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| Beagá,
Quinta, 26 de setembro de 2002 d.C. |
| E-mail para esta coluna: chinaski@abacaxiatomico.com.br Açougueiros e unanimidade Certo. A coluna atrasou. Desculpe. Desculpe. Na minha reestréia, eu prometi escrever sobre o Festival de Inverno que rolou aqui em Curitiba e que chamou a atenção de boa parte da mídia nacional. A promessa não vai ser cumprida. Vi apenas três shows do festival e, sinceramente, não gostei. Ouvi falar muito da carioca Casino e vi bem pouco. Carioca demais. Inteligente demais. Fazer o quê? Para manter um pouco da minha credibilidade, vou escrever sobre shows. Dois recentes que passaram aqui pela capital das araucárias. Vou começar com o mais antigo. Os paulistas do Thee Butchers' Orchestra tocaram aqui há um mês mais ou menos. E alguém já deve ter escrito alguma coisa sobre o show deles bem antes de mim. Vamos falar a verdade: é bom demais quando você escuta uma banda que te surpreende. E os açougueiros me surpreenderam como há tempos nenhuma outra banda nacional me surpreendia. Não escutei o cd deles - tentei comprar no final do show, mas não consegui encontrar a maldita barraquinha de souvenirs. Final de festa é foda, mas parte da culpa é deles mesmo. O show dos Thee Butchers tem alguma relação intrínseca com a cerveja. Mal começa o show e, de repente, está todo mundo ali de Skol na mão e cigarrinho na outra batendo o pé tentando marcar o ritmo daqueles três caras que insistem em fazer tanto barulho em cima do palco. Dali pra tirar a jaqueta, esquecer o frio de Curitiba e cair na rodinha de pogo não demora. E vai até o final desse jeito. Estupidamente simples, divertido e despretensioso. Parece demais com o Jon Spencer Blues Explosion, o que só pode ser bom. Afinal, como já escreveu meu colega Indiegesto, ao contrário do que pensa parte da imprensa tacanha (paulista principalmente), não é feio assumir referências legais como o Jon Spencer. É bem melhor do que insistir em bancar o supra-sumo indie e dizer que cresceu escutando a banda do primo da faxineira do Iggy Pop. O Butchers sabe disso e não faz feio. Um show e tanto. Veja se tiver chance...
Também aterrissou aqui a dupla Damon & Naomi. O casal, junto com Dean Wareham (hoje no Luna), fazia parte do Galaxie 500, responsável por algumas pérolas do rock independente americano do final da década de 80. Essa dupla de passado importante tocou no Era Só O Que Faltava há um mês e pouquinho. Sinceramente, fui ver os dois sem conhecer muita coisa do trabalho solo. Um cd deles (More Sad Hits) caiu na minha mão há algum tempo e confesso que não escutei direito. Culpa minha, que na época não conseguia largar o New Order at BBC, que havia acabado de comprar, e culpa da minha amiga, que todo dia ligava querendo o Damon& Naomi de volta. Fui ver o show torcendo para que eles tocassem alguma do Galaxie. Não tocaram. Cover mesmo, só de uma banda japonesa de folk dos anos 60 chamada Ghost. Tudo bem, tudo bem. Damon & Naomi fizeram um show legal. Intimista, seguindo quase que uma fórmula: acordes básicos repetidos à exaustão, andamentos arrastados e letras confessionais depressivas. Particularmente, senti falta da bateria e de uma maior participação do guitarrista japonês que acompanhava a dupla. Quando o rapaz decidia usar seus pedais de distorção, a coisa parecia que ia esquentar. Parecia, porque logo ele voltava a dedilhar, deixando voz e violão correrem soltos. E foi isso. Um monte de gente não gostou e toda educação do público curitibano foi posta à prova. Os mods vaiaram. Outros ficaram meio decepcionados e partiram pras comparações: "My Bloody Valentine acústico" ou "João Gilberto indie", como disse um colega. Houve também quem achou a coisa mais linda do mundo. "Um show de sonho", segundo minha amiga - aquela amiga, dona do More Sad Hits. Damon& Naomi foi isso. Bom show que não agradou todo mundo. Até porque toda unanimidade é burra, não é mesmo? Links
do Thee Butchers
A próxima coluna não atrasa. Pode conferir. Quinta-feira vai estar aqui... Vou acabar a série "shows que eu vi em Curitiba" falando do Wander Wilder, que novamente tocou na capital das araucárias. Os chefes do Abacaxi me prometeram um e-mail, mas estou de castigo por causa dos atrasos. Então, se você quiser me chamar de fdp ou perguntar se tenho encontrado o Dalton Trevisan tomando café na Boca Maldita, mande um e-mail para chinaski@abacaxiatomico.com.br. Prometo responder de bom grado. |
Henry Chinaski é jornalista, correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba e escreve neste espaço às quintas-feiras. |
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