Atualmente, a situação
das rádios FM no Brasil é tão catastrófica
que o assunto chega a ser constrangedor. A questão financeira
nem será abordada aqui neste artigo, porque exibiria a mesma
rede de corrupção que existe em todos os meios de
comunicação - e em quase todas as atividades em que
há dinheiro em jogo.
Não que o vil metal tenha sido secundário, algum
dia. Mas, pelo menos até algum tempo atrás, existiam
rádios que primavam por alguma qualidade e eram a salvação
dos ouvidos apurados.
Como se não bastasse a invasão dos enlatados e da
música eletrônica (cadê os instrumentos?), o
nível tem se tornado cada vez mais alarmante, com o "funk"
(uma errônea denominação, já que sabemos
o que é o funk, na verdade) e com falsos cantores e cantoras,
que só colocam sua cara na capa de seus discos e deixam o
resto com a avançada tecnologia de mixagem.
Sem dúvida, é um processo interligado e cíclico,
no qual as rádios jogam lixo cultural para as pessoas e essas
aprendem a consumir mais e mais desse lixo. Esses parasitas da arte
vêm crescendo como um câncer e contaminando a sociedade
que, por sua vez, os apóia através desses mesmos meios
de comunicação cuja palavrinha mágica é
lucro. Rádios sórdidas como a Jovem Pan e a 98 FM
(daqui de BH) há anos contribuem para a alienação
e a ignorância de milhares de jovens no Brasil com seus Felipe
Dylon e Limp Bizcuits (não sei como se escreve o nome dessa
bosta) da vida. Até aqui em Belo Horizonte, que já
teve estações como a rádio Terra e a 107 FM,
as opções acabaram.
A Geraes FM, que tem um bom potencial, parece ter sido esquecida
no ar, tocando um repertório confuso e sem qualquer programa
que possa cativar o ouvinte. As outras rádios do país
ou foram compradas pela maldita Igreja Universal ou seguem a linha
abaixo da qualidade aceitável. Uma rádio criativa
e de qualidade talvez seja mesmo um sonho impossível.
O mundo passa em nossos dias por uma grande decomposição
de tudo que representou algum avanço artístico no
século XX. A arte foi substituída pelo imediatismo
e a superficialidade da vida contemporânea.
A comunicação, a música e até mesmo
a arte em geral parecem ser um corpo moribundo, cujas últimas
células ainda vivas (como eu e você, espero) assistirão,
de mãos atadas, ao seu último suspiro.
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