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Beagá, 18 de agosto de 2003 d.C.

 
Eu fui ao Pop Rock Brasil(!)
Por Sukrilius
 

Pois é... A minha coluna sobre este festival deu tanta polêmica que fui "convidado", ou melhor, "intimado" a comparecer ao evento. No domingo, a Ângela Azevedo teve a gentileza de me oferecer um lugar no setor da imprensa. Ela estava brava comigo (ou pelo menos demonstrava) e queria porque queria que eu queimasse a língua, que eu caísse em contradição depois de falar tão mal da escalação do evento. Bem, vamos aos fatos.

Realmente, ficar nos bastidores com a pulseira da imprensa e assistir aos shows estando praticamente no palco é uma baita regalia, não nego. Foi engraçado, acho que há uma barreira invisível separando o povo que fica na pista e os "privilegiados" que ficam na frente da primeira fila (jornalistas, produtores ou penetras como eu). Enquanto o público gritava, se descabelava quando via passar alguns artistas, eu simplesmente os ignorava, até esnobando. Bem, a palavra certa não é essa... Mas é engraçado. Eu sempre tive muita curiosidade pra conhecer certos músicos, certos artistas, mas estando do "lado de lá", pra quê a pressa? A Pitty passava do meu lado e eu "quase não olhava"... Os caras do Tianastácia, do Terral e do Elétrika passavam fazendo pose, achando que estavam abafando e eu lá do lado deles, fazendo pouco caso. Quando o Sideral passou na minha frente eu quase me apresentei, mas como já estava ali como um "convidado", não queria causar confusão. Mas confesso que tenho pena do Sideral. Não quis mexer com ele, porque com certeza ele ia levar a sério. E o cara já está na pior mesmo...

Uma coisa que pouca gente faz idéia é a organização do evento. Posso falar mal das bandas, mas a estrutura, a produção do evento, foi impecável. Havia um número significativo de policiais e bombeiros dentro do estádio (nunca vi tantos), tudo era bem sinalizado (banheiros, saída de emergência, etc..), o equipamento de som estava um primor... Enfim, nota dez. Este ano a produção teve uma idéia muito feliz ao criar dois palcos: o palco principal e o "varandão". Quando acabava um show no palco principal, uma banda tocava no varandão. Não tocava muito, mas o suficiente pra entreter o público. Achei muito bacana. A condição de trabalho para a imprensa era das melhores. Até o buffet estava impecável. Comi demais, a coxinha e o pastel de milho estavam deliciosos. Perdi a conta de quantos biscoitos polvilho e jujuba (ê, minha infância ) eu devorei. Travei um duelo particular com Sady, simpático baterista do Nenhum de Nós, para ver quem comia mais biscoito papa-ovo. Foi uma batalha e tanto, divertida.

Encontrei muita gente da imprensa que admiro, como o Terence Machado, o Luiz e o Daniel, os dois da revista Zero. Encontrei o Daniel (Porquinho), baixista do Valv, que estava lá trabalhando pra caramba (pela MTV de BH) enquanto eu ficava torrando a paciência dele com as minhas brincadeiras de praxe.

Realmente fiquei impressionado com a disposição, com o empenho da equipe que fez a assessoria de imprensa. Impecáveis: Ângela Azevedo, Uiara Azevedo, Ludmila Azevedo, Rodrigo James e a Fernanda Ribeiro. Esqueci alguém? Bem, eu ficava sentado, exausto, no intervalo dos shows e eles lá trabalhando à beça, ralando mesmo, durante 12, 14 horas. Que inveja...

Mas vocês devem estar se perguntando... E os shows?... Vou falar apenas sobre as atrações de domingo, porque pude ver (quase) todos os shows "in loco".

Squadra e Elétrika: eu perdi. Cheguei atrasado. Ainda bem.

Ultraje a Rigor: era o show que eu mais queria assistir. Cheguei no finalzinho, parece que foi legal.

Nando Reis: queimei a língua! Showzão! Tecnicamente perfeito, o cara tem uma banda afiada e, pelos arranjos, nota-se que ele está ouvindo bastante Neil Young... A galera correspondeu (quando ele cantava alguma canção que fez sucesso com a Cássia Eller). O vocal dele estava bem melhor do que eu imaginava. Só achei que não precisava tocar "Cegos do Castelo", dos Titãs, mas tudo bem.

Nenhum de Nós: show curto, no varandão. Confesso que não sou fã da banda, mas empolgaram a galera.

Kid Abelha: até então, as atrações tocavam com uma pontualidade surpreendente. Tudo vinha dando certo. Aí chegou o pessoal do Kid Abelha, cheio de frescuras, e falaram "não tocamos sem passar o som". Por isso, ocorreu um atraso de 50 minutos, escutei vaias. Entraram no palco com o jogo ganho e tocaram lá suas canções acústicas que dão tédio. Nem importei. Estava a poucos metros da Paula Toller e ela continua linda, enxuta.

Pitty: a baixinha foi lá pro varandão, tocou seu hit pra galera. Depois, tocou seu "próximo hit" e foi embora. Mesmo se fosse muito ruim, eu suportaria, pois não demorou nem 10 minutos...

Tianastácia: povinho folgado... No sábado, estiveram no palco principal. No domingo, ainda foram tocar no varandão. O público adorou, acho que é só aqui mesmo... Tocaram o "hit" "Cabrobró" e mais uma vez fizeram uma cover horrorosa para "Killing in the Name", do Rage Against the Machine.

Sideral: a piada do dia, aliás o próprio Sideral já é uma piada. Ele desistiu de copiar o Lenny Kravitz. Agora, ele fez um moicano, ficou totalmente rock'n'roll. Que medo! Além da cômica "Zero a Zero", ele fez uma das piores versões que eu já escutei pra "Give It Away" do Red Hot Chili Peppers. O cara mal sabia a letra...

Capital Inicial: o melhor show. Também me surpreendeu. Quase nada daquela babação acústica. Fizeram um show de rock'n'roll impecável, profissionalíssimos. Realmente, eu andava subestimando essa banda. E o Dinho sabe levar um show: tem carisma, canta bem, sabe levar o público e ainda estava com uma camiseta do AC/DC... Só não gosto quando ele faz aquelas coreografias que me lembram o Supla...

Gabriel o Pensador: não tem jeito, não gosto dele, nem da sua música. Fez um show morno, só empolgou o público na hora dos seus hits óbvios.

Biquíni Cavadão: puxa, só covers... Comecei a assistir, mas quando eles tocaram aquela do Legião (acho que é "Soldados") e ouvi o vocalista Bruno cantar junto com o Renato Russo, eu fui embora. Sério! Quando a voz do Renato Russo começou a sair das caixas de som, eu fui lá pra dentro. Picaretagem!

Detonautas: tive a extrema felicidade de não assistir. Fui embora, um pouco antes do show deles, que fechava a noite.

Depois ainda fomos jantar. Fiquei conhecendo pessoalmente o Henrique (Skank), que é muito gente fina (ainda combinei com ele de entregar um cd do 4Sale, banda que produzo). E ri muito, ri demais dos casos e das interpretações que o Thedy e o Sady (vocalista e baterista do Nenhum de Nós) faziam. E sem querer fazer média (já fazendo), estava muito bem acompanhado pela Ângela, Rodrigo James e da linda Fernanda Ribeiro (apresentadora do Agenda, da Rede Minas). Cheguei em casa 4 e meia da matina cansado, mas satisfeito.

Estou começando a entender essa crítica musical. Sabem por que? Lembram do Inflamus, uma banda que eu vivia recomendando, enchendo a bola e tal? Vão tocar no Matriz, aqui em BH, no dia 24/08. O engraçado é que eu já não estou empolgado como outrora. Passou aquela "vibração inicial", aquela excitação de você descobrir uma banda. Passada a empolgação, você começa a avaliar com o cérebro e não com o coração. O Inflamus é uma boa banda, mas ainda falta muito pra eles começarem a ter algum reconhecimento. Aliás, eu não queria que eles tocassem ao vivo, pois eles só possuem 4 músicas próprias e vão ter que preencher o show com covers do Silverchair. E nem possuem uma demo. Sim, sei que estão gravando. Enfim: se você quiser conferir um show legal, vá ao Matriz no dia 24. Show legal, nada mais.

Quando a crítica começa a encher a bola de novos nomes como Dandy Warhols (ouvi, achei razoável), The Thrills (gostei) e Yeah Yeah Yeahs (um lixo), desconfie. Às vezes, a culpa é dessa "empolgação inicial" do crítico. Vá com cautela. Dê um tempo. Eu mesmo estou voltando atrás em algumas opiniões. Mas tem gente que não volta...

Falando em show, dia 27 de agosto, no Matriz (aqui em BH), tem show do 4Sale. Eles sim, já estão fazendo shows com freqüência, estão com uma demo na praça e gravando um disco "cheio".

E o 4Sale já passou dessa "fase". Gostei pra caramba, no início. Comecei a achar algumas músicas meio chatas, mas depois de ouvir com atenção estou curtindo muito mais. Com eles, eu não volto atrás. Vale muito a pena. Ok, sou o produtor da banda. Então, confiram e venham me dizer se o show deles vale a pena ou não.

Você gosta de uma banda de rock britânico muito bacana chamada Muse? O novo disco dos caras está nesse endereço aqui: http://android.hatespop.com/muse/. Bom, ao menos estava lá enquanto escrevia este texto...

Recebi e-mail de uma banda legal: Cyber-Jack, de São Paulo. Segundo um dos integrantes da banda, o estilo é "punk/alternative/industrial/metal". Confiram a ótima versão que eles fizeram para a horrenda "Unbelievable", do EMF. O site dos caras é www.cyber-jack.com.

A banda norte-americana Live foi confirmada pra tocar no Brasília Music Festival, no dia 27 de Setembro. No mesmo dia, tocarão os bacanas do Ultraje a Rigor e a catástrofe chamada Tihuana. Parece que o Live deve dar uma passadinha em São Paulo, tocando no dia 25 do mesmo mês. E tem gente que ainda acredita nessas votações que "escolhem" as bandas pela internet... O Oasis é o líder disparado. Mas quem vem? Live, e pelo jeito a Alanis Morissette e o Simply Red...

Saiu há pouco por aqui uma coletânea (CD duplo) imperdível (pra quem não tem nada) de um dos grandes guitarristas do blues, Stevie Ray Vaughan. A coletânea é um primor, chama-se The Essential. Blues de primeiríssima qualidade. Destaco a cover para "Voodoo Child", de Jimi Hendrix.

Agora vou falar de tênis. A última partida de Fernando Meligeni como profissional foi um bom resumo de toda a sua carreira. Seus jogos são sempre assim: emocionantes, onde a técnica perde espaço para a garra. Ok, ele só pegou moleza até a final. Mas vencer o Marcelo Ríos (ex-número 1 do mundo) salvando cinco match points é um feito e tanto. Parabéns ao "Fino".

Já o Guga, bem... Mais uma vez, eliminado na 1ª rodada de um Master Series. Perdeu feio pro Mariano Zabaleta por 6/4 e 6/0 (!!!). O Zabaleta não é tão bom assim. É o brasileiro que está muito mal, jogando totalmente sem motivação. Se continuar assim, pode parar de jogar! Ou então "trabalhe a cabeça", mude de treinador... Do jeito que está, não dá...

Roger Federer é o novo nº1 do mundo. Com toda a justiça, pois o suíço joga muito e já ganhou cinco títulos neste ano. Vai brigar pela ponta com os excepcionais Juan Carlos Ferrero (campeão de Roland Garros), o garoto-revelação Andy Roddick (quatro títulos em 2003) e a lenda viva do tênis, Andre Agassi. O Hewitt, o "australiano azedo", pra minha alegria já não está mais com essa bola toda.

E o Flávio Saretta vem fazendo uma ótima temporada. É a principal esperança do Brasil em obter bons resultados, já que o Gustavo Kuerten está mais interessado em gravar comerciais pra TV...

Na próxima semana falo sobre alguns discos novos. Até lá!

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).

www.britrockpost.blogger.com.br - Blog que participo, sobre rock inglês.

www.udora.net, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.4sale.kit.net - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

merrymelodies.blogger.com.br - blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.

perplexoes.blig.ig.com.br - blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes, além de elogios a este site (aí é demais, hein?).

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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