q

Página principal de Nossos Colunistas
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 14 de junho de 2004 d.C.
 
Moldest: grata revelação
Por Sukrilius
 

Coluna atípica. Desculpem, prometi escrever sobre outras bandas, mas na próxima coluna não escaparei deste compromisso. Esta deve ser a minha coluna mais difícil, desde que comecei a escrever aqui (nem me recordo, acho que em 2001).

Muito simples. É bem desconfortável para mim, fazer uma resenha de uma banda que eu conheço bem. Aliás, conheço muito bem: sou amigo de todos os integrantes. Pensei muito em não escrever esta coluna, em deixar passar em branco o lançamento de Soundtrack for a Walk, demo de estréia deste quarteto daqui de BH. Aliás, confesso que ainda não me convenci se realmente vale a pena. Escrevo essas linhas imbuído pelo espírito do site de escrever sobre o que realmente eu penso e mandar às favas todas as conseqüências. Mas vai ser estranho, ou engraçado. Tenho certeza que eles vão ler este texto (e vários amigos que temos em comum) esperando elogios, o que seria algo óbvio demais, algo digno de fã. Reconheço que admiro as composiões do Moldest (acho que o André, o vocalista e guitarrista base, que faz a maioria das melodias, tem uma certa dose de felicidade em elaborar arranjos e letras) mas não posso escrever um texto como um fã da banda, sendo envolvido pelo coração e não pela razão. Senão vou tecer elogios pra lá de exagerados e vou também falar mal com veemência quase sádica. Tenho que encontrar um meio termo. Mas reconheço que não é fácil. Coloquem-se na minha situação: você frequenta ensaios, convive com os caras peregrinando por bares, ajuda em shows e até envia letras. Então, a demo cai na sua mão. Você fala mal? Geralmente não, né? Mas vou falar, sim. Talvez esta seja a "vantagem da desvantagem". Tenho mais liberdade pra falar mal das coisas que não gosto, pois os caras me conhecem e sabem que não falo por "apenas falar mal" (aliás, tem gente que insiste em dizer que o ABACAXI ATÔMICO segue este linha, o que significa um elementar erro de interpretação, ou falta de QI mesmo...).

Então é isso. Desculpem pela enrolação, mas precisava deixar isso em pratos limpos. Não sei se tenho algo a ganhar com isso, mas farei uma análise totalmente fria do álbum. A banda pode até estranhar, mas creio que vai achar legal depois, pois o que vou falar, serve para o bem do grupo. Não vou falar pra "eles acabarem logo porque tal coisa é muito ruim" ou algo assim. Tem males que vêm para o bem. Calma, não digo que vou espinafrar o disco, apenas serei eu mesmo, o Tomaz ops, Sukrilius. Serei o mais honesto possível, mas reconheço que continua sendo uma tarefa pra lá de desconfortável. Inclusive, vocês podem ver que lá embaixo, eu recomendo o Moldest, ao lado do Udora, Valv e Hurtmold (o Enne, minha banda, eu não coloquei porque o nosso site www.enne.com.br ainda não está pronto).

Se eu comparo o Moldest com essas bandas? De jeito nenhum. Essas três bandas são bem melhores que o Moldest. Mas é uma tremenda covardia comparar bandas já rodadas, que estão fazendo shows desde sei lá quando, com uma banda que mal possui um ano de existência e está na primeira demo... Udora, Valv, Hurtmold e Moldest (nessa ordem) são as quatro bandas nacionais que mais gosto (estão faltando Los Hermanos e Pato Fu, mas esses não precisam da minha "divulgação"), pois não conto o Enne, que está "no sangue". Posso estar sendo repetitivo, mas não coloco o Moldest ao lado desses três. Apenas coloco como uma banda muito legal, com músicas muito boas, que me agradam à beça. E isso é mais do que suficiente pra eu "linká-los". Quanta enrolação, né... Nem comecei a falar da banda...

Então vamos ao que interessa: a banda é formada por André (Parma) na voz e guitarra base; Francis no baixo; Arthur (Tut) na guitarra solo e Ícaro na bateria. É muito difícil definir o estilo da banda. Eu arrisco no indie rock mesmo, pois vejo nítidas influências do Valv. Mas dá pra ouvir alguns ecos de britpop, rock alternativo e de hardcore. A demo Soundtrack for a Walk foi gravada nos meses de abril e maio no estúdio Decibéis, daqui de Belo Horizonte. Aí, na minha concepção, já começou o erro da banda. Deixe-me explicar: a banda ganhou um festival aqui em BH. O prêmio foi um período (quatro horas) gratuito neste estúdio. A banda aproveitou e gravou ao vivo sete músicas que entraram na demo. Depois, eles gravaram as vozes e fizeram alguns acertos. Gravar ao vivo é sempre muito complicado. Muitos erros surgem e nem todos são notados na primeira audição. E este estúdio não oferece todos os recursos de um estúdio "de ponta". Portanto, escutando as faixas, é nítida uma sensação de que "poderia ter ficado muito melhor". A qualidade da gravação é bem mediana, às vezes é ruim mesmo.

Mas a qualidade das canções superam todas essas dificuldades. Eu fico me lamentando, achando que eles poderiam fazer uma "pré-produção" neste estúdio e aguardar o momento certo, em um estúdio certo pra gravar a demo. Mas que banda faz isso? Nós, do Enne, ainda quando a banda se chamava 4Sale, gravamos a nossa primeira demo em condições semelhantes. Portanto, não fico culpando a banda pela escolha (aliás, eu fico, mas não tanto como antes). Acho que a qualidade da gravação deixa bastante a desejar, mas quem não tem "ouvido cirúrgico" talvez não perceba alguns deslizes, que são muito mais culpa do cara que produziu o disco do que da própria banda. Como não sou técnico de som, vou falar das canções. E essas, são mesmo muito boas! Faixa por faixa, Soundtrack for a Walk, do Moldest:

"Livin' Again": Acelerada, ótima pra começar um discol. No refrão, a guitarra me agrada bastante sendo sutil, leve. A melhor parte é o final quando a canção ganha força na parte "I passed many years of my life / waiting for a chance / living again the same things / forgetting my revenges" e depois desboca no refrão, agressivo e sedutor.

"Bury Itself": Riff inicial, barulho e calmaria. Nesta última parte, entra a letra. O baixo é sutil e bacana, mas sempre chama atenção, pois ficou em um volume um pouco acima do que estou acostumado (bom para os baixistas, hehe). A música não me empolga muito, mas o final me alegra: entra um efeito de voz bacana duelando com riffs de guitarra e firulas de baixo. Então, a música fica bem legal, bem agitada até o final.

"Farewell, Welcome": Canção mais calma. A melodia não me agrada muito, mas a letra é maravilhosa. A guitarra solo toca os mesmos acordes de uma forma que se repete demais. O refrão ilustra muito bem como a letra é bela: "So welcome to the new world where you are important / This life is very short we got to be our own boss / No one in the town can upset our will / They will always try to guess what we really feel". Simples e muito bonito, não precisa de mais nada. Depois, vem um bom solo de guitarra e o refrão novamente, que enche os ouvidos com as duas guitarras se completando. No final, se arrasta um pouco, mas não compromete.

"The State That I Am In": Já aqui a letra não me agrada nem um pouco, pois não diz nada. Talvez seja a intenção. A melodia é muito boa, até a bateria (que não me convence muito) eu acho bacana. O destaque é o solo de baixo no meio da música, excelente.

"Relief": Minha preferida. Empolgante, só não gosto do efeito da guitarra solo no início da canção. Essa eu recomendo bastante. A letra é legal, o refrão é muito bom, com riffs e uma levada muito boa, fatal pra quem gosta de boa melodia.

"The Day After": A melhor do disco. Mais calma, bem singela. Ótima letra, bons arranjos. Se aproxima das melhores baladas do britpop. Essa é uma típica canção que deve ser destinada para as mulheres, pois a música é trilha sonora ideal de bons momentos. O final lembra um pouco Radiohead da fase "The Bends" com um riff muito legal de guitarra que acompanha o refrão e leva a canção até o final, belíssimo.

"Etc...": A letra é muito boa ("It's sunday and the sun seen not shine / Living this way no one can feel fine / I remember now our last embrace / It was on a sunday that i couldn't see your face"). A melodia alterna momentos bem interessantes com outros mais frios. A parte boa é o final, acelerado e bacana. O Moldest, conseguiu um equilíbrio bem interessante: colocou as melhores letras nas melodias mais suaves, onde a letra chama mais atenção; já nas faixas mais agitadas, onde a letra não fica tão perceptível, a melodia se sobressai.

No soulseek estou disponibilizando todas as faixas da banda. Meu nick é tomaz.enne, mas acho mais conveniente você comprar o disco, que custa apenas 5 reais. Entre em contato com a banda pelo info@moldest.com ou no site www.moldest.com.

Aproveito o jabá pra informar que eles vão tocar no bar A Obra, aqui em BH, dia 16 de Junho. E no dia 3 de Julho, tocam na Tribehouse, em São Paulo. Provavelmente eu vou com eles, para "fazer contatos" em Sampa.

Como já dizia o Cacau, baterista da minha banda: "Não conheço quem não gosta do Moldest. As melodias são muito boas e não saem da sua cabeça de jeito nenhum". Pode ser que você não goste da banda, aliás não acho isso impossível. Pode ser que a banda acabe e eles não lancem mais absolutamente nada, mas esse registro, mesmo com suas deficiências na esfera técnica, deixa claro que temos aqui uma das bandas mais promissoras do cenário nacional. Se vai dar certo, eu não sei. Mas que são bons, eu não tenho dúvida.

Esta coluna foi atípica. Na próxima coluna, volto com a "programação normal", com resenhas e outras coisas interessantes (ou não) da música. Até lá!

Links do Sukrilius:

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.moldest.com - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

sondazkavernas.blogspot.com - blog do meu amigo Terence Machado, do programa Alto Falante, único programa da tv aberta para fãs de boa música.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Ben Kweller muda e continua o mesmo
Incubus continua bom e inventivo
Teenage Fanclub para iniciantes
Ilustres desconhecidos de 2003
Red Hot ao vivo, Frusciante além
Confira textos mais antigos...