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Beagá, 04 de agosto de 2003 d.C.

 
Pop Rock Brasil - 3º ano
Por Sukrilius
 

Se não me engano (não vou pedir pro webmaster consertar o link dos textos antigos, senão ele me mata), o meu primeiro texto aqui no ABACAXI ATÔMICO foi sobre o Pop Rock Brasil 2001. Pra quem não é de BH, eu explico: esse é o festival que toda a "moçada" daqui fica aguardando, todos os anos. Qual o sentido em pagar 20 ou 25 reais pra ver o seu artista "favorito" em sua própria turnê? Pagando um pouco mais, você assiste vários shows de qualidade extremamente duvidosa, sem contar os tradicionais infortúnios em grandes shows. E isso sem falar na galera que vai só para "zoar". Eles não se importam em gastar 35 reais em um ingresso (papai pagou) e às vezes nem gostam das bandas que estão tocando. Vão lá só pra "azarar", "agarrar mulher" e "fazer um social". Urgh! Se bem que já tive 15 anos de idade. Mas um pouco depois dessa fase, só vai nesse festival quem não conhece boa música. Ou não quer conhecer e está satisfeito com o que escuta.

Este é meu terceiro texto sobre esse evento, significando que há exatos dois anos escrevo aqui. Só este fato já merece um texto. Mas não agora.

Bem, vamos ao que interessa. Vou comentar a escalação de mais uma edição desse festival, o qual (mais uma vez) farei questão de não assistir. A última vez que fui ao Pop Rock Brasil foi em 1997, por causa de uma amiga minha... Bom, deixa pra lá.

Por que não vou mais? Eu prezo pela minha integridade física (bem, mais ou menos né...) e, principalmente, pela minha integridade moral. Quase todas as atrações são destinadas para o público jovem, que acha Malhação o máximo, acha que The Calling toca rock, (mas só gosta porque acha o vocalista magricelo, que faz a sombrancelha, "bonito") e que idolatra poluições sonoras como Sandy & Júnior e toda a baba teen, além das bandas que fazem pose, como o LS Jack - que, infelizmente, não participará desta edição. Já pensaram em uma briga entre o LS Jack e o Jota Quest? Briga de família, onde quem vai perder, eu não sei. Mas a música sai ganhando, tenho certeza.

No sábado, dia 9 de agosto, teremos:

Jam Pow!: não conhece? Não perderam nada! Banda nova, dessa safra que toca pop-rock e faz pose de roqueiro, se achando o tal. Mais um produto que sai do ventre de Minas Gerais para nos envergonhar em todo o Brasil. Pelo menos os caras são muito gente boa, o Bauxita (vocal) e o Jamaica (baixo) são extremamente simpáticos. Se eles lançassem um cd de entrevistas (como a picaretagem que foi esse último disco do Renato Russo), eu até poderia engolir. Mas na música... E olha que o Bauxita prometeu um disco de "metal adidas"... O cara é muito engraçado...

Fanta Quest: arrume todos os termos que você conseguir: som imbecil, descartável, pura pose, porcaria, lixo, agressão aos bons ouvidos, brega, ridículo... É a banda predileta da casa. Letras de quinta série do primário (se bem que na 5ª série eu já escrevia de forma razoável) arranjos forçados, feitos de forma única e exclusiva pra vender, ganhar dinheiro. O importante não é fazer música, é faturar em cima dela. Viva o Jota Quest, a lenda viva da aberração musical. Se isso é pop, quero distância.

Rodox: aleluia, irmão! O Rodolfo agora fala sério e entope seus discos com mensagens "otimistas" do Senhor. Pra disfarçar essa lorota no estilo do Catedral, tocam rock pesado e punk rock. Se o show fosse instrumental, sem as letras, valeria a pena. Mas compensa muito mais ir a qualquer igreja (literalmente) de esquina.

Skank: chega, né! Oitava participação da banda em 14 edições do evento. Vão tocar os hits que ninguém agüenta mais ouvir (exceto os fãs) e as músicas do novo disco dos Beatles, ops, deles. Vai ser o melhor show da noite, sem a menor sombra de dúvida, até porque confere só quem vem abaixo...

Titãs: a banda dos mortos-vivos. Uma banda que não tem a dignidade de saber a hora de acabar, merece mesmo todas as críticas. Aos poucos, alguns integrantes vão demonstrando um mínimo de decência e dignidade, abandonando o barco. Quem fica, só quer fazer shows e ganhar dinheiro. Os Titãs foram uma boa banda nos anos 80, mas deveriam ter acabado no início dos anos 90. Agora, fazem os shows com os hits óbvios e com releituras fúteis. Só os Rolling Stones podem fazer isso.

Angra: hã? Uma banda que quase não toca na rádio que patrocina o evento (98FM) é chamada pra tentar convencer a galera que curte um som mais, er... "elaborado". Não gosto do estilo de som do Angra. Aliás, nem do som, que eu acho chato demais. Demais mesmo! E acho os fãs engraçadíssimos, eles veneram seus ídolos como fãs de boyband. Depois desse comentário, vou ter que ficar um bom tempo sem ir à galeria do rock daqui de BH...

Engenheiros do Hawaii: a banda, composta por Humberto Gessinger + o resto, chega à sua sexta apresentação no Pop Rock Brasil, sendo a quarta consecutiva. Letras que não dizem absolutamente nada (e nesse "nada" os fãs juram que enxergam algo) e toda aquela falácia tradicional do pastor Gessinger para o seu rebanho de fiéis, que idolatram o "gênio" da nossa música. A apresentação será marcante, com Gessinger cantando os hits históricos, tocando guitarra e fazendo pose. Pra quem já chamou o oportunista Paulo Ricardo ao palco, quem sabe o Gessinger não convida outra "atração bizarra" pra participar do show e realizar um dueto com ele? Quem sabe o Chorão, o pior vocalista do Brasil (só do Brasil?). Ou os meninos do KLB, que poderiam também fazer uma coreografia em "Infinita Highway". Seria uma boa, hein?

Frejat: esse é genial. Só pode ser. Pra dizer que o Barão Vermelho, em muitos momentos, "tocava melhor que os Rolling Stones" e que o "Eric Clapton tem um estilo de tocar guitarra parecido com o meu" (dele), espera-se um megashow. Igual àquele (que tive a extrema infelicidade de assistir) no Rio de Janeiro, antes do show do Clapton. Vai tocar suas canções de amor meloso, pra alegria das noveleiras de plantão. E alguns rocks com virilidade, pra satisfazer os fãs do Barão Vermelho, banda que, admito, já fui fã, mas não deixa nenhuma saudade.

No dia 10, as atrações continuam "excepcionais":

Squadra: se eu pudesse rotular essa banda "arranjada", "lixo" seria um elogio. De onde vem? Claro, daqui de Minas, uai... Um disco lançado, péssimas canções e nenhuma repercussão. Vai ser um show parecido com o de desgraças como Detonautas e O Surto que, por não possuírem repertório suficiente (e nem qualidade), apelam para as covers. Se o Squadra não tocar nenhuma cover, sairá com dignidade. Só isso, nada mais.

Nando Reis: outro show que merece passar desapercebido. Até porque o Nando Reis canta mal à beça e vai irritar quem tentar prestar alguma atenção. Tomara que ele não abuse da picaretice e não toque nada dos Titãs...

Biquíni Cavadão: não é possível... Acho que essa banda só faz sucesso aqui em Minas. Um momento... Banda? Todas as músicas seguem o "padrão anos 80", com aquela manjada batida no fundo, um baixo mal tocado (por isso o baixista foi demitido) e aquela guitarrinha "esperta", horrorosa, duelando com o vocal. As letras são dispensáveis. Eu viro homossexual se eles não tocarem as "pérolas" "Vento Ventania" ou "Zé Ninguém". E ainda vão assassinar o Jorge Benjor, com a vergonhosa releitura pra "Chove Chuva". Ah, nada contra os gays por favor, hein?

Ultraje a Rigor: ufa, finalmente melhorou um pouquinho. O grande mérito do Ultraje é que eles sabem que fazem música ruim e se divertem com isso. Não é como um ignorante do Tihuana, que até fica bravo com quem fala mal deles. O Ultraje vai lá, toca o seu rock e vai embora. E não está nem aí pro resto. Nem pra nós.

O Rappa: que atração, hein? Vão fazer exatamente o mesmo show do ano passado. Já que ninguém ali não tem nada pra fazer, que tal fazer um showzinho? A banda ao vivo, ao contrário dos discos, deixa bastante a desejar. Falta disposição, fõlego e consistência.

QI de Abelha: lá vem o Kid Abelha, com o manjado acústico. Será um sucesso, será um grande prazer ouvir aquelas mesmas músicas de sempre em um formato mais "acessível". Show acústico aberto dá sono. É um fato. Se você vai, aproveite pra dormir até o fim da noite. Não vai perder mais nada. O ápice do show será a releitura contemporânea do "clássico" "Quero te Encontrar" dos inesquecíveis(?) Claudinho & Bochecha.

Capital Inicial: Dinho, o homem das coreografias, gingados e poses, chega em BH embalado pelo sucesso do (quase acústico) Rosas e Vinho Tinto. Se eles tocarem o disco Atrás dos Olhos (1998) completo, o show pode fazer algum sentido. Agora, se vier aquela babação acústica, não dá! Ah, não percam as medonhas covers do Iggy Pop e do Oasis.

Gabriel, o Pensador: rap (isso é rap?) pra classe média. Discurso afiado, pra playboys (os quais ele adora falar mal) ficarem curtindo, azarando... Letras "espertas" e muito lero-lero. Aproveite o momento e vá fazer algo mais útil. Sei lá, pergunte a alguém da produção do festival o porquê das ausências dos lastimáveis Charlie Brown Jr., Tihuana, Detonautas, O Surto, LS Jack, Raimundos, Cidade Negra, Nenhum de Nós, entre tantas e tantas bandas que enriquecem o nosso cenário.

Mesmo com as ilustres ausências citadas, o pop/rock brasileiro sobrevive. Se os EUA são os maiores produtores e consumidores de porcaria do mundo, tenho certeza de que estamos chegando perto...

Bomba! Notícia de última hora: a banda Udora (ex-Diesel) está sem gravadora. Eles tinham assinado com a J Records (da RCA) e estavam no estúdio finalizando o primeiro disco após o independente Diesel (2000). David, o empresário dos caras, não deu muitos detalhes no e-mail que enviou para a mailing list oficial da banda. Como já trabalhei pra banda e conheço os caras, posso dar o meu palpite. Eles deviam estar insatisfeitos com as interferências da gravadora na sonoridade do trabalho. Os caras sempre bateram o pé pelo total controle artístico. Acho que a gravadora pisou no freio. Estava investindo muito (produção, principalmente) em uma banda espetacular, mas de futuro incerto no cenário mainstrem norte-americano.

Agora, é aguardar maiores informações. Bem, a banda deve procurar um selo bacana, acabar as gravações e lançar logo esse disco. É pra isso que torcemos, para que tudo dê certo. Entretanto, deve demorar ainda mais... O e-mail do empresário está no guestbook de um dos principais sites de fãs do Udora: www.nowherians.hpg.ig.com.br.

O que vocês acham dos S.A.C. (Serviços de Atendimento ao Consumidor)? Dê boas gargalhadas acessando o site (esloveno!) www.cocadaboa.com/archives/cat_sacaneie.php.

Ultimamente, tenho escutado muita coisa: novos do Jane's Addiction e Ocean Colour Scene, Dandy Warhols, Pete Yorn e The Thrills. Em breve, meus comentários.

Momento classificados: estou vendendo um rack. O que é isso? É aquele suporte que vem junto pra colocar os micro-systems, entendeu? O rack que estou vendendo é novo (está na caixa), da marca D'Italiam modelo MS-03. Cerca de 70 centímetros de frente e 40 de profundidade. Tem espaço para colocar 45 cds. Se alguém se interessar, escreva pra mim no sukrilius@abacaxiatomico.com.br porque estou doido pra vender, afinal de contas a situação financeira aqui em casa não está brincadeira.

A frase da semana é do "Wurr", em um e-mail da lista de discussão do site www.dyingdays.net:

"Quando tudo estiver difícil em sua vida e você não conseguir ver uma saída para seus problemas, levante a cabeça, estufe o peito e diga de boca cheia: Agora f**** de vez!!!"

Chega! Até a próxima!

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).

www.britrockpost.blogger.com.br - Blog que participo, sobre rock inglês.

www.udora.net, www.valv.dk, www.hurtmold.cjb.net e www.4sale.kit.net - Sites de quatro das melhores bandas de rock do país.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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