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Beagá, 10 de novembro de 2003 d.C.

 
"Refribandas"
Por Sukrilius
 

Depois de uma triste e inesperada pausa, estamos de volta. Hoje, falo sobre várias coisas totalmente diferentes. O título é um termo usado pelo ótimo jornalista Arthur Couto Duarte, do Estado de Minas. É um dos tópicos dessa coluna - hoje, mais variada que pizza portuguesa.

Qual é a credibilidade de um vocalista que canta "que se foda essa porra de sociedade" e discrimina quem não usa uma garrafinha ridícula em miniatura da Coca-Cola? Usando a linguagem popular, assim como ocorreu com o Fanta Quest, o Charlie Brown Jr. "se vendeu". Abriu mão de seu bem mais precioso (sua música), abriu mão da sua imagem, de seu controle artístico, da sua dignidade, por cifras. É até compreensível que o pessoal da banda esteja evitando dar entrevistas. É falta de vergonha na cara, mesmo. Eu mesmo não teria coragem. A música deixou de ser arte e virou produto, virou um jingle, virou uma referência para um produto.

A música que acredito e gosto não é feita pra esse fim. Se a banda cantou que "o jovem no Brasil não é levado a sério", a própria banda confirmou esta frase ao gravar aquele comercial, onde o jovem só é aceito, identificado pelos demais, se usar um determinado apetrecho. Não gosto de muitas bandas, mas minhas divergências são geralmente na esfera "musical", onde eu respeito o trabalho do artista, mesmo se não me agrada. O Charlie Brown Jr. (assim como o Fanta Quest) ultrapassa essa barreira. Já é um atrito ideológico mesmo, não dá pra engolir.

Em tempo: a Coca-Cola foi um dos principais patrocinadores do Video Music Brasil, da MTV. Quem foi o principal ganhador da noite? Ah, bom.

Da água pro vinho: esqueci de falar sobre o show do Los Hermanos, no dia 4 de Outubro, aqui em BH. Show excelente, casa cheia. A banda começou e encerrou o show com suas duas canções que mais gosto ("O Vencedor" e "A Flor", respectivamente). Encontrei mais amigos nesse show do que nas minhas festas de aniversário, hahah. Tinha de tudo: indies que queriam se exibir, roqueiros (gente até com a camisa do Diesel!) e os chatos neo-mpbistas, que pediam pra tocar "Samba a Dois" porque eles queriam sambar. Argh!

Momento mea-culpa, algo que todos os jornalistas musicais deveriam fazer, mas que a grande maioria não faz pra manter uma "reputação", uma imagem tão sólida como um castelo de areia (muitas vezes). Reconhecer um erro é mais nobre que não errar. Depois de um tempo (meses, até anos), alguns discos começam a te demonstrar sua verdadeira face, muito depois de você divulgar sua opinião até então "definitiva".

By the Way, do Red Hot Chili Peppers
Este álbum foi elogiado de uma forma discreta neste espaço. Agora, só agora digo com todas as palavras que o disco é muito bom, mesmo. O Red Hot envelheceu, é uma heresia comparar By the Way com clássicos como BloodSugarSexMagik ou Mother's Milk. Mas ouça-o sem parâmetros, é bom demais. As harmonias vocais e a guitarra criativa do Frusciante conseguiram seu espaço ao lado da melhor cozinha (baixo + bateria) do universo pop/rock.

Diorama, do Silverchair
Falei mal do disco, considerei pretensioso e exagerado. Enfim, reconheço seu valor, seus detalhes. É muito bem trabalhado, a produção é luxuosa até demais. Por isso, desdenhei. Agora, meus ouvidos já aceitam tranqüilamente. A então chata "Luv Your Life" ganha nova vida se você prestar bastante atenção nos detalhes, nos arranjos orquestrados. É o melhor disco deles? Ainda não acho, haha. Quem sabe daqui a um ano ou dois?

Sumday, do Grandaddy
Disse que não é o melhor disco do Grandaddy. Me enganei. É sim, e com um pé nas costas.

O Jornal da MTV continua patético. É impressionante como a emissora mantém no ar algo tão vazio. Metade do programa são videoclipes, que o Edgard ou o Rafa gostam. As dicas de discos feitas pelo Edgard são no mínimo superficiais, simplórias, até engraçadas. Servem pra preencher espaço. O Rafa, realmente é um capítulo à parte.

Com certeza, alguém lá dentro (e só essa pessoa) gosta MUITO dele. Não gostaria de ofendê-lo, mas o rapaz parece um debilóide, coitado. O cara não leva jeito, ele deveria escrever e não apresentar... Ele não fica à vontade na frente da câmera, fala rápido demais (às vezes não dá pra entender), é confuso e gagueja. O seu quadro é de dar pena. Alguém falou que ele tem umas sacadas "geniais" (não é, Lúcio Ribeiro?) e o rapaz acreditou. Eu acho o quadro dele ainda mais engraçado que as pegadinhas sacanas do nefasto João Kléber. Torço para que, no próximo ano, o Jornal volte a ser semanal (apresentado pela Penélope, por favor) e com drops diários. E sem esse quadro com a tal "visão peculiar que só o Rafa tem". Prefiro ser cego do que ter essa "visão". O bom senso agradece.

O Indiegesto vai rir de mim, mas tenho gostado muito de bandas Emo. São bandas que tem letras tristes, amorosas, melosas em uma base hardcore (emocore) ou não. Os vocais são sensíveis, lembra um pouco a turma do "new-acoustic" que tanto gosto, como Travis, Doves e Coldplay.

Gostei bastante do The Starting Line, emocore muito legal, bom pra digerir e pra fazer amor (yeah!). Na onda mais calma, recomendo os manjados Dashboard Confessional e The Early November. Quem está me aplicando nesses sons é o Cacau, baterista do Enne (ex-4Sale), banda que produzo. Não falei nada?

Puxa, como ando sumido. O 4Sale mudou de nome. Como já existe uma banda com esse nome (na Europa), achamos melhor mudarmos. Agora é Enne, um nome que considero bem legal. A minha explicação pro nome é a relação com o som da banda, inclassificável, difícil de rotular, como uma incógnita, como um "n". Entenderam? Mais detalhes virão, aguardem.

O abacaxinauta Vitor Rogers está me cobrando um texto que prometi escrever. Inclusive, já propus esse tema pro Luiz, da Revista Zero: como escutar um disco. Sério! Ouça o novo do Spiritualized, por exemplo. Ou algum disco do Travis, do Massive Attack, em pé. Talvez você não vá curtir tanto. Se você estiver deitado e, principalmente, de olhos fechados, a música te dá outra sensação, você a recebe de outra forma, por um outro canal. Agora, pegue o novo do Metallica: não tem a menor graça escutá-lo deitado! Enfim, são músicas que fazem a ocasião. Você coloca um disco pra tocar e se adapta a ele, e não o contrário. Depois falo mais sobre isso...

Obrigado a todos que me escreveram: Veruska Oliveira (uma fã do Jota Quest que sabe escrever, que legal!), Rafael Freire, Coelho da banda Armpyt, Laércio Muniz, Evandro (de Botucatu-SP), XXXXXX XXXXX (namorada do meu grande amigo Cássio Bretas) e Hugo Leonardo. São pessoas que escrevem e não apenas xingam de uma forma infantil e rasa, como o Roberto Eustáquio:

"...eu não vou envolver sua mãe, porque eu não sou babaca como vc, tive a oportunidade de ver seus comentários sobre o cd novo do jota quest, e cheguei a seguinte conclusão vc é um idiota que não trepa, não tem amigos, ou faz isso, uma profissão que suja o jornalismo, mas eu não vou mais perder tempo com vc panaca, um grande chute na sua bunda".

E ele ainda mentiu, pois no subject xingou a minha mãe. Eu tenho pena de caras como ele...

Sem mais delongas, vou falar sobre alguns novos discos de uma forma superficial, como vocês já estão acostumados:

Limp Bizkit
Results May Vary
Sem novidades no front. Uma ou outra faixa boa no meio do lixo. O chato do Fred Durst finalmente lançou seu disco e não sei o porquê de tanta demora. Das 16 faixas, salvam-se 3 ou 4. Com muita boa vontade, recomendo duas: "Underneath the Gun" e "Build a Bridge".

The Rapture
Echoes
The Rapture é mais uma banda que copia Gang of Four, pra agradar críticos, principalmente quem é crítico musical e DJ, pois o disco é excelente para as pistas. É rock de garagem com elementos dançantes, bem clichê. O vocal é chato demais, mas o disco tem duas canções lindas: "Love is All" e "Open Up Your Heart". E só.

Dave Matthews
Some Devil
Primeiro disco solo do líder do Dave Matthews Band. Um pouco menos elaborado (menos "chato", diria quem não é fã do Dave Matthews Band), o disco é calminho. Às vezes esbarra nas chatices de um Sting (sem a world music descartável), mas o cara tem boa voz, toca bem e tem uma boa banda por trás. As canções são bem parecidas, vão agradar aos fãs da banda do cara, mas é um disco pra agregar novos fãs, talvez mais adultos. O disco é legalzinho, mas nada demais. É um disco bom pra namorar (enfim, uma boa definição). E falando em Dave Matthews Band, vem aí o enésimo disco ao vivo. Desta vez, um DVD duplo e um disco triplo. Haja grana!

A coluna ficou grande demais! Nas próximas, falo sobre os novos discos do Spiritualized, A Perfect Circle, David Bowie, Neil Young, Evan Dando, 311, The Coral, Sepultura, Chemical Brothers e Belle & Sebastian. Até!

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.britrockpost.blogger.com.br - Blog que participo, sobre rock inglês.

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.4sale.kit.net - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes, além de elogios a este site (aí é demais, hein?).

dyingdays.net/index.html - site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente indispensável.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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