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Beagá, 05 de maio de 2003 d.C.
 
Curitiba Pop Festival: foi bom, mas...
Por Henry Chinaski
 

Por dois dias, sexta-feira (2) e sábado (3), Curitiba virou capital do bom rock alternativo brasileiro. Vinte bandas, público calculado em cerca de quatro mil pessoas nas duas noites e uma organização eficiente para os padrões independentes. E, para fechar essa maratona, The Breeders, cultuado grupo da ex-baixista do Pixies, Kim Deal, que pisou no palco do pop festival já na madrugada de domingo, realizando o sonho de muita gente, fãs de Pixies e do Breeders também. Afinal, nem o Pixies em sua formação original, nem os dois projetos que se formaram depois do término do grupo (o próprio Breeders, das irmãs Deal, e o líder Francis Black), haviam passado pelo Brasil antes.

Só a importância histórica do Breeders, que no início da década de 90 acompanhou o Nirvana em turnês como o Lollapalooza, já justificativa a peregrinação rumo a Curitiba, feita principalmente por paulistas e cariocas. Portanto, sem o mínimo esforço, o público já estava ganho.

Após o fim do show da Nação Zumbi, se aproximar do palco era tarefa impossível; o público cantava junto as músicas do Pixies que saíam dos altos falante da Ópera de Arame e, quando Kim, Kelley e companhia entraram em cena, com aquele estilão alternativo low-fi ao extremo, o lugar literalmente quase veio a baixo. Restava ao Breeders fazer sua parte de principal atração de um ótimo festival. E, de certa maneira, o grupo fez o que deveria ter feito.

Tocaram todos os hits, incluindo aí "Cannonball" e "Divine Hammer", uma versão bacana de Beatles, "Happiness is a Warm Gun" e, no momento alto do show, mandaram "Gigantic", dos Pixies. O último trabalho, Title Tk, ficou meio esquecido e a banda saiu de cena com Kelley dando um tchau tímido e Kim fumando mais um de seus cigarros. 1h15 de um bom show, mas que não correspondeu às enormes expectativas criadas. Ficou um gosto de quero mais, motivado talvez pelos boatos de Radiohead, Strokes e Wilco no festival. Ou simplesmente pelo fato de o Breeders de hoje não ter o fôlego do Breeders de Last Splash. Foi bom, mas poderia ter sido melhor.

Show por show
Sexta-feira

Vurla - São Paulo (SP)
Show competente feito com guitarra, baixo, bateria percussão tribal, teclados vintage e outros instrumentos estranhos. Destaque para a desconstrução de "One", do Metallica.

Bad Folks - Curitiba (PR)
Grande show. Folk e country rock com sotaque curitibano.

Valv - Belo Horizonte (MG)
Troféu simpatia. Conversaram bastante com o público, queimaram uma das caixas e mostraram uma barulheira Teenage Fanclub interessante.

Suíte Number Five - Campinas (SP)
Referência do rock britânico, instrumental competente. Bom show.

ESS - Curitiba (PR)
Melhor show da primeira noite. Rock eletrônico que, se fosse gringo, estaria nas New Musical Express da vida.

Monokini - São Paulo (SP)
O Pato Fú não fez a mesma coisa em "Made In Japan?". Misturinha sem sal de bossa nova e indie rock.

Tara Code - Recife (PE)
Ao vivo não colou. Os arranjos são competentes e a vocalista canta muito bem... e só...

Otto - Recife (PE)
Com o som normal ele já é fraco, com o som ruim então...

Rubin Steiner - França
Surpreendeu. Quatro malucos fazendo uma mistura de jazz e hip-hop dançante. Conquistou o público.

Stereo Total - França e Alemanha
Se esforçaram, mas não superaram o Rubin Steiner. Músicas de plástico para comercial de computador.

Sábado

Criaturas - Curitiba (PR)
Culpa da inexperiência, a banda peca em algumas coisas. Os dois vocais femininos têm timbres parecidos e não se justificam. Mas prometem.

Bidê ou Balde - Porto Alegre (RS)
Eles sabem agradar o público. Tocaram "Melissa" e "E Por Que Não?" e fizeram os seguidores do Weezer delirar.

Catalépticos - Curitiba (PR)
Direto do Inferno para a Ópera de Arame. O melhor show das independentes. Fez todo mundo pogar e os britânicos paulistas ficaram assustados.

Faichecleres - Curitiba (PR)
Grande show como sempre. O rock sacana funcionou e chamou a atenção da grande mídia. Tocaram de fraldas e gravatinha. Marketing é bom de vez em quando.

Primal - Curitiba (PR)
Dessa, o Indiegesto iria gostar. Metal climático. Músicos bons e um vocalista de voz poderosa. O público não era o deles, mas deu certo.

MQN - Goiânia (GO)
Rock garageiro. Uma mistura de Stooges com AC/DC. Grande show. Melhor seria se o vocalista não fizesse tanto discurso.

Cachorro Grande - Porto Alegre (RS)
O The Who voltou. Grande show. O guitarrista quis derrubar o símbolo do festival e os seguranças não deixaram. Aí sobrou para a bateria. O dono do kit não gostou e o pau comeu. O público foi ao delírio.

Nação Zumbi - Recife (PE)
Ótimo show. Pesado ao extremo, com Lúcio Maia mostrando que sabe das coisas.

 
Henry Chinaski é jornalista bebum e, quando está sóbrio, envia lá de Curitiba suas matérias para o ABACAXI ATÔMICO. E-mail: chinaski@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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