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Vocês
devem se lembrar dos Smashing Pumpkins, uma das bandas mais influentes
da década passada. Aliás, entra fácil no meu ranking das dez melhores
bandas de rock norte-americanas da década de 90. Os Pumpkins, liderados
por Billy Corgan, fizeram uma bela história, que chegou a seu termo
em dezembro de 2000.
Daí
surge o Zwan. Além de Corgan, o batera Jimmy Chamberlain também
está nesta empreitada. Algumas coisas do Zwan lembram a antiga banda,
para a alegria daqueles que não fazem nada, só comparações: uma
mulher toca baixo e um guitarrista possui traços orientais. Paz
Lechantin (fez parte do A Perfect Circle) é a baixista, e não gosta
de conversar em inglês, só em espanhol. David Paso e Matt Sweeney
são os outros guitarristas. Sim, são três guitarristas.
Apesar
disso, o som da banda é muito mais alegre e mais pop do que a melancolia
e depressão roqueira dos Smashing Pumpkins. Talvez não haja canções
tão lindas e radiofônicas como "1979" ou "Perfect", mas também não
há nada que chegue nas porradas como "Zero", "X.Y.U." ou "The Everlasting
Gaze". E há pouquíssimos resquícios da época grunge dos Pumpkins,
das pérolas do rock'n'roll "Gish" e "Siamese Dream".
O som
fica no meio-termo. A diferença é que Billy Corgan canta e compõe
com alegria, algo que ele nunca fez na época dos Pumpkins. É um
disco ensolarado, que espanta as nuvens carregadas de outrora.
As
canções se parecem bastante, mas como vocês já estão acostumados
com meus termos repetitivos e minha habitual redundância, vou prosseguir:

Zwan
Mary Star of the Sea
"Lyric":
o disco já começa com uma das melhores músicas. Boas guitarras,
bateria bem solta, vocal e segunda voz se completam e refrão perfeito.
"Settle
Down": reza da mesma cartilha, ótimas guitarras, outro rock'n'roll
que pode tocar nas malditas "rádio rocks" brasileiras.
"Declarations
of Faith": Zwan inaugura o "pop/rock com três guitarras". No refrão,
Billy Corgan mostra que continua fiel ao New Order.
"Honestly":
linda. Música de trabalho, escolha acertada. Melodia que vai crescendo,
te contagiando. É um tipo de música que é boa de cantar, a letra
acompanha o clima da melodia. Não dá pra cansar.
"El
Sol": balada pra ouvir no carro, cantando junto com a namorada,
enquanto o vento vai batendo no rosto e o sol agonizando no horizonte.
Resquícios do Smashing Pumpkins, mas com um tom mais "up", mais
alegre.
"Of
a Broken Heart": pára tudo! Desde já, uma das melhores músicas do
ano. Balada pra dar inveja aos "baladeiros" Coldplay e Travis. A
melhor do disco, de zero a dez merece onze. Ótima pra ouvir em um
dia chuvoso e frio.
"Ride
a Black Swan": outro rock'n'roll dos bons. Destaque para a bateria
empolgante de Chamberlin.
"Heartsong":
balada mais climática, com teclado. Ficará melhor quando a banda
Djali Zwan ficar pronta - a "versão folk do Zwan".
"Endless
Summer": alguém aí conhece o disco Machina II - The Enemies and
Friends of Modern Music, que os Smashing Pumpkins lançaram apenas
na internet, assim que a banda acabou? Essa canção poderia ser facilmente
encontrada lá, no meio daqueles b-sides bacanas. Rock'n'roll tradicional:
solos de guitarra, viradas de bateria e uma melodia mais triste,
mais Pumpkins.
"Baby,
Let's Rock": rock pra rádio, bateria cadenciada, vocal legal. Enfim,
uma bela canção pop, com ótimos riffs de guitarra.
"Yeah!":
pop/rock com boas guitarras, mas não empolga tanto.
"Desire":
excelente balada, só não é a melhor do disco porque existe uma canção
chamada "Of a Broken Heart".
"Jesus,
I / Mary Star of the Sea": são duas músicas em uma só, durando 14
minutos. Prato cheio para os fãs e para aqueles que odeiam as músicas
"intermináveis" de Billy Corgan. "Jesus, I" é meio chatinha, mas
melhora no fim, quando Chamberlin começa a improvisar, junto com
a guitarra-solo de Corgan. Após uma levada mezzo hipnótica mezzo
psicodélica (fase Mellon Collie... dos Pumpkins), lá pelos
8 minutos começa a faixa-título, o melhor rock do disco. É uma jam
session, como nos melhores shows dos Pumpkins. Nem precisava, mas
Jimmy Chamberlain comprova toda a sua habilidade. Rock um pouco
mais pesado, com muita distorção, pra viajar.
"Come
With Me": canção mais folk, belíssima, alegre e serena, encerrando
um disco muito bacana e feliz.
O Zwan
não veio pra salvar nem pra revolucionar o rock. Billy Corgan (com
sua nova trupe) veio reassumir sua posição de destaque no rock atual.
Sem mais abóboras.

Suede
acabou de lançar A New Morning. Falaram tão mal do disco
que eu fiquei com um pé atrás. Pô, o disco é legal. Não, o Suede
não está mais no auge, mas as músicas ainda são belíssimas, graças
ao vocal do Brett Anderson, que continua sensacional. Quer escutar
algumas? Baixe "Untitled... Morning", "Streetlife", "Astrogirl"
e o primeiro single, "Positivity".

Já
o Linkin Park não mudou nada. Meteora é new-metal pra tocar
no rádio: previsível e fraco. Mas o disco possui algumas coisas
legais: o vocalista admite que usa Pro Tools (trocando em miúdos:
o que você ouve no rádio é a voz "digital" dele. A voz real deve
ter metade da potência) e o encarte é legal. Já que o cara não canta
nada, os shows devem ser horríveis, pois toda a melodia da banda
está em torno dos vocais fortes e computadorizados. Um de seus hits
("Crawling") é um bom exemplo.

A cada
dia que passa, vou gostando mais do novo disco do Radiohead, o Hail
to the Thief (em "homenagem" ao Bush). Quando o álbum for lançado,
dia 9 de junho, será o melhor disco do ano, disparado (haha).

Não,
não vou falar sobre a guerra. Já falei muito. Agora, eu só quero
ver como o Iraque vai ficar...

E o
Barrichello? É até difícil defendê-lo, porque ele só se dá mal.
Mas há uma explicação: em virtude das fortes chuvas, a equipe perdeu
contato (telemetria) com o piloto brasileiro. Então, começou a calcular
o combustível dos seus dois carros baseando-se nos dados que chegavam
do carro do Schumacher. Quando o alemão saiu da prova, eles tiveram
que fazer as contas na ponta do lápis. Só que alguém lá errou a
conta. E o brasileiro parou uma volta e meia antes de entrar nos
boxes.
Claro,
por que não entrou antes, para correr menos riscos? Também me pergunto.
É um bom piloto, mas está precisando tomar um banho de sal grosso.
Sai uruca!
O importante
é que a F-1 voltou a ficar emocionante, competitiva. Ótimos pilotos
estão surgindo, mostrando que o "império Schumacher" está caindo.
Aliás, o alemão está confirmando a fama de sempre errar quando está
pressionado - é o tal "aperta que ele peida".

Próxima
coluna: vários discos novos (tributo aos Ramones, White Stripes,
Ben Harper, Cardigans) e outras bobagens...
Links
do Sukrilius:
www.uol.com.br/folha/pensata
- coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão,
só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola"
e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas
que poucos conhecem são recomendadas por ele.
www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.6emeia.cjb.net
- zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos,
livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor
e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).
www.soundmagazine.com.br
- outro site muito legal, que fala principalmente sobre música.
www.britrockgroup.hpg.ig.com.br
- Britrockgroup é uma lista de discussão do Yahoogrupos sobre rock
britânico e eu sou um dos moderadores desta lista.
www.udora.net
e www.valv.dk -
Sites de duas das melhores bandas de rock do país.
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