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Beagá, 24 de março de 2003 d.C.

 
Indispensável e emocionante
Por Sukrilius
 

Aê cambada! Estamos de volta! E pra começar bem...

Back in the U.S. é um documento definitivo. Quem possuir um aparelho de DVD tem a obrigação de ter esse show em casa. Ok, peguei pesado. Mas merece ao menos uma locação. Quem não tem DVD, pode comprar as cópias piratas em VHS no centro das grandes cidades.

Por que? É um filme, um documentário, de 3 horas com o artista, o músico mais importante da atualidade: Paul McCartney. Um show do Paul é um consolo e tanto pra quem não viu os Beatles de perto, ao vivo. Eu, fã dos Beatles, me emocionei com essa apresentação, pois a sensação de ver (e ouvir) Paul cantando as eternas maravilhas dos Beatles é indescritível.

Ok, Paul está velho. Talvez morto (hahaha). Ele não canta mais como outrora. E o público norte-americano é um dos piores pra registrar um show. São frios, só se empolgam quando a câmera chega perto. Aí, começam a rebolar e exibir suas banhas, sustentadas por porções diárias de hot-dog, bacon com ovos e Coca-Cola. Infelizmente, não há legendas. Mesmo assim, é possível entender cada palavra ou grito que os fãs desesperados remetem ao "Sir" Paul.

Em relação ao show, não exagero: memorável. E há também no DVD uma seção chamada "sound check", com algumas canções gravadas na passagem de som. A que mais me empolgou foi uma versão punk rock para "Hey Jude". É sério. Ficou sensacional.

Meu amigo Terence Machado (do excepcional programa Alto Falante, da Rede Minas, retransmitido pela Rede Cultura) definiu perfeitamente esse show do Paul: "arrepiante, emocionante, indispensável".

Ah, a banda que acompanha McCartney é excelente, primorosa (até nos backing vocals). E as canções? É um desfile de pérolas e clássicos dos Beatles e de Paul:

Paul McCartney
Back in the U.S.

"Hello, Goodbye": já começa arrebentando. Crianças cantam na platéia, mulheres choram de alegria. Música sensacional (vou repetir bastante essa palavra), Paul canta e toca baixo (Hoffman) como sempre.

"Jet": uma das melhores canções de Paul "pós-Beatles". Refrão bacana, o baterista (literalmente, "um monstro") já mostra serviço.

"All My Loving": Enquanto a banda toca, no telão aparecem as imagens dos Beatles chegando para a turnê nos EUA. A versão é fiel, precisa.

"Live and Let Die": clássico de Paul (não, não é do Guns n' Roses...), com as explosões de praxe. Magnífica, um hit.

"Coming Up": outra boa canção de Paul. Sim, sua carreira é irregular, mas nesse show só entraram algumas de suas melhores músicas.

"Blackbird": violão e voz, canção linda como sempre foi.

"We Can Work It Out": releitura bacana. Finalmente, o público (bem morno) começa a cantar.

"Here, There and Everywhere": irresistível. Uma versão mais intimista e não menos bela.

"Eleanor Rigby": já estou ficando repetitivo. A culpa não é minha, não totalmente. Paul também é responsável. Os backing vocals são perfeitos, o tecladista "reproduz" a orquestra com perfeição. Tem dedo do George Martin.

"Loving Flame": bela canção do último disco (o bom Driving Rain, de 2001). Antes de cansar, ela acaba.

"The Fool on the Hill": outro "crássico" interpretado de forma irretocável por Paul.

"Getting Better": "Getting better all the time", empolgante. Destaque para a bateria "preguiçosa", baixo e vocais.

"Here Today / Something": só com Paul no violão, serviu mais para homenagear Lennon e Harrison. As versões originais são melhores.

"Band on the Run": fabulosa canção de Paul. Toda a banda mostra seu valor. Mas destaco a guitarra e o teclado, que são de arrepiar.

"Let Me Roll It": melodia pegajosa, logo te encanta. Paul na guitarra, refrão delicioso. O riff de guitarra, marcante, e a bateria ainda conseguem roubar a cena.

"Back in the USSR": impecável, empolgante, nota dez.

"My Love": feita para Linda McCartney. Bonitinha. E só.

"Maybe I'm Amazed": outra canção de Paul que ganha força, fica ainda melhor ao vivo.

"Freedom": Paul faz uma homenagem às vítimas do atentado de Set./2001. No meio de todo esse insuportável nacionalismo norte-americano, a canção se destaca. É a melhor canção de Paul dos últimos anos.

"Let It Be": ainda no clima da canção anterior. Não importa, pois "Let It Be" é uma canção eterna, bela de qualquer jeito.

"Hey Jude": outro golpe baixo. Preciso falar que é maravilhosa?

"Can't Buy Me Love": já fui nocauteado. Que seqüência...

"Lady Madonna": putz, que adjetivo ainda não usei? Já sei: esplêndida.

"The Long and Winding Road": na canção brega mais bonita de todos os tempos, a voz de Paul falha totalmente no início. Ponto pra ele, que produziu o DVD, por ter mantido a falha. A faixa prossegue, piegas e maravilhosa como sempre.

"Yesterday": ao lado de "Let It Be" e "Hey Jude", forma "o trio de baladas que nenhuma banda fará melhor". Sobre a música? Ué, emocionante, linda...

"Sgt. Pepper's / The End": "Gran Finale": a 2ª versão (mais acelerada) de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" emendada com a primorosa "The End".

Sim, ainda tinha "I Saw Her Standing There" enquanto aparecem os créditos. E tinha bônus tracks: as belas "Driving Rain", "Every Night" e a maravilhosa dobradinha: "You Never Give Me Your Money / Carry That Weight". De arrepiar.

Nem precisava, mas Paul McCartney comprova que ele é o artista vivo mais importante e mais influente do cenário pop.

O governo Lula começou como eu já esperava. Calma, gente. Ainda vai piorar. O tempo só vai abrir em 2004. Mas o governo exagerou, foi muito bonzinho com o ACM...

E a guerra, hein? O motivo desta guerra é tão nítido que se o Saddam enviar todo o seu petróleo para a Coréia do Norte, imediatamente as tropas saem do Golfo Pérsico e seguem para atacar os norte-coreanos e seu governante, alegando as mesmas razões. E os EUA sim, podem ter "armas de destruição em massa" - logo eles que utilizaram essas armas (bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki).

Mudando totalmente de assunto: as novas regras da Fórmula 1 deram resultado. Um pódio sem a Ferrari é o maior exemplo de que as corridas vão voltar a atrair o público. Só falta os pilotos brasileiros manterem seus carros na pista...

Estou ouvindo muita coisa. O novo do Blur é ótimo, mas não tem a ver com o Blur antigo. Também vou falar do Zwan, Groove Armada... Na próxima semana. Até!

 
Sukrilius é músico frustrado e tenista arrependido, além de estar momentaneamente desempregado. Ofertas de emprego podem ser enviadas para o e-mail sukrilius@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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