|
Pois
é... A minha coluna sobre este festival
deu tanta polêmica que fui "convidado", ou melhor, "intimado" a
comparecer ao evento. No domingo, a Ângela Azevedo teve a gentileza
de me oferecer um lugar no setor da imprensa. Ela estava brava comigo
(ou pelo menos demonstrava) e queria porque queria que eu queimasse
a língua, que eu caísse em contradição depois de falar tão mal da
escalação do evento. Bem, vamos aos fatos.
Realmente,
ficar nos bastidores com a pulseira da imprensa e assistir aos shows
estando praticamente no palco é uma baita regalia, não nego. Foi
engraçado, acho que há uma barreira invisível separando o povo que
fica na pista e os "privilegiados" que ficam na frente da primeira
fila (jornalistas, produtores ou penetras como eu). Enquanto o público
gritava, se descabelava quando via passar alguns artistas, eu simplesmente
os ignorava, até esnobando. Bem, a palavra certa não é essa... Mas
é engraçado. Eu sempre tive muita curiosidade pra conhecer certos
músicos, certos artistas, mas estando do "lado de lá", pra quê a
pressa? A Pitty passava do meu lado e eu "quase não olhava"... Os
caras do Tianastácia, do Terral e do Elétrika passavam fazendo pose,
achando que estavam abafando e eu lá do lado deles, fazendo pouco
caso. Quando o Sideral passou na minha frente eu quase me apresentei,
mas como já estava ali como um "convidado", não queria causar confusão.
Mas confesso que tenho pena do Sideral. Não quis mexer com ele,
porque com certeza ele ia levar a sério. E o cara já está na pior
mesmo...
Uma
coisa que pouca gente faz idéia é a organização do evento. Posso
falar mal das bandas, mas a estrutura, a produção do evento, foi
impecável. Havia um número significativo de policiais e bombeiros
dentro do estádio (nunca vi tantos), tudo era bem sinalizado (banheiros,
saída de emergência, etc..), o equipamento de som estava um primor...
Enfim, nota dez. Este ano a produção teve uma idéia muito feliz
ao criar dois palcos: o palco principal e o "varandão". Quando acabava
um show no palco principal, uma banda tocava no varandão. Não tocava
muito, mas o suficiente pra entreter o público. Achei muito bacana.
A condição de trabalho para a imprensa era das melhores. Até o buffet
estava impecável. Comi demais, a coxinha e o pastel de milho estavam
deliciosos. Perdi a conta de quantos biscoitos polvilho e jujuba
(ê, minha infância ) eu devorei. Travei um duelo particular com
Sady, simpático baterista do Nenhum de Nós, para ver quem comia
mais biscoito papa-ovo. Foi uma batalha e tanto, divertida.
Encontrei
muita gente da imprensa que admiro, como o Terence Machado, o Luiz
e o Daniel, os dois da revista Zero. Encontrei o Daniel (Porquinho),
baixista do Valv, que estava lá trabalhando pra caramba (pela MTV
de BH) enquanto eu ficava torrando a paciência dele com as minhas
brincadeiras de praxe.
Realmente
fiquei impressionado com a disposição, com o empenho da equipe que
fez a assessoria de imprensa. Impecáveis: Ângela Azevedo, Uiara
Azevedo, Ludmila Azevedo, Rodrigo James e a Fernanda Ribeiro. Esqueci
alguém? Bem, eu ficava sentado, exausto, no intervalo dos shows
e eles lá trabalhando à beça, ralando mesmo, durante 12, 14 horas.
Que inveja...
Mas
vocês devem estar se perguntando... E os shows?... Vou falar apenas
sobre as atrações de domingo, porque pude ver (quase) todos os shows
"in loco".
Squadra
e Elétrika: eu perdi. Cheguei atrasado. Ainda bem.
Ultraje
a Rigor: era o show que eu mais queria assistir. Cheguei no
finalzinho, parece que foi legal.
Nando
Reis: queimei a língua! Showzão! Tecnicamente perfeito, o cara
tem uma banda afiada e, pelos arranjos, nota-se que ele está ouvindo
bastante Neil Young... A galera correspondeu (quando ele cantava
alguma canção que fez sucesso com a Cássia Eller). O vocal dele
estava bem melhor do que eu imaginava. Só achei que não precisava
tocar "Cegos do Castelo", dos Titãs, mas tudo bem.
Nenhum
de Nós: show curto, no varandão. Confesso que não sou fã da
banda, mas empolgaram a galera.
Kid
Abelha: até então, as atrações tocavam com uma pontualidade
surpreendente. Tudo vinha dando certo. Aí chegou o pessoal do Kid
Abelha, cheio de frescuras, e falaram "não tocamos sem passar o
som". Por isso, ocorreu um atraso de 50 minutos, escutei vaias.
Entraram no palco com o jogo ganho e tocaram lá suas canções acústicas
que dão tédio. Nem importei. Estava a poucos metros da Paula Toller
e ela continua linda, enxuta.
Pitty:
a baixinha foi lá pro varandão, tocou seu hit pra galera. Depois,
tocou seu "próximo hit" e foi embora. Mesmo se fosse muito ruim,
eu suportaria, pois não demorou nem 10 minutos...
Tianastácia:
povinho folgado... No sábado, estiveram no palco principal. No domingo,
ainda foram tocar no varandão. O público adorou, acho que é só aqui
mesmo... Tocaram o "hit" "Cabrobró" e mais uma vez fizeram uma cover
horrorosa para "Killing in the Name", do Rage Against the Machine.
Sideral:
a piada do dia, aliás o próprio Sideral já é uma piada. Ele desistiu
de copiar o Lenny Kravitz. Agora, ele fez um moicano, ficou totalmente
rock'n'roll. Que medo! Além da cômica "Zero a Zero", ele fez uma
das piores versões que eu já escutei pra "Give It Away" do Red Hot
Chili Peppers. O cara mal sabia a letra...
Capital
Inicial: o melhor show. Também me surpreendeu. Quase
nada daquela babação acústica. Fizeram um show de rock'n'roll impecável,
profissionalíssimos. Realmente, eu andava subestimando essa banda.
E o Dinho sabe levar um show: tem carisma, canta bem, sabe levar
o público e ainda estava com uma camiseta do AC/DC... Só não gosto
quando ele faz aquelas coreografias que me lembram o Supla...
Gabriel
o Pensador: não tem jeito, não gosto dele, nem da sua música.
Fez um show morno, só empolgou o público na hora dos seus hits óbvios.
Biquíni
Cavadão: puxa, só covers... Comecei a assistir, mas quando eles
tocaram aquela do Legião (acho que é "Soldados") e ouvi o vocalista
Bruno cantar junto com o Renato Russo, eu fui embora. Sério! Quando
a voz do Renato Russo começou a sair das caixas de som, eu fui lá
pra dentro. Picaretagem!
Detonautas:
tive a extrema felicidade de não assistir. Fui embora, um pouco
antes do show deles, que fechava a noite.
Depois
ainda fomos jantar. Fiquei conhecendo pessoalmente o Henrique (Skank),
que é muito gente fina (ainda combinei com ele de entregar um cd
do 4Sale, banda que produzo). E ri muito, ri demais dos casos e
das interpretações que o Thedy e o Sady (vocalista e baterista do
Nenhum de Nós) faziam. E sem querer fazer média (já fazendo), estava
muito bem acompanhado pela Ângela, Rodrigo James e da linda Fernanda
Ribeiro (apresentadora do Agenda, da Rede Minas). Cheguei
em casa 4 e meia da matina cansado, mas satisfeito.

Estou
começando a entender essa crítica musical. Sabem por que? Lembram
do Inflamus, uma banda que eu vivia recomendando, enchendo a bola
e tal? Vão tocar no Matriz, aqui em BH, no dia 24/08. O engraçado
é que eu já não estou empolgado como outrora. Passou aquela "vibração
inicial", aquela excitação de você descobrir uma banda. Passada
a empolgação, você começa a avaliar com o cérebro e não com o coração.
O Inflamus é uma boa banda, mas ainda falta muito pra eles começarem
a ter algum reconhecimento. Aliás, eu não queria que eles tocassem
ao vivo, pois eles só possuem 4 músicas próprias e vão ter que preencher
o show com covers do Silverchair. E nem possuem uma demo. Sim, sei
que estão gravando. Enfim: se você quiser conferir um show legal,
vá ao Matriz no dia 24. Show legal, nada mais.
Quando
a crítica começa a encher a bola de novos nomes como Dandy Warhols
(ouvi, achei razoável), The Thrills (gostei) e Yeah Yeah Yeahs (um
lixo), desconfie. Às vezes, a culpa é dessa "empolgação inicial"
do crítico. Vá com cautela. Dê um tempo. Eu mesmo estou voltando
atrás em algumas opiniões. Mas tem gente que não volta...

Falando
em show, dia 27 de agosto, no Matriz (aqui em BH), tem show do 4Sale.
Eles sim, já estão fazendo shows com freqüência, estão com uma demo
na praça e gravando um disco "cheio".
E
o 4Sale já passou dessa "fase". Gostei pra caramba, no início. Comecei
a achar algumas músicas meio chatas, mas depois de ouvir com atenção
estou curtindo muito mais. Com eles, eu não volto atrás. Vale muito
a pena. Ok, sou o produtor da banda. Então, confiram e venham me
dizer se o show deles vale a pena ou não.

Você
gosta de uma banda de rock britânico muito bacana chamada Muse?
O novo disco dos caras está nesse endereço aqui: http://android.hatespop.com/muse/.
Bom, ao menos estava lá enquanto escrevia este texto...

Recebi
e-mail de uma banda legal: Cyber-Jack, de São Paulo. Segundo um
dos integrantes da banda, o estilo é "punk/alternative/industrial/metal".
Confiram a ótima versão que eles fizeram para a horrenda "Unbelievable",
do EMF. O site dos caras é www.cyber-jack.com.

A
banda norte-americana Live foi confirmada pra tocar no Brasília
Music Festival, no dia 27 de Setembro. No mesmo dia, tocarão os
bacanas do Ultraje a Rigor e a catástrofe chamada Tihuana. Parece
que o Live deve dar uma passadinha em São Paulo, tocando no dia
25 do mesmo mês. E tem gente que ainda acredita nessas votações
que "escolhem" as bandas pela internet... O Oasis é o líder disparado.
Mas quem vem? Live, e pelo jeito a Alanis Morissette e o Simply
Red...

Saiu
há pouco por aqui uma coletânea (CD duplo) imperdível (pra quem
não tem nada) de um dos grandes guitarristas do blues, Stevie Ray
Vaughan. A coletânea é um primor, chama-se The Essential.
Blues de primeiríssima qualidade. Destaco a cover para "Voodoo Child",
de Jimi Hendrix.

Agora
vou falar de tênis. A última partida de Fernando Meligeni como profissional
foi um bom resumo de toda a sua carreira. Seus jogos são sempre
assim: emocionantes, onde a técnica perde espaço para a garra. Ok,
ele só pegou moleza até a final. Mas vencer o Marcelo Ríos (ex-número
1 do mundo) salvando cinco match points é um feito e tanto. Parabéns
ao "Fino".
Já
o Guga, bem... Mais uma vez, eliminado na 1ª rodada de um Master
Series. Perdeu feio pro Mariano Zabaleta por 6/4 e 6/0 (!!!). O
Zabaleta não é tão bom assim. É o brasileiro que está muito mal,
jogando totalmente sem motivação. Se continuar assim, pode parar
de jogar! Ou então "trabalhe a cabeça", mude de treinador... Do
jeito que está, não dá...
Roger
Federer é o novo nº1 do mundo. Com toda a justiça, pois o suíço
joga muito e já ganhou cinco títulos neste ano. Vai brigar pela
ponta com os excepcionais Juan Carlos Ferrero (campeão de Roland
Garros), o garoto-revelação Andy Roddick (quatro títulos em 2003)
e a lenda viva do tênis, Andre Agassi. O Hewitt, o "australiano
azedo", pra minha alegria já não está mais com essa bola toda.
E
o Flávio Saretta vem fazendo uma ótima temporada. É a principal
esperança do Brasil em obter bons resultados, já que o Gustavo Kuerten
está mais interessado em gravar comerciais pra TV...

Na
próxima semana falo sobre alguns discos novos. Até lá!
Links
do Sukrilius:


www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.6emeia.cjb.net
- zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos,
livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor
e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).
www.britrockpost.blogger.com.br
- Blog que participo, sobre rock inglês.
www.udora.net,
www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net
e www.4sale.kit.net
- Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.
merrymelodies.blogger.com.br
- blog do Caboclo Alaranjado, comparsa do ABACAXI ATÔMICO.
perplexoes.blig.ig.com.br
- blog da Regina Andrade. Música, cinema, só coisas interessantes,
além de elogios a este site (aí é demais, hein?).
|