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Disco
novo e show do Los Hermanos no sábado. Assunto decidido pra compensar
minha licença no Abacaxi. Os Hermanos tocaram dois sábados atrás
em Curitiba lançando seu novo disco, Ventura. Bar cheio,
não lotado, e público ganho. Sei que boa parte do staff do Abacaxi
torce o nariz para os rapazes (com exceção do Sukrilius). Problema
deles, eu diria. O Hermanos é, sem dúvida, a melhor banda do Brasil
atualmente em qualquer tipo da análise.
A capacidade
de criação de Camelo e Amarante é impressionante. Ventura
dá continuidade a Bloco Do Eu Sozinho em um trabalho que
já amadurecia no álbum de "Primavera" e "Anna Júlia". O terceiro
disco é a comprovação de que Amarante e Camelo são os dois melhores
compositores do rock brasileiro. Não é delírio dizer que são os
dois melhores compositores a aparecerem na cena pop rock nos últimos
dez anos. As letras da dupla conseguem ir além da melhor cartilha
pop: subjetivas, românticas, simples e por isso mesmo pessoais a
todos nós. Se no primeiro disco a banda conseguia uma mistura competente
de hardcore e ritmos diversos, em Bloco... e Ventura
os Hermanos trabalham um sem número de influências em canções assobiáveis,
pops até a medula, com tudo de mais interessante que isso pode significar.
Salsa, samba, hardcore, power pop. Em Ventura essas referências
ganham corpo em faixas lindas, densas, trabalhadas, marcantes.
"Samba
a Dois" é a música de um artista nacional que a Trama queria lançar
e não acha. "O Vencedor" e "Cara Estranho" são hits perfeitos, pop
grudento dos melhores para agradar tanto o fã de Sonic Youth como
o de Cartola. "Tá Bom", uma das minhas preferidas no disco, ficou
fantástica ao vivo. "Último Romance" e "Sétimo Andar" trazem a marca
de Amarante. Se "Sentimenal" roubava a cena em Bloco...,
essas duas não deixam por menos. São típicas do "segundo" compositor
da banda. Se Camelo narra amores de terceiros, jovens e adolescentes
cheios de insegurança com metáforas de alegria, carnaval, baile,
fim e tristeza; Amarante parece mais adulto e mais direto, menos
doce e estranhamente mais dramático. Fala da fila do pão, do jornal
e do café da manhã; trata com maestria incomparável os grandes dramas
surgidos entre quatro paredes e tantos desencontros. "A Outra" traz
de volta a voz quase infantil de Camelo, melodia açucarada em que
o carioca acerta em cheio as fãs da melhor fase de Chico Buarque.
"O Velho e o Moço" é Amarante brincando com o fim, o adeus, o acaso
e ciúmes... "Eu gosto é do estrago...Se não sou eu quem mais vai
decidir o que mais é bom pra mim".O disco ainda tem "Além do que
Se Vê", em um daqueles andamentos de bloco de carnaval que Camelo
tanto sabe usar, e "O Pouco que Sobrou", com vários efeitos legais
de guitarra e letra simples do próprio Camelo, que também é autor
de "Conversa de Botas Batidas", música pra todo mundo dançar abraçado
com a namorada.
O show
em Curitiba ainda teve, claro, as músicas do Bloco... e do
primeiro disco, com todo mundo cantando junto "Azedume" e "Quem
Sabe". O Los Hermanos fugiu do sucesso instantâneo de "Anna Julia",
brigou com gravadora, vendeu relativamente pouco e ainda desagrada
uma boa parcela dos puristas indies. Tudo bem. Escute Ventura
sem medo e vá ao show. Depois, concorde comigo ou com os colegas
do Abacaxi.

Nas
próximas colunas, falarei de duas bandas de Curitiba: Poléxia e
Terminal Guadalupe.
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