q

Página principal de Nossos Colunistas
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 26 de julho de 2004 d.C.
 
Gol do Skank no primeiro minuto
Por Sukrilius
 

Acabou de sair por aqui o "Multishow ao vivo", do Skank. Este canal de tv a cabo viu que o filão da MTV estava dando lucro e resolveu pegar uma carona. E a banda, quis registrar a turnê do mais recente Cosmotron em dvd. Tudo bem, sem problemas. Só que o Skank recentemente (não faz muito tempo) lançou o Ao Vivo da MTV, com a gravação da turnê, do penúltimo disco de estúdio, o melhor deles na minha opinião, o Maquinarama (2000). Quer dizer, as únicas novidades no repertório são as canções do Cosmotron. É muito pouco, acho que deviam ter aguardado mais uns dois discos de estúdio, senão pode-se transformar na eterna lenga-lenga dos Engenheiros do Hawaii (quando acaba esse suplício??) ou no egocentrismo de uma Dave Matthews Band, que sempre lançam discos ao vivo.

A banda mudou, se antes era um trio de metais que participava de todo o show, agora são apenas dois, que só tocam nos hits antigos. Antes tinha um percussionista, agora foi brilhantemente substituído por um guitarrista. Isso só evidencia o que todos já sabem: o Skank mudou mesmo. Mas a banda pode.

Uma banda que já vendeu 5 milhões de discos se dá ao luxo de lançar um disco de estúdio com tiragem inicial de 50 mil cópias. Sim, os tempos são outros, mas o Skank não é uma banda nova que toda gravadora tem medo de apostar. É uma banda que já encheu os bolsos da gravadora e agora faz o que bem entender, sem ligar para as cifras.

Enfim, o time entra em campo sabendo da responsabilidade de vencer, com seus novos jogadores contratados, que deram à equipe um estilo de jogo mais inglês, com bolas alçadas na área, abandonando um estilo de jogo mais solto, mais livre, como o jamaicano.

No início do jogo, a banda já ataca com a beatle "Supernova", a que abre o mais recente disco de estúdio. Não é a melhor forma de começar uma partida, mas o time dá conta. "Por um Triz" pisa no gramado sob aplausos, pois joga com mais raça, tem mais ímpeto que a comportada versão do estúdio. "É Uma Partida de Futebol" é o tradicional e manjado hino futebolístico da banda. É como uma partida entre o Atlético-MG e o Flamengo, atualmente. Possui importância e tradição, mas já não atrai. É igual aquele jogador famoso que voltou da
Europa e que quer encerrar a carreira no seu "clube do coração". Joga com o nome, enquanto pode. Depois, um gol contra: "Esmola", hit antigo, desnecessário.

O jogo ganha emoção quando o Skank apresenta "Rebelião", com as duas guitarras fazendo barulho como no disco, a torcida aplaude. "Zé Trindade" ganhou um arranjo muito melhor que a versão original. O chute bateu na trave, percorreu a linha do gol, entrando no canto oposto.

Gol rasteiro no cantinho: "Formato Mínimo", com boa letra, baixo e teclado, conduzindo muito bem a banda. Em seguida o atacante recebe na área, mata no peito e faz um golaço: "As Noites" empolga pela beleza do lance, de todos os seus arranjos.

O adversário reage e o Skank comete um gol contra: "Jackie Tequila". Um grande hit, mas que não acrescenta nada na atual fase do time ops, banda. Seria como se os Beastie Boys cantassem "Fight for Your Right" até hoje ou se o Radiohead fizesse hoje um show sem nenhuma canção mais eletrônica. E Samuel ainda tentou evitar o lance, cantando "Chega Disso", totalmente em vão.

"Nômade" ficou infinitamente superior do que a versão original, que é chata e "cabeça". O final é de tirar o fôlego, com o atacante se deslocando até a linha de fundo e chamando o lateral pra dançar. Driblou e chutou no gol. Chutou fraco, "Balada do Amor Inabalável" veio correta, sem alterações, o goleiro fez uma defesa tranquila. Mas vacilou na reposição e o Skank balançou as redes com "Acima do Sol". A torcida ainda comemorava, mas a banda ampliou o placar com "Três Lados". O adversário estava acuado, quando da intermediária, o Skank arrisca e chute e o goleirão aceita: "Vou Deixar" marca um gol que explode de alegria o público presente. Virou goleada.

Entra então a "Garota Nacional" e o adversário desconta. Não quero defender a banda, mas esse insuportável e eterno hit pode virar a "Satisfaction" do Skank. Presença eterna em shows. Bom pra quem gosta dela. Eu não. Agora, o videoclipe é outro papo.

Estamos de volta após o anúncio dos nossos patrocinadores, agora a banda administra o placar esperando o final da partida. Toca a bola de lado, "só vai na boa". Passam "Amores Imperfeitos" (com um teclado um pouco alto), "Dois Rios", "Resposta", "Tão Seu" (bola na trave, quase um gol em uma jogada ensaiada, já antiga do time), "Saideira", "Pegadas na Lua" e "Canção Noturna". O time do Skank toma uma forte pressão do adversário, que busca mais um gol de qualquer forma.

E ele acontece, aos 45 minutos do segundo tempo, graças a uma bobeada incrível da equipe mineira, em retardar ao jogo ao repetir a música "Vou Deixar". A banda possui tantos hits, por que repetir a "música de sucesso"? Daqui a alguns anos, não terá o menor sentido a dupla presença desta música no dvd.

Tivemos alguns minutos a mais, quando a banda apresenta uma boa versão improvisada de "Te Ver", dois videoclipes recentes e um ótimo documentário sobre o processo de gravação do Cosmotron.

Enfim, a banda venceu a partida. O resultado foi justo, mas creio que o melhor dvd ao vivo da banda ainda está por vir, o centroavante matador ainda não chegou.

Avril Lavigne
Under My Skin

Ainda vai chegar a vez da Alanis ops, Avril Lavigne. Ela ainda fará um bom disco, quando amadurecer e seu público também. Ela é bonita e talentosa, mas precisa largar a imagem de punk de boutique (já basta a Kelly Osbourne) e seguir a carreira, quando muitos vão morder a língua. Seu primeiro disco deixa a desejar e o segundo também não convence. As únicas que gostei foram "Take Me Away" e essa praga que não sai do rádio, chamada "Don't Tell Me". No mais, punks rasteiros e sua voz soando enjoada, cansativa, até óbvia. Mas insisto que ela ainda lançará algo que preste.

Gene Simmons
Asshole

Só o título é bom. Se o Kiss andava decepcionando ultimamente, é porque ninguém escutou esse disco do Simmons, baixista da banda (ex-banda? Nunca se sabe). Tem cada coisa vergonhosa que só ouvindo pra acreditar. Já tomei um susto na segunda faixa, quando ele estraga "Firestarter", do Prodigy. Ainda insisti e consegui escutar até a 4ºfaixa, com algum sacrifício. Nas dez seguintes, só ouvi um pouco de cada canção e garanto que foi mais do que o suficiente. O que eu escutei vocês não acreditam, ele tenta fazer umas canções pop "ensolaradas". Não sei se rotulo como "ridículo" ou "sofrível".

The Libertines
The Libertines

Falaram tão bem do primeiro disco, Up the Bracket, que resolvi conferir o segundo, The Libertines. Não gostei. Sonoridade às vezes meio anos 80, às vezes fica mais punk, lembrando as piores coisas do Clash. O vocal é no estilo do Jarvis Coker (Pulp) e do Morrissey, só que infinitamente mais chato e metido a cool, engraçadinho. Será que eles nunca escutaram Blur?? Parecem irreverentes que devem estar se divertindo com todo o hype. Eu não achei graça nenhuma.

Belle & Sebastian
Fans Only

O grupo de "indie folk extremo" Belle and Sebastian lançou um dvd simplesmente magnífico. Indispensável para fãs, mas que também vale uma conferida de quem não conhece a carreira desta banda extremamente simpática de nerds de Glasgow. Todos os videoclipes, muitas entrevistas, várias faixas ao vivo, discografia entre muitas coisas deliciosas, recheiam este documentário de um pouco mais de duas horas de duração. Inclusive está registrada a passagam da banda pelo Brasil, com trechos do show no finado Free Jazz e no Programa do Jô (!). Vale a pena, principalmente pelos diálogos. E ainda por cima, você que tem fama de roqueiro, "faz um filme" com a sua família, porque tenho certeza de que aquela sua tia que só ouve MPB chata vai gostar.

Prodigy
Always Outnumbered, Never Outgunned

Depois de muito tempo, o Prodigy voltou quase repetindo a fórmula do excelente The Fat of the Land, de 1997. Mas se você (quase) repete fórmula, a chance de dar certo já não é a mesma, porque até pro próprio fã não soa como novidade. Sete anos depois, (quase) repetir a fórmula é um exagero. Ainda mais na música eletrônica, estilo tão variado para tantas experiências. Não que o disco seja ruim. O rock está lá (em menor quantidade), mergulhado nos beats, em alguns funks e até hip hop. Mas não tem a explosão, a fúria punk e toda a energia de um dos melhores discos de 1997. Em algumas faixas, o grupo ainda ensaia uma volta às origens house, fazendo um som bem mais dançante, sem guitarras. Destaques: "Spitfire", "Hotride", "Wake Up Call" e "Shoot Down" (com Liam Gallagher, do Oasis).

Joss Stone
Soul Sessions

Ela é linda. Tem apenas 17 anos e canta como uma diva da black music. E não se parece nem um pouco, pois é uma lourinha nascida em Dover, Inglaterra. Em um disco de regravações, canta soul music de uma forma arrepiante. Vocês devem conhecer a versão que ela fez da canção do White Stripes ("Fell in Love with a Boy"). É uma das piores canções do disco, mesmo assim é linda. Apaixone-se por ela e/ou por sua música. Os destaques são: "Super Duper Love", "Dirty Man", "Some Kind of Wonderful", "I Had a Dream", "All the Kings Horses" e "For the Love of You". Deite com sua namorada e divirta-se com ambas!

Dave Matthews Band
The Gorge

Dave Matthews Band acaba de lançar seu sexto ou sétimo disco ao vivo. A banda não é muito antiga, é do início da década de 90, mas os caras gostam de tocar ao vivo como ninguém. Você não conhece a banda? Imagine a versão pop do Dream Theather. Calma, eu explico: algo misturando folk, country, blues, jazz e rock. É por aí, mas sem aquela chatice do Dream Theater. Confesso, tem algumas coisas chatas na Dave Matthews Band (como um cara que toca um violino irritante) e algumas canções bocejantes, mas o grupo tem um leque de belíssimas músicas que, quando tocadas ao vivo, são de deixar qualquer um boquiaberto. Carter Beauford é um dos dez mais habilidosos bateristas da atualidade. Ele não é criativo, mas nunca vi alguém tocar com tanta eficiência uma bateria, é pura técnica. Comprove escutando a faixa "Two Step". O disco é triplo (saiu mais um dvd duplo também), não faltam faixas legais: "Rapunzel", "Drive In Drive Out", "Kit Kat Jam", "Lie in Our Graves", "Ants Marching", "Seek Up" e "Tripping Billies".

"Heroína, heroína, heroína... o Kurt Cobain era um cara
superdepressivo, com medo da fama e tinha ódio mortal de tudo aquilo. Não queria estar ali. Falei pra ele: 'você não tem culpa de ganhar 20 milhões de dólares, cara'. Ele só fazia cara de deprimido. E a Courtney, uma vaca, esculachando ele o tempo inteiro. E queriam heroína e eu: 'olha, heroína não sei, aqui é a terra da cocaína, isso é fácil arrumar'. Fiz uma balada com os caras, acho que eles nunca cheiraram tanto na vida deles. Entramos numa casa noturna que se chamava Dear Temple, ali na Augusta. Eu, o Kurt Cobain, a Courtney Love, o Flea (baixista do Red Hot Chilli Peppers), uma mina do Hole e as minas do L7. Chegou no lugar, o dono abaixou a porta: 'Quem está fora não entra, quem está dentro, não sai'. Eram quatro da manhã e saímos de lá às onze. Eles gostaram, depois até me colocaram no vídeo do Nirvana, o 'Sold Out'."

Quem falou foi João Gordo, em uma entrevista sensacional no site da Caros Amigos.

Você conhece uma banda chamada Udora (ex-Diesel)? Se não conhece, trate de conhecer. Acesse aqui e assista ao videoclipe da canção "Fade Away". Não pude assistir direito, porque o Quicktime 6 é muito avançado pro meu pré-histórico computador. Mas o que pude escutar e ver me deixou impressionado.

Próximas colunas prometem. Na minha mira estão os novos álbuns do Radiohead, Wilco, John Frusciante, The Cure, The Coral, P.J. Harvey, Interpol, Charlatans, Sonic Youth, Velvet Revolver, o novo dvd do R.E.M., entre outros. Até!

Links do Sukrilius:

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

sondazkavernas.blogspot.com - blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante, único programa da tv aberta para fãs de boa música.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Nove anos depois, Paralamas decepcionam
Lenny Kravitz passou da conta
Moldest: grata revelação
Ben Kweller muda e continua o mesmo
Incubus continua bom e inventivo
Confira textos mais antigos...