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Beagá, 14 de abril de 2003 d.C.

 
Alegre-se com Zwan
Por Sukrilius
 

Vocês devem se lembrar dos Smashing Pumpkins, uma das bandas mais influentes da década passada. Aliás, entra fácil no meu ranking das dez melhores bandas de rock norte-americanas da década de 90. Os Pumpkins, liderados por Billy Corgan, fizeram uma bela história, que chegou a seu termo em dezembro de 2000.

Daí surge o Zwan. Além de Corgan, o batera Jimmy Chamberlain também está nesta empreitada. Algumas coisas do Zwan lembram a antiga banda, para a alegria daqueles que não fazem nada, só comparações: uma mulher toca baixo e um guitarrista possui traços orientais. Paz Lechantin (fez parte do A Perfect Circle) é a baixista, e não gosta de conversar em inglês, só em espanhol. David Paso e Matt Sweeney são os outros guitarristas. Sim, são três guitarristas.

Apesar disso, o som da banda é muito mais alegre e mais pop do que a melancolia e depressão roqueira dos Smashing Pumpkins. Talvez não haja canções tão lindas e radiofônicas como "1979" ou "Perfect", mas também não há nada que chegue nas porradas como "Zero", "X.Y.U." ou "The Everlasting Gaze". E há pouquíssimos resquícios da época grunge dos Pumpkins, das pérolas do rock'n'roll "Gish" e "Siamese Dream".

O som fica no meio-termo. A diferença é que Billy Corgan canta e compõe com alegria, algo que ele nunca fez na época dos Pumpkins. É um disco ensolarado, que espanta as nuvens carregadas de outrora.

As canções se parecem bastante, mas como vocês já estão acostumados com meus termos repetitivos e minha habitual redundância, vou prosseguir:

Zwan
Mary Star of the Sea

"Lyric": o disco já começa com uma das melhores músicas. Boas guitarras, bateria bem solta, vocal e segunda voz se completam e refrão perfeito.

"Settle Down": reza da mesma cartilha, ótimas guitarras, outro rock'n'roll que pode tocar nas malditas "rádio rocks" brasileiras.

"Declarations of Faith": Zwan inaugura o "pop/rock com três guitarras". No refrão, Billy Corgan mostra que continua fiel ao New Order.

"Honestly": linda. Música de trabalho, escolha acertada. Melodia que vai crescendo, te contagiando. É um tipo de música que é boa de cantar, a letra acompanha o clima da melodia. Não dá pra cansar.

"El Sol": balada pra ouvir no carro, cantando junto com a namorada, enquanto o vento vai batendo no rosto e o sol agonizando no horizonte. Resquícios do Smashing Pumpkins, mas com um tom mais "up", mais alegre.

"Of a Broken Heart": pára tudo! Desde já, uma das melhores músicas do ano. Balada pra dar inveja aos "baladeiros" Coldplay e Travis. A melhor do disco, de zero a dez merece onze. Ótima pra ouvir em um dia chuvoso e frio.

"Ride a Black Swan": outro rock'n'roll dos bons. Destaque para a bateria empolgante de Chamberlin.

"Heartsong": balada mais climática, com teclado. Ficará melhor quando a banda Djali Zwan ficar pronta - a "versão folk do Zwan".

"Endless Summer": alguém aí conhece o disco Machina II - The Enemies and Friends of Modern Music, que os Smashing Pumpkins lançaram apenas na internet, assim que a banda acabou? Essa canção poderia ser facilmente encontrada lá, no meio daqueles b-sides bacanas. Rock'n'roll tradicional: solos de guitarra, viradas de bateria e uma melodia mais triste, mais Pumpkins.

"Baby, Let's Rock": rock pra rádio, bateria cadenciada, vocal legal. Enfim, uma bela canção pop, com ótimos riffs de guitarra.

"Yeah!": pop/rock com boas guitarras, mas não empolga tanto.

"Desire": excelente balada, só não é a melhor do disco porque existe uma canção chamada "Of a Broken Heart".

"Jesus, I / Mary Star of the Sea": são duas músicas em uma só, durando 14 minutos. Prato cheio para os fãs e para aqueles que odeiam as músicas "intermináveis" de Billy Corgan. "Jesus, I" é meio chatinha, mas melhora no fim, quando Chamberlin começa a improvisar, junto com a guitarra-solo de Corgan. Após uma levada mezzo hipnótica mezzo psicodélica (fase Mellon Collie... dos Pumpkins), lá pelos 8 minutos começa a faixa-título, o melhor rock do disco. É uma jam session, como nos melhores shows dos Pumpkins. Nem precisava, mas Jimmy Chamberlain comprova toda a sua habilidade. Rock um pouco mais pesado, com muita distorção, pra viajar.

"Come With Me": canção mais folk, belíssima, alegre e serena, encerrando um disco muito bacana e feliz.

O Zwan não veio pra salvar nem pra revolucionar o rock. Billy Corgan (com sua nova trupe) veio reassumir sua posição de destaque no rock atual. Sem mais abóboras.

Suede acabou de lançar A New Morning. Falaram tão mal do disco que eu fiquei com um pé atrás. Pô, o disco é legal. Não, o Suede não está mais no auge, mas as músicas ainda são belíssimas, graças ao vocal do Brett Anderson, que continua sensacional. Quer escutar algumas? Baixe "Untitled... Morning", "Streetlife", "Astrogirl" e o primeiro single, "Positivity".

Já o Linkin Park não mudou nada. Meteora é new-metal pra tocar no rádio: previsível e fraco. Mas o disco possui algumas coisas legais: o vocalista admite que usa Pro Tools (trocando em miúdos: o que você ouve no rádio é a voz "digital" dele. A voz real deve ter metade da potência) e o encarte é legal. Já que o cara não canta nada, os shows devem ser horríveis, pois toda a melodia da banda está em torno dos vocais fortes e computadorizados. Um de seus hits ("Crawling") é um bom exemplo.

A cada dia que passa, vou gostando mais do novo disco do Radiohead, o Hail to the Thief (em "homenagem" ao Bush). Quando o álbum for lançado, dia 9 de junho, será o melhor disco do ano, disparado (haha).

Não, não vou falar sobre a guerra. Já falei muito. Agora, eu só quero ver como o Iraque vai ficar...

E o Barrichello? É até difícil defendê-lo, porque ele só se dá mal. Mas há uma explicação: em virtude das fortes chuvas, a equipe perdeu contato (telemetria) com o piloto brasileiro. Então, começou a calcular o combustível dos seus dois carros baseando-se nos dados que chegavam do carro do Schumacher. Quando o alemão saiu da prova, eles tiveram que fazer as contas na ponta do lápis. Só que alguém lá errou a conta. E o brasileiro parou uma volta e meia antes de entrar nos boxes.

Claro, por que não entrou antes, para correr menos riscos? Também me pergunto. É um bom piloto, mas está precisando tomar um banho de sal grosso. Sai uruca!

O importante é que a F-1 voltou a ficar emocionante, competitiva. Ótimos pilotos estão surgindo, mostrando que o "império Schumacher" está caindo. Aliás, o alemão está confirmando a fama de sempre errar quando está pressionado - é o tal "aperta que ele peida".

Próxima coluna: vários discos novos (tributo aos Ramones, White Stripes, Ben Harper, Cardigans) e outras bobagens...

Links do Sukrilius:

www.uol.com.br/folha/pensata - coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão, só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola" e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas que poucos conhecem são recomendadas por ele.

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).

www.soundmagazine.com.br - outro site muito legal, que fala principalmente sobre música.

www.britrockgroup.hpg.ig.com.br - Britrockgroup é uma lista de discussão do Yahoogrupos sobre rock britânico e eu sou um dos moderadores desta lista.

www.udora.net e www.valv.dk - Sites de duas das melhores bandas de rock do país.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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