|
Dessa
vez, vou falar sobre Cosmotron, novo disco do Skank.
Ah,
mas vai ter gente neste site que terá um ataque do coração quando
ler esta coluna. Eu explico: o ABACAXI ATÔMICO, de uns tempos
pra cá, ficou mais "bonzinho". Eu sempre fui a "ovelha negra" da
turma, pois me preocupava mais em elogiar bandas do que em falar
mal. Mas o site começou a mudar gradualmente (o El Jako arrumou
um ótimo pretexto pra cair fora...) e agora este modesto colunista
se sente pressionado. Ora, além de escutar "poucas e boas" do editor
(já me acostumei...), sinto uma baita responsabilidade. Fiquei sabendo
que este espaço, onde escrevia sem muito afinco, é um dos mais lidos
do site. Sinto que as pessoas estão lendo meu texto, há uma maior
repercussão. Sério! Só nesta semana, recebi vários e-mails com comentários
sobre meus últimos textos, resenhas do Radiohead
e Los Hermanos.
Já
agradeço de antemão a todos que me escreveram ultimamente, com elogios,
críticas, sugestões e observações: Pablo Moreno, Nat, Cinthia, Núbia
Rodrigues, Alexandre, Fábio Fleury, Márcio Mieiro, LF (do site www.6emeia.cjb.net)...
Me desculpem, recebi em e-mails diferentes, não "gravei" os sobrenomes
de todos. Caso tenha me esquecido de alguém, renovo minhas desculpas.
Leio e respondo todos os e-mails, sem falta.
Bom,
então o "momento Maguila" termina aqui. Vamos ao Skank. Sempre gostei
da banda, apesar de não gostar da sonoridade dos discos antigos.
Primeiro, veio o Skank. Tosco, disco divertido, despretencioso:
dancehall, reggae e ska. Daí apareceu um bom contrato e o mega Calango,
para muitos o melhor disco da banda. É bem pop. Aliás, é pop demais!
"Te Ver" é uma canção legal, mas confesso que a sonoridade da banda
não fazia muito minha cabeça.
Com
o bem-sucedido Samba Poconé, o Skank virou "banda de todas
as rádios". Um baita disco pop, que não me agrada muito, mas tem
seus méritos. Então, a banda ensaia uma mudança: Siderado.
É um disco de "transição". Ainda tem canções da fase antiga mas
já aponta novos rumos. Um bom exemplo são minhas duas canções favoritas
desse disco, que são bem distintas: "Resposta" e "Siderado".
Em
Maquinarama (o melhor disco da banda, na minha modesta opinião),
a banda acerta a mão. Com uma sonoridade mais folk, sem deixar as
músicas "agitadas" de lado, o Skank realizou um disco muito bacana,
que não vendeu muito. Começou a vender quando eles caíram na "rede
de facilidades da MTV" e lançaram o Ao Vivo.
Agora,
Cosmotron. Todo mundo tá elogiando horrores. Nas primeiras
vezes que ouvi, achei muito bom. Agora, já faço algumas ressalvas.
Sem dúvida, é um bom disco, é um sinal de que ainda é possível fazer
pop/rock com melodia e letras bacanas, sem recorrer para as poses
de mau, tatuagens "iradas", discurso vazio e letras infantis.
Escolha
o melhor chavão: "a banda mergulhou de cabeça na sonoridade dos
anos 60/70 mas continua olhando pro futuro" ou "a banda se renovou,
antecipou o futuro do pop bebendo na fonte de Beatles e do Clube
da Esquina".
É isso,
às vezes as influências estão até "exageradas". Samuel canta como
Lô Borges em alguns momentos. A guitarra lembrando George Harrison
aparece com freqüência - por "coincidência", eles estão usando guitarra
e baixo Rickembacker. Quem é fã da carreira solo de Lennon (eu não)
também observará algumas semelhanças.
Faixa
por faixa, como de costume:

"Supernova":
o início lembra bastante "All in the Mind", do Oasis. Muito mesmo!!
Claro, se lembra Oasis... Lembra Beatles. A referência de "Tomorrow
Never Knows", dos Fab Four, é óbvia. A canção é boa, psicodélica.
Porém, nada original. Mas não me preocupo com o que é "original".
Caso contrário, jamais gostaria de Oasis, por exemplo...
"As
Noites": talvez a melhor música do disco. Balada irresistível, ótima
letra. Vocal contido, lembra Clube da Esquina. O instrumental é
bacana, principalmente o baixo e o piano.
"Pegadas
na Lua": o violão no início já te chama a atenção, por ser bem agradável.
Letra legal, ótima música pop. Tem potencial para melhorar a terrível
programação das tais "rádios de pop/rock".
"Amores
Imperfeitos": esta canção entra no meu conceito de "pop perfeito".
Não é agitada, nem muito balada. Tem qualidade e pode tocar no rádio.
Ótimo refrão, vocal bem melódico. Guitarra sutil, backing vocal,
é a receita certeira do Skank pra fazer canções que são boas e pop
ao mesmo tempo.
"Por
um Triz": começo contido, depois acelera. Outro destaque do disco.
Rock com aroma pop, com um belo teclado no fundo. O final é bem
legal.
"Dois
Rios": compete com "As Noites" como a melhor do disco. Balada excelente,
órgão bem sessentista... Enfim, não vou falar muito, pois vocês
já devem conhecê-la. Uma pérola.
"Nômade":
chata. Canção pra crítico musical "babar ovo". É aquele tipo de
música mais "moderna", quando a banda fica "ousada" e chama o Paco
Pigale pra fazer um vocal "exótico". Todos vão elogiar, vão apontar
esta música como um dos destaques. Mas eu não engoli. A única parte
que gostei foi o piano, no fim.
"Vou
Deixar": ótima, a mais agitada do disco. Country-rock dos bons,
deve virar hit. Violão gostoso de ouvir, guitarra e teclado dão
um belo retoque. Excelente vocal. Letra idem: "Vou deixar a vida
me levar / Pra onde ela quiser / Seguir a direção / De uma estrela
qualquer / E não quero hora pra voltar, não / Conheço bem a solidão,
me solta / E deixe a sorte me buscar". Lembra as melhores coisas
do Wallflowers.
"Formato
Mínimo": a melhor letra do disco. Não vou transcrevê-la aqui, por
preguiça. Acho que faltou o que seria "menos difícil", a melodia.
Letra excelente, melodia razoável. O saldo é positivo, mas poderia
ser ainda melhor.
"Resta
um Pouco Mais": folk dos bons. Ótima letra e boa melodia. Pra quem
toca violão, recomendo começar a "tirar" o disco por esta música.
"Os
Ofendidos": mais rock, outra que merece atenção. Faixa que poderia
estar perfeitamente em Maquinarama. Empolgante, aqui as letras
estão tão boas quanto a melodia. Por isso, merece um destaque.
"É
Tarde": lembra "Balada do Amor Inabalável", do último disco de estúdio
da banda. Mas sem o mesmo brilhantismo. A letra é boa, mas a música
é enjoadinha, meio arrastada.
"Um
Segundo": razoável. Sabem aquela canção que "parece que vai decolar",
que quando chega no momento clímax... Não chega? Esta é um bom exemplo.
Classificaria como uma "quase boa canção". Ah, a guitarra está ótima,
principalmente no fim.
"Sambatron":
não gostei. Podem me chamar de "conservador". Não gosto quando o
Skank "inventa moda", flerta com outros ritmos. Gosto quando a banda
passeia pelo rock, com pitadas de pop, country e folk. Admito: eu
já escuto com "outros ouvidos" quando ela soa diferente. É um defeito,
mas quando vejo canções mais "experimentais" (péssimo termo) como
esta e "Nômade", eu não suporto.
Não
acho que Cosmotron será o melhor disco do ano, como muitos
críticos já gritam por todos os cantos. Mas sem dúvida está bem
acima de 99% dos trabalhos das bandas "mainstream" do pop/rock nacional.

Vocês
viram os indicados ao VMB? Jabá pouco é bobagem. O Capital Inicial
concorre em várias categorias com um videoclipe ao vivo (!!!). O
que o dinheiro não faz... E a categoria melhor videoclipe internacional?
Para que serve? Tomara que este ano eles consigam entrevistar a
banda vencedora. No ano passado, eles mostraram uma entrevista em
que o Linkin Park falava sobre a gravação do disco e a MTV "dublou
por cima", como se eles estivessem agradecendo o prêmio. Não rolou
nem um "thank you". É dose.

Prezado
abacaxeiro Henry Chinaski: não estamos tão sós. O Caboclo Alaranjado
também é fã de Los Hermanos. A banda não vai tocar na cidade onde
ele mora, Belém. Ele está pensando em viajar 700 quilômetros até
Imperatriz (MA) para vê-los ao vivo. Isso é que é fã. Só falta o
Cajabis Cannabis deixar a "tradicional antipatia" e preconceito
contra as bandas nacionais e admitir que os dois últimos discos
da banda são muito bons. Mas é pedir demais. Será que ele vai levar
mais essa provocação a sério?

Enfim,
assisti o Anthology, dos Beatles. O adjetivo mais contido
que arrumo para descrevê-lo: magnífico. É algo que fiz um baita
sacrifício pra comprar. Mas vale cada centavo. E ainda saio no lucro.
Esse Anthology é um documento definitivo, para eu mostrar
pros meus netos. É impossível comentar 11 horas de documentário.
Eu sei que o Caboclo Alaranjado também assistiu. Ofereço este espaço
caso ele queira tecer alguns comentários.

Outro
dvd, este não "tão indispensável" mas que vale muito a pena assistir,
é o do Led Zeppelin, que acabou de sair. Cenas raras, shows com
ótima qualidade de imagem e áudio. São apresentações desde 1969
até 1979, pouco antes da morte do batera John Bonham - segundo as
"boas" línguas, o maior baterista de todos os tempos.

Essa
é pra quem mora em Belo Horizonte. No dia 30 de Julho (4ª feira)
no bar A Obra,
vão rolar dois shows bacanas: 4Sale (conhecem? Acho que já falei
sobre eles cerca de 538 vezes) e Old Shoe Box. Começa às 22 horas
e o ingresso custa apenas 3 reais. Por uma noite, vou "resgatar"
minha curta e mal-sucedida carreira de DJ. Antes das bandas tocarem,
eu vou estar lá comandando o som. Se a galera gostar (não creio),
depois dos dois shows eu continuo tocando britpop, indie rock e
rock alternativo.

Meu
Deus! Ouvi falar que vem aí o Acústico MTV Charlie Brown Jr..
O Troféu ABACAXI ATÔMICO do próximo ano já tem um candidato fortíssimo.
Só não digo que é "invencível" porque em breve vai sair o MTV
Ao Vivo Jota Quest. Páreo duro!

Na
próxima semana, falo sobre o novo disco do Stereophonics. Mas o
destaque vai ser o novo (?) disco do Led Zeppelin, How the West
Was Won. Até!
Links
do Sukrilius:


www.uol.com.br/folha/pensata
- coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão,
só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola"
e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas
que poucos conhecem são recomendadas por ele.
www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.6emeia.cjb.net
- zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos,
livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor
e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).
www.britrockgroup.hpg.ig.com.br
- Britrockgroup é uma lista de discussão do Yahoogrupos sobre rock
britânico e eu sou um dos moderadores desta lista.
www.udora.net,
www.valv.dk e www.4sale.kit.net
- Sites de três das melhores bandas de rock do país.
|