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Beagá, 20 de outubro de 2003 d.C.

 
Meus discos de cabeceira
Por Sukrilius
 

Nos últimos dias, escutei os novos álbuns das bandas Nickelback, Rancid, Smash Mouth e da cantora Dido. Algo que achei em comum nesses discos (aliás, seria a única coisa) é que todos eles são "discos que não vão mudar sua vida". Entende? Todos esses artistas citados já lançaram coisas melhores e esses álbuns são razoáveis (estou sendo bonzinho com alguns), vão apenas preencher catálogo.

Agora, existem alguns discos que mudam sua vida. Claro, às vezes não muda "a vida", mas muda sua percepção, você começa a escutar música de uma forma diferente, enfim. São obras que, quando acabei de escutar, notei algo fora do comum, percebi que havia algo naquele trabalho que mexeu comigo. É difícil explicar o que acontece, recomendo que, se puder, você ouça e comprove.

Já antecipo que bandas "queridas da crítica" como Sonic Youth, Pixies, Teenage Fanclub, Jesus & Mary Chain, The Cure, Smiths, Echo & The Bunnymen, U2, Ramones e Velvet Underground estão ausentes. Reconheço a importância de todas, poderia citar vários discos bacanas dessas bandas. Mas esta lista não é de melhores discos, e sim de discos que, em algum momento da minha vida, de alguma forma chamaram minha atenção, naquele momento me fizeram parar pra pensar naquela obra.

Portanto, segue uma relação em ordem alfabética. E apenas um disco por artista, senão eu colocaria vários dos Beatles, Stones, R.E.M. Radiohead...

Alanis Morissette - Jagged Little Pill (1995)
A Alanis jamais fará um disco melhor do que esse. Uma série de hits sem forçar a barra, sem fazer um pop forçado como ela e também sua "filha", Avril Lavigne, fazem atualmente.

Beastie Boys - Check Your Head (1992)
Para mais detalhes, leia a Zero nº9 (ahhah...).

Beatles - Abbey Road (1969)
Poderia ser qualquer um pós-Revolver. Coloquei esse, pois foi meu primeiro disco da banda, ainda em vinil.

Beck - Odelay (1996)
Beck Hansen fez um disco maravilhoso, unindo rock, eletrônico, hip hop e alguns sons inclassificáveis.

Ben Harper - Diamonds on the Inside (2003)
É o disco da afirmação de Harper como compositor. Sempre lançou bons discos, mas dessa vez o cara caprichou.

Blur - Blur (1997)
Difícil escolher um do Blur. Com certeza, o Blur (capa amarela) foi o disco que mais escutei, e não foi por causa de "Song 2"... Aqui, a banda largou o britpop e resolveu fazer o que mais gosta: experimentar. Deu certo.

Bob Dylan - Highway 61 Revisited (1967)
O mestre dá aula de folk- rock. Ponto final.

Cardigans - The First Band on the Moon (1996)
Essa banda da maravilhosa Nina Persson vai muito além de "Lovefool". "Pop" e "qualidade" podem andar juntos.

Charlatans - Us and Us Only (1999)
Enquanto os fãs preferem a fase inicial (Madchester), eu só me convenci da competência da banda com esse disco, que não canso de ouvir. Discaço.

Clash - London Calling (1979)
Divertido, alucinante, indispensável. Só isso.

Cranberries - To the Faithful Departed (1996)
O Cranberries sempre foi mais eficiente quando os membros estavam com problemas, tristes. No auge do caos, a banda veio com sua melhor obra.

Dave Matthews Band - Crash (1996)
Até quem acha Dave Matthews chato vai gostar desse disco.

Doors - The Best Of (1994)
Meu primeiro cd de rock, seguido pelo Flashpoint, dos Stones. Só por isso, já merece a indicação.

Faith No More - Album of the Year (1997)
Último disco da banda. Não foi o melhor disco do ano, mas foi injustamente massacrado pela crítica.

Foo Fighters - The Colour and the Shape (1997)
Como fazer barulho e bons hits em apenas um disco.

Green Day - Dookie (1994)
Pode admitir, você gostava desse disco. Você ouviu muito Green Day. Quem teve entre 12 e 16 anos em 1994 ouviu e adorou esse disco. Eu ainda fui além, adquirindo o Insomniac, mais pesado, nada pop e tão bom quanto esse.

Jamiroquai - Travelling Without Moving (1996)
Este disco me mostrou que existiam coisas boas fora do rock. De tanto escutar, já arranhou. Além dos hits, o disco esconde faixas sublimes.

Led Zeppelin - IV (1970)
O primeiro disco do Led a gente nunca esquece, hehehe.

Lenny Kravitz - Mama Said (1991)
Sem dúvida, o melhor disco dele. Desde então, o cara vive na montanha russa.

Massive Attack - Mezzanine (1998)
A porta de entrada para o maravilhoso mundo do trip-hop. Álbum espetacular.

Metallica - St. Anger (2003)
Ainda não assimilei o golpe, continuo ouvindo o tempo todo.

Neil Young & Crazy Horse - Weld (1991)
Duplo ao vivo, que provocou minha caça aos discos antigos desse canadense - ele não é Deus (como alguns dizem), mas é genial.

Nirvana - Nevermind (1991)
O hype se justifica, o disco não tem um senão. Agora, ao contrário de 99% dos que se julgam "entendidos", eu tenho lá minhas ressalvas sobre os demais discos da banda...

Oasis - Be Here Now (1997)
Estou na minha segunda cópia, a primeira arranhou de tanto escutar. Aula de rock inglês (pós-britpop), além da produção impecável.

Pavement - Terror Twilight (1999)
Derradeiro trabalho, que é o que mais me chamou atenção. Talvez por ser mais "clean", mais limpo. Ou não, talvez porque, naquele momento, tenha preenchido meus ouvidos com o que eu simplesmente gostaria de escutar.

Pear Jam - Yield (1998)
Quanto mais falam mal desse disco, mais eu gosto dele. Para mim, ele possui um significado único, que não revelo nem no tribunal. Mas ouça sem pré-conceitos, o disco é muito bom.

Pink Floyd - Dark Side of the Moon (1973)
Tentei fugir do óbvio, mas fracassei. Adoro a fase inicial, com o Syd Barret, mas esse álbum ainda hoje serve como uma referência pro rock.

Portishead - Live at NYC (1998)
Um dos melhores discos pra se escutar: a) triste b) de madrugada c) bêbado, drogado d) fazendo sexo e) todas as anteriores.

Queens of the Stone Age - Songs for the Death (2002)
Serve pra fazer tudo o que você faria no disco do Portishead, mas com o efeito inverso. Depois de dois discos maravilhosos, eles conseguem lançar um ainda melhor.

Radiohead - OK Computer (1997)
Já falei muito sobre ele. Talvez o melhor disco dos últimos 30 anos.

Red Hot Chili Peppers - One Hot Minute (1995)
Ninguém discute a supremacia de Bloodsugarsexmagik (1991) e Mother's Milk (1989) na discografia dos Peppers. Mas se quer viajar no rock funkeado dos californianos com uma guitarra mais pesada (Dave Navarro), este é o aperitivo.

R.E.M. - New Adventures in Hi-Fi (1996)
Perfeito. Seria redundância elogiar alguma faixa desse disco.

Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request (1967)
A obra-prima da psicodelia. Não é o melhor disco dos Stones, mas absorve toda a essência (até mais que o Sgt. Peppers dos Beatles, que saiu antes) do ano de 1967.

Ryan Adams - Gold (2001)
Quer tocar country/rock/blues? Esse é o disco.

Smashing Pumpkins - Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995)
O melhor cd duplo que já ouvi. Tenho um carinho particular por Adore (1998), mas o Mellon Collie... é completo, Billy Corgan mostra como compõe boas letras e melodias em qualquer estilo.

Travis - The Man Who (1999)
Conhece a tal onda do "new-acoustic", que hoje possui o Coldplay como principal referência? Volte um pouco e dê uma chance ao Travis. Você não se arrependerá.

Verve - Urban Hymns (1997)
Só não foi eleito o melhor disco de 1997 porque uma bandinha de nerds de Oxford lançou uma obra-prima.

Weezer - Weezer (1994)
O disco azul do Weezer. Ele é tão bom e tão curto que deve-se escuta-lo sempre duas vezes.

Wilco - A.M. (1995)
Wilco sempre lançou coisas boas. Aqui, a banda mostra uma face um pouquinho mais agitada, com um pouco mais de guitarra, o que sempre ajuda.

Nacionais:

Tem alguns nacionais também... A cúpula do site não vai gostar nada, mas mesmo assim...

Diesel - Diesel (2000)
Esse é o melhor disco de rock independente que já ouvi. É um modelo a ser seguido (e não copiado!).

Legião Urbana - A Tempestade (1996)
Eu tinha uns 14 anos e andava triste com o fim da banda. Comprei o disco e fiquei muito feliz, porque é bem depressivo, do jeito que eu gosto.

Lobão - A Vida É Doce (1998)
Como esganiçar o rock e fazer um disco de trip-hop sombrio, majestoso. E ainda colocá-lo nas bancas por um preço camarada. Esse é o Lobão.

Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho (2001)
Até hoje, o disco me impressiona. As letras são de uma qualidade incrível, nada no rock nacional chega perto.

Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1971)
Todos os discos iniciais dos Mutantes são altamente recomendáveis. Escolhi este por mais se aproximar de uma coletânea.

Paralamas do Sucesso - Selvagem (1986)
Ganhei aos sete anos de idade, embalou minha infância, ao lado "daquelas músicas que criança gosta". Mas o disco é bom, até hoje.

Pato Fu - Isopor (1999)
O melhor disco da banda, além de ser o mais bem produzido. Pop bacana, com pitadas de pop inglês (trip-hop, Björk e Radiohead). E sem besteirinhas engraçadas.

Rita Lee - Bossa'n'roll (1991)
O verdadeiro acústico da Rita Lee, foi a trilha sonora da minha adolescência. Ela na voz e dois violões. Sem convidados chatos e músicas pra tocar no rádio.

Secos & Molhados - Secos & Molhados (1973)
Grande banda de rock nacional, que não fazia "rock". Até hoje Ney Matogrosso é uma referência para os vocalistas de rock and roll.

Skank - Maquinarama (2000)
Finalmente, o Skank faz um trabalho com conteúdo e melodias caprichadas. O ápice da banda, sem dúvida.

Titãs - Go Back (1986)
Outra boa recordação da infância, ganhei junto com o dos Paralamas.

Walverdes - Anticontrole (2001)
Como unir boas letras em português com rock'n'roll de verdade.

Depois de um bom tempo, o Jane's Addiction está de volta com Strays. Rock'n'roll pra empolgar com um brilho da época glam, principalmente nos fraseados do excelente guitarrista Dave Navarro e do performático vocalista Perry Farrel, com seu vocal viajante. Os destaques são "True Nature", "Strays", "Just Because", "Superhero", "Everybody's Friend", "Suffer Some" e "Hypersonic". Mas a faixa que eu mais gostei foi o funkão "Wrong Girl", que lembra bastante os melhores tempos do Red Hot Chili Peppers. Strays pode não ser o melhor trabalho da banda (que dificilmente superará o sensacional Ritual de Lo Habitual, de 1993), mas é um disco que não faz feio, muito pelo contrário.

Eu adorei Darkness. Pra quem não sabe, é uma banda que faz um metal farofa, dos bons (existe?). Bem interessante, com riffs de AC/DC e um vocal parecido com o do Freddie Mercury (Queen), só que ainda mais "afetado". Eu me divirto bastante, mas o mais engraçado é que a banda é boa. Ouça e divirta-se, pois o fenômeno Darkness daqui a pouco chega por aqui...

Nas próximas colunas, falo sobre os novos discos de David Bowie, A Perfect Circle, Neil Young, Evan Dando, 311, The Coral, Sepultura, Chemical Brothers e Belle and Sebastian. Ufa! Será em doses homeopáticas, porque não dou conta, ok? Até lá!

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.britrockpost.blogger.com.br - Blog que participo, sobre rock inglês.

www.udora.com, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.4sale.kit.net - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blogger.com.br - blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes, além de elogios a este site (aí é demais, hein?).

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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