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Primeiramente,
peço desculpas pelo sumiço. Mas já aviso que daqui por diante não
vou escrever com tanta freqüência como outrora. Agora, tenho vários
compromissos e este aqui, por mais que eu goste, é apenas um hobby.
Quem sabe um dia eu possa viver disso? Mas enquanto este dia não
chega (se chegar), vamos logo ao que interessa.
O destaque
seria o novo disco do Jane's Addiction, mas mudei a pauta. Peço
desculpas ao Eduardo Oliveira, de Manaus, e a todos que me mandaram
e-mails pedindo para que eu escreva sobre o Strays. Fica
pra próxima coluna. Agora, vou tentar relatar o melhor show que
já vi. Eu vi muitos shows sensacionais, mas esse segue imbatível.
Boa viagem a todos.

13
de Janeiro de 2001, Rio de Janeiro. Calor de amolecer asfalto (como
de fato amoleceu). O poderoso sol, que castigou a todos, definhava
no horizonte.
Pisei
no gramado da Cidade do Rock ouvindo a Cássia Eller cantar "Come
Together". É, não começamos tão mal. Fiquei sentado no então
gramado (quente, como quase tudo por lá), comendo um refrigerante
e um sanduíche, pelos quais paguei caro. Admirava a beleza da Fernanda
Abreu e sua musiquinha tola. Até o Evandro Mesquita apareceu pra
cantar a bobinha "Você Não Soube Me Amar". Em seguida, o Barão Vermelho
fez o seu show de despedida, pra alegria de muitos neste site.
O Beck
fez o show errado, no local errado, pro público errado. Eu gosto
do cara, mas ele era (ainda é) um ilustre desconhecido por aqui.
Uma meia dúzia se agitou em "Loser" e "Where It's At". Seria melhor
se ele tocasse no então Free Jazz.
Fui
lá pra frente conferir o Foo Fighters, banda que gosto bastante.
Show empolgante, sensacional. Tecnicamente, foi fraco. Dave Ghrol
estava visivelmente emocionado, estava assustado com tanta gente.
Não conseguia cantar direito, mas sobrava carisma. E a galera acompanhou,
desde o início arrasador ("Breakout") até terminar na maravilhosa
"Everlong".
Enfim:
R.E.M. no palco iluminado, lindo. Michael Stipe começa a cantar
"Finest Worksong". Peter Buck toca o riff característico
com sua Rickembacker. Mike Mills, com uma roupa azul ridícula, executa
o melhor backing vocal do rock pós-Beatle. Fico louco, esqueço o
calor insuportável e o cansaço.
Stipe
diz "Hello, Brasil", humildemente (como sempre faz) diz que "o nome
dessa banda é R.E.M.". Buck, com uma Les Paul, começa a tocar "What's
the Frequency, Kenneth?". Só parei de pular no solo de guitarra,
que acompanhei atento.
Aplausos
nervosos, começa "Fall on Me". Olho pro lado e vejo todos hipnotizados
por uma melodia tão bela, tão tocante. Eu nem sabia mais pra quem
agradecer, estava delirando.
Vem
"The Wake-Up Bomb", faixa do meu disco predileto (New Adventures
in Hi-Fi). A canção ganha um órgão maravilhoso, consegue ficar
ainda mais bela. Na 4ª música, eu já estava no lucro. 35 reais foi
uma pechincha.
Começa
"Daysleeper", que seqüência matadora! Fiquei atordoado, cantava
as letras ou melhor, berrava. Queria (em vão) participar do espetáculo.
Stipe
pergunta se estávamos felizes, eu estava além. Já rouco, apenas
acompanhei "The Great Beyond".
O R.E.M.
se dá ao luxo de tocar uma música até então inédita, a belíssima
"She Just Wants to Be" do "apenas" bom Reveal, que ainda
não tinha sido lançado. Fiquei quieto e atento. Logo, grato.
O público
se agita com "Stand", as luzes se alternam. Comecei a acreditar
que realmente estava em um show do R.E.M., era bom demais pra ser
verdade.
A emoção
tomou conta de todos em "So. Central Rain", uma das mais antigas
e bonitas faixas do grupo. Estava boquiaberto, acho que até babei.
Stipe
diz que está muito feliz por estar no Brasil. Logo, canta "I Found
a Way to Make You Smile". Meu sorriso adentrava pelas orelhas com
"At My Most Beautiful", uma das canções mais bonitas que já
escutei em toda a minha vida. Me deu vontade de chorar de alegria,
mas estava tão "seco", o calor me fazia transpirar tanto que não
sobrou uma gota pra brotar dos meus olhos.
"The
Lifting", outra música então inédita. Acompanho com atenção, enquanto
ainda me recuperava dos estragos da canção anterior.
Frenesi
geral: "The One I Love". Me beliscava, ainda não me dava conta da
situação. Vivia um caos interno.
Stipe
desceu até o público. Ele cantava ao lado do povo, alucinado. Pareciam
feras na jaula sendo atiçadas.
Comecei
a fraquejar em "Find the River". Desisti de cantá-la, exaurido.
Então, a explosão: "Losing My Religion". Parecia um gol na final
da Copa do Mundo. Todos os 200 mil cantavam. Pulei sem querer pular.
Alguns amigos que estavam mais atrás, perto da lanchonete, me disseram
que os funcionários começaram a dançar, os garis dançavam com suas
vassouras. Mike Mills balançava a cabeça negativamente e sorria,
não acreditava. Peter Buck sorria. O R.E.M. alcançou o "ponto g"
do público.
Todos
gritavam "R.E.M." e veio a ducha de água fria, "Walk Unafraid",
uma das minhas preferidas. O público esfriou, pois desconhecia a
canção. Eu explodi. Pulava por inércia.
"Man
on the Moon" foi mais um ponto alto nessa cordilheira de canções
memoráveis, inesquecíveis. Estava vencido pela alegria e perplexo,
parecia irreal.
Stipe
se ajoelha pro público e sorri. Era injusto, eu é que deveria fazer
isso.
A banda
volta pro bis e dá o golpe de misericórdia. Não há adjetivos pra
descrever como foi "Everybody Hurts". No meio da música, por instinto,
todos aplaudiram, agradeciam por contemplar algo tão sublime. Muitos
na platéia choraram feito criança. Eu podia morrer ali mesmo.
Depois
de um break pra caipirinha (com mais elogios ao Brasil), a banda
serviu "Pop Song 89". O efeito da bebida subiu rápido. Stipe dançava
freneticamente e continuava cantando muito bem.
O gran
finale: "It's the End of the World as We Know It". Teve até "mosh"
no público! Stipe cantou lá embaixo, com o público na mão.
No
fim, com o palco todo iluminado, Stipe cantou o refrão, sozinho
perante 200 mil reféns. E agradeceu. Pobre Michael, não sabe o estrago
que causou.
Ainda
me sinto na dívida com o R.E.M.. Esse show foi para mim como um
rápido movimento dos olhos durante um sonho que jamais queria que
acabasse.

Você
quer mp3 do Radiohead ao vivo? É pra já: www.cuttooth.com/concerts/live.htm.

Assim
que puder, volto pra falar do Jane's Addiction. Talvez fale sobre
o novo disco do A Perfect Circle também. Até lá!
Links
do Sukrilius:


www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.6emeia.cjb.net
- zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos,
livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor
e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).
www.britrockpost.blogger.com.br
- Blog que participo, sobre rock inglês.
www.udora.net,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.4sale.kit.net
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blig.ig.com.br
- blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes,
além de elogios a este site (aí é demais, hein?).
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