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Beagá, 31 de março de 2003 d.C.
 
A imprensa e a guerra nossa de cada dia
Por Henry Chinaski
 

Cony, em sua coluna na Folha, disse que a Guerra no Iraque é o assunto único na imprensa brasileira. Concordo e falo da situação aqui de Curitiba. É fato que os jornais curitibanos não têm nenhuma importância nacional e, raras vezes, são lidos fora dos limites da cidade. Mesmo assim, os editores em sua boa-fé, inocência ou mesmo em sua visão megalomaníaca, não cansam de dar manchetes e abrir fotos gigantes com a briga de Bush, Blair e Saddam.

A guerra é o assunto do momento sem dúvida, e fechar os olhos pra o que lá acontece é se alienar. Só que nunca uma guerra teve tanta cobertura, (pelo menos em teoria) quanto essa. Tvs a cabo e mesmo a TV aberta estão dando atenção total ao conflito. Meia hora na internet também é suficiente para você se sentir um big brother bélico, vendo ao vivo as bombas que caem sobre Bagdá. Opiniões e análises também não faltam. Para tudo e para todos. Todo mundo quer ser o último grande entendedor do conflito, em análises que tratam de Petróleo, da cotação do dólar em relação ao euro, da família de Bush, de Deus e da importância do Papa.

Nada contra, repito. A variedade de opiniões é fundamental. Por isso mesmo, a competição de veículos basicamente regionais contra esse arsenal de informações é despropositada. O leitor médio, aquele que até mostra um louvável interesse em saber da guerra, tem na sua frente uma opção quase imbatível: a televisão. Mesmo na Globo ele tem uma cobertura razoável da guerra, de suas implicações sociais e econômicas e dos protestos ao redor do mundo. Vamos acreditar que o cidadão ainda queira alguma coisa a mais. Pois bem: a cobertura dos grandes jornalões paulistas vem completa, com muitos textos, várias opiniões, traduções de jornais estrangeiros e tudo o mais. Não podemos esquecer ainda das revistas semanais. Mesmo assim, nossos editores insistem em achar que os leitores curitibanos - e aí coloco os de BH, pernambucanos, entre outros - vão comprar seus diários regionais interessados especificamente na guerra. A cobertura deve existir também nos jornais locais, mas deixar de lado as notícias de sua rua, bairro, cidade e estado pra noticiar, com atraso, quantos morreram no último ataque americano é bobagem.

É claro que a Guerra é saída para muitos jornais sucateados. Sai mais barato pegar tudo da agência que colocar equipes de reportagem na rua. Mas até jornais com alguma estrutura e com condições de produzir bom material local insistem em priorizar o que vem de fora. Depois, não adianta chorar o cancelamento das assinaturas.

Curitiba Pop Festival

Shows de abertura
Grenade (Londrina/PR)
MQN (Goiânia/GO)
Valv (Belo Horizonte/MG)
Cachorro Grande (Porto Alegre/RS)
Walverdes (Porto Alegre/RS)
Suite # 5 (Campinas/SP)
Tara Code (Recife/PE)
Wurla (São Paulo/SP)
Criaturas (Curitiba)
Primal (Curitiba)
E.S.S (Curitiba)
Catalépticos (Curitiba)
Faichecleres (Curitiba)
Svetlana (Curitiba)

Headlines nacionais
Otto
Nação Zumbi

Headlines internacionais
Rubin Steiner
Breeders
Stereo Total

O que estou escutando

Mission Of Burma
Signal, Calls and Marches

Uma das bandas mais legais do pós-punk americano. Signal, Calls and Marches traz os rapazes fazendo punk, noise e hard rock, em uma mistura que hoje é influência direta do emocore e stoner rock. Destaque para as faixas "Thats When I Reach For My Revolver" (regravada pelo Moby), "Red" e "This Is Not a Photograph".

Brasileirão

Não sou especialista, mas vou deixar minhas previsões para o Brasileirão por pontos corridos. O grande favorito deste ano é o Corinthians. O time é bom, o ataque melhorou em relação ao ano passado, Liédson tem tudo para estourar de vez e o Geninho é o melhor técnico do Brasil. Acho que o Cruzeiro, para desespero dos meus colegas mineiros, pode chegar. Pelo que se vê, Alex está jogando muito. Se os egos forem controlados, os meninos da Vila podem brigar pelo bi. Não acredito no São Paulo e o Rio não tem nenhum time decente. Acho que é isso.

 
Henry Chinaski é jornalista bebum e, quando está sóbrio, envia lá de Curitiba suas matérias para o ABACAXI ATÔMICO. E-mail: chinaski@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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