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Beagá, 05 de julho de 2004 d.C.
 
Nove anos depois, Paralamas decepcionam
Por Sukrilius
 

Considero Os Paralamas do Sucesso a melhor banda nacional dos anos 80. É um trio invejável, com excepcionais músicos (João Barone é uma referência pra qualquer baterista). O único senão é a voz de Herbert Vianna, que sempre foi limitadíssima.

Nos mais de 20 anos de carreira, não vou dizer que a banda só lançou bons discos. Existem alguns ruins, como o Bora Bora, que é quase um disco de axé. Mas os bons momentos aparecem em maior número como os álbuns Selvagem?, Cinema Mudo, Severino, Nove Luas, Hey Na Na e até o Longo Caminho. Isso sem contar o bom Acústico e o excelente ao vivo Vamo Batê Lata (1995), quando a banda tenta (e consegue) reconquistar o público nacional após uma bem-sucedida investida no mercado latino, especialmente o argentino.

Então, é lançado agora Uns Dias. O dvd se divide em duas partes: a primeira é razoavelmente boa, quando a banda (só os três) tocam em um palco pequeno. O repertório é mais cru, mais rock. A segunda parte é muito ruim. Não por causa dos músicos que acompanham a banda, mas o repertório e a forma que as canções são apresentadas, além de alguns convidados "ilustres".

As músicas são boas, apesar de muita coisa boa ter ficado de fora. Mas o vocal de Herbert, alguns arranjos equivocados (salientando as versões originais, mais pobres que releituras recentes, como por exemplo "Uns Dias") e participações dispensáveis atrapalham tudo. Sem contar os inexplicáveis problemas de áudio, com variações absurdas de volume. Mas vamos ao show.

"O Calibre": ótima música. Péssima versão ao vivo, com Herbert narrando a letra, de forma burocrática.

"Running on the Spot": clássico de Paul Weller (The Jam). Se salva, está tão boa quanto no álbum. A presença de Edgard Scandurra é oportuna e acrescenta bastante.

"Trac-Trac": ótima versão, principalmente o final. Scandurra e Barone dão um show.

"Mensagem de Amor": boa canção, com a banda demonstrando habilidade. Ótimo solo de guitarra, no final.

"Selvagem": excelente canção, muito bem executada. Mas faltou um pouco mais de peso, 'punch' na guitarra. Barone dá seu manjado show.

"Soldado da Paz": só de lembrar o que o Cidade Negra faz com esta música, ver o Paralamas tocando já é um alívio. A versão é muito boa, com Dado Villa-Lobos dando uma canja na guitarra e Barone, pra variar, mandando muito bem.

"Que País É Este": aproveitaram a presença do Dado tascando esta cover mais do que desnecessária. Poderia ter ficado ainda pior, mas o Dado (que canta mal) cantou algumas partes no lugar do Herbert.

"Seguindo Estrelas": balada do último disco. Bonitinha e nada mais.

"Meu Erro": hit bem executado, só com baixo, bateria e guitarra.

Agora vem a segunda parte do dvd, no palco grande...

"Cuide Bem do Seu Amor": ótima balada, boa versão, apesar do vocal ruim.

"Longo Caminho": singela e bonita canção, apesar (adivinha?) do vocal tenebroso. O final é horroroso.

"Tendo a Lua": outro hit, péssima versão. Péssimo áudio (teclado muito mais alto que a guitarra) e presença dispensável de Nando Reis que, mesmo com aquele voz irritante, canta melhor que o Herbert.

"Será Que Vai Chover?": outro hit oitentista. Quando começa a ficar ruim, eles emendam com "Assaltaram a Gramática", de Lulu Santos. Aí o nível caiu drasticamente. Depois deste tormento, Black Alien entra no palco com "O Filho Pródigo" e quase passa despercebido. Só melhorou porque não dava pra piorar.

"Dos Margaritas": meia-boca, muito abaixo da versão de 1995. Pule-a.

"Depois da Queda o Coice": depois de uma sequência ruim, essa música mediana é um alento. Mas o pior estava por vir.

"Ska": só de contar com a presença de George Israel (do QI de Abelha), já tira qualquer crédito.

"La Bella Luna": felizmente a presença de George aqui é mais discreta. Balada bonitinha e só.

"Uns Dias": a versão que a banda fez desta canção no Acústico (1999) é magnífica, meio ledzeppeliana. A versão original, é horrível. A versão original tocada de forma idêntica ao vivo com a participação do Frejat consegue, de uma forma inexplicável, talvez sobrenatural, ficar ainda pior, se isso é possível.

"Caleidoscópio": destruída com a combinação explosiva de Frejat e George Israel. Meu estômago não agüenta mais. A qualidade do áudio do dvd só contribui pro fiasco. É ruim demais, não dá pra ouvir o solo de guitarra do Herbert. Produção vergonhosa, se eu tivesse a loucura de comprar esse dvd, solicitaria um recall.

"Ela Disse Adeus": boa canção pop, um alívio no meio de uma seqüência tão infeliz.

"Lanterna dos Afogados": não gosto do Djavan, mas não dá pra negar que sua participação melhorou a canção, porque ele canta muito melhor do que o Herbert. O solo de guitarra no final não é longo e chato, o que é positivo.

"Uma Brasileira": aproveitando a presença do Djavan, emendam essa boba e descartável canção. Pule-a.

"O Beco": outro hit dos anos 80, com a participação do "ator" Paulo Miklos, dos Titãs. Sua performance no palco é cômica, sua voz não atrapalha.

"Alagados": ganhou um tempero latino, uma certa latinidade, tornando-a ridícula, horrorosa, dispensável. Um clássico que foi desmoronado por percussões e reclados.

"Lourinha Bombril": pra finalizar, outra música pop das mais desnecessárias. Ska pra lá de inofensivo, outra bobagem.

No bônus, tem o Andreas Kisser fazendo uma participação fictícia em "Mensagem de Amor" e cenas de bastidores.

Portanto, o repertório não foi bom. As participações não contribuíram no geral e o vocal do Herbert está insuportável. Além disso, uma produção porca, com um áudio de baixa qualidade. Os poucos bons momentos não justificam a aquisição deste dvd.

Não me surpreendi com o incidente envolvendo o Chorão (Charlie Brown Jr.) e o Marcelo Camelo (Los Hermanos). Chorão simplesmente demonstrou como ele é. Já que dentro da cabeça dele tem muito espaço vazio, o cara lê uma entrevista, interpreta de forma equivocada e vai tirar satisfações como um homem das cavernas. Pura ignorância.

Primeiramente, o Marcelo não citou o Chorão. Simplesmente falou que reprova o comportamento de bandas que se associam a marcas, como refrigerantes (como a banda dele e o Jota Quest). O Chorão, se fosse uma pessoa civilizada, iria até o Marcelo e conversaria com ele, como uma pessoa educada e decente. Mas não é o caso. Se antes eu reprovava o Charlie Brown Jr. pelas músicas e pela sua postura (como "vender" sua música pra Coca-Cola), agora tomei antipatia pessoal MESMO. Chorão agiu como uma criança que quer de qualquer forma tomar refrigerante, mesmo quando não pode. E faz pirraça.

Há um tempo, assisti um show do Dead Fish e gostei bastante. Fui então conferir o mais recente disco, Zero e Um. Muito bom! Hardcore da melhor qualidade, com uma bateria que parece uma máquina, um vocal rasgado, marcante e guitarras habilidosas, fugindo da mesmice do hardcore. Eu nem consigo compará-los com o CPM 22, pois a superioridade do Dead Fish é evidente e considerável. Destaques: "A Urgência", "Tão Iguais", "Zero e Um", "Sonhos Colonizados" e "Re-Aprender a Andar".

Falando em show, o Forgotten Boys fez uma apresentação espetacular aqui em BH, recentemente (após um bom show do Valv, deixo o registro). Eu não conhecia a banda e achei sensacional. Típico show de rock'n'roll, com ótimas músicas e covers respeitáveis de Kiss, Motorhead e a melhor versão de "Jumpin' Jack Flash" dos Rolling Stones que eu já ouvi.

Dia 28 de julho, o Enne (banda que produzo) toca no bar A Obra, a partir das 22 horas. Os ingressos custam apenas 3 reais. Informações: (31) 3215-8077.

Atenção pessoal de BH: dia 10 de julho tem show do Moldest, no Matriz. O evento, com outras bandas, está marcado para as 14 horas. Informações: (31) 3212-6122.

Vamos falar de Wimbledon. Na final masculina, um jogão. O suíço Roger Federer, número 1 do mundo, contra o estadunidense Andy Roddick, ex-número 1, atual número 2. Jogo disputadíssimo, de alto nível. Federer conquistou seu 3º Grand Slam com um incontestável 3 sets a 1.

No feminino, fiquei fã de uma nova jogadora. A russa Maria Sharapova, de apenas 17 anos, venceu na final por 2 sets a 0 a estadunidense Serena Williams, que tentava o terceiro título seguido na grama do All England Club. Além de um tênis de alta qualidade, a russa é linda. Virei fã, confiram:

Vamos falar de eleições. Independente de quem ganhar, o real vencedor das eleições para prefeito de Belo Horizonte é o atual governador, Aécio Neves. Ele apóia o inexperiente e fraco João Leite (PSB), líder das pesquisas. Apóia, apenas por orientação partidária. Mas mantém um ótimo relacionamento com o atual prefeito, Fernando Pimentel (PT), que tenta a reeleição. Inclusive, Aécio liberou recentemente uma vultuosa verba para obras, o que vai ajudar Pimentel. Para Aécio, o melhor é a vitória de João Leite sem a sua efetiva participação. Mas se Pimentel ou se o azarão Roberto Brant (deputado federal pelo PFL) ganhar, ele não se desgastará e seguirá firme pra concorrer em 2006 ao Planalto.

Em São Paulo, Marta Suplicy (PT) dependerá do PMDB pra vencer José Serra (PSDB), que é o favorito. Ela deve se controlar (cuidar da imagem, ser menos arrogante) pra ganhar os votos da Luiza Erundina (PSB) e do PMDB. Sem isso, ela perde. Paulo Maluf (PP), felizmente, é um figurante. Com sua alta rejeição, será presa fácil no segundo turno, se ele conseguir chegar até lá.

Na próxima coluna, falo sobre os últimos lançamentos de cds. Até!

Links do Sukrilius:

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

sondazkavernas.blogspot.com - blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante, único programa da tv aberta para fãs de boa música.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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