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Beagá, 01 de setembro de 2003 d.C.

 
Tianastácia na encruzilhada
Por Sukrilius
 

O Tianastácia, tradicionalíssima banda de rock daqui de "Belzonte", acaba de lançar seu mais recente álbum. Antes de falar sobre o disco, vou falar sobre o grupo.

Você conhece esses críticos musicais? Pode conferir, 90% adoram Pretenders. A explicação é simples: na década de 80, estes estudantes de jornalismo/jornalistas recém-formados eram apaixonados pela líder da banda, a bela Chrissie Hynde. Eram fãs da banda, que, cá entre nós, não é lá essas coisas, mas possui meia dúzia de belas canções.

Guardadas as devidas (e como!) proporções, isso ocorre com o "Tia". Não, não falo sobre a aparência da banda, um sexteto de feiosos. A banda acaba de lançar seu quinto disco, que possui algumas coisas bacanas mas peca pela irregularidade. E conta com certa cumplicidade de uma galera "mais nova" daqui de Beagá. Eu, desde moleque, ia aos festivais de bandas patrocinadas pelos colégios. O Tianastácia sempre era um dos destaques. Já cantei bêbado várias canções, inclusive um blues que não me recordo o nome, que retratava minha situação na época: "Lama, lama...". Bons tempos. Acabei conhecendo o Glauco (baterista) lá na saudosa loja da Motor Music, e vi que os caras são muito gente boa (o Podé costuma esnobar um pouco - coisas de vocalista).

Eu já falei isso uma vez, mas vou repetir. Ainda espero um ótimo disco dos caras. Os músicos são bons, aliás muito bons. Carecem de uma consistência na arte da composição, nas letras. Eles tentam fazer letras sérias, mas geralmente fracassam. Fazendo um esforço muito menor (letras piores), eles poderiam tranqüilamente desbancar imbecilidades como o Charlie Brown Jr. no quesito "rock sem cérebro". Até porque o "Tia" possui dois bons vocalistas, e o Charlie Brown Jr. nenhum. Apenas um rolha de poço que faz pose, grita palavrões e bebe (muita) Coca-Cola.

Particularmente, prefiro que o Tianastácia continue buscando o caminho mais difícil, levando uma mensagem consistente no rock, boas letras. E não ficar dizendo "Otário vou te avisar, o teu intelecto é de mosca de bar", ou ainda "Quem sabe o que quer, nunca fica pra trás, bote fé, bote fé no que você for capaz". Pode ser que a banda não consiga trilhar esse caminho, mas vou ressaltar os bons frutos colhidos nessa trajetória. Caso a banda decida cair nas "facilidades do mainstream", fazendo um rock "mastigado" tipo o do patético Sideral, serei o primeiro a falar mal.

Ah, o disco. Todos os álbuns da banda são irregulares. Sempre misturam essas duas vertentes, a séria (como em "Favela") e a simples, largada (como em "Cabrobró"). Agora, essa querida banda hippie lança Na Boca do Sapo Tem Dente. É o retorno da banda ao circuito independente, onde as dificuldades são enormes, mas onde a banda pode, literalmente, fazer o que bem entender. O projeto (cd) do "Tia" foi aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura (assim como este site), e eles conseguiram captar a grana através da Telemig Celular. Esse disco caiu nas minhas mãos porque minha mãe trocou de celular e ganhou o disco, de brinde. Esse é o preço que se paga.

Breves comentários sobre as canções:

"Fora de Controle": o instrumental é bacana, ótimas guitarras de praxe. A letra deixa a desejar, principalmente no refrão.

"Milho Verde": começa bem, com boa letra e excelentes guitarras. Mas falta um refrão consistente, pois ele não empolga, ao contrário, esfria o ouvinte. O final da música é bom.

"Qualquer Besteira": enfim, uma ótima canção. Letra legal, a parte instrumental está caprichada. Refrão muito bom. Os destaques são vários. Ah, se todas as músicas seguissem neste nível...

"Calada": balada razoavelmente boa. Boa bateria, "quebrada". Quando a canção começa a ficar chata, entra um solo de guitarra muito legal. Depois, seguindo a cartilha pop, vem o refrão.

"Sapo Antunes": parte da letra é do Tom Zé, que é boa praça, porém superestimado. A parte instrumental é boa, bem legal. A letra possui boas rimas, mas sem nexo algum. Algo meio Tom Zé.

"Rama": que beleza! Bela música, preza por ser descompromissada, leve. Boa para os dias ensolarados. Outro destaque.

"Bondosa": razoável. Carece de algum elemento que chame mais a atenção. Está tudo muito "certinho", falta um certo realce. O teclado quase consegue este feito.

"Não Tinha Emprego": rock'n'roll! Dos bons! A letra não é da mesma qualidade, a banda abusa da linguagem subjetiva e de repetições, o que nem sempre dá certo.

"Aldeia": letra boa, porém curta. Balada legal, mas perfeitamente "esquecível". O final é um pouco cansativo.

"Esquina. Puta. Cocaína": o destaque é o som. Os riffs da guitarra lembram bastante Tom Morello, do Audioslave. A letra (crítica social) alterna boas e más passagens.

"Desperdícios": coisa rara no Tianastácia. Aqui, a letra é melhor que a melodia. E falar mal do Maluf, Quércia, FHC, João Alves, ACM, Jáder Barbalho, Collor e Sarney não é tarefa fácil. Merece meu aplauso.

"O Sol": aqui sim, um desperdício. A pior música, por coincidência(?) conta com as participações (lamentáveis) de Rogério Flausino e Márcio Buzelin, da falácia Jota Quest. Letra bobinha, o tecladista do Fanta Quest só contribui para a fraca melodia. Só a guitarra se salva. Não vou perder meu tempo falando do Flausino.

"Ao Zeca": canção que o Maurinho fez pro filho, que nasceu há pouco. Muito legal pra família, pros amigos, uma bela demonstração de amor. E daí? Analisando friamente, a canção passa batida.

O disco é bom, mas eles podem melhorar muito. Creio que estão no caminho certo, principalmente se a banda reavaliar suas parcerias. É bom separar a amizade do compromisso com a boa música.

O Udora (ex-Diesel) disponibilizou 3 canções que podem ser baixadas ou escutadas por streaming. O site é http://artists.mp3s.com/artists/621/udora.html.

Estão lá as novas canções "Pieces" e "Nova", além de uma nova versão pra "Burn My Hand". Ouvi e gostei, fiquei preocupado. É bom, claro que é. Mas a banda, pelo que parece, perdeu um pouco sua identidade, uma de suas virtudes. O Jean Dolabella (um dos melhores bateristas que já vi tocar) está contido, nem parece que é ele. As guitarras estão limpinhas, mais pop. Está difícil escutar o baixo do TC e o vocal do Gustavo está mais bem trabalhado, mais palatável. Com isso, a banda perde o "diferencial". Fica sendo apenas "mais uma" entre outras boas bandas. E eu, que trabalhei pra banda, que conheço bem os caras, sei que eles podem fazer algo infinitamente superior. As canções são excelentes (muito melhores que qualquer uma de Linkin Park, Limp Bizkit e de tantas coisas do gênero), mas sei que eles podem fazer melhor. De qualquer forma, é um pouco cedo. Não dá pra saber se essas são as versões finais das músicas. Lá mesmo diz que são "demos". Então, é bom esperar...

Algumas coisinhas sobre o VMB, bem sucintas:

O Supla é realmente muito chato.

As 15 mil guitarras do show do Frejat foram só pra impressionar. Possuíam o peso de duas guitarras. E a música dele é chata demais. Além disso, o som pela TV estava uma porcaria.

Estava tão ruim que o teclado, no show do Los Hermanos, estava mais alto que as duas guitarras!

Ter que agüentar o beijo entre a Sônia Braga e o Júnior foi complicado. Depois, pela reação do rapaz, ficou até engraçado... E pra completar a tragédia, quem ganhou o prêmio internacional foi aquela besteira chamada Linkin Park. Desta vez, a emissora conseguiu entrevistar os caras. Parabéns!

O evento mostrou como o Charlie Brown Jr. é popular. Ou melhor, demonstrou como tem gente alienada por aí. Ou como a gravadora dos caras possui grana...

Aliás, o Charlie Brown Jr. tocar 3 músicas não dá! É aquele velho ditado: uma é ruim, duas é péssimo, três é sacanagem! O gran finale ficou para a "escolha da audiência", com o Charlie Brown Jr. e o show do Jota Quest. Que dupla, hein?

Wilco no Brasil???? Sério??? Parece que é sério, estão vindo pro Tim Festival. Gosto do White Stripes, acho a Beth Gibbons maravilhosa, mas a principal atração e o principal motivo para eu arrecadar dinheiro é esse show!!! Metallica? Que Metallica? Com o Wilco vindo pra cá, eu lá quero ver o chato do Lars Ulrich? Nem... Já que ocorreu tal "milagre", vou rezar pra outro: Wilco em Belo Horizonte. Seria demais, estou rezando desde já para os "deuses da boa música".

Promessa é dívida: na próxima coluna, falo sobre os novos discos do Starsailor, Sugar Ray e Hellacopters. Se conseguir, ainda falo sobre as bandas Muse e The Thrills, além de um tal de Pete Yorn. Senão fica pra depois, ok?

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).

www.britrockpost.blogger.com.br - Blog que participo, sobre rock inglês.

www.udora.net, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.4sale.kit.net - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blig.ig.com.br - blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes, além de elogios a este site (aí é demais, hein?).

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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