|
Depois
de uma triste e inesperada pausa, estamos de volta. Hoje, falo sobre
várias coisas totalmente diferentes. O título é um termo usado pelo
ótimo jornalista Arthur Couto Duarte, do Estado de Minas.
É um dos tópicos dessa coluna - hoje, mais variada que pizza portuguesa.

Qual
é a credibilidade de um vocalista que canta "que se foda essa porra
de sociedade" e discrimina quem não usa uma garrafinha ridícula
em miniatura da Coca-Cola? Usando a linguagem popular, assim como
ocorreu com o Fanta Quest, o Charlie Brown Jr. "se vendeu". Abriu
mão de seu bem mais precioso (sua música), abriu mão da sua imagem,
de seu controle artístico, da sua dignidade, por cifras. É até compreensível
que o pessoal da banda esteja evitando dar entrevistas. É falta
de vergonha na cara, mesmo. Eu mesmo não teria coragem. A música
deixou de ser arte e virou produto, virou um jingle, virou uma referência
para um produto.
A música
que acredito e gosto não é feita pra esse fim. Se a banda cantou
que "o jovem no Brasil não é levado a sério", a própria banda confirmou
esta frase ao gravar aquele comercial, onde o jovem só é aceito,
identificado pelos demais, se usar um determinado apetrecho. Não
gosto de muitas bandas, mas minhas divergências são geralmente na
esfera "musical", onde eu respeito o trabalho do artista, mesmo
se não me agrada. O Charlie Brown Jr. (assim como o Fanta Quest)
ultrapassa essa barreira. Já é um atrito ideológico mesmo, não dá
pra engolir.
Em
tempo: a Coca-Cola foi um dos principais patrocinadores do Video
Music Brasil, da MTV. Quem foi o principal ganhador da noite? Ah,
bom.

Da
água pro vinho: esqueci de falar sobre o show do Los Hermanos, no
dia 4 de Outubro, aqui em BH. Show excelente, casa cheia. A banda
começou e encerrou o show com suas duas canções que mais gosto ("O
Vencedor" e "A Flor", respectivamente). Encontrei mais amigos nesse
show do que nas minhas festas de aniversário, hahah. Tinha de tudo:
indies que queriam se exibir, roqueiros (gente até com a camisa
do Diesel!) e os chatos neo-mpbistas, que pediam pra tocar "Samba
a Dois" porque eles queriam sambar. Argh!

Momento
mea-culpa, algo que todos os jornalistas musicais deveriam fazer,
mas que a grande maioria não faz pra manter uma "reputação", uma
imagem tão sólida como um castelo de areia (muitas vezes). Reconhecer
um erro é mais nobre que não errar. Depois de um tempo (meses, até
anos), alguns discos começam a te demonstrar sua verdadeira face,
muito depois de você divulgar sua opinião até então "definitiva".
By
the Way, do Red Hot Chili Peppers
Este álbum foi elogiado de uma forma discreta neste espaço. Agora,
só agora digo com todas as palavras que o disco é muito bom, mesmo.
O Red Hot envelheceu, é uma heresia comparar By the Way com
clássicos como BloodSugarSexMagik ou Mother's Milk.
Mas ouça-o sem parâmetros, é bom demais. As harmonias vocais e a
guitarra criativa do Frusciante conseguiram seu espaço ao lado da
melhor cozinha (baixo + bateria) do universo pop/rock.
Diorama,
do Silverchair
Falei mal do disco, considerei pretensioso e exagerado. Enfim, reconheço
seu valor, seus detalhes. É muito bem trabalhado, a produção é luxuosa
até demais. Por isso, desdenhei. Agora, meus ouvidos já aceitam
tranqüilamente. A então chata "Luv Your Life" ganha nova vida se
você prestar bastante atenção nos detalhes, nos arranjos orquestrados.
É o melhor disco deles? Ainda não acho, haha. Quem sabe daqui a
um ano ou dois?
Sumday,
do Grandaddy
Disse que não é o melhor disco do Grandaddy. Me enganei. É sim,
e com um pé nas costas.

O
Jornal da MTV continua patético. É impressionante como a
emissora mantém no ar algo tão vazio. Metade do programa são videoclipes,
que o Edgard ou o Rafa gostam. As dicas de discos feitas pelo Edgard
são no mínimo superficiais, simplórias, até engraçadas. Servem pra
preencher espaço. O Rafa, realmente é um capítulo à parte.
Com
certeza, alguém lá dentro (e só essa pessoa) gosta MUITO dele. Não
gostaria de ofendê-lo, mas o rapaz parece um debilóide, coitado.
O cara não leva jeito, ele deveria escrever e não apresentar...
Ele não fica à vontade na frente da câmera, fala rápido demais (às
vezes não dá pra entender), é confuso e gagueja. O seu quadro é
de dar pena. Alguém falou que ele tem umas sacadas "geniais" (não
é, Lúcio Ribeiro?) e o rapaz acreditou. Eu acho o quadro dele ainda
mais engraçado que as pegadinhas sacanas do nefasto João Kléber.
Torço para que, no próximo ano, o Jornal volte a ser semanal
(apresentado pela Penélope, por favor) e com drops diários. E sem
esse quadro com a tal "visão peculiar que só o Rafa tem". Prefiro
ser cego do que ter essa "visão". O bom senso agradece.

O
Indiegesto vai rir de mim, mas tenho gostado muito de bandas Emo.
São bandas que tem letras tristes, amorosas, melosas em uma base
hardcore (emocore) ou não. Os vocais são sensíveis, lembra um pouco
a turma do "new-acoustic" que tanto gosto, como Travis, Doves e
Coldplay.
Gostei
bastante do The Starting Line, emocore muito legal, bom pra digerir
e pra fazer amor (yeah!). Na onda mais calma, recomendo os manjados
Dashboard Confessional e The Early November. Quem está me aplicando
nesses sons é o Cacau, baterista do Enne (ex-4Sale), banda que produzo.
Não falei nada?

Puxa,
como ando sumido. O 4Sale mudou de nome. Como já existe uma banda
com esse nome (na Europa), achamos melhor mudarmos. Agora é Enne,
um nome que considero bem legal. A minha explicação pro nome é a
relação com o som da banda, inclassificável, difícil de rotular,
como uma incógnita, como um "n". Entenderam? Mais detalhes virão,
aguardem.

O
abacaxinauta Vitor Rogers está me cobrando um texto que prometi
escrever. Inclusive, já propus esse tema pro Luiz, da Revista
Zero: como escutar um disco. Sério! Ouça o novo do Spiritualized,
por exemplo. Ou algum disco do Travis, do Massive Attack, em pé.
Talvez você não vá curtir tanto. Se você estiver deitado e, principalmente,
de olhos fechados, a música te dá outra sensação, você a recebe
de outra forma, por um outro canal. Agora, pegue o novo do Metallica:
não tem a menor graça escutá-lo deitado! Enfim, são músicas que
fazem a ocasião. Você coloca um disco pra tocar e se adapta a ele,
e não o contrário. Depois falo mais sobre isso...

Obrigado
a todos que me escreveram: Veruska Oliveira (uma fã do Jota Quest
que sabe escrever, que legal!), Rafael Freire, Coelho da banda Armpyt,
Laércio Muniz, Evandro (de Botucatu-SP), XXXXXX XXXXX (namorada
do meu grande amigo Cássio Bretas) e Hugo Leonardo. São pessoas
que escrevem e não apenas xingam de uma forma infantil e rasa, como
o Roberto Eustáquio:
"...eu
não vou envolver sua mãe, porque eu não sou babaca como vc, tive
a oportunidade de ver seus comentários sobre o cd novo do jota quest,
e cheguei a seguinte conclusão vc é um idiota que não trepa, não
tem amigos, ou faz isso, uma profissão que suja o jornalismo, mas
eu não vou mais perder tempo com vc panaca, um grande chute na sua
bunda".
E
ele ainda mentiu, pois no subject xingou a minha mãe. Eu tenho pena
de caras como ele...

Sem
mais delongas, vou falar sobre alguns novos discos de uma forma
superficial, como vocês já estão acostumados:
Limp
Bizkit
Results May Vary
Sem novidades no front. Uma ou outra faixa boa no meio do lixo.
O chato do Fred Durst finalmente lançou seu disco e não sei o porquê
de tanta demora. Das 16 faixas, salvam-se 3 ou 4. Com muita boa
vontade, recomendo duas: "Underneath the Gun" e "Build a Bridge".
The Rapture
Echoes
The Rapture é mais uma banda que copia Gang of Four, pra agradar
críticos, principalmente quem é crítico musical e DJ, pois o disco
é excelente para as pistas. É rock de garagem com elementos dançantes,
bem clichê. O vocal é chato demais, mas o disco tem duas canções
lindas: "Love is All" e "Open Up Your Heart". E só.
Dave
Matthews
Some Devil
Primeiro disco solo do líder do Dave Matthews Band. Um pouco menos
elaborado (menos "chato", diria quem não é fã do Dave Matthews Band),
o disco é calminho. Às vezes esbarra nas chatices de um Sting (sem
a world music descartável), mas o cara tem boa voz, toca bem e tem
uma boa banda por trás. As canções são bem parecidas, vão agradar
aos fãs da banda do cara, mas é um disco pra agregar novos fãs,
talvez mais adultos. O disco é legalzinho, mas nada demais. É um
disco bom pra namorar (enfim, uma boa definição). E falando em Dave
Matthews Band, vem aí o enésimo disco ao vivo. Desta vez, um DVD
duplo e um disco triplo. Haja grana!

A
coluna ficou grande demais! Nas próximas, falo sobre os novos discos
do Spiritualized, A Perfect Circle, David Bowie, Neil Young, Evan
Dando, 311, The Coral, Sepultura, Chemical Brothers e Belle &
Sebastian. Até!
Links
do Sukrilius:


www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.britrockpost.blogger.com.br
- Blog que participo, sobre rock inglês.
www.udora.com,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.4sale.kit.net
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blogger.com.br
-
blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes,
além de elogios a este site (aí é demais, hein?).
dyingdays.net/index.html
- site em português especializado em rock dos anos 90. Simplesmente
indispensável.
|