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| Beagá,
Quinta, 17 de outubro de 2002 d.C. |
| E-mail para esta coluna: chinaski@abacaxiatomico.com.br A praga dos blogs Oito mil quinhentos e treze jovens adolescentes querendo nos passar um pouco de sua visão de mundo através de um blog. Elimine oito mil quinhentos e dez e leia três no máximo. Uns imitam os outros e você pode ficar com aqueles um pouco mais originais e engraçadinhos. É. Você acertou. Vamos falar mal dos blogueiros, agora. Para isso, vamos partir do óbvio: eles são todos chatos. Muito chatos, com raríssimas exceções. Não sou um blogueiro. Por favor, não me confunda. Tenho um blog porque sou muito burro para dominar qualquer outro sistema de atualização. Mas acreditem, não me sinto parte de uma comunidade, de uma tribo virtual ou qualquer coisa assim. Esse papo de comunidade remete a coisas que eu e que qualquer ser humano sexualmente resolvido detesta. Hippies, velhos comunistas, grupinhos de escritores, grupinhos de intelectuais, a "cena" de bandas locais e por aí vai. Guardadas algumas diferenças, os blogueiros são bem parecidos. Todos são derrotados em sua maioria, geniozinhos sem namoradas. Gente que encontra na net o espaço ideal para postar a mediocridade de suas vidas. Bons textos? Aham. Parecidos com aqueles das aulas de redação do segundo grau. Usar parágrafos curtos, alternar narrativas em primeira e terceira pessoa e encher de referências pop-urbanas-descoladas virou fórmula para esse pessoal. Também encontramos os pequenos acadêmicos. Gente que tem 22 mas parece ter 70, tamanho o mau-humor padrão jornalistazinho classe média. Batem no peito pra defender os clássicos. Leio Tolstoi, sabe? Está no meu blog... Tudo que é contra-cultura é ruim. Afinal, sou o supra-sumo do deslocado... contra-contracultura. Esse tipo de gente que se esconde nas redações dos jornais curitibanos e de todo Brasil posta sobre tudo que vêm em suas cabecinhas. Eleições, tendências cinematográficas e fotos da festa da FGV, o que se explica. Provavelmente, nunca participaram e nunca vão participar de uma belíssima sessão de sacanagem. Essa gente que acha engraçado falar mal do Ivan Lins, que tem opinião sobre tudo, mas que acha muito feio todo mundo ter sua própria. Se não está disponível entre seus links recomendados, não merece viver. Enfim, o que dizer pra esse pessoal que, em sua quase totalidade, nunca foi além do papai mamãe de sexta-feira, que nunca deu mosh em show de rock, que nunca deu vexame em festa de descolados, gente que nunca se agarrou a uma privada suja, gente que nunca mentiu pra sentir o gostinho, gente que nunca escutou Stooges e que acha que rock é o último cd do Red Hot... Gente como o rapazinho blogueiro que foi no Fica Comigo MTV pra tentar arranjar namorada. Larguem o computador o mais rápido possível ou agüentem um futuro de encontros marcados em chats do UOL.
Saudações ao mais novo colaborador do Abacaxi, Obdulio Rimet, que por acaso foi meu colega de faculdade. Como não temos capacidade de montar nosso próprio site, estamos aproveitando esse democrático espaço concedido pelo staff abacaxi. Como diria o filósofo zagueiro de futebol, "Obdulio vem para somar ao grupo. Para ser mais um". Um reforço de peso, que tem ótimo texto, uma bela bagagem futebolística e apenas um defeito: é coxa-branca. Aliás, como gosto de provocar os colegas de site, peço ao Obdulio que explique aos nossos amigos mineiros o porquê da torcida do Coritiba receber tão solene alcunha.
Vamos lá...
Essa coluna ficou de saco cheio com os blogueiros e o texto sobre o Wander Wildner ficou para a próxima. Peço que parem de mandar e-mails para chinaski@abacaxiatomico.com.br. Em dois dias a caixa estourou de tantas mensagens. Prometo responder a todas... |
Henry Chinaski é jornalista, correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba e escreve neste espaço às quintas-feiras. |
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