estar ali. Falei pra ele: 'você
não tem culpa de ganhar 20 milhões de dólares,
cara'. Ele só fazia cara de deprimido. E a Courtney, uma
vaca, esculachando ele o tempo inteiro. E queriam heroína
e eu: 'olha, heroína não sei, aqui é a terra
da cocaína, isso é fácil arrumar'. Fiz uma
balada com os caras, acho que eles nunca cheiraram tanto na vida
deles. Entramos numa casa noturna que se chamava Dear Temple, ali
na Augusta. Eu, o Kurt Cobain, a Courtney Love, o Flea (baixista
do Red Hot Chilli Peppers), uma mina do Hole e as minas do L7. Chegou
no lugar, o dono abaixou a porta: 'Quem está fora não
entra, quem está dentro, não sai'. Eram quatro da
manhã e saímos de lá às onze. Eles gostaram,
depois até me colocaram no vídeo do Nirvana, o 'Sold
Out'."
Quem falou foi João Gordo, em uma entrevista
sensacional no site da Caros Amigos.

Você
conhece uma banda chamada Udora (ex-Diesel)? Se não conhece,
trate de conhecer. Acesse aqui
e assista ao videoclipe da canção "Fade Away".
Não pude assistir direito, porque o Quicktime 6 é
muito avançado pro meu pré-histórico computador.
Mas o que pude escutar e ver me deixou impressionado.

Próximas
colunas prometem. Na minha mira estão os novos álbuns
do Radiohead, Wilco, John Frusciante, The Cure, The Coral, P.J.
Harvey, Interpol, Charlatans, Sonic Youth, Velvet Revolver, o novo
dvd do R.E.M., entre outros. Até!
Links
do Sukrilius:
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
sondazkavernas.blogspot.com
- blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante,
único programa da tv aberta para fãs de boa música.
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