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Não,
não quero provocar ninguém. Se bem que, como escrevo para um site
que gosta de provocar, também não posso fugir da pauta. Essa é a
conclusão que tirei após assistir o show do Silverchair, aqui em
Belo Horizonte, no último dia 11 de maio.
Ok,
podem citar o Mudhoney e um milhão de bandas do underground, mas
se você pegar as "megabandas", que dominam o mainstrem... O grunge
já era. É um fato.
Sim,
muitos podem evocar o "pós-grunge", bandas que surgiram com nítida
influência do grunge, mas não fazem esse estilo, como o Foo Fighters
e tantos outros.
Mas
o grunge "autêntico" se foi. E não morreu hoje. Só tive a confirmação.
O caixão foi lacrado. Exemplos? O Pearl Jam era grunge. Hoje, o
som "amadureceu" e fez com que a banda perdesse muitos fãs (eu continuo
gostando). O Nirvana já era. Alice in Chains também. Soundgarden
idem. Stone Temple Pilots está na ativa, quando o vocalista Scott
Weiland fica "ligeiramente sóbrio", algo difícil. Mas o som do STP
não é o mesmo dos tempos de "Core". Existem vários outros exemplos,
várias outras bandas. Dá pra fazer um texto só com elas.
Mas
vamos ao Silverchair. Frogstromp, primeiro disco deles, é
grunge até a medula. Freak Show já possui uma sonoridade
mais pesada. Então veio a dupla Neon Ballroom (discaço!)
e o razoável (ao contrário da opinião de muitos, que gostaram) Diorama,
e chutaram as camisas de flanela pro canto. Uma sonoridade mais
pop, mais complexa, com arranjos mais sofisticados e a participação
efetiva de metais e piano. Uma música pesada aqui, outra acolá.
E só.
Sobre
o show? Foi bacana, sem dúvida. O vocalista Daniel Johns canta muito
bem e sabe fazer uma boa apresentação. O resto da banda toca com
competência e nada além. No repertório, a ausência de alguns hits
mais pesados deixou claro que a banda traçou outros caminhos.
A banda
tocou algumas "babas" recentes como "Luv Your Life", deixando de
fora grandes canções como "Tomorrow", "Point of View" e "Faultline".
Assim como no Rock in Rio, a banda tocou "Ana's Song" e "Miss You
Love" na sequência. Quase fiquei surdo. Sem exagero. O grito da
mulherada era muito mais alto que o som da banda.
Colocar
8 mil pessoas no Mineirinho no Dia das Mães não é tarefa fácil,
ainda mais em BH, onde o público não costuma prestigiar shows de
rock'n'roll. E antes que alguém pergunte: escutei o show perfeitamente.
Realmente a acústica do Mineirinho é terrível, mas eles souberam
colocar o som em um volume certo, que deixava o eco quase imperceptível.
Se
bem que boa parte do público não foi pra ver o show. Tinha muita
"pirralhada" que só queria "azarar". Enquanto a banda arrasava no
palco tocando "Slave", um moleque de 15 anos não tirava os olhos
de uma menina tão feia quanto ele. Mas isso já não é novidade. Quando
fui a São Paulo ver o Red Hot Chili Peppers, vi muita gente que
ficou boa parte do show de costas pro palco. Pagou 60 reais pra
isso...
Aliás,
outra (infeliz) coincidência (?) entre esses dois shows foi a banda
que abriu a noite: Detonautas. Realmente, eles possuem um "anjo"
forte. Haja grana para que uma banda tão ruim toque em dois eventos
da Kaiser Music. Detonautas é produto de uma defecação sonora oriunda
do ventre de Charlie Brown e afins. É dose. Rock acéfalo para a
molecada. Viva a ignorância!
Enfim:
o show do Silverchair foi legal, mas nem se compara com a fabulosa
apresentação desta mesma banda no Rock in Rio 3.
Momento
"fofoca": uma fonte que entrevistou o Daniel Johns revelou-me que
o cara anda com alguns problemas de saúde, não só em virtude dos
seus joelhos. Parece que o cara está "aspirando" a torto e direito.
Ele teve que interromper a entrevista para que o Daniel tirasse
um papelote da "branquinha" e mandasse pra dentro. E durante essa
mesma entrevista, a produtora do show disse que o comportamento
"afetuoso" do Daniel era porque ele é homossexual. Inclusive, segundo
esse jornalista (que é fã da banda, vou deixar claro) o noivado
e futuro casamento com a linda Natalie Imbruglia seria "de fachada".
E o mesmo jornalista reclamou que não conseguiu entrevistar a namorada
do baixista Chris Joannou, que estava cercada de seguranças lá no
Mineirinho.
Aí,
fiquei pasmo. Fui atrás da notícia e perguntei para um conceituado
crítico musical sobre a veracidade da notícia. Ele desmentiu, e
disse mais: afirmou que a moça antipática que estava no Mineirinho
cercada por seguranças era a própria Natalie Imbruglia!
De
qualquer forma, não quero que as fãs venham me apedrejar. Não tenho
o menor interesse na vida particular de qualquer músico. Aliás,
sou fã de muitas bandas cujos membros são homossexuais e
acho que as drogas ajudam bastante no processo de criação das músicas,
apesar de prejudicarem muito mais no que diz respeito a saúde
dos compositores.
Pra
falar a verdade, eu só coloquei este momento "TV Fama" pra dar repercussão,
um pouco de audiência, sabe? Na imprensa, isso é comum e corriqueiro.
Não vou inventar que Radiohead, Wilco, Strokes, White Stripes estão
vindo para um festival aqui no Brasil, né? Esse papo sobre o Daniel
Johns pode até ser verdade. Mas isso não muda em absolumente nada
meu conceito sobre o Silverchair. O que o cara faz, que droga ele
usa, é problema dele. Estou interessado é na música, no show. Esse
é um dos motivos por eu ser um dos maiores fãs do Oasis. Os caras
podem ser chatos, eu não ligo. Não me interessa as bobagens que
o Liam Gallagher fala. Eu me interesso é pela música.
Acho
que esse texto sobre a "morte do grunge" ficou incompleto, afinal
de contas é um assunto que dá muito "pano pra manga". Em uma outra
ocasião, vou fazer uma análise "menos superficial", ok?

Zapeando
pela TV, vi um trecho de um show dos Titãs muito bacana. Calma!
O show é de 1994, ano que a banda acabou (para mim, a banda acabou
em 1994, porque desde então eles não estão mais interessados em
fazer música, só querem ganhar dinheiro). Eles chamaram o Sepultura
no palco e tocaram a clássica "Polícia". E o gente fina Paulo Jr.,
baixista do Sepultura, estava com uma camisa da banda de rock "cult"
mineira Virna Lisi. Bons tempos...

Parabéns
para a Revista Zero pelo prêmio Dynamite de "Veículo Impresso
de 2002". A Zero venceu, e com todos os méritos. Tomara que o Luiz
e sua "galera" não subam no salto para não colocar o Carlinhos Brown
e a Marisa Monte na capa... Na última edição, o Humberto Gessinger
já me deixou ressabiado...

Errata!
Na coluna anterior, eu falei sobre o
grupo Udora (ex-Diesel), banda sensacional daqui de Belo Horizonte
que está morando em Los Angeles e que vai estourar logo, logo. Eu
disse que foi o guitarrista Léo que teve a idéia do nome de "Udora".
Errei feio. Foi o próprio vocalista Gustavo Drummond, "meu primo".
O Léo foi quem me contou, antes que a então banda Diesel divulgasse
que passaria a se chamar Udora.

Eu
já falei sobre Sleeping With Ghosts, novo disco do Placebo?
O disco é muito bom. Acho que não é o melhor disco da banda, mas
vale (muito) a pena conferir as excelentes "Bulletproof Cupid",
"This Picture", "The Bitter End" e "Special Needs".

Para
a alegria de todos que gostam de cultura pop, o excelente site Scream
& Yell está de volta. Sob a tutela do excepcional "Mac" Costa, o
site é uma referência pra quem quer ficar por dentro dos últimos
lançamentos e conferir bons textos. Aliás, tem até um texto meu
por lá, hahaha. Desculpem, não aguentei. O endereço do site está
logo aqui embaixo, na seção "links".

Uma
banda pra vocês guardarem o nome: 4Sale, daqui de Belo Horizonte.
Quem gosta de um rock agressivo, bem feito, já é fã. O estilo é
o mesmo do Udora. Som explosivo, contagiante. Todos os músicos tocam
bem. O baterista é baixinho, mas é um monstro. Toca com tanta energia
que impressiona. Pelo que o Rafael (baixista) me contou, eles devem
fazer alguns shows, vão participar de um festival em São Paulo em
julho ou agosto. Não deixem de conferir, essa banda tem tudo para
conseguir o que o Diesel conseguiu por aqui. Recomendadíssimos.
No último domingo, junto com o pessoal da banda Inflamus, assisti
um show dos caras aqui em BH e fiquei boquiaberto. O site deles
é www.4sale.kit.net.

Falei
demais, né? Até a próxima semana, com mais bobagens e menos fofocas.
Links
do Sukrilius:
www.uol.com.br/folha/pensata
- coluna do jornalista Lúcio Ribeiro. Música, cinema, televisão,
só coisas boas. Claro, sempre há uma banda que ele "enche a bola"
e não é nenhuma maravilha, mas na maioria dos casos só grandes bandas
que poucos conhecem são recomendadas por ele.
www.screamyell.com.br
- ótimo site sobre cultura pop em geral. Música, cinema, teatro,
livros. Tudo que é interessante e bom está lá.
www.6emeia.cjb.net
- zine com ótimos textos, reflexões, críticas de shows, discos,
livros, filmes... Comandado pelo genial LF, grande amigo, sofredor
e DJ. Foi meu companheiro no antigo site Gritonline (www.gritonline.cjb.net).
www.soundmagazine.com.br
- outro site muito legal, que fala principalmente sobre música.
www.britrockgroup.hpg.ig.com.br
- Britrockgroup é uma lista de discussão do Yahoogrupos sobre rock
britânico e eu sou um dos moderadores desta lista.
www.udora.net
e www.valv.dk -
Sites de duas das melhores bandas de rock do país.
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