q

Página principal de Nossos Colunistas
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 06 de outubro de 2003 d.C.

 
O melhor show da minha vida
Por Sukrilius
 

Primeiramente, peço desculpas pelo sumiço. Mas já aviso que daqui por diante não vou escrever com tanta freqüência como outrora. Agora, tenho vários compromissos e este aqui, por mais que eu goste, é apenas um hobby. Quem sabe um dia eu possa viver disso? Mas enquanto este dia não chega (se chegar), vamos logo ao que interessa.

O destaque seria o novo disco do Jane's Addiction, mas mudei a pauta. Peço desculpas ao Eduardo Oliveira, de Manaus, e a todos que me mandaram e-mails pedindo para que eu escreva sobre o Strays. Fica pra próxima coluna. Agora, vou tentar relatar o melhor show que já vi. Eu vi muitos shows sensacionais, mas esse segue imbatível. Boa viagem a todos.

13 de Janeiro de 2001, Rio de Janeiro. Calor de amolecer asfalto (como de fato amoleceu). O poderoso sol, que castigou a todos, definhava no horizonte.

Pisei no gramado da Cidade do Rock ouvindo a Cássia Eller cantar "Come Together". É, não começamos tão mal. Fiquei sentado no então gramado (quente, como quase tudo por lá), comendo um refrigerante e um sanduíche, pelos quais paguei caro. Admirava a beleza da Fernanda Abreu e sua musiquinha tola. Até o Evandro Mesquita apareceu pra cantar a bobinha "Você Não Soube Me Amar". Em seguida, o Barão Vermelho fez o seu show de despedida, pra alegria de muitos neste site.

O Beck fez o show errado, no local errado, pro público errado. Eu gosto do cara, mas ele era (ainda é) um ilustre desconhecido por aqui. Uma meia dúzia se agitou em "Loser" e "Where It's At". Seria melhor se ele tocasse no então Free Jazz.

Fui lá pra frente conferir o Foo Fighters, banda que gosto bastante. Show empolgante, sensacional. Tecnicamente, foi fraco. Dave Ghrol estava visivelmente emocionado, estava assustado com tanta gente. Não conseguia cantar direito, mas sobrava carisma. E a galera acompanhou, desde o início arrasador ("Breakout") até terminar na maravilhosa "Everlong".

Enfim: R.E.M. no palco iluminado, lindo. Michael Stipe começa a cantar "Finest Worksong". Peter Buck toca o riff característico com sua Rickembacker. Mike Mills, com uma roupa azul ridícula, executa o melhor backing vocal do rock pós-Beatle. Fico louco, esqueço o calor insuportável e o cansaço.

Stipe diz "Hello, Brasil", humildemente (como sempre faz) diz que "o nome dessa banda é R.E.M.". Buck, com uma Les Paul, começa a tocar "What's the Frequency, Kenneth?". Só parei de pular no solo de guitarra, que acompanhei atento.

Aplausos nervosos, começa "Fall on Me". Olho pro lado e vejo todos hipnotizados por uma melodia tão bela, tão tocante. Eu nem sabia mais pra quem agradecer, estava delirando.

Vem "The Wake-Up Bomb", faixa do meu disco predileto (New Adventures in Hi-Fi). A canção ganha um órgão maravilhoso, consegue ficar ainda mais bela. Na 4ª música, eu já estava no lucro. 35 reais foi uma pechincha.

Começa "Daysleeper", que seqüência matadora! Fiquei atordoado, cantava as letras ou melhor, berrava. Queria (em vão) participar do espetáculo.

Stipe pergunta se estávamos felizes, eu estava além. Já rouco, apenas acompanhei "The Great Beyond".

O R.E.M. se dá ao luxo de tocar uma música até então inédita, a belíssima "She Just Wants to Be" do "apenas" bom Reveal, que ainda não tinha sido lançado. Fiquei quieto e atento. Logo, grato.

O público se agita com "Stand", as luzes se alternam. Comecei a acreditar que realmente estava em um show do R.E.M., era bom demais pra ser verdade.

A emoção tomou conta de todos em "So. Central Rain", uma das mais antigas e bonitas faixas do grupo. Estava boquiaberto, acho que até babei.

Stipe diz que está muito feliz por estar no Brasil. Logo, canta "I Found a Way to Make You Smile". Meu sorriso adentrava pelas orelhas com "At My Most Beautiful", uma das canções mais bonitas que já escutei em toda a minha vida. Me deu vontade de chorar de alegria, mas estava tão "seco", o calor me fazia transpirar tanto que não sobrou uma gota pra brotar dos meus olhos.

"The Lifting", outra música então inédita. Acompanho com atenção, enquanto ainda me recuperava dos estragos da canção anterior.

Frenesi geral: "The One I Love". Me beliscava, ainda não me dava conta da situação. Vivia um caos interno.

Stipe desceu até o público. Ele cantava ao lado do povo, alucinado. Pareciam feras na jaula sendo atiçadas.

Comecei a fraquejar em "Find the River". Desisti de cantá-la, exaurido. Então, a explosão: "Losing My Religion". Parecia um gol na final da Copa do Mundo. Todos os 200 mil cantavam. Pulei sem querer pular. Alguns amigos que estavam mais atrás, perto da lanchonete, me disseram que os funcionários começaram a dançar, os garis dançavam com suas vassouras. Mike Mills balançava a cabeça negativamente e sorria, não acreditava. Peter Buck sorria. O R.E.M. alcançou o "ponto g" do público.

Todos gritavam "R.E.M." e veio a ducha de água fria, "Walk Unafraid", uma das minhas preferidas. O público esfriou, pois desconhecia a canção. Eu explodi. Pulava por inércia.

"Man on the Moon" foi mais um ponto alto nessa cordilheira de canções memoráveis, inesquecíveis. Estava vencido pela alegria e perplexo, parecia irreal.

Stipe se ajoelha pro público e sorri. Era injusto, eu é que deveria fazer isso.

A banda volta pro bis e dá o golpe de misericórdia. Não há adjetivos pra descrever como foi "Everybody Hurts". No meio da música, por instinto, todos aplaudiram, agradeciam por contemplar algo tão sublime. Muitos na platéia choraram feito criança. Eu podia morrer ali mesmo.

Depois de um break pra caipirinha (com mais elogios ao Brasil), a banda serviu "Pop Song 89". O efeito da bebida subiu rápido. Stipe dançava freneticamente e continuava cantando muito bem.

O gran finale: "It's the End of the World as We Know It". Teve até "mosh" no público! Stipe cantou lá embaixo, com o público na mão.

No fim, com o palco todo iluminado, Stipe cantou o refrão, sozinho perante 200 mil reféns. E agradeceu. Pobre Michael, não sabe o estrago que causou.

Ainda me sinto na dívida com o R.E.M.. Esse show foi para mim como um rápido movimento dos olhos durante um sonho que jamais queria que acabasse.

Você quer mp3 do Radiohead ao vivo? É pra já: www.cuttooth.com/concerts/live.htm.

Assim que puder, volto pra falar do Jane's Addiction. Talvez fale sobre o novo disco do A Perfect Circle também. Até lá!

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).

www.britrockpost.blogger.com.br - Blog que participo, sobre rock inglês.

www.udora.net, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.4sale.kit.net - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blig.ig.com.br - blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes, além de elogios a este site (aí é demais, hein?).

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Seis discos de uma vez só
Tianastácia na encruzilhada
Pearl Jam lança seu milésimo ao vivo
Eu fui ao Pop Rock Brasil(!)
Fanta Quest reafirma sua supremacia
Confira textos mais antigos...