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O Radiohead
goza de um inegável prestígio na música pop. A banda fez a música
"de gato e sapato" e, contrariando tudo e todos, obteve êxito com
isso. Claro, muitos não gostaram. Por mim, eles podiam ficar na
sonoridade dos três primeiros discos. Mas aí a banda não seria o
Radiohead, porque eles não possuem a menor cerimônia em ousar, em
quebrar barreiras, em fazer o que o maluco Thom Yorke tem em mente.
A banda pode ter três guitarristas e gravar um disco onde metade
das faixas não tem guitarra. Na outra metade, aparece afogada em
elementos eletrônicos e teclados climáticos.
Por
isso, eu acho totalmente compreensível o "saudosista" Cajabis Cannabis
colocar este novo disco da banda na lixeira.
O Cajabis é uma viúva da fase rock da banda. Na opinião dele, o
Radiohead devia fazer só Pablo Honeys. Sim, ficaria legal,
mas não teria graça. O que uma banda precisa pra se destacar, chamar
a atenção e ficar acima de todas é inovar, derrubar conceitos e
fazer o que bem entender, sem se lixar pras rádios e MTV. E isso
o Radiohead faz. Lendo a crítica do Cajabis, comecei a rir. Porque
eu conheço pessoalmente o sujeito (e seu gosto musical), então quando
a banda faz qualquer coisa lenta que não tenha violão, ele já acha
chato. Ele mesmo me disse que a única música que ele não gostava
do magnífico Up, do R.E.M., era a primeira ("Airportman"),
que era... Como? Lenta, cheia de climas, segundo ele "cabeça", bem
Radiohead. Quando algo é complexo, pra ele é "cabeçudo", igual Los
Hermanos. Mas vamos voltar à resenha.
No
início, a banda fazia o trivial: rock'n'roll. Pablo Honey
é bacana, possui algumas canções maravilhosas, mas não destoa no
cenário. É "apenas mais um ótimo disco de rock". Depois, veio o
apogeu: The Bends, pra muitos, é o melhor disco da banda.
A banda permanece no rock, mas envolve o disco com um certo aroma
pop, graças às magníficas baladas. Um disco que entra fácil no ranking
dos melhores da década de 90. Aí veio o OK Computer e a banda
mostrou que é possível fazer "rock inteligente". É um disco que
dispensa maiores comentários. Trilha sonora para suicidas, amantes
e para quem ainda aprecia boas letras e melodias, que fogem do padrão
rádio/MTV. É um disco extremamente complexo, cada minuto possui
doses cavalares de melancolia e beleza. Tentei (em vão) resenhá-lo.
Pra mim, é o melhor disco da década de 90, na frente do magnífico
(mas que a imprensa exagera, só porque a banda já acabou) Nevermind,
do Nirvana.
Em
1997, eu já não conseguia acompanhar os passos do Radiohead. Então,
a banda cavou seu próprio buraco. O que não esperava era que milhões
de fãs entrassem juntos. A banda ficou incomodada com o sucesso,
ameaçou terminar e, depois de três intermináveis anos, veio Kid
A. Tomei um susto sobrenatural no início. Depois, fui sendo
conquistado pelas melodias nada convencionais, com uma sonoridade
nada pop e por uma "aura" que está presente em todos os trabalhos
da banda. Não sei, é um clima etéreo, é algo que te prende, que
te encanta.
Depois
veio o "Kid B", quer dizer, o Amnesiac, que já possuía algumas
coisas chatas. E a banda não estava nem aí. O Radiohead flertava
com o jazz, usava e abusava de elementos eletrônicos e mergulhava
em um mundo sombrio. Thom Yorke deveria estar feliz, até gravou
um ótimo EP ao vivo ("I Might Be Wrong") só com as músicas da fase
"pirada" ("Kid A" e "Amnesiac").
Enfim,
chegamos a Hail to the Thief ou The Gloaming - sim,
todos os títulos possuem sinônimos, ou então sub-títulos. Ajuda
pra quem quer baixas as músicas na internet... As guitarras voltaram?
Sim, ainda são sutis, mas voltaram. Os elementos eletrônicos permanecem?
Sim, mas em menor quantidade. Eu poderia arriscar, dizer que "é
um disco de transição", que a banda está deixando a fase do "extremo
experimentalismo" e voltar a uma sonoridade mais crua. Mas é impossível
prever o que se passa pelas cinco privilegiadas cabeças do Radiohead.
O novo
disco é muito bom, mas peca em não ter o "diferencial", a tal "aura".
Não aponta novos rumos, como em OK Computer. A banda se reciclou,
misturou a "fase antiga" com a "fase atual". O resultado é algo
novo, porém que não surpreende. Algumas canções poderiam estar no
Amnesiac, assim como outras poderiam estar no The Bends.
De qualquer forma, é um disco excelente, do qual faço uma rápida
análise:

"2+2=5"
ou "The Lukewarm": início espetacular. Começa devagar, triste. Chega
o refrão. Na primeira vez que eu ouvi, batia a cabeça como um metaleiro.
Depois de seis anos, a banda volta ao rock'n'roll e empolga. Do
refrão para a frente, as guitarras são maravilhosas. O vocal do
Thom Yorke possui uma tristeza, uma sutileza e ao mesmo tempo uma
agressividade que são difíceis de se conciliar. As letras, continuam
uma beleza: "Go & tell the king that / The sky is falling in / When
it's not / Maybe not". Corra até a internet e baixe. Sensacional.
"Sit
Down. Stand Up" ou "Snakes & Ladders": começa com um belo piano,
melancólica, como o Coldplay (que sempre copia o Radiohead). Então,
a canção vai crescendo e... Fica eletrônica. Vocal, "parede eletrônica"
e piano. Aí a canção volta a acelerar e você começa a se perder
no meio de tantos barulhos estranhos. Legal.
"Sail
to the Moon" ou "Brush the Cobwebs Out of the Sky": linda, teclado
e guitarra dão as cartas. O vocal encanta. Balada maravilhosa, muito
lenta pra ser pop.
"Backdrifts"
ou "Honeymoon is Over": totalmente eletrônica, como a banda fez
na maioria das canções dos últimos trabalhos. Legalzinha, mas não
recomendo para quem não gostou do Amnesiac. Não é nada demais,
possui um vocal muito bom. E um som pra viajar. Lá pelo meio, ela
melhora com o aparecimento do piano. Enfim, bem climática, pra ouvir
deitado. Mas enjoa um pouco.
"Go
to Sleep" ou "Little Man Being Erased": maravilhosa. Depois de "séculos",
o Radiohead volta a usar violão. Uma das melhores músicas do ano,
as guitarras no fim são deliciosas. Os backing vocals também. Deve
virar "música de trabalho". Essa entraria fácil no The Bends.
Vale a pena fazer o download.
"Where
I End and You Begin" ou "The Sky is Falling in": outra excelente
canção. Rock mais denso, mais complexo, bem OK Computer.
O teclado no fundo dá um clima sombrio. O vocal só complementa.
Baixo e bateria fazem o fundo com categoria. O teclado e vocal tomam
as rédeas da canção. Lá pela metade, aparece a tão esperada guitarra,
tímida, mas o suficiente para te encantar, e você se rende. No final,
ela reaparece, mas você já é refém.
"We
Suck Young Blood" ou "Your Time is Up": mais um destaque. Vocal
angustiado, piano e palmas. Só com isso, a música já vale a pena.
Mas ainda aparece o backing vocal do Ed O'Brien junto com o vocal
"dobrado" do Thom Yorke e um teclado de cemitério que deixam a canção
ainda mais bela. Isso sem contar a parte que a canção acelera...
Pode fazer o download, canção linda.
"The
Gloaming" ou "Softly Open Our Mouths in the Cold": a "outra" canção
totalmente eletrônica do disco. A parte eletrônica é até mais interessante
do que a "Backdrifts", mas o vocal repetitivo acaba enjoando. O
destaque é o backing vocal, muito bom.
"There
There" ou "The Boney King of Nowhere": um dos destaques de 2003.
Primeira "música de trabalho", dá alguma esperança pra quem quer
ver o Radiohead fazer rock. Não, não é um rock como "Just" ou "You".
É o rock da atual fase, com mais feeling. As guitarras dizem alguma
coisa, não fazem só barulho. Canção complexa e belíssima. A "bridge"
da música já explica toda a filosofia do Radiohead: "Just because
you feel it / Doesn't mean it's there". Música linda, videoclipe
maravilhoso, é o Radiohead que eu gostaria de ouvir daqui pra frente.
Procure-a na internet.
"I
Will" ou "No Man's Land": calma e sombria. É muito bonita, pois
trata-se de uma canção curta, de apenas dois minutos. Se ficasse
nessa lentidão por mais dois minutos, eu morria de tédio. Mas bem,
nesses dois minutos o vocal, as demais vozes e a guitarra são delicados,
belos. Ótima e lenta.
"A
Punchup at a Wedding" ou "No no no no no no no no": levada excelente.
Nem tão agitada, nem tão calma. O piano está uma beleza, vocal idem.
Letra bacana, outro destaque. Vale o download.
"Myxomatosis"
ou "Judge, Jury & Executioner": segundo Thom Yorke, esse seria o
"funk" do Radiohead. "Comparações absolutamente desconexas à parte",
é outra boa canção do disco. Não sou músico, mas me parece que o
"fundo" da canção é uma soma de baixo com distorção, guitarra e
teclado. Além disso: bom vocal, teclado pra viajar e a bateria.
Excelente e esquisita, bem Radiohead.
"Scatterbrain"
ou "As Dead as Leaves": balada das mais belas. Vocal e guitarra
se completam. Quando a segunda guitarra aparece, você agradece,
mas nem precisava.
"A
Wolf at the Door" ou "It Girl. Rag Doll.": aqui está o maior destaque
do disco. Briga com "2+2=5", "There There" e "Go to Sleep" como
a melhor de todas. Leva a vantagem por soar diferente, original.
Não tenho o que dizer. Baixe-a. Canção indispensável, pra se cantar
acompanhando a letra. Fecha o disco de forma soberba.

Aproveito
pra fazer meu ranking dos discos de estúdio do Radiohead:
1.
OK Computer
2. The Bends
3. Hail to the Thief
4. Kid A
5. Pablo Honey
6. Amnesiac

Ouro
de tolo! O Lúcio Ribeiro continua forçando a barra: não pára de
incensar o tal Yeah Yeah Yeahs, banda americana (hype do momento)
do tal "novo rock". Fiquei quieto. Aí, o "Mac", o Marcelo Costa
(site Scream & Yell) também elogiou horrores. Então fui conferir.
Como é ruim! Além disso, é um tipo de som artificial, "descartável".
É um rock que posso até ouvir direto, mas que estarei enjoado daqui
a dois meses. Tipo música pop. A tal vocalista Karen O, que está
despertando elogios na imprensa, canta mal à beça. E sua voz é extremamente
irritante. Yeah Yeah Yeahs é uma das maiores bobagens que surgiram
neste ano. É engraçado como esses jornalistas "especializados" em
música adoram o que é tosco. Tem tanta coisa tosca melhor do que
Yeah Yeah Yeahs que nem vou começar a enumerar...

Aviso
pra galera de São Paulo: o 4Sale (excelente banda daqui de BH) não
deve mais participar de um festival em Sampa, em Agosto. A banda
estava juntando grana pra viajar. Mas aí eles tiveram a sensata
decisão (ok, também dei esse palpite...) de "investir" esse dinheiro
na gravação de um disco "cheio". Deixe-me explicar: o 4Sale tem
uma demo com 3 músicas. A banda já tem 9 canções prontas (quase
10). Então, é melhor gravar um disco "normal" e correr atrás dos
shows com ele debaixo do braço, não é mesmo?
Quem
é meu leitor (bem) antigo sabe que quando eu recomendo uma banda
nova, independente, é porque compensa (putz, a modéstia passou longe...).
Nem sei bem quando foi, acho que em 2001, fiz um texto falando sobre
uma tal banda Diesel. Bom, deu certo (não só por minha causa, haha).
Os caras estão muito bem em L.A. e novo disco do Udora (ex-Diesel)
sai em breve. Sim, trabalhei pra banda. Era tão fã que peguei no
pé do então empresário, Tiago Dolabella, que acabou aceitando. Dois
anos se passaram.
Já
escrevi algumas coisas sobre essa banda, 4Sale. Sim, faço parte
da equipe, do "cast" - já deu pra reparar, né... Faço um hype intenso...
"Trabalho de graça" pra banda. Aliás, saio no lucro. Vou aos shows
de carona, assisto o show de graça (e do palco, às vezes segurando
a bateria) e ainda almoço todo domingo na casa do Cacau, o baterista.
É, me dei bem... Vou fazer um texto "de verdade" sobre o 4Sale assim
que o disco "cheio" ficar pronto. Claro, serei idôneo. Se estiver
ruim (não creio), serei o primeiro a falar. Se não fosse assim,
jamais escreveria para este majestoso site. Aliás, jamais escreveria.

Pra
quem gosta de rock anos 80, a boa pedida é uma banda chamada The
Sounds, da Suécia. Rock divertido para festas. Se você é fã de Blondie
(principalmente), Talking Heads, B-52's e de technopop, não perca
tempo. Os destaques são "Seven Days a Week", "Dance With Me", "Hit
Me", "Like a Lady" (esse teclado é o que há de melhor e pior na
música dos anos 80) e "Fire". A melhor é a faixa "Rock'n'Roll",
que de rock não tem muito. A diversão está garantida. Ah, o nome
do único disco é Living in America e saiu este ano.
Vocês
não acreditam o "revival" que rolou enquanto escutava esse disco.
As festas da minha infância, quanta saudade...

No
blog da Regina de Andrade (perplexoes.blig.ig.com.br),
ela disse que teve a infelicidade de escutar uma cover da terrível
"Whatever Will You Go", da boyband Calling. A cover foi em português:
a dupla breganeja-espinha-teen Pedro & Thiago. Escrevam pra mim
e me digam qual a pior versão. Páreo duro...

Essa
é pra quem curte heavy metal meio trash: Armpyt, banda bacana de
Campinas. Se você é fã de Pantera e gosta de pauleiras nesse estilo,
acesse o site dos caras (www.armpyt.com).

E com
toda a justiça, o Boca foi campeão da Libertadores. Além de ter
jogado melhor nos dois jogos, marcou com extrema eficiência. Os
argentinos deram um baile de consciência tática. O brasileiro acha
que é o bom, que é só entrar em campo e ganhar... Os argentinos
são bons também, souberam anular as armas do Santos e a hora certa
de atacar. Os dois atacantes do Boca corriam para marcar os avanços
dos zagueiros do Santos. Deram aula.

Nossa,
escrevi demais dessa vez, hein? Talvez(!) eu fale sobre o novo disco
do Skank na próxima semana, além de Led Zeppelin. Certo mesmo, só
Beatles e a picaretagem que está sendo esse próximo (só esse?) VMB
da MTV. Até!
Links
do Sukrilius:


www.uol.com.br/folha/pensata
- coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão,
só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola"
e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas
que poucos conhecem são recomendadas por ele.
www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.6emeia.cjb.net
- zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos,
livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor
e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).
www.britrockgroup.hpg.ig.com.br
- Britrockgroup é uma lista de discussão do Yahoogrupos sobre rock
britânico e eu sou um dos moderadores desta lista.
www.udora.net,
www.valv.dk e www.4sale.kit.net
- Sites de três das melhores bandas de rock do país.
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