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Por
dois dias, sexta-feira (2) e sábado (3), Curitiba virou capital
do bom rock alternativo brasileiro. Vinte bandas, público calculado
em cerca de quatro mil pessoas nas duas noites e uma organização
eficiente para os padrões independentes. E, para fechar essa maratona,
The Breeders, cultuado grupo da ex-baixista do Pixies, Kim Deal,
que pisou no palco do pop festival já na madrugada de domingo, realizando
o sonho de muita gente, fãs de Pixies e do Breeders também. Afinal,
nem o Pixies em sua formação original, nem os dois projetos que
se formaram depois do término do grupo (o próprio Breeders, das
irmãs Deal, e o líder Francis Black), haviam passado pelo Brasil
antes.
Só
a importância histórica do Breeders, que no início da década de
90 acompanhou o Nirvana em turnês como o Lollapalooza, já justificativa
a peregrinação rumo a Curitiba, feita principalmente por paulistas
e cariocas. Portanto, sem o mínimo esforço, o público já estava
ganho.
Após
o fim do show da Nação Zumbi, se aproximar do palco era tarefa impossível;
o público cantava junto as músicas do Pixies que saíam dos altos
falante da Ópera de Arame e, quando Kim, Kelley e companhia entraram
em cena, com aquele estilão alternativo low-fi ao extremo, o lugar
literalmente quase veio a baixo. Restava ao Breeders fazer sua parte
de principal atração de um ótimo festival. E, de certa maneira,
o grupo fez o que deveria ter feito.
Tocaram
todos os hits, incluindo aí "Cannonball" e "Divine Hammer", uma
versão bacana de Beatles, "Happiness is a Warm Gun" e, no momento
alto do show, mandaram "Gigantic", dos Pixies. O último trabalho,
Title Tk, ficou meio esquecido e a banda saiu de cena com
Kelley dando um tchau tímido e Kim fumando mais um de seus cigarros.
1h15 de um bom show, mas que não correspondeu às enormes expectativas
criadas. Ficou um gosto de quero mais, motivado talvez pelos boatos
de Radiohead, Strokes e Wilco no festival. Ou simplesmente pelo
fato de o Breeders de hoje não ter o fôlego do Breeders de Last
Splash. Foi bom, mas poderia ter sido melhor.
Show
por show
Sexta-feira
Vurla
- São Paulo (SP)
Show competente feito com guitarra, baixo, bateria percussão tribal,
teclados vintage e outros instrumentos estranhos. Destaque para
a desconstrução de "One", do Metallica.
Bad
Folks - Curitiba (PR)
Grande show. Folk e country rock com sotaque curitibano.
Valv
- Belo Horizonte (MG)
Troféu simpatia. Conversaram bastante com o público, queimaram uma
das caixas e mostraram uma barulheira Teenage Fanclub interessante.
Suíte
Number Five - Campinas (SP)
Referência do rock britânico, instrumental competente. Bom show.
ESS
- Curitiba (PR)
Melhor show da primeira noite. Rock eletrônico que, se fosse gringo,
estaria nas New Musical Express da vida.
Monokini
- São Paulo (SP)
O Pato Fú não fez a mesma coisa em "Made In Japan?". Misturinha
sem sal de bossa nova e indie rock.
Tara
Code - Recife (PE)
Ao vivo não colou. Os arranjos são competentes e a vocalista canta
muito bem... e só...
Otto
- Recife (PE)
Com o som normal ele já é fraco, com o som ruim então...
Rubin
Steiner - França
Surpreendeu. Quatro malucos fazendo uma mistura de jazz e hip-hop
dançante. Conquistou o público.
Stereo
Total - França e Alemanha
Se esforçaram, mas não superaram o Rubin Steiner. Músicas de plástico
para comercial de computador.
Sábado
Criaturas
- Curitiba (PR)
Culpa da inexperiência, a banda peca em algumas coisas. Os dois
vocais femininos têm timbres parecidos e não se justificam. Mas
prometem.
Bidê
ou Balde - Porto Alegre (RS)
Eles sabem agradar o público. Tocaram "Melissa" e "E Por Que Não?"
e fizeram os seguidores do Weezer delirar.
Catalépticos
- Curitiba (PR)
Direto do Inferno para a Ópera de Arame. O melhor show das independentes.
Fez todo mundo pogar e os britânicos paulistas ficaram assustados.
Faichecleres
- Curitiba (PR)
Grande show como sempre. O rock sacana funcionou e chamou a atenção
da grande mídia. Tocaram de fraldas e gravatinha. Marketing é bom
de vez em quando.
Primal
- Curitiba (PR)
Dessa, o Indiegesto iria gostar. Metal climático. Músicos bons e
um vocalista de voz poderosa. O público não era o deles, mas deu
certo.
MQN
- Goiânia (GO)
Rock garageiro. Uma mistura de Stooges com AC/DC. Grande show. Melhor
seria se o vocalista não fizesse tanto discurso.
Cachorro
Grande - Porto Alegre (RS)
O The Who voltou. Grande show. O guitarrista quis derrubar o símbolo
do festival e os seguranças não deixaram. Aí sobrou para a bateria.
O dono do kit não gostou e o pau comeu. O público foi ao delírio.
Nação
Zumbi - Recife (PE)
Ótimo show. Pesado ao extremo, com Lúcio Maia mostrando que sabe
das coisas.
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