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Beagá, 14 de julho de 2003 d.C.

 
Um trigo no meio do joio
Por Sukrilius
 

Dessa vez, vou falar sobre Cosmotron, novo disco do Skank.

Ah, mas vai ter gente neste site que terá um ataque do coração quando ler esta coluna. Eu explico: o ABACAXI ATÔMICO, de uns tempos pra cá, ficou mais "bonzinho". Eu sempre fui a "ovelha negra" da turma, pois me preocupava mais em elogiar bandas do que em falar mal. Mas o site começou a mudar gradualmente (o El Jako arrumou um ótimo pretexto pra cair fora...) e agora este modesto colunista se sente pressionado. Ora, além de escutar "poucas e boas" do editor (já me acostumei...), sinto uma baita responsabilidade. Fiquei sabendo que este espaço, onde escrevia sem muito afinco, é um dos mais lidos do site. Sinto que as pessoas estão lendo meu texto, há uma maior repercussão. Sério! Só nesta semana, recebi vários e-mails com comentários sobre meus últimos textos, resenhas do Radiohead e Los Hermanos.

Já agradeço de antemão a todos que me escreveram ultimamente, com elogios, críticas, sugestões e observações: Pablo Moreno, Nat, Cinthia, Núbia Rodrigues, Alexandre, Fábio Fleury, Márcio Mieiro, LF (do site www.6emeia.cjb.net)... Me desculpem, recebi em e-mails diferentes, não "gravei" os sobrenomes de todos. Caso tenha me esquecido de alguém, renovo minhas desculpas. Leio e respondo todos os e-mails, sem falta.

Bom, então o "momento Maguila" termina aqui. Vamos ao Skank. Sempre gostei da banda, apesar de não gostar da sonoridade dos discos antigos. Primeiro, veio o Skank. Tosco, disco divertido, despretencioso: dancehall, reggae e ska. Daí apareceu um bom contrato e o mega Calango, para muitos o melhor disco da banda. É bem pop. Aliás, é pop demais! "Te Ver" é uma canção legal, mas confesso que a sonoridade da banda não fazia muito minha cabeça.

Com o bem-sucedido Samba Poconé, o Skank virou "banda de todas as rádios". Um baita disco pop, que não me agrada muito, mas tem seus méritos. Então, a banda ensaia uma mudança: Siderado. É um disco de "transição". Ainda tem canções da fase antiga mas já aponta novos rumos. Um bom exemplo são minhas duas canções favoritas desse disco, que são bem distintas: "Resposta" e "Siderado".

Em Maquinarama (o melhor disco da banda, na minha modesta opinião), a banda acerta a mão. Com uma sonoridade mais folk, sem deixar as músicas "agitadas" de lado, o Skank realizou um disco muito bacana, que não vendeu muito. Começou a vender quando eles caíram na "rede de facilidades da MTV" e lançaram o Ao Vivo.

Agora, Cosmotron. Todo mundo tá elogiando horrores. Nas primeiras vezes que ouvi, achei muito bom. Agora, já faço algumas ressalvas. Sem dúvida, é um bom disco, é um sinal de que ainda é possível fazer pop/rock com melodia e letras bacanas, sem recorrer para as poses de mau, tatuagens "iradas", discurso vazio e letras infantis.

Escolha o melhor chavão: "a banda mergulhou de cabeça na sonoridade dos anos 60/70 mas continua olhando pro futuro" ou "a banda se renovou, antecipou o futuro do pop bebendo na fonte de Beatles e do Clube da Esquina".

É isso, às vezes as influências estão até "exageradas". Samuel canta como Lô Borges em alguns momentos. A guitarra lembrando George Harrison aparece com freqüência - por "coincidência", eles estão usando guitarra e baixo Rickembacker. Quem é fã da carreira solo de Lennon (eu não) também observará algumas semelhanças.

Faixa por faixa, como de costume:

"Supernova": o início lembra bastante "All in the Mind", do Oasis. Muito mesmo!! Claro, se lembra Oasis... Lembra Beatles. A referência de "Tomorrow Never Knows", dos Fab Four, é óbvia. A canção é boa, psicodélica. Porém, nada original. Mas não me preocupo com o que é "original". Caso contrário, jamais gostaria de Oasis, por exemplo...

"As Noites": talvez a melhor música do disco. Balada irresistível, ótima letra. Vocal contido, lembra Clube da Esquina. O instrumental é bacana, principalmente o baixo e o piano.

"Pegadas na Lua": o violão no início já te chama a atenção, por ser bem agradável. Letra legal, ótima música pop. Tem potencial para melhorar a terrível programação das tais "rádios de pop/rock".

"Amores Imperfeitos": esta canção entra no meu conceito de "pop perfeito". Não é agitada, nem muito balada. Tem qualidade e pode tocar no rádio. Ótimo refrão, vocal bem melódico. Guitarra sutil, backing vocal, é a receita certeira do Skank pra fazer canções que são boas e pop ao mesmo tempo.

"Por um Triz": começo contido, depois acelera. Outro destaque do disco. Rock com aroma pop, com um belo teclado no fundo. O final é bem legal.

"Dois Rios": compete com "As Noites" como a melhor do disco. Balada excelente, órgão bem sessentista... Enfim, não vou falar muito, pois vocês já devem conhecê-la. Uma pérola.

"Nômade": chata. Canção pra crítico musical "babar ovo". É aquele tipo de música mais "moderna", quando a banda fica "ousada" e chama o Paco Pigale pra fazer um vocal "exótico". Todos vão elogiar, vão apontar esta música como um dos destaques. Mas eu não engoli. A única parte que gostei foi o piano, no fim.

"Vou Deixar": ótima, a mais agitada do disco. Country-rock dos bons, deve virar hit. Violão gostoso de ouvir, guitarra e teclado dão um belo retoque. Excelente vocal. Letra idem: "Vou deixar a vida me levar / Pra onde ela quiser / Seguir a direção / De uma estrela qualquer / E não quero hora pra voltar, não / Conheço bem a solidão, me solta / E deixe a sorte me buscar". Lembra as melhores coisas do Wallflowers.

"Formato Mínimo": a melhor letra do disco. Não vou transcrevê-la aqui, por preguiça. Acho que faltou o que seria "menos difícil", a melodia. Letra excelente, melodia razoável. O saldo é positivo, mas poderia ser ainda melhor.

"Resta um Pouco Mais": folk dos bons. Ótima letra e boa melodia. Pra quem toca violão, recomendo começar a "tirar" o disco por esta música.

"Os Ofendidos": mais rock, outra que merece atenção. Faixa que poderia estar perfeitamente em Maquinarama. Empolgante, aqui as letras estão tão boas quanto a melodia. Por isso, merece um destaque.

"É Tarde": lembra "Balada do Amor Inabalável", do último disco de estúdio da banda. Mas sem o mesmo brilhantismo. A letra é boa, mas a música é enjoadinha, meio arrastada.

"Um Segundo": razoável. Sabem aquela canção que "parece que vai decolar", que quando chega no momento clímax... Não chega? Esta é um bom exemplo. Classificaria como uma "quase boa canção". Ah, a guitarra está ótima, principalmente no fim.

"Sambatron": não gostei. Podem me chamar de "conservador". Não gosto quando o Skank "inventa moda", flerta com outros ritmos. Gosto quando a banda passeia pelo rock, com pitadas de pop, country e folk. Admito: eu já escuto com "outros ouvidos" quando ela soa diferente. É um defeito, mas quando vejo canções mais "experimentais" (péssimo termo) como esta e "Nômade", eu não suporto.

Não acho que Cosmotron será o melhor disco do ano, como muitos críticos já gritam por todos os cantos. Mas sem dúvida está bem acima de 99% dos trabalhos das bandas "mainstream" do pop/rock nacional.

Vocês viram os indicados ao VMB? Jabá pouco é bobagem. O Capital Inicial concorre em várias categorias com um videoclipe ao vivo (!!!). O que o dinheiro não faz... E a categoria melhor videoclipe internacional? Para que serve? Tomara que este ano eles consigam entrevistar a banda vencedora. No ano passado, eles mostraram uma entrevista em que o Linkin Park falava sobre a gravação do disco e a MTV "dublou por cima", como se eles estivessem agradecendo o prêmio. Não rolou nem um "thank you". É dose.

Prezado abacaxeiro Henry Chinaski: não estamos tão sós. O Caboclo Alaranjado também é fã de Los Hermanos. A banda não vai tocar na cidade onde ele mora, Belém. Ele está pensando em viajar 700 quilômetros até Imperatriz (MA) para vê-los ao vivo. Isso é que é fã. Só falta o Cajabis Cannabis deixar a "tradicional antipatia" e preconceito contra as bandas nacionais e admitir que os dois últimos discos da banda são muito bons. Mas é pedir demais. Será que ele vai levar mais essa provocação a sério?

Enfim, assisti o Anthology, dos Beatles. O adjetivo mais contido que arrumo para descrevê-lo: magnífico. É algo que fiz um baita sacrifício pra comprar. Mas vale cada centavo. E ainda saio no lucro. Esse Anthology é um documento definitivo, para eu mostrar pros meus netos. É impossível comentar 11 horas de documentário. Eu sei que o Caboclo Alaranjado também assistiu. Ofereço este espaço caso ele queira tecer alguns comentários.

Outro dvd, este não "tão indispensável" mas que vale muito a pena assistir, é o do Led Zeppelin, que acabou de sair. Cenas raras, shows com ótima qualidade de imagem e áudio. São apresentações desde 1969 até 1979, pouco antes da morte do batera John Bonham - segundo as "boas" línguas, o maior baterista de todos os tempos.

Essa é pra quem mora em Belo Horizonte. No dia 30 de Julho (4ª feira) no bar A Obra, vão rolar dois shows bacanas: 4Sale (conhecem? Acho que já falei sobre eles cerca de 538 vezes) e Old Shoe Box. Começa às 22 horas e o ingresso custa apenas 3 reais. Por uma noite, vou "resgatar" minha curta e mal-sucedida carreira de DJ. Antes das bandas tocarem, eu vou estar lá comandando o som. Se a galera gostar (não creio), depois dos dois shows eu continuo tocando britpop, indie rock e rock alternativo.

Meu Deus! Ouvi falar que vem aí o Acústico MTV Charlie Brown Jr.. O Troféu ABACAXI ATÔMICO do próximo ano já tem um candidato fortíssimo. Só não digo que é "invencível" porque em breve vai sair o MTV Ao Vivo Jota Quest. Páreo duro!

Na próxima semana, falo sobre o novo disco do Stereophonics. Mas o destaque vai ser o novo (?) disco do Led Zeppelin, How the West Was Won. Até!

Links do Sukrilius:

Real Love  -
Smashing
Pumpkins Song Adoption

Hang On

www.uol.com.br/folha/pensata - coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão, só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola" e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas que poucos conhecem são recomendadas por ele.

www.screamyell.com.br - ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro, livros. Tudo que é interessante e bom está lá.

www.6emeia.cjb.net - zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos, livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).

www.britrockgroup.hpg.ig.com.br - Britrockgroup é uma lista de discussão do Yahoogrupos sobre rock britânico e eu sou um dos moderadores desta lista.

www.udora.net, www.valv.dk e www.4sale.kit.net - Sites de três das melhores bandas de rock do país.

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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