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Que
o Rage Against the Machine (RATM) acabou, todo mundo já sabe. Mas
só agora saiu o que os fãs mais queriam: um disco ao vivo. Claro,
bootlegs foram feitos (eu tenho um, chamado The Battle of Indio,
California), mas faltava um material oficial, de qualidade.
A gravadora,
sedenta por lucro, não titubeou e acabou de lançar o Live at
the Grand Olympic Auditorium, com material dos dois derradeiros
shows da banda, gravados nos dias 12 e 13 de setembro de 2000, em
Los Angeles.
É,
há males que vêm para o bem. Este disco é mais do que necessário.
O RATM sempre foi uma banda pra se escutar ao vivo. No palco, Zack
De La Rocha afia ainda mais seu discurso e a banda despeja toda
a sua fúria de uma forma ainda mais latente.
Ouvir
o RATM sempre foi empolgante e esse disco traz à tona toda essa
energia, toda essa raiva, a essência de uma das mais aclamadas bandas
dos anos 90. É desnecessário tecer elogios ao guitarrista Tom Morello
(e seus riffs inconfundíveis) e á "cozinha" da banda (eu queimei
minha língua, o batera é realmente muito bom...), além da presença,
carisma e devoção com que Zack de La Rocha canta as letras. Nitidamente,
a banda estava "defendendo sua causa", nota-se uma nítida ideologia,
eles não estavam apenas "tocando as canções de uma forma burocrática".
Os músicos batalhavam pelo o que acreditavam, através do som e das
suas letras.
Aliás,
ainda acreditam, mas no Audioslave eles resolveram separar a política
da música. De qualquer forma, esse é um outro assunto.

O tracklist
é um primor, as principais canções estão lá: "Bulls on Parade",
"Born of a Broken Man", "Killing on the Name", "Testify", "Bombtrack",
"Sleep Now in the Fire", "People of the Sun", "Guerrilla Radio",
"Know Your Enemy", "Bullet in the Head", "Calm Like a Bomb", "No
Shelter", "War Within' a Breath", "Freedom", além das covers para
"I'm Housin'" e "Kick Out the Jams".
Enfim,
se você quer um disco de rock empolgante pra te embalar nas festas
de fim ano, esse é um álbum mais do que recomendado.

Outros
lançamentos:
Ryan
Adams
Rock N Roll
O
Ryan Adams simplesmente fez o disco de rock'n'roll que o Strokes
não fez. É um disco perfeito para quem quer simplesmente ouvir isso
aí mesmo: rock'n'roll cru, básico, com bons riffs. Confesso que
prefiro a fase antiga do cara, como do disco Gold (2001),
quando ele flertava com o country e o folk. Mas mesmo em outra praia,
Ryan Adams fez um discaço, empolgante pra ouvir em casa e pra dirigir
em alta velocidade. Os destaques são: "This is It", "1974", "Wish
You Were Here", "So Alive", "Luminol" e "Boys". "Shallow" é, desde
já, uma das melhores músicas do ano.
Stone
Temple Pilots
Thank You
O
Stone Temple Pilots acabou e lançou uma coletânea de arrasar. A
banda, que conseguiu sair da sombra do Pearl Jam (coisa que muita
banda ainda não conseguiu), possui um emaranhado de belas canções,
presentes principalmente nos seus primeiros álbuns. Na coletânea,
está tudo lá. Impossível dar um destaque, só clássicos do rock dos
anos "90-00": "Vasoline", "Down", "Wicked Garden", "Big Empty",
"Plush", "Big Bang Baby", "Creep", "Lady Picture Show", "Trippin'
on a Hole in a Paper Heart", "Interstate Love Song", "Days of the
Week" e "Sour Girl".
O melhor
é o dvd bônus: mais de 3 horas de material! São 16 faixas ao vivo,
14 videoclipes e 12 bootlegs (faixas raras ao vivo com qualidade
inferior, como a parceria com o Aerosmith na excelente "Sweet Emotion",
com o Steven Tyler e o Joe Perry), além de fotos e bastidores. Altamente
recomendado, vale cada suado centavo.
P.O.D
Payable On Death
É
o melhor disco dos caras, o que não quer dizer muita coisa (nota
4 em 10). O vocal continua irritando. De resto, é new-metal datado
e previsível (não é ruim, mas nada acrescenta). A melhor faixa é
a instrumental "Eternal". Como estou bonzinho, ainda recomendo "Change
the World" e "Sleeping Awake".
Iggy
Pop
Skull Ring
Iggy
Pop chama os Stooges e os Trolls pra tocarem com ele. O álbum é
cru, sujo, punk e agressivo, tudo bem do jeito Iggy Pop. Hives parece
música da Xuxa quando se escuta "Loser". O Green Day vira banda
de apoio nas excelentes "Private Hell" e "Supermarket". Até a porcaria
da Peaches não faz feio, dividindo os vocais em duas canções. O
Sum 41 é melhor como banda de apoio do Iggy Pop (na ótima "Little
Know It All") do que sozinhos. De resto, mais sujeira e punk rock
dos melhores. Um dos melhores discos do ano. Ponto.
Pearl
Jam
Lost Dogs
Coletânea
de b-sides e raridades de uma das mais importantes bandas de rock
da última década. Alguém aí que é muito fã do Pearl Jam pode me
explicar a ausência dos b-sides do Vitalogy? E apenas um
b-side do Yield e vários do Binaural?
De
qualquer forma, a banda possui lados b excelentes e outros nem tanto
(principalmente, os singles para os fã-clubes). No cd 1, destaco:
"Down" e "Undone" (do Riot Act); "Hitchhiker" e "Education"
(do Binaural); "You" (do No Code); "Leavin Here" (da
coletânea Home Alive); "Hold On" (do Vs.) e "Yellow
Ledbetter" (do Ten).
No
cd 2, as melhores são: "Other Side" (do Riot Act); "Hard
to Imagine" (do Vs.); "Wash", "Dirty Frank" e "Brother" (do
Ten) e a manjada "Last Kiss". O encarte, como não poderia
deixar de ser, é maravilhoso.
Manic
Street Preachers
Lipstick Traces
Coletânea
de covers, b-sides, raridades e faixas ao vivo dos "Manics", uma
das bandas mais bacanas do cenário britânico, desde o rock farofa
até o puro britpop. Vamos aos destaques do cd 1: "4 Ever Delayed"
e "Judge Yr'self" (as únicas inéditas), "Prologue to History", "Sculpture
of Man", "Strip It Down" e "Valley Boy".
No
cd 2, ótimas covers para "Rock and Roll Music" (Chuck Berry), "It's
So Easy" (Guns n' Roses), "Out of Time" (Rolling Stones), "Raindrops
Keep Falling on My Head" (Burt Bacharach) e "Train in Vain" (The
Clash). Não gostei das releituras para "Been a Son" (Nirvana) e
"What's My Name" (The Clash), mas não tem problema, o saldo é positivo.
E com uma peculiar bizarrice: a releitura de "Last Christmas", do
Wham!, antigo grupo do George Michael. A música é horrível, mas
temos que considerar o esforço da banda em melhorá-la...

Tive
o prazer de conhecer pessoalmente o B Negão. Se todos os artistas
tivessem essa simpatia e (principalmente) simplicidade, as coisas
seriam bem diferentes. Mesmo não sendo muito adepto do estilo de
som que o cara toca, acabei virando fã.

Na
próxima semana, escrevo sobre o ducentésimo trigésimo quarto disco
ao vivo do Dave Matthews Band. E também sobre os novos do Travis
e Offspring, além da coletânea do No Doubt. Se der tempo, falo ainda
sobre as coletânea do Red Hot Chili Peppers e sobre os novos discos
do Blink 182 e Linkin Park, que ainda nem escutei. Se não der, fica
pra Fevereiro, pois na última semana do ano farei uma coluna com
um ranking dos melhores lançamentos de 2003. E em janeiro eu dou
um tempo, porque ninguém é de ferro...
Links
do Sukrilius:


www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.britrockpost.blogger.com.br
- Blog que participo, sobre rock inglês.
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.4sale.kit.net
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Menina Enciclopédia, também comparsa do ABACAXI
ATÔMICO. Música, cinema, só coisas interessantes.
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
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