Sempre tive a fama de ser o colunista
"mais bonzinho" do site, por ser o único que "tolera"
(ou melhor, que gosta e defende) certos artistas.
Um deles é (quer dizer, era) Lenny Kravitz.
Ele acaba de lançar Baptism e eu joguei a toalha.
Já estava difícil de aturá-lo por ser "o
modelo a ser seguido" pelo Wilsom Sideral. Mas toda a sua pose,
pompa, bocas e fantasias não se justificam mais, agora a
imagem vale mais do que a música. Lenny já era.
Mas agora eu vou explicar o porquê desta decadência.
Kravitz já foi bom, aliás foi ótimo, relevante.
Ok, as estruturas de suas músicas são previsíveis,
riffs manjados e letras, clichês. Mas quem no pop rock não
faz isso? São poucos, admitam.
O debut foi o ótimo Let Love Rule,
de 1989. Já deixava claro todo o tempero de sua música:
rock'n' roll e soul. Neste disco, não dá pra não
gostar da bela "Let Love Rule", da balada de novela "My
Precious Love", a comportada "Does Anybody Out There Even
Care" e o delicioso funk (primeiro hit) "Mr. Cab Driver".
Em 1991, Kravitz lançou seu melhor disco
(e um dos melhores da década): Mama Said. Em uma
seqüência de belíssimas canções
e uma excelente produção, Kravitz alcança seu
auge criativo. O disco desfila pérolas pop, que emocionam
e empolgam. Destaco as porradas "Fields of Joy" e "Always
on the Run" (com Slash, do Guns N' Roses), a magnífica
balada "Stand By My Woman", o grande hit brega "It
Ain't Over 'Til It's Over", o "quase-jazz" "What
Goes Around Comes Around" e a emocionante "All I Ever
Wanted". Se você não gosta de Kravitz, deixe o
preconceito de lado e escute esse clássico.
Daí em diante, o cara começou a lançar
discos irregulares, com exceção deste Baptism
(2004) que é regular, pois ele é todo ruim. O primeiro
disco da "queda" foi Are You Gonna Go My Way
(1993), onde apenas a faixa-título, a ledzeppeliana "Is
There Any Love in Your Heart", e a trilha sonora de motel "Sugar"
valem ser conferidas. O resto é descartável.
Em 1995, Kravitz tem uma sutil recuperação
com o bom Circus. O disco é irregular, mas entre
algumas coisas ruins destacam-se as ótimas "Rock and
Roll is Dead", "Circus", "Tunnel Vision"
e a baladaça "Can't Get Off My Mind".
5 saiu em 1998. Foi um sucesso mundial,
graças ao hit "Fly Away". É um disco fraco,
onde eu apenas destaco as faixas "Live", o pop delicioso
de "I Belong to You" e a delicada "If You Can't Say
No".
Em seguida, a gravadora resolveu faturar e lançou
o Greatest Hits, que é oportuno, pois Kravitz é
um artista ruim de disco e bom de coletânea, além de
emplacar a melosa "Again" nas paradas.
Lenny foi lançado em 2001. Disco
ruim, onde os bons momentos se resumem em "Yesterday is Gone"
(boa balada), "Stillness of Heart" (pop radiofônico
típico de Lenny), o hit "Dig In" e o rockão
"Bank Robber Man". E só.
Agora
em 2004, Kravitz lança seu pior disco. Baptism é
ruim demais, não consegui gostar de nenhuma faixa. Se você
quer se arriscar, boa sorte.

Eu não me surpreendo com as mudanças
de visual do Kravitz, mas aquele cabelo tipo Outkast e o seu comportamento
tipo Little Richard no videoclipe da horrorosa "Where Are We
Runnin'" me intrigou. Se ele está apelando pra imagem,
é porque a música é ruim. É o famoso
"efeito Britney Spears". E o disco é ruim mesmo,
não canso de falar. Não nego que Kravitz seja talentoso.
Ele produz, faz os arranjos, letras e toca todos os instrumentos
dos seus discos. Mas parece que sua fórmula se desgastou,
chegou ao fim. Agora é aguardar se ele toma tento na vida
ou se perde pro resto da carreira.

Já que o Indiegesto perguntou: toda essa
babação de ovo sobre o Definitely Maybe,
do Oasis, que completa 10 anos de lançamento, é um
tremendo exagero. Sou muito fã da banda, não escondo
que Oasis é uma das minhas bandas favoritas. Mas colocar
o disco como a "melhor estréia de todos os tempos"
é forçar muito a barra.
Definitely Maybe é excelente, é
o disco mais cru, em que o Oasis explicita toda a sua veia rock'n'roll.
Das 11 faixas, com alguma dificuldade, eu descarto duas. As outras
nove são excepcionais, incluindo as fodonas "Rock'n'Roll
Star", Supersonic" e o hino "Live Forever".
Eu, particularmente, acho o disco What's the Story? Morning
Glory (o maior e mais belo exemplo do britpop) e o barulhento,
complexo e injustiçado Be Here Now ainda melhores
que o Definitely Maybe. Acho essas homenagens exageradas,
mas a estréia do Oasis definitivamente foi excepcional. Sem
talvez.

Dia 4 de julho, próximo domingo, o Enne (banda
que eu produzo) tocará no aniversário de 4 anos do
Matriz, aqui em Belo Horizonte. O evento começa às
13 horas, mas dificilmente nós entraremos no palco antes
das 17 horas, pois são muitas bandas (14). Os ingressos custam
7 reais na hora e 6 reais antecipado, comigo. Quem quiser entre
em contato pelo sukrilius@abacaxiatomico.com.br.
No dia 28 de julho, o Enne tocará no bar
A Obra (aqui em BH), junto com a banda Hífen. Os ingressos
custam apenas 3 reais e o show está marcado para as 22 horas.
Só lembrando a galera de São Paulo,
capital: o Moldest (banda bacana daqui de BH) toca na Tribe House,
em Pinheiros. Será no sábado, dia 3 de julho, às
15h30. Não percam!

Não sou expert em cinema, mas ultimamente
vi dois filmes sensacionais que já saíram de cartaz,
então vale a pena a locação: Kill Bill:
Vol. 1 e 21 Gramas.

Vocês
viram a escalação do Glastonbury Festival deste ano?
É de chorar. Olha só o que rolou neste último
final de semana:
Sexta-feira:
Oasis, Wilco, Spiritualized, P.J. Harvey, Groove Armada e Chemical
Brothers.
Sábado:
Paul McCartney, Starsailor, Ben Harper e Joss Stone.
Domingo:
Muse, Morrissey, Belle & Sebastian e Gomez.
Pouco, né?

Boa notícia para quem gosta de boa música:
o Creed acabou. Aê!!!!

"Come as You Are" nunca foi uma das minhas
preferidas do Nirvana, nunca achei a música lá grande
coisa. Mas depois de ouvir a versão literalmente destruidora
do Caetano, comecei a achar a versão original simplesmente
magnífica... Inclusive, acho que foi após escutar
esta "homenagem" que eu comecei a ficar doente, o que
me deixou de cama por uma semana... O Caetano me paga!

Muita gente está babando ovo desta nova "sensação
britânica", o Keane. Eu achei bem ruinzinho. É
pra quem gosta de Coldplay e Travis. Mas é bem mais enjoado,
tem uns elementos eletrônicos que irritam bastante.
Se você gosta desse tal de "new acoustic",
cria gatos em casa e abre aquele sorriso quando olha pro céu
carregado, suponho que há uma boa possibilidade de você
gostar deles. Eu estou esperando o próximo disco. Este "Hopes
and Fears" não me convenceu de jeito nenhum.

Brizola ultimamente só falava besteira. Mas
não dá pra negar a importância deste chato pra
política no Brasil. Como estudante de ciência política,
poderia escrever um texto sobre essa "figura", mas não
tenho motivação pra isso. Brizola fez muita bobagem
durante toda a sua vida pública. O que eu exalto nele é
que até as bobagens ele fazia com uma convicção
invejável, coisa rara na política hoje.

Na próxima coluna, falo de vários
discos bacanas que foram lançados ultimamente. Até!
Links
do Sukrilius:
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.moldest.com
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
sondazkavernas.blogspot.com
- blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante,
único programa da tv aberta para fãs de boa música.
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