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Beagá, 11 de agosto de 2003 d.C.

 
Fanta Quest reafirma sua supremacia
Por Sukrilius
 

Finalmente, caiu nas minhas mãos um dos discos mais aguardados do ano: MTV Ao Vivo, do fabuloso Jota Quest. Vocês vão perguntar: por que o Jota Quest não vai pra lixeira do site, espaço reservado para os piores discos do ano? Ora, o Jota Quest é uma banda especial, que merece tratamento diferenciado. É claro que eles vão pra lixeira, mas antes eles batem ponto na minha coluna.

É um grande prazer escrever sobre uma de minhas bandas favoritas. Sim, tenho a lista de bandas que gosto (Beatles, Stones, R.E.M., Radiohead, Wilco...) e tenho também a lista de bandas que não gosto (Jota Quest, Charlie Brown Jr., Detonautas, Tihuana...). Antes que algum "nacionalista" reclame: também gosto de algumas bandas nacionais, como tenho ojeriza de várias bandas internacionais. Isso sem falar nas "babas"... Voltando ao assunto: adoro falar sobre Jota Quest como adoro falar sobre Beatles. A abordagem é basicamente a mesma. Só muda o tom. Aqui, se eu falo "fantástico", certamente estou tirando sarro. Quando falo que algo dos Beatles é "fantástico", é porque eu acho fantástico mesmo e ponto final.

O Fanta Quest talvez seja o pior produto oriundo de Minas Gerais dos últimos anos. O problema é que a trupe do gordinho Rogério Flausino possui forte concorrência. Mas a banda continua se superando. Nesse ao vivo, toca seus sucessos para o seu público passivo, acéfalo. Letras débeis, arranjos macios, convidados arranjados: fórmula de sucesso garantido. Nem precisava, mas o Jota Quest reafirma todo o seu poder entre as "bandas feitas para tocar na rádio". Não precisa ter boa letra, nem boas melodias. Basta uma super produção (com o arroz-de-festa Liminha) e uma boa embalagem, como um produto, como uma Fanta mesmo... E o pior é que os caras se levam a sério demais! Eles acham que estão abafando! É por isso que acho que falar mal de Jota Quest não é chutar cachorro morto. Até porque nossos queridos cães não merecem tal comparação.

O cd tem 18 faixas. O que era pra ser um martírio, virou diversão. Se eu levasse a sério essa coluna, jamais conseguiria escrever sobre esse disco. Talvez passaria mal, como aconteceu quando fiz a resenha do energúmeno Discotecagem Pop Variada. Portanto, vou fazer a resenha sem esquentar a cabeça, como se não conhecesse com detalhes as músicas da banda. Tentarei ser imparcial, mas confesso que será difícil, porque cá entre nós: JOTA QUEST É RUIM DEMAIS!

Bem, abra a sua Fanta e vamos lá, "a todo vapor":

Introdução: sem dúvida, a melhor faixa do disco. Música eletrônica chatísssima e a galera vibrando e gritando: "Uh, é Jota Quest!". Que lindo!

"Na Moral": já começa mal. Ué, cadê os riffs de "Back in Black" do AC/DC??? No rádio, essa música era embalada por esse maravilhoso riff. Já na segunda estrofe, Flausino não agüenta e perde o fôlego. A letra é aquela maravilha: "Na moral, na moral"... Na parte que o Seu Jorge cantaria, Flausino o substitui com muita propriedade. Não que isso seja bom.

"As Dores do Mundo": as dores de todos os que ouvem esse disco, não é mesmo? A letra até que não é tão ruim. Claro, é porque a letra não é do Jota Quest, é uma cover. Flausino tenta cantar, mas tá difícil. No refrão, a galera comanda. A banda mostra uma burocracia irritante na hora de executar os hits. Tem gente que jura de pé juntos que todos ali tocam pra caramba. Mas não é o que parece! Deve ser porque eles tocam pop e pop tem que chegar na "massa", tem que ser redondinho, sem grandes firulas. E a música prossegue, naquela levada chata. O final é cheio de pose, nem quero contar.

"Encontrar Alguém": outra antiga, desnecessária. Mais uma vez, os vocais são da galera e dos backings. Flausino faz média com o público. Também pudera... Canção enjoada, black music pra se exibir, com levada de bordel que está fechando, no início da manhã.

"Do seu Lado": música inédita, letra de Nando Reis. É nítida a diferença. Não que o Nando Reis seja um "exímio" compositor, mas há apenas um "abismo" entre o ex-titã e o Rogerinho. A canção é um porre, que aqueles chatos que gostam de acampar vão cantar no violão até cansar. O vocal do Flausino, pra variar, fica devendo. Ponto pro Liminha: ele poderia muito bem ter "engrossado" ("overdub") a voz do sujeito no estúdio, mas deixou do jeito que estava ao vivo.

"Sempre Assim": um dos hinos da playboyzada de BH. A galera se agita, é um dos pontos altos do show. Flausino deixa a galera cantar, porque pra ele tá difícil. O que eu mais acho engraçado é o tal do "cha la la la la la" depois do refrão. E o tal: "everybody say iê iê" e o "everybody say uô uô". E nessa hora, a galera da esquerda cantava o "iê iê" e a da direita o "uô uô". No final, a constatação do vocalista: só alegria. Com certeza!

"Dias Melhores": canção positiva. É, letra boba que emociona adolescentes que estão tensos no período do vestibular. "Melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo". Nossa, que profundo! Acho que a banda vai cantar essa canção enquanto existir, pois do jeito que estão, tá complicado piorar... A parte instrumental eu nem comento... Deveriam ter colocado uma jukebox no palco. Seria muito mais útil.

"Vou pra Aí": letra do mago pop Dudu Marote. Lembra bastante a soul music nacional antiga. Se eu fosse um expert no ramo, poderia demonstrar algum plágio. Mas como sou ignorante (não ao ponto de gostar do Jota Quest, aí seria demais), fico no meu canto. Serve como lounge music, pra você colocar no elevador, na sala de espera. Mas tire o vocal, porque a letra é melosa demais.

"Mais Uma Vez": Balada chatíssima. Tem um "la la la la" insuportável. Avisem pela enésima vez que o Rogério Flausino não chega nem na sola do pé do Jay Kay (Jamiroquai), provavelmente seu ídolo. O teclado, que geralmente realça a parte instrumental, aqui faz papel inverso. No final, pra fechar com "chave de ouro", um solo de guitarra horripilante.

"Tanto Faz": agora, Arnaldo Antunes (nosso gênio tribalista) é chamado ao palco. Imaginem a cena: o Jota Quest, com o vocal do Arnaldo Antunes, cantando uma letra do próprio Antunes. De cara, uma batida eletrônica ridícula. A canção prossegue bem eletrônica. E aí o Arnaldo começa cantando. Só o início da letra, pra vocês terem noção do "nível": "Tanto faz dizer adeus ou tchau se você se vai / Tanto faz dizer adeus ou tchau se você não se vai". Brilhante! Gênio!! Meu cérebro já deu um nó. O refrão é terrível, não tem dó nem piedade de quem gosta de boas letras e melodias. Comecei a ter uma dor de cabeça incrível. Além disso, são dois vocais e um teclado que dá um "toque especial"... Nossa, eu não mereço! 4 minutos e 9 segundos que jamais vou esquecer. Nessa canção, o Jota Quest exagerou. Overdose de porcaria.

"O que Eu Também Não Entendo": essa canção é muito ruim! É aquela que tem um plágio, um riff no início igual ao do U2. A letra é um "primor". "Agora o que vamos fazer / eu também não sei / afinal será que amar é mesmo tudo / se isso não é amor o que mais pode ser? / estou aprendendo também". Essa letra é tão cafona que ficaria muito melhor se cantada por um Leonardo ou uma dupla sertaneja.

"O Vento": o vento, simplesmente o vento já te trouxe alguém? Outra pérola da banda. Quando Flausino canta "pro meu peito" as meninas gritaram de emoção. Que lindo! A letra é tão supérflua que eu sinto até pena. Vocal canastrão e aquele teclado de cabaré, pra dar aquele clima totalmente dispensável.

"Amor Maior": música de trabalho, mas uma canção histórica "jotaquestiana". Que letra, hein? Preste atenção: "Quero ficar só / mas comigo só (anh??) / eu não consigo / Quero ficar junto / mas sozinho só (anh??) / não é possível". A melodia é totalmente previsível, fraquíssima. Se acerta direitinho em todas as rádios. Forte candidata a uma das piores músicas do ano. Tomara que tenha videoclipe, porque aí também concorrerá ao troféu ABACAXI ATÔMICO 2004 como pior videoclipe.

"Só Hoje": outra balada brega e horrorosa, feita para as adolescentes. Confesso que estava um pouco difícil falar mal da letra. Aí, reparei que a letra não é deles! A melodia é aquela tradicional mascação, boa pra escutar quando você está no banheiro esvaziando o intestino ou quando você quer abafar naquela festinha só com pré-adolescentes que acham as roupas da GAP o máximo e se acham revoltados porque conseguiram ajuntar a grana da mesada e compraram o disco do Detonautas.

"Fácil": é uma homenagem da grande dupla pop (Rogério Flausino e Sideral) aos fãs. Já que os fãs não tem Q.I., não conseguem cantar uma música um pouquinho melhor ("falar é complicado"), vamos cantar "fácil, extremamente fácil, pra você e eu e todo mundo (os bobões) cantar junto". É um marco do masoquismo musical.

"Tudo É Você": outra black music no estilo da banda. Sinta o balanço, mas nunca preste atenção na letra. Bobinha, letra fraca sobre uma base black, com balanço. Nada original e ainda faz feio, com a letra. Veja só, se eu vou chegar em uma mulher que eu esteja a fim e dizer: "Tudo é você". Haha, é até engraçado.

"Por Mim e Por Você": vou deixar pro Indiegesto comentar o motivo do Thaíde, ícone da black music nacional, estar participando desta faixa. Aliás, eu suspeito, mas fico triste com o que uma boa quantidade de dinheiro é capaz de fazer. Canção bem Jota Quest. Aquela levada meio black music e uma letra idiota. Filosofia de boate. Aí entra o Thaíde com um rap pra envergonhar o DJ Hum e quem preza hip hop de qualidade. Dá até vergonha a cumplicidade entre Thaíde e Flausino.

"De Volta ao Planeta": clássico, com a "macacada reunida". Encerra o disco de forma "soberba". Cante o refrão "ba-na-na-na-na-na-na, e tá faltando emprego no planeta dos macacos". Demais, não é mesmo? É o hino da pior coisa que o pop produziu. E o Flausino ainda evocou Chico Science, que blasfêmia!

Protesto: ficaram faltando dois hits, pra minha infelicidade. "Onibusfobia" (aquela música que ninguém entende a letra - bom negócio pro Jota Quest) e o "rockão" "Oxigênio", que tem um refrão simplesmente inesquecível: "Oxigênio / mesmo com a fumaça / oxigênio / mesmo com a fumaça / oxigênio". Maravilhoso!

Na minha última coluna, sobre o Pop Rock Brasil, eu esqueci de citar o Detonautas! Como pude?! Se bem que serei breve nos meus comentários. Detonautas Roque Clube (é esse o nome!) é simplesmente a pior coisa que surgiu no rock mainstream nacional no ano passado. É uma aberração musical movida a discursos totalmente vazios, tatuagens "da hora", pose de roqueiro e letras de pré-primário. Enfim, é a versão rock do Jota Quest.

Descobri um site português muito bom: www.aputadasubjectividade.net. Estou falando sério! A resenha do Hail to the Thief, do Radiohead, é uma das melhores que eu já li. E isso não é pouca coisa! Quem escreveu foi o Luís Miranda. Clique aqui pra ler.

Essa notícia eu tirei do blog do expert em música Rodrigo James (http://jameslog.blogspot.com): a boyband The Calling está vindo pro Brasil. E pior: haverá shows inclusive em Belo Horizonte. Eu aqui, rezando para que bons shows internacionais venham até minha cidade e o que eu recebo? Uma bandinha de boutique! Ah, faça-me o favor!

Ah, a baixista do Zwan, a bela Paz Lechantin, anunciou sua saída da banda. Ela afirmou que vai se dedicar ao Papa M, banda dela com David Pajo, guitarrista do Zwan. E o Zwan cancelou sua turnê européia, em virtude da baixa procura de ingressos. Billy Corgan, que sempre briga com suas baixistas, está adiantando seu novo projeto: o Djali Zwan, que seria a versão folk do Zwan (se o Zwan continuar...).

Só para constar e confundir: James Iha, ex-guitarrista do Smashing Pumpkins (banda liderada por Billy Corgan, do Zwan) entrou para a banda A Perfect Circle, a qual a Paz Lechantin fez parte antes de entrar pro Zwan. Entenderam? Twiggy Ramirez, que tocava com o Marilyn Manson, substituiu a baixista quando esta saiu do A Perfect Circle. Já ia me esquecendo: James Iha está substituindo Troy Van Leeuwen, que agora está tocando com o Queens of the Stone Age. Não vou falar sobre o Queens of the Stone Age e suas "Desert Sessions" senão o texto não acaba. Vai até a PJ Harvey, passa pelo Foo Fighters e chega até Courtney Love (inimiga de Dave Ghrol, do Foo Fighters), que tinha (tem?) uma banda chamada Hole, onde a baixista tocou no último disco do Smashing Pumpkins. Êh, confusão!

Confirmado: Metallica no Brasil! Dia 30 de outubro, no Rio (ATL Hall) e no dia 1º de novembro em São Paulo (Estádio do Pacaembu). Ótimo pretexto para eu tentar ajuntar uma grana!

Como eu mesmo adiantei (acho que o "furo" foi meu), no dia 7 de agosto a maravilhosa (eu acho!) Beth Gibbons, vocalista do Portishead, estará vindo pro Brasil. Ela vai tocar no Tim Festival, dia 30 de outubro, no Rio de Janeiro. Tá no site oficial da moça (http://www.bethgibbons.com). Se desmarcar, a culpa é dela!

Até a próxima semana! Ah, e se você é fã do Jota Quest, me desculpe pelo texto... A verdade dói mesmo...

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).

www.britrockpost.blogger.com.br - Blog que participo, sobre rock inglês.

www.udora.net, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.4sale.kit.net - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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