Considero Os Paralamas do Sucesso
a melhor banda nacional dos anos 80. É um trio invejável,
com excepcionais músicos (João Barone é uma
referência pra qualquer baterista). O único senão
é a voz de Herbert Vianna, que sempre foi limitadíssima.
Nos mais de 20 anos de carreira, não vou
dizer que a banda só lançou bons discos. Existem alguns
ruins, como o Bora Bora, que é quase um disco de
axé. Mas os bons momentos aparecem em maior número
como os álbuns Selvagem?, Cinema Mudo,
Severino, Nove Luas, Hey Na Na e até
o Longo Caminho. Isso sem contar o bom Acústico
e o excelente ao vivo Vamo Batê Lata (1995), quando
a banda tenta (e consegue) reconquistar o público nacional
após uma bem-sucedida investida no mercado latino, especialmente
o argentino.
Então, é lançado agora Uns
Dias. O dvd se divide em duas partes: a primeira é razoavelmente
boa, quando a banda (só os três) tocam em um palco
pequeno. O repertório é mais cru, mais rock. A segunda
parte é muito ruim. Não por causa dos músicos
que acompanham a banda, mas o repertório e a forma que as
canções são apresentadas, além de alguns
convidados "ilustres".
As
músicas são boas, apesar de muita coisa boa ter ficado
de fora. Mas o vocal de Herbert, alguns arranjos equivocados (salientando
as versões originais, mais pobres que releituras recentes,
como por exemplo "Uns Dias") e participações
dispensáveis atrapalham tudo. Sem contar os inexplicáveis
problemas de áudio, com variações absurdas
de volume. Mas vamos ao show.

"O Calibre": ótima música.
Péssima versão ao vivo, com Herbert narrando a letra,
de forma burocrática.
"Running on the Spot": clássico
de Paul Weller (The Jam). Se salva, está tão boa quanto
no álbum. A presença de Edgard Scandurra é
oportuna e acrescenta bastante.
"Trac-Trac": ótima versão,
principalmente o final. Scandurra e Barone dão um show.
"Mensagem de Amor": boa canção,
com a banda demonstrando habilidade. Ótimo solo de guitarra,
no final.
"Selvagem": excelente canção,
muito bem executada. Mas faltou um pouco mais de peso, 'punch' na
guitarra. Barone dá seu manjado show.
"Soldado da Paz": só de lembrar
o que o Cidade Negra faz com esta música, ver o Paralamas
tocando já é um alívio. A versão é
muito boa, com Dado Villa-Lobos dando uma canja na guitarra e Barone,
pra variar, mandando muito bem.
"Que País É Este": aproveitaram
a presença do Dado tascando esta cover mais do que desnecessária.
Poderia ter ficado ainda pior, mas o Dado (que canta mal) cantou
algumas partes no lugar do Herbert.
"Seguindo Estrelas": balada do último
disco. Bonitinha e nada mais.
"Meu Erro": hit bem executado, só
com baixo, bateria e guitarra.
Agora vem a segunda parte do dvd, no palco grande...
"Cuide Bem do Seu Amor": ótima
balada, boa versão, apesar do vocal ruim.
"Longo Caminho": singela e bonita canção,
apesar (adivinha?) do vocal tenebroso. O final é horroroso.
"Tendo a Lua": outro hit, péssima
versão. Péssimo áudio (teclado muito mais alto
que a guitarra) e presença dispensável de Nando Reis
que, mesmo com aquele voz irritante, canta melhor que o Herbert.
"Será Que Vai Chover?": outro hit
oitentista. Quando começa a ficar ruim, eles emendam com
"Assaltaram a Gramática", de Lulu Santos. Aí
o nível caiu drasticamente. Depois deste tormento, Black
Alien entra no palco com "O Filho Pródigo" e quase
passa despercebido. Só melhorou porque não dava pra
piorar.
"Dos Margaritas": meia-boca, muito abaixo
da versão de 1995. Pule-a.
"Depois da Queda o Coice": depois de uma
sequência ruim, essa música mediana é um alento.
Mas o pior estava por vir.
"Ska": só de contar com a presença
de George Israel (do QI de Abelha), já tira qualquer crédito.
"La Bella Luna": felizmente a presença
de George aqui é mais discreta. Balada bonitinha e só.
"Uns Dias": a versão que a banda
fez desta canção no Acústico (1999)
é magnífica, meio ledzeppeliana. A versão original,
é horrível. A versão original tocada de forma
idêntica ao vivo com a participação do Frejat
consegue, de uma forma inexplicável, talvez sobrenatural,
ficar ainda pior, se isso é possível.
"Caleidoscópio": destruída
com a combinação explosiva de Frejat e George Israel.
Meu estômago não agüenta mais. A qualidade do
áudio do dvd só contribui pro fiasco. É ruim
demais, não dá pra ouvir o solo de guitarra do Herbert.
Produção vergonhosa, se eu tivesse a loucura de comprar
esse dvd, solicitaria um recall.
"Ela Disse Adeus": boa canção
pop, um alívio no meio de uma seqüência tão
infeliz.
"Lanterna dos Afogados": não gosto
do Djavan, mas não dá pra negar que sua participação
melhorou a canção, porque ele canta muito melhor do
que o Herbert. O solo de guitarra no final não é longo
e chato, o que é positivo.
"Uma Brasileira": aproveitando a presença
do Djavan, emendam essa boba e descartável canção.
Pule-a.
"O Beco": outro hit dos anos 80, com a
participação do "ator" Paulo Miklos, dos
Titãs. Sua performance no palco é cômica, sua
voz não atrapalha.
"Alagados": ganhou um tempero latino,
uma certa latinidade, tornando-a ridícula, horrorosa, dispensável.
Um clássico que foi desmoronado por percussões e reclados.
"Lourinha Bombril": pra finalizar, outra
música pop das mais desnecessárias. Ska pra lá
de inofensivo, outra bobagem.
No bônus, tem o Andreas Kisser fazendo uma
participação fictícia em "Mensagem de
Amor" e cenas de bastidores.
Portanto, o repertório não foi bom.
As participações não contribuíram no
geral e o vocal do Herbert está insuportável. Além
disso, uma produção porca, com um áudio de
baixa qualidade. Os poucos bons momentos não justificam a
aquisição deste dvd.

Não me surpreendi com o incidente envolvendo
o Chorão (Charlie Brown Jr.) e o Marcelo Camelo (Los Hermanos).
Chorão simplesmente demonstrou como ele é. Já
que dentro da cabeça dele tem muito espaço vazio,
o cara lê uma entrevista, interpreta de forma equivocada e
vai tirar satisfações como um homem das cavernas.
Pura ignorância.
Primeiramente, o Marcelo não citou o Chorão.
Simplesmente falou que reprova o comportamento de bandas que se
associam a marcas, como refrigerantes (como a banda dele e o Jota
Quest). O Chorão, se fosse uma pessoa civilizada, iria até
o Marcelo e conversaria com ele, como uma pessoa educada e decente.
Mas não é o caso. Se antes eu reprovava o Charlie
Brown Jr. pelas músicas e pela sua postura (como "vender"
sua música pra Coca-Cola), agora tomei antipatia pessoal
MESMO. Chorão agiu como uma criança que quer de qualquer
forma tomar refrigerante, mesmo quando não pode. E faz pirraça.

Há um tempo, assisti um show do Dead Fish
e gostei bastante. Fui então conferir o mais recente disco,
Zero e Um. Muito bom! Hardcore da melhor qualidade, com
uma bateria que parece uma máquina, um vocal rasgado, marcante
e guitarras habilidosas, fugindo da mesmice do hardcore. Eu nem
consigo compará-los com o CPM 22, pois a superioridade do
Dead Fish é evidente e considerável. Destaques: "A
Urgência", "Tão Iguais", "Zero
e Um", "Sonhos Colonizados" e "Re-Aprender a
Andar".

Falando em show, o Forgotten Boys fez uma apresentação
espetacular aqui em BH, recentemente (após um bom show do
Valv, deixo o registro). Eu não conhecia a banda e achei
sensacional. Típico show de rock'n'roll, com ótimas
músicas e covers respeitáveis de Kiss, Motorhead e
a melhor versão de "Jumpin' Jack Flash" dos Rolling
Stones que eu já ouvi.

Dia 28 de julho, o Enne (banda que produzo) toca
no bar A Obra, a partir das 22 horas. Os ingressos custam apenas
3 reais. Informações: (31) 3215-8077.
Atenção pessoal de BH: dia 10 de julho
tem show do Moldest, no Matriz. O evento, com outras bandas, está
marcado para as 14 horas. Informações: (31) 3212-6122.

Vamos falar de Wimbledon. Na final masculina, um
jogão. O suíço Roger Federer, número
1 do mundo, contra o estadunidense Andy Roddick, ex-número
1, atual número 2. Jogo disputadíssimo, de alto nível.
Federer conquistou seu 3º Grand Slam com um incontestável
3 sets a 1.
No feminino, fiquei fã de uma nova jogadora.
A russa Maria Sharapova, de apenas 17 anos, venceu na final por
2 sets a 0 a estadunidense Serena Williams, que tentava o terceiro
título seguido na grama do All England Club. Além
de um tênis de alta qualidade, a russa é linda. Virei
fã, confiram:


Vamos falar de eleições. Independente
de quem ganhar, o real vencedor das eleições para
prefeito de Belo Horizonte é o atual governador, Aécio
Neves. Ele apóia o inexperiente e fraco João Leite
(PSB), líder das pesquisas. Apóia, apenas por orientação
partidária. Mas mantém um ótimo relacionamento
com o atual prefeito, Fernando Pimentel (PT), que tenta a reeleição.
Inclusive, Aécio liberou recentemente uma vultuosa verba
para obras, o que vai ajudar Pimentel. Para Aécio, o melhor
é a vitória de João Leite sem a sua efetiva
participação. Mas se Pimentel ou se o azarão
Roberto Brant (deputado federal pelo PFL) ganhar, ele não
se desgastará e seguirá firme pra concorrer em 2006
ao Planalto.
Em São Paulo, Marta Suplicy (PT) dependerá
do PMDB pra vencer José Serra (PSDB), que é o favorito.
Ela deve se controlar (cuidar da imagem, ser menos arrogante) pra
ganhar os votos da Luiza Erundina (PSB) e do PMDB. Sem isso, ela
perde. Paulo Maluf (PP), felizmente, é um figurante. Com
sua alta rejeição, será presa fácil
no segundo turno, se ele conseguir chegar até lá.

Na próxima coluna, falo sobre os últimos
lançamentos de cds. Até!
Links
do Sukrilius:
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
sondazkavernas.blogspot.com
- blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante,
único programa da tv aberta para fãs de boa música.
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